A empresa é intrinsecamente amoral?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, economia, ética
O assunto da ética nos negócios está em Portugal na ordem do dia. O nosso leitor Filipe J. Sousa, Professor do Departamento de Gestão e Economia da Universidade da Madeira, enviou-nos, com uma introdução, um excerto de uma tradução sua do livro "The Concept of Corporate Strategy" de Kenneth Andrews, famoso professor de Economia de Harvard (na foto), sobre a necessidade de incorporar a ética na estratégia empresarial:A propósito da recente mediatização de recorrentes comportamentos éticos impróprios e reprováveis no mundo empresarial, penso ser conveniente revisitar os ensinamentos de Kenneth Andrews (1926-2005) - professor emérito da Harvard Business School e um dos precursores académicos da área da Gestão Estratégica - no seu livro seminal de 1971 sobre a estratégia da empresa, nomeadamente no que concerne ao que a empresa deve fazer (ao invés do que faz de facto)."O comportamento ético, à semelhança do exercício da preferência [individual], pode ser considerado um produto de valores. (...)A definição legal e económica do propósito da empresa como a maximização da riqueza do accionista [ou proprietário] leva, todavia de forma indirecta, a conclusões de que o comportamento [humano] que não seja claramente ilegal ...

Repensar o Nuclear

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ecologia, Política, Tecnologia, economia
Eis um novo texto de opinião de Armando Vieira:Quem visite o nosso país, e ouça alguns políticos, vai achar que vivemos um período de grande prosperidade. Desde um novo mega-aeroporto, várias linhas de TGV, auto-estradas mesmo ao lado de vias rápidas, há projectos para todos os gostos. Certamente que somos um país rico, dirá um irlandês, um país com apenas algumas dezenas de quilómetros de auto-estradas mas um rendimento per-capita duplo do nosso.À questão de “serão estes investimentos produtivos?”, o governo responde com a tradicional fuga para a frente. Faz-se e depois logo se vê. No período actual de grande endividamento e proximidade de recessão económica, todos parecem ter dúvidas menos o Primeiro-Ministro. Também, ao contrário dos analistas económicos, parece que raramente ele tem dúvidas e nunca se engana. Sorte a nossa ter chefes de governos tão esclarecidos.Na verdade existem muitas incertezas sobre o futuro, mas de uma coisa podemos estar certos. O consumo de energia irá aumentar inexoravelmente. Outra coisa que também podemos estar certos é que a actual fonte primordial de energia irá desaparecer dentro de duas ou três décadas. O nosso Primeiro-Ministro irá explicar-nos, com ...

Opel solar?

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Tecnologia, economia
Em Agosto, dei conta que o consórcio Joint Solar Silicon, constituido pelas empresas Evonik e SolarWorld, abriu uma fábrica de produção de silício «solar» em Rheinfelden, na Alemanha, com capacidade de produção de 850 toneladas de silício «solar» por ano.Hoje ficámos a saber que a SolarWorld pretende comprar a Adam Opel GmbH - quatro fábricas da Opel na Alemanha e o centro de pesquisa em Ruesselheim -, e transformá-la «no primeiro consórcio automóvel ecológico europeu».Numa Corporate News enviada à Bolsa de Frankfurt, a empresa alemã afirma que está em condições de pagar 250 milhões de euros em dinheiro e que pretende obter mais 750 milhões de euros através de uma linha de crédito a obter com um aval do governo alemão.O anúncio surge dois dias depois de uma reunião em Berlim do governo alemão com responsáveis da Opel em que foi debatida a atribuição de um aval do governo à empresa, que está a ser afectada por uma acentuada quebra nas vendas. Merkel prometeu uma resposta do executivo antes do Natal, mas pôs a condição de qualquer ajuda à Opel reverter apenas para a empresa na ...

