EINSTEIN - A CURIOSIDADE, A ESCOLA E A CULTURA CIENTÍFICA 1

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Física, divulgação da ciência, educação escolar
Minha intervenção no Porto em 1905, Ano Internacional da Física, a convite da Casa Museu Abel Salazar da Universidade do Porto (por ser um pouco longa vai em duas partes):A revista “Time” ao escolher, no final do século passado, o físico Albert Einstein para “Pessoa do Século” prestou homenagem a uma das pessoas que, ao longo dos tempos, mais contribuíram para a compreensão do Universo em que vivemos. Para além de ter dado vários outros contributos importantes relativos à matéria e à luz (alicerçando a teoria atómica e a teoria quântica), foi Einstein quem até hoje mais avançou na compreensão do que é o espaço e o tempo, reconhecendo que esses dois conceitos não são absolutos e ligando-os um ao outro [1]. Tal compreensão teve profundas implicações não só científicas como filosóficas. Foi também ele quem descobriu a relação de identidade entre outros dois conceitos físicos – não só diferentes como até aparentemente antagónicos - a energia e a massa. Mas mais: foi ainda ele quem descobriu que o espaço-tempo era alterado pela presença da matéria-energia e que nessa alteração residia a origem da velha força gravitacional de ...

A “Caixa do Purgatório” de Lorde Kelvin

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, educação escolar
Lorde Kelvin, o famoso físico britânico do século XIX, usava estranhos métodos pedagógicos nas suas aulas na Universidade de Glasgow para fazer interessar pela Física os estudantes de Teologia. Criou um instrumento - a "Caixa do Purgatório" - que é descrita no seguinte excerto do artigo "Lorde Kelvin demonstrado" de J. T. Loyd, professor na mesma universidade, publicado na "Revista Brasileira de Ensino da Física", vol. 29, nº 4, ps. 499-508 (versão on-line aqui; o original foi publicado na revista norte-americana "The Physics Teacher" 18, 16-24 (1980)). Editei ligeiramente a tradução brasileira."Kelvin, ao dar aulas, gostava de falar acima da capacidade de compreensão dos seus estudantes. Isso era exacerbado por uma peculiaridade no sistema de ensino de Glasgow, a saber, que os estudantes de Teologia tinham de ter aulas de Filosofia Natural - e, obviamente, a maioria deles não estava muito interessada nesse assunto. Embora esses estudantes formassem a maior parte da classe do primeiro ano, não havia dúvidas de que Kelvin tinha a tendência de dar aulas para o nível daqueles que iam continuar em física. Ele tinha um instrumento que era muito eficiente em induzir o interesse naquilo que ...

HUMOR - Quadros não interactivos

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Humor, Tecnologia, educação escolar

Educação Física e sucesso escolar

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, desporto, educação escolar
Novo post de Rui Baptista sobre a prática de exercício físico (na figura caricatura de Agustina Bessa-Luís, por André Carrilho): “Quanto maior e mais activa for a força lúdica mais a criança é inteligente e disponível para um destino superior”. ...

A UNIVERSIDADE E A NAÇÃO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, educação para a cidadania, escola
Com este título, a 16 de Outubro de 1904, o lente da Universidade de Coimbra Bernardno Machado (Rio de Janeiro 1851- Porto 1944), proferia na Sala dos Capelos a oração de sapiência na inauguração do ano lectivo de 1904. Vale a pena ler o início, encontrando-se todo o texto no livro "Orações de Sapiência. Século XX", Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 1997. Actualizei  a ortografia embora seja muito fácil ler na ortografia original. Lembro que Bernardino Machado foi Presidente da República eleito e destituído por duas vezes (1915-1917 e 1925-1926). Será menos conhecido que ele foi exonerado do corpo docente da Universidade de Coimbra em 1907 e reintegrado como professor da Faculdade de Ciências só em 1919."A tristeza que sinto, quando penso no nosso ensino! Professor, ambicionei consagrar-me sobretudo à causa da educação nacional. E foi, cheio de esperanças, que fiz por ela as minhas primeiras armas, crendo assegurados os seus triunfos pelo ardor com que os mais extremos caudilhos de todos os partidos acudiam, à porfia, a sustentá-la nos seus escudos. Lutava-se então, mas de esforços para bem a servir. Dentro em pouco, porém, o cenário da nosa vida pública mudou. A governos liberais, ...