Clusters e Pólos de Competitividade: para que precisamos deles e como devem ser promovidos

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, economia, inovação
Crónica de Norberto Pires, professor de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra e CEO da Coimbra Inovação, publicada no "Jornal de Notícias" de 16 de Novembro:A aposta do futuro depende fortemente da capacidade de gerar conhecimento e da sua utilização em actividade económica; isto é, depende em grande parte das empresas que incorporam conhecimento na sua actividade produtiva, criando valor e vantagem competitiva através de produtos inovadores que se diferenciam no mercado internacional pela sua novidade, qualidade e interesse comercial. Este objectivo obtém-se de três formas complementares:Apostando num novo paradigma de parques para acolhimento de empresas, nos quais a inovação em consórcio com universidades e centros de I&D é encarada como motor de desenvolvimento. É esse o conceito dos Parques de Ciência e Tecnologia, que têm como objectivo catalisar o desenvolvimento económico de uma região, através da promoção do desenvolvimento de empresas baseadas em conhecimento (e não só em tecnologia) incentivando a transferência de saberes entre empresas e centros de conhecimento tendo por base projectos de desenvolvimento em consórcio;Apoiando a constituição de clusters, isto é, a constituição de parcerias duradouras entre os vários parceiros para que em conjunto reforcem a sua contribuição numa determinada área, ...

Novo capitalismo?

Italo M. R. Guedes @ Geófagos Categorias: Ciência Geral, José Saramago, Política, economia, humanismo, mudanças de valores, nova ordem mundial, novo capitalismo, princípios iluministas
Encontrei o seguinte manifesto no blog do escritor português e ganhador do Nobel de literatura, José Saramago. São palavras de enorme lucidez e tomo a liberdade de copiá-las integralmente aqui. Merecem ser atentamente lidas: “Novo capitalismo?” Chegou o momento da mudança à escala pública e individual. Chegou o momento da justiça. A crise financeira aí está de novo destroçando as nossas economias, desferindo duros golpes nas nossas vidas. Na última década, os seus abanões têm sido cada vez mais frequente e dramáticos. Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema. Essas rupturas, que acabaram produzindo uma contracção funesta da vida económica actual, com o argumento do desemprego e da generalização da desigualdade, assinalam a quebra do capitalismo financeiro e significam o definitivo ancilosamento da ordem económica mundial em que vivemos. Há, pois, que transformá-lo radicalmente. Na entrevista com o presidente Bush, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarou que a presente crise deve conduzir a uma “nova ordem económica mundial”, o que é aceitável, se esta nova ordem se orientar pelos princípios democráticos – que nunca ...

Portugal as a living what?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, economia, educação, inovação
Novo post convidado de J. Norberto Pires, professor de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra e CEO da Coimbra Inovação:Fico indignado com a estória do "Magalhães" ser "totalmente concebido e produzido em Portugal", como dizia o nosso Primeiro Ministro (PM) na recente Cimeira Ibero-Americana. Sinceramente não percebo esta atitude. Não faz nenhum sentido. Não promove Portugal, não ajuda na atitude que temos de adoptar para melhorar a competitividade e a produtividade e não resolve nada relativo à nossa imagem externa.O "Magalhães" é um CLASSMATE da Intel (http://www.classmatepc.com/). Basta ver o site, na secção de vídeos, para ver a versão da Tailândia, Nigéria e Brasil.Talvez o "Magalhães" seja um bom negócio, algo que até justificasse o envolvimento do governo para trazer a produção para Portugal. Porque não? Talvez isso seja interessante, não sei se é. Poderia envolver a indústria de moldes e dos plásticos, anunciando uma parceria com a Intel para co-produzir um computador para o mercado estudantil. E até poderia envolver a indústria nacional do software, para produzir conteúdos em português, etc. E aí o PM dizia que, no quadro da política governativa para a educação, queriam introduzir um ...

ESTRANHO MUNDO NOVO

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, economia
Da "Conclusão" do livro "Adeus às Esmolas. Uma breve história económica do mundo" do professor de Economia na Universidade da Califórnia Gregory Clark, que acaba de sair na Bizâncio, transcrevemos:"É óbvio que Deus criou as leis do mundo económico para troçar um pouco dos economistas. Noutros domínios da investigação, como as ciências físicas, tem-se registado uma acumulação constante de conhecimentos nos últimos 400 anos. As teorias anteriores revelaram-se desadequadas, mas as que as substituíram integraram-nas e proporcionaram aos praticantes uma maior capacidade de prever resultados numa vasta gama de situações. Em economia, no entanto, verificamos que a nossa capacidade de descrever e prever o mundo económico atingiu o apogeu cerca de 1800. A partir da Revolução Industrial, os modelos económicos têm perdido, progressiva e continuamente, a capacidade de prever diferenças de rendimento e de riqueza ao longo do tempo e nos diversos países e regiões. Antes de 1800, as condições de vida diferiam substancialmente consoante as sociedades, mas o modelo malthusiano que se desenvolveu no interior da econmomia clássica analisa com êxito as causas dessas diferenças. Sabemos como o clima, a doença, os recursos naturais, a tecnologia e ...