Chumbar é retrógrado?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar
Sobre o "fim dos chumbos", transcrevemos excerto de um texto de opinião de Santana Castilho publicado no "Público" de ontem:"A propósito da recente conferência internacional sobre o ensino da Matemática, ocorrida em Lisboa no quadro do PAM (Plano de Acção para a Matemática), a inefável ministra veio dizer que o insucesso escolar custa ao Estado 600 milhões de euros. Mas não disse como chegou a esse número. Tendo por referência os 7093,8 milhões de euros que constituem a totalidade da dotação do seu ministério, dificilmente se aceita tal valor como razoável. Mas lá que serve para defender o fim dos chumbos (não me admirarei se o vir decretado a breve trecho) serve. Da torrente de declarações públicas em que a ministra tem sido pródiga após o "entendimento", duas são autênticas pérolas: "facilitismo é chumbar, rigor e exigência é trabalho" e "os chumbos são um mecanismo retrógrado, antigo". Subjacente a esta demagogia está, mais uma vez, uma acusação implícita aos professores que chumbam os seus alunos. Qual é o modernismo que a ministra opõe ao que qualifica de retrógrado e antigo? Entendamo-nos: a missão da escola é ensinar a todos os alunos que a demandam aquilo que está previsto. ...

O corpo na cultura portuguesa

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, desporto, educação escolar
Novo post convidado de Rui Baptista (o desenho infantil mostra Camões a salvar, a nado, "Os Lusíadas"):“Não é uma alma, não é um corpo, é um homem” (Montaigne)Em post anterior dei conta de tempos de Ramalho Ortigão que primaram pela verdadeira ausência de interesse dos poderes públicos pelas práticas físicas dos jovens escolares. Aliás, da falta de hábitos de exercitação física da população portuguesa se queixava igualmente uma das personagens de Eça de Queiroz, em “Os Maias”: “Nós não temos os jogos de destreza das outras nações – exclamou ele, esbracejando pela sala e esquecido dos seus males. Não temos o cricket, nem o foot-ball, nem o running, como os ingleses: não temos a ginástica como ela se faz em França; não temos o serviço militar obrigatório que é o que torna o alemão sólido…Não temos nada capaz de dar a um rapaz um bocado de fibra, temos só a tourada… tiram a tourada, e não ficam senão badamecos derreados da espinha, a melarem-se pelo Chiado”.Mas será que este desgraçado país teve, desde sempre, como fado mau e ruim ser a pátria envergonhada duma raça enfezada, de corpos ...

A vertigem do êxito

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar
Transcreve-se excerto do artigo com o título de cima da professora Maria do Carmo Vieira publicado no último "JL Educação" (7 a 20 de Maio):"A manter-se em funcionamento a brilhante equipa do Ministério da Educação, cujo canto 'a capella', mal ensaiado, encalha nas vozes do secretário de Estado adjunto da Educação e do secretário de Estado da Educação, são de esperar iniciativas tendentes a melhorar ainda mais rapidamente as estatísticas do ensino. As afirmações de que 'temos um sistema extremamente exigente e selectivo, que exclui uma parte significativa dos jovens (...) ' (Jorge Pedreira in Público, de 5/12/2007) e de que 'é um facto real que os países que não têm repetência, ou que têm taxas baixas, apresentam melhores resultados escolares medidos em termos de aprendizagem' (Valter Lemos, in Públicom, de 16/12/2007) parecem confirmar aquele objectivo. Assim, há que acabar com a exigência e, em simultâneo, a repetência, para que melhore o aproveitamento dos alunos. O êxito será então garantido se os alunos portugueses não se submeterem aos testes do PISA."

“Sábados no Museu” vão continuar até Junho

De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Ensino, cultura, divulgação da ciência, educação escolar
Reproduz-se uma notícia do Público on-line sobre a actividade do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra dirigida aos mais novos."Sábados no Museu" vão continuar até Junho*Coimbra: ateliês do Museu da Ciência já receberam 620 crianças*2008-05-08 15:48:00 Nicolau FerreiraO projecto 'Sábados no Museu' já conta com 620 participantes desde Novembro de 2007. Todos os sábados, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra tem ateliês diferentes sobre temas de ciência que são abordados de uma forma lúdica. A aposta tem sido um sucesso e vai continuar até ao final de Junho.'Queremos que as crianças venham brincar mas também queremos que aprendam assuntos sobre ciência', explica ao PÚBLICO Paulo Gama Mota, biólogo e director do Museu. O projecto é direccionado às famílias e têm vindo crianças de Coimbra e de fora da cidade.'Normalmente são pessoas que estão preocupadas que os filhos visitem espaços museológicos e que estejam em contacto com a ciência', diz o director, que adianta que muitos dos participantes são filhos de imigrantes vindos dos países de leste.Os ...