Cantemos

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Política, Tecnologia, economia
Divulgamos a última crónica de José Luís Pio de Abreu no "Destak":A Islândia afundou-se na sua riqueza, os trezentos mil habitantes que viviam dos rendimentos têm de se dedicar de novo à pesca, conforme indicou o primeiro-ministro. O país modelo dos ultra-liberais Friedman e von Hayek recebe agora a esmolada ajuda do Fundo Monetário Internacional. E nós, portugueses, o que fazemos?A Lehman Brothers deu o sinal de que o dinheiro virtual já nada valia, permitindo entretanto que os seus altos gestores arrecadassem centenas de milhões em moeda. Os outros talvez sejam salvos pelos contribuintes norte-americanos porque George W. Bush se tornou generoso e intervencionista, mandando às urtigas as ideias liberais dos republicanos. E nós, portugueses, o que fazemos?Toda a Europa virou social-democrata, prontificando-se a nacionalizar bancos e indústrias estratégicas. Durão Barroso, Sarkozy, Merkel, Berlusconi, são agora os paladinos da economia de esquerda. E nós, portugueses, o que fazemos?Por todo o mundo, as bolsas descem teimosamente. Os predadores de empresas baratas andam por aí a salivar, mas ninguém sabe ao certo o que virá a seguir. E nós, portugueses, o que fazemos?– Nós, portugueses, cantamos o ...

O que aí vem economicamente +

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Hipertexto, aquecimento global, chimpanzés, costa do marfim, crise económica, câmara municipal da covilhã, douro, economia, lobo cinzento, sobreiros
F the Economy Bela t-shirt. Um gráfico que resume bem a situação económica dos EUA Infografia é o futuro como forma de simplificar assuntos complicados. Good Magazine. Árvore na linha do Douro Esta fotografia do leitor do Abrupto, Sérgio Martins, remete-me para o Mundo dos sonhos. Portugal podia ser todo assim, encantado. Mas estes recantos são cada vez mais raros. O que aí vem economicamente Será exagerado aconselhar que comecem a aprender a cultivar alguns alimentos? Telegraph, via Portugal Contemporâneo. Também sou reaccionário Principalmente perante pessoas de notória má qualidade. A Sombra Verde, ainda sobre os 3.000 sobreiros que a Câmara da Covilhã quer desbaratar. Administração Bush, ainda e sempre a arruinar o ambiente Delinquentes como estes, não há memória. TreeHugger. Quem ganha com o aquecimento global Segundo a Forbes. Eu sei quem perde mais: Os do costume. Genocídio de chimpanzés na Costa do Marfim Declínio de 90% na sua população em 20 anos. As pessoas vão aprender da pior forma que não se pode viver acima das possibilidades. A ecologia funciona da mesma forma que a economia. BBC.

O CHUMBO DO BOM ALUNO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Política, economia
Minha crónica no "Público" de hoje:Uma auto-avaliação é sempre uma avaliação incompleta pois um bom aluno só o é, de facto, se for examinado externamente e se, em comparação directa com os outros, não se sair mal da prova. Pois Portugal, tantas vezes chamado “bom aluno”, não se tem saído airosamente de algumas provas internacionais em que tem entrado.Dois relatórios internacionais sobre a desigualdade social recentemente publicados, um mais abrangente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outro mais restrito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), não classificam bem as políticas sociais do nosso país ao longo dos últimos vinte anos. Ambos convergem em classificar Portugal no grupo de países onde as desigualdades entre ricos e pobres são maiores. O estudo da OIT (“Desigualdades de rendimentos na era da globalização financeira”) mostra que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres tem vindo a aumentar sistematicamente ao longo dos últimos anos (que não tem necessariamente de ser assim é exemplificado pelo caso de Espanha, onde o fosso tem diminuído). Por outro lado, o estudo da OCDE (“Crescimento desigual?”) coloca-nos em terceiro lugar numa tabela de ...