DIA DO PROFESSOR

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar
“Há um velho ditado que diz que o curso da civilização é uma corrida entre a catástrofe e a educação. Numa democracia como a nossa, temos de assegurar que a educação ganha."--John F. Kennedy“Toda a arte de ensinar é apenas a arte de despertar a curiosidade natural das jovens mentes com o propósito de a satisfazer em seguida".--Anatole FranceOntem foi Dia Nacional do Professor nos Estados Unidos. Não sei se por cá há um dia desses, mas, havendo tantos dias para tanta coisa, seria bom que houvesse. Transcrevo a justificação para o dia e a carta inspiradora que recebi da Associação de Professores de Física Americanos (AAPT) à qual pertenço:"The History of National Teacher DayIn 1944 an Arkansas teacher, Mattye Whyte Woodbridge, began a letter-writing campaign about the need to recognize the impact of the nation's educators. Woodbridge contacted leaders in politics and education, among them Eleanor Roosevelt, who took up the cause and persuaded the 81st Congress to proclaim a one-time National Teacher Day in 1953.National Education Association members and others continued to sponsor programs honoring teachers and their role in shaping the future. Since 1985 National Teacher Day ...

TIC e Educação Científica

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Tecnologia, educação escolar
Informação recebida do "Softciências", Centro de Competência Nónio em Coimbra:Vão realizar-se a 24 de Maio na Universidade de Coimbra as Jornadas "TIC e Educação Científica" com o seguinte programa: 9:30 Recepção dos participantes 10:00 - Sessão de Abertura com o Dr. Jorge Borges da ECRIE 10:30 - “Interactive boards: general advantages and some examples in science”, Dr. Wolfgang Graeber - IPN Leibniz - Institute for Science Education, Universidade de Kiel, Alemanha. 11:30 - Pausa para café 12:00 - “Divulgação científica em Portugal: avanços e perspectivas” (a confirmar) 13:00 – Almoço 14:30 – Apresentações “Boas Práticas na Educação Científica com Recurso às TIC” seguidas de Mesa Redonda Painel Emanuel Reis – professor de Ciências Físico-Químicas na Escola ...

Ramalho Ortigão e a educação integral dos jovens

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, literatura
Mais um post de Rui Baptista:“Mens sana in corpore sano” (Juvenal, Sátiras).Uma vez mais, debruço-me sobre “As Farpas” publicadas com o objectivo definido por Eça de Queiroz: “No estado em que se encontra o país, os homens inteligentes que têm em si a consciência da revolução – não devem instruí-lo, nem doutriná-lo, nem discutir com ele – devem farpeá-lo”. Esta vasta obra literária, de leitura obrigatória, descreve situações semelhantes às do actual contexto da vida portuguesa. Desta feita, focalizo a minha atenção, tão-só, em Ramalho Ortigão, nas palavras de João Maia, “saudável de corpo e alma”.A Ramalhal figura, membro da Academia das Ciências de Lisboa, em censura acerba aos políticos do seu tempo, dizia que “não eram homens de ciência, nem sequer homens do mundo, por não terem princípios nem ideias gerais”, justificando a sua opinião de forma corrosiva: “Pela sua cultura de espírito estão abaixo do mais corriqueiro leitor da ‘Revista dos Dois Mundos’ e do ‘Dicionário de Laroussse’. Como cultura física, indigência igual à da cultura mental. Se falando metem os pés pelas mãos, calados metem os dedos pelo nariz. Não têm ‘toillete’, não têm maneiras, ...

Rui Baptista versus Fenprof

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar
Na sequência de post anterior, transcrevemos a resposta do nosso habitual colaborador Rui Baptista, que foi publicada no "Público" de 25/Abril/2008:As minhas razõesFace ao esclarecimento da Fenprof, publicado hoje dia 22 de Abril, em resposta à minha carta “A máscara” de 17 de Abril, e pelo respeito que me merecem os professores e outros eventuais leitores das duas cartas, esclareço o seguinte:1. Alerta o dr. António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados: “Hoje há autocensura, pior do que a censura. Há medo instalado nas pessoas e falta de coragem para exercer a liberdade de expressão” ("Público", 21 de Abril).2. “No uso da licença e da liberdade de quem não pede favor senão justiça”, como foi costume na vida do Padre António Vieira, começo por esclarecer que não estou, nem nunca estive, contra um novo escalão de vencimentos a contemplar com justiça os professores titulares com trabalho acrescido no desempenho do cargo.3. Limitei-me a chamar a atenção para o facto de o documento emanado do ministério da Educação, no ponto 10, especificar que essa atribuição contempla “designadamente titulares de cargos políticos, autarcas e dirigentes de associações sindicais” (sic).4. Esse ...

Quem se mete com a Fenprof leva

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar
No "Público" de hoje, na secção "Cartas de Leitores", o secretário-geral da Fenprof reage violentamente a um escrito de opinião, publicado pelo mesmo jornal, de Rui Baptista, colaborador habitual deste blogue, em que ele falava de "má consciência sindical" a propósito do recente acordo Fenprof - Ministério da Educação. Trancrevem-se aqui o "Esclarecimento" do dirigente sindical assim como a opinião ("Máscaras") que lhe deu origem.Esclarecimento22.04.2008O senhor Rui Batista mentiu no PÚBLICO, em artigo publicado no dia 17 de Abril, ao afirmar que os sindicatos se renderam e se ajoelharam aos pés da ministra da Educação para deporem as armas no chão, explicando que tal se devia ao facto de ter sido criado "um novo escalão remuneratório para os professores titulares, que passaria a ser usufruído por "uns tantos detentores dos órgãos de soberania e das cúpulas sindicais".Na verdade, este índice remuneratório foi criado para garantir a paridade entre a carreira docente e a dos técnicos superiores da Administração Pública, conquistada em 1986 e perdida agora com a criação de um novo índice de topo para aqueles técnicos superiores. Ignorância à parte, e tudo indiciando não ser esse o problema do senhor Rui ...

Química no ensino básico - um instrumento de opressão

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Química, educação escolar
Do not all charms flyAt the mere touch of cold philosophy?There was an awful rainbow once in heaven:We know her woof, her texture; she is givenIn the dull catalogue of common things.Philosophy will clip an Angel’s wings,Conquer all mysteries by rule and line,Empty the haunted air, and gnomed mine -Unweave a rainbowJohn Keats in Lamia«Desvendando o arco-íris: A Ciência, a Ilusão e o Apetite pelo Deslumbramento» publicado pela Gradiva em 2000, é um livro de 1998 de Richard Dawkins que deve o nome à acusação de John Keats a Isaac Newton de que este destruiu a poesia do arco-íris explicando-o. De facto, para Keats a poesia/beleza do arco-íris seria indissociável da mística que permite imaginar panelas de ouro escondidas no local onde toca a terra, ver nele a túnica de Íris, mensageira dos deuses, ou o sinal da paz entre Deus e os homens.A verbosidade mística ou antes, a mítica construtivista, das orientações curriculares da Química no ensino básico (debitada por peritas em eduquês Ciências da Educação) parece inspirada em Keats. As emanações ...

Química no ensino básico - conhecimento holístico

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, avalição do desempenho, educação escolar
Nas últimas semanas tenho estado ocupada com a organização das Olimpíadas da Química, cuja semi-final regional aconteceu dia 5 de Abril no Técnico e de que ontem se realizaram as semi-finais da versão Júnior, destinada a alunos dos 8º e 9º anos.Quando me passaram esta tarefa pensei que as Olimpíadas+, destinadas a alunos dos 10º e 11º anos, dariam francamente mais trabalho até porque na prova que organizei participaram equipas do Algarve, das regiões autónomas, etc., o que levantava algumas questões logisticas que não se colocavam nas Júnior, em que a etapa que me competia organizar se destinava apenas a escolas da região de Lisboa.Engano meu, rapidamente esclarecido: as primeiras consistem essencialmente numa prova escrita igual para todos; na versão Júnior, realizada em mais escolas, cabe aos organizadores locais pensar e concretizar a prova, normalmente de cariz mais prático. Desenhar uma avaliação em Química para alunos do ensino básico foi uma dor de cabeça que fez empalidecer todos os pormenores organizativos. Foi igualmente muito didáctico, tão didáctico que apenas um post não é suficiente para abordar tudo o que a experiência propiciou.Devo confessar que nunca antes tinha olhado detalhadamente ...