NOVOS LIVROS SOBRE ECONOMIA NA BIZÂNCIO

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, economia
Informação recebida da Bizâncio:Gregory Clark, "Um Adeus às Esmolas. Uma Breve História Económica do Mundo"«O que causou a Revolução Industrial? Gregory Clark apresenta uma explicação fascinante e notável para este acontecimento que alterou a vida da humanidade após 100 000 anos de estagnação.»George Akerlof, professor de Economia da Universidade da Califórnia e Prémio Nobel da EconomiaPorque há zonas do mundo tão pobres e outras tão ricas? Por que razão se deu a Revolução Industrial — e o inédito crescimento económico que acarretou — na Inglaterra do século XVIII? Porque não outro lugar e outra época? Por que razão a industrialização não trouxe riqueza ao mundo inteiro? E por que razão tantas partes do mundo ficaram ainda mais pobres? Em Um Adeus às Esmolas, Gregory Clark procura responder a estas questões, avançando com uma nova, e provocadora, abordagem segundo a qual a cultura — e não a exploração, geografia ou os recursos — explica a riqueza e pobreza das nações.________________________________________________________________________________Eamon Butler, "O Melhor Livro no Mercado (Sobre o Mercado)"Está preparado para saber a verdade sobre os mercados? Estas páginas mudarão a forma como encara o mundo…Os ...

O melhor negócio do mundo!

Renato de Mei Romero @ Inteligência ecológica Categorias: Ciência Geral, Opinião conservacionista, consumismo, economia
Há algum tempo atrás escrevi aqui neste blog sobre o segundo melhor negócio do mundo, que na minha opinião era grilar terras e vender madeira na Amazônia. Naquela época esperava inspiração para escrever sobre o melhor negócio do mundo que teria algo a ver com o comércio do petróleo. Hoje conversando com amigos do setor financeiro, percebi como fui ingênuo em dar tanta trela aos personagens da trama e não ao roteiro por trás dela. O melhor negócio do mundo com certeza é a economia financeira e o setor bancário. Isto porque este setor não trabalha na geração de renda através de uma economia real, aquela palpável, que envolve o cotidiano de pessoas comuns. O setor financeiro cria dinheiro através da especulação e da venda do próprio dinheiro, aumentando exponencialmente o lucro dessa forma. Embora o termo seja batido, tudo funciona como um grande cassino, mediado por interesses pessoais e portanto regrado pelo dilema do prisioneiro (prometo um post sobre este fenômeno em breve). Seguindo as regras do jogo, não existe problema algum em agir dessa forma, é até esperado que façamos isso, cada um investe ou gasta ...

As crises e as certezas

Adilson J A de Oliveira @ Por Dentro da Ciência Categorias: Ciência Geral, caos, complexidade, economia
Coluna Física sem mistérioPublicada no Ciência Hoje On-line17/10/2008Nas últimas semanas temos observado (e sentido) os efeitos da crise financeira que está afetando todo o planeta. Como atualmente as economias estão interligadas, os problemas que surgem em um país afetam os outros, principalmente quando a crise ocorre no país que domina a economia global, que é o caso dos Estados Unidos da América. A globalização cada vez mais acentuada dos mercados mostra o quanto pode ser complexo um sistema com tantas variáveis. Algumas vezes, pequenas perturbações podem gerar grandes problemas. O atual sistema capitalista torna as economias dos países de tal maneira interdependentes que, quando as economias mais fortes atravessam problemas, eles se refletem em todo o mundo. Se pensarmos do ponto de vista de uma economia clássica, baseada no princípio de que tudo ocorre de forma ...

Será o fim para o capitalismo?