A DREN e o segredo de polichinelo

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, política educativa
A habitual crónica de Rui Baptista sobre educação: A queixa apresentada por estes dias ao Ministério Público pela Direcção Regional do Norte (DREN) pela passagem nas televisões do filme feito com um telemóvel por um aluno da Escola Carolina Michaelis do Porto veio mostrar o grande incómodo deste organismo estatal pela vinda a lume de um verdadeiro segredo de polichinelo. Acontece que em 11 de Março deste ano, ou seja dias antes deste lamentável caso, chamava já eu a atenção neste blogue, no post “Sementes de Violência” (título retirado de um filme americano dos anos 70 que versava esta temática), para o recrudescimento em Portugal do fenómeno do “bullying”, isto é, actos de agressão, verbal ou psicológica contra indivíduos incapazes de se defenderem. Em nome da virtude pública e do ditado popular “a roupa suja lava-se em casa”, apesar de no interior das escolas reinar, em matéria de indisciplina e mesmo de violência, um verdadeiro inferno, convinha que passasse para o exterior que havia um verdadeiro paraíso comportamental. Ora, não assumir responsabilidades, escondendo a ...

Guerras da propaganda

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História, Política, educação escolar, política educativa
Deve-se a Dario Hystapis, um dos grandes reis aqueménidas (538-330 a.C.), um fenómeno que perdura até ao século XXI. O monarca atribuiu-se a defesa do Bem e da Verdade, projectando sobre os seus adversários a pecha de serem os defensores da mentira e do mal.A origem dessa dicotomia ética aplicada à política encontra-se no dualismo original da religião persa, codificada por Zarathushtra ou Zoroastro, em que Ormudz ou Ahura Mazda é o detentor da bondade e veracidade, em oposição a Arihman, o «grande satã», deus do mal e da mentira. Essa dicotomia ética/política atingiu o seu expoente com Mani ou Manes (séc. III), que criou uma religião que pretendia ser «ecuménica», o maniqueísmo, em que foram integrados elementos do hinduismo, zoroastrismo e cristianismo.Um mural do século XIII, pintado por volta de 1265 e descoberto há oito anos nos banhos públicos da cidade Massa Marittima, na Toscânia, é, na opinião de George Ferzoco, o primeiro «cartaz» de propaganda política na História. É curioso confirmar que embora o teor e forma das mensagens políticas propagandistas tenha evoluído ao longo dos séculos, o seu propósito não variou muito e continua próximo da inovação ...

A ministra criacionista

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Criacionismo, educação escolar
Maria Osmarina Marina Silva de Sousa Vaz de Lima, mais conhecida por Marina Silva, é a ministra do Meio Ambiente do país cujo acordo ortográfico com Portugal se discute no De Rerum Natura. Marina Silva é igualmente missionária da igreja adventista Assembleia de Deus desde 2004 e, na altura em que a análise dos últimos dados por satélite revelou uma aceleração no ritmo de destruição da Amazónia, revelou que os problemas ambientais com que o mundo se debate se devem ao facto de a humanidade, nomeadamente os que professam as restantes confissões cristãs, não a emularem na leitura da Bíblia como um manual de ecologia.Segundo a revista Época, certamente para a auxiliar na interpretação ecológica da Bíblia, «Na gestão de Marina, ela contratou o pastor Roberto Firmo Vieira, da Assembléia de Deus, como consultor do ministério, por intermédio de um contrato mantido com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo o site Eco, Vieira usa a estrutura do ministério para cultos, alguns com a presença da ministra».Claro que o pequeno pormenor de o Brasil ser, supostamente, um estado laico é um detalhe de ...

Professores no desemprego

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, educação escolar
Novo post de Rui Baptista: ...

Ciência, evolução e criacionismo

Paulo Gama Mota @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Evolução, Religião, educação escolar
O ensino da evolução deve ser amplamente feito nas escolas norte-americanas, ao mesmo tempo que se deve reforçar a importância da ciência na escola. Esta é uma das conclusões do comunicado de imprensa lançado há dois dias pela Academia das Ciências Norte-americana (NAS) e o Instituto de Medicina (IOM). As duas instituições que congregam os melhores cientistas do país e que representam a ciência em geral e a médica em particular nos EUA, lançaram um livro designado ‘Science, Evolution, and Creationism’ destinado a fornecer ao público uma imagem clara, actualizada e ampla do que constitui hoje o conhecimento científico sobre evolução e a qual a sua importância nas aulas de ciência, nas escolas.O comunicado enfatiza o facto de os avanços recentes em áreas como a medicina suportam e confirmam o papel da evolução como princípio organizador central da biologia moderna. Por esse motivo e pelo facto de recorrentemente surgirem tentativas de grupos de pressão, visando questionar o ensino da evolução nas disciplinas de ciências, os dois organismos lançaram esta obra que procura informar os cidadãos de que a evolução não é um conceito polémico que estaria a ser contestado por um número ...

“Vou-me licenciar por obra e graça do Espírito Santo”

Categorias: Ensino, educação escolar, pedagogia
Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro (1926-1993), o escritor português que também foi advogado e condutor de Fórmula 2, que viveu em Lisboa e em Londres, que conheceu as faces da ditadura e da democracia, tinha esse dom fantástico de olhar para o que se passava à sua volta com um humor perspicaz e corrosivo, o tal que ajuda, em muito, a ter consciência crítica. Entre 1969 e 1980, o país esteve sob a sua acutilante mira nas crónicas Redacções da Guidinha, que publicou, primeiro, no Diário de Lisboa e depois, no O Jornal.O texto que, de seguida, se lerá é descarada transcrição duma dessas crónicas: “Nestas coisas da vida uma pessoa ou tem sorte ou não tem eu cá por mim tenho de confessar que não sou das que tiveram mais sorte e tudo porque comecei a tirar a minha instruçãozita (sic) primária antes das reformas contra-reformas sugestões de reformas propostas de reformas discussões sobre reformas questões sobre reformas estudos sobre reformas esperas por reformas e o mais que há sobre reformas e o resultado deste meu azar de ter começado ...

Os números da Educação e do nosso descontentamento

De Rerum Natura Categorias: Ensino, economia, educação escolar
Comentário alargado de Rui Baptista ao recente post com a posição de Medina Carreira sobre a educação nacional:Neste blogue foi há pouco publicada, numa saudável provocação “para discussão”, uma notável entrevista de Medina Carreira (ex-ministro das Finanças do I Governo Constitucional), extraída do seu livro “O Dever da Verdade”, em que nos é dada conta do caminho seguido pela Educação desde que António Guterres, então primeiro ministro de Portugal, ter declarado a sua paixão por este importante sector com implicações de natureza cultural, económico e social de qualquer país desenvolvido ou em vias de desenvolvimento. Talvez que o exemplo das símias que de tanto amarem as suas crias as apertam de encontro ao peito até as asfixiar justifique o facto da Educação se não encontrar de boa saúde, necessitando para a sua sobrevivência de ingressar numa unidade de cuidados intensivos.Diz Medina Carreira, entre outras coisas: 1. “No que respeita à Educação (…) o esforço financeiro de Portugal é, em termos relativos, dos mais elevados da União Europeia/15”; 2. “Os professores não prestam contas da sua competência técnica ...

ÁGUAS PASSADAS QUE EMPERRAM MOINHOS

Categorias: Ensino, educação escolar, formação de professores
Na sequência de outro post - “Os erros pagam-se caro” -, publicado neste blogue, João Boavida, opina sobre a formação dos nossos professores.A formação dos professores tem sido esquecida e desvalorizada, o que é elucidativo da nossa (in)cultura. Quando a Universidade considera que a formação de professores é uma questão menor ou secundária, está a pensar em termos de uma presunção que tem os dias contados e de uma inconsciência cultural e social hoje inadmissível.Quando a população não exige professores qualificados, como o faria se fosse com profissionais da saúde, por exemplo, está a mostrar a sua deficiente formação, sendo a pouca importância que dá a isso uma consequência disso mesmo. Mas este facto, que até se compreende quando se refere a pessoas comuns, é inaceitável quando a atitude vem dos culturalmente evoluídos, ou pretensamente evoluídos, pois a cultura devia dar-lhes consciência do que está em causa, e é revelador que não dê. E se a dita mentalidade aparece até entre os profissionais do ensino, como ainda acontece, só pode querer dizer que têm uma consciência profissional (e cultural) com debilidades que desconhecem, para além de ser, no ...

“ELES, NO MUNDO DA EDUCAÇÃO…”

Categorias: Ensino, educação escolar
Mais do que comentários, o texto de Maria Filomena Mónica reproduzido neste blogue no dia 2 do corrente mês, evocou-me várias perplexidades que desde há muito procuro deslindar, sem, no entanto, ter conseguido avançar muito. Fico-me por uma delas: como se relacionam os poderes políticos com os saberes académicos e com os especialistas que admitem como colaboradores. As leituras que tenho feito sobre essas relações, nomeadamente sobre a construção e lançamento da bomba atómica, durante a Segunda Grande Guerra, ou sobre as viagens espaciais, durante a Guerra Fria, deixaram-me perceber que essas relações são tudo menos claras e desinteressadas, pois há, presumo, factores em jogo pouco partilháveis e aceitáveis. Deixaram-me perceber, também, que os especialistas rapidamente passam de heróis a vilões – por vezes acontece passarem de vilões a heróis –, arrastando nessa passagem sua a área de estudo. Deixaram-me perceber, ainda, que de um caso ou, concedamos, de vários casos, ou, se quisermos, de muitos casos se deduz a totalidade.Se não estou errada no meu raciocínio, isto explica em grande medida que, no caso da “bomba”, os físicos tivessem saído um bocado mal vistos junto da opinião pública, bem como ...

“QUEM ABRE UMA ESCOLA FECHA UMA PRISÃO”

Categorias: Ensino, Política, educação escolar
As cerimónias de regresso às aulas tornaram-se "obrigatórias", tanto para o governo como para a imprensa. E, portanto, é certo e sabido que, em Setembro, ministros, secretários de estado, jornalistas, professores, alunos e uns quantos figurantes dão corpo a quadros mais ou menos surrealistas.Digo que são quadros surrealistas por várias razões: por, como o Carlos fez notar em texto do passado dia 14, escolas públicas serem benzidas por sacerdote católico na presença do chefe governo; por estações de televisão entrevistarem crianças e jovens no espaço escolar, suponho eu, sem a devida e antecipada autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados e dos encarregados de educação; por se perceber que a visita da comitiva governamental estar combinada e organizada, mas querer dar-se a ideia de espontaneidade, por exemplo, a comitiva governamental aparece numa sala onde alunos e professor “trabalham tranquilamente” (com câmaras de filmar…)Neste ano resolvi passar por cima das notícias sobre a ida da tutela ao “terreno educativo real”, mas a minha atenção foi presa por um dito do nosso primeiro-ministro num telejornal. Não foi tanto o dito, mas o modo como foi dito. Passo a explicar....

EFICÁCIA DA PUNIÇÃO CORPORAL NA EDUCAÇÃO ESCOLAR?

Categorias: cultura, educação escolar, punição
Foi notícia recente nos jornais, que o Conselho da Europa pretende pôr fim aos castigos corporais, preparando-se para lançar proximamente uma campanha generalizada de sensibilização dirigida aos educadores e à sociedade em geral. O comissário dos Direitos Humanos desta organização esclareceu que, dos 47 países que lhe estão afectos, apenas 16 proíbem este tipo de castigo em casa e na escola e assinalou que nada justifica o “castigo razoável” ou o “correctivo lícito” (Guimarães, 20007). Aqui deixo uma pequena contribuição proporcionada pela investigação em pedagogia para o debate que se aproxima.Intimamente ligados à escola, os castigos corporais têm encontrado uma dupla justificação no quadro desta instituição: por um lado, assinalariam erros cometidos pelos alunos no plano da aquisição de conhecimentos e, por outro lado, corrigiriam comportamentos tidos por indesejáveis, sob o ponto de vista moral e social. Se a primeira justificação foi, progressivamente, perdendo argumentos a seu favor, podendo considerar-se ultrapassada; a segunda constitui um ponto de confronto que tem ocupado um lugar de destaque, tanto nos meios académicos, como nos meios educativos, como, ainda, na opinião pública.A recusa da utilização da punição corporal «para ajudar os alunos a ...
Design by j david macor.com.Original WP Theme & Icons by N.Design Studio
Entries RSS Comments RSS Login