Isis Nóbile Diniz @ Xis-Xis Categorias: Ciência, Ciência Geral, Comportamento, Matemática, Sociedade, economia
Quero fazer algo inédito aqui no blog. Propor um debate mesmo. Segundo notícias que ouvi e li, a França, a Alemanha e o Reino Unido pediram nesta quarta-feira uma revisão do sistema financeiro internacional - as bases foram inauguradas na Conferência de Bretton Woods, em julho de 1944. Também, solicitaram que os líderes do G-8 – quero entrar nessa cúpula! - e as principais economias emergentes se encontrem no próximo mês para debater o tema. Eles querem re-fundar o capitalismo, mas, desta vez, que as finanças sirvam os cidadãos. E não o contrário. Um amigo jornalista de perfil “agressivo” – na linguagem econômica – está fazendo um curso na área. Seu receio sobre a atual crise é tão grade, que ele investiu boa parte do dindin na poupança. Teoricamente, o rendimento que menos rende – escrito dessa forma mesmo. Ontem estava conversando com um investidor mais “agressivo” ainda, para uma matéria. Ele é pessimista quanto às ações. Acredita que elas seguirão caindo despenhadeiro abaixo – e ficarão assim por bons anos. Daí, um outro amigo mandou essa: “O comunismo espalhava a pobreza, o capitalismo concentrava a riqueza e agora, o que virá?”. Eu tenho a impressão ...

HUMOR: O NOBEL DA ECONOMIA

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Humor, economia

Profecias auto-realizáveis

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Psicologia, economia
Crónica de J. L. Pio de Abreu no "Destak" de hoje: Um rapaz acredita que ninguém gosta dele. Em consequência torna-se antipático, o que leva a que, de facto ninguém goste dele. Este é o exemplo típico de uma profecia auto-realizável. A nossa vida está cheia delas. Muitos fenómenos psicológicos e psicopatológicos podem-se entender a esta luz: em certas condições, basta que se tenha uma crença para que ela se realize. As crenças (ou teorias) que os pais têm sobre os filhos realizam-se com frequência, podendo ser benéficas, se forem positivas, ou devastadoras, quando negativas. É por isso que uma teoria psicológica que adquira importância acaba por parecer verdadeira. Porém, não é a teoria que se adequa aos factos, mas sim estes que se adaptam à teoria. Ela será uma teoria, mas não uma teoria científica. As profecias auto-realizáveis ocorrem em todos os contextos interactivos onde os humanos são autores e sujeitos da crença, e simultaneamente visados por ela. Para além da psicologia, podemos encontrá-las na política, na sociologia e na economia. Imagine-se o que aconteceria se todos acreditássemos que os bancos iriam ficar insolventes: a crença realizar-se-ia. Há assim quem entenda que ...

IRRACIONAL

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, Psicologia, economia
Informação recebida da editora Lua de Papel / Asa:Texto na badana do livro "Irracional""Irracional levou-me a reconhecer uma faceta absurda das minhas experiências em Física. Houve alturas em que me precipitei para investigações que não faziam muito sentido... levado por um acto irracional, como a esperança de um sucesso rápido".MARTIN PERL, Prémio Nobel da Física"Se pensa que não sabe como pensa, então pense duas vezes. Aproveite esta viagem tão perspicaz quanto delirante ao ponto onde a economia, a psicologia e a sociologia se encontram, e ficará a saber como funciona a nossa mente demasiadamente humana."ALAN W. WEBBER, Director fundador da revista "Fast Company"AVISO: Se comprar este livro só por causa das recomendações que leu, está a ser levado a agir irracionalmente. Uma das forças psicológicas expostas em Irracional é justamente a nossa tendência para valorizar a opinião de pessoas com estatuto, poder ou autoridade. Mas não deixe de o comprar por causa disso.- Ori Brafman e Rom Brafman, "Irracional. O que leva pessoas inteligentes a tomar decisões erradas", Lua de Papel, 2008.,

Deus e os mercados

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, economia
Com a devida vénia transcrevemos a coluna do médico psiquiatra José Luís Pio de Abreu publicada hoje no jornal "Destak":Muitas pessoas que acreditam firmemente em Deus, também fazem profissão de fé nos mercados. Às vezes dá jeito que uma entidade exterior regule harmoniosamente a nossa vida, dispensando-nos de fazer um esforço por isso. Também é certo que o movimento da humanidade é ascendente: somos hoje muitos, mas existe mais justiça do que no tempo dos bárbaros e maior comodidade do que a do homem das cavernas. A explicação é que varia: será por causa de Deus, dos mercados, ou da maximização democrática da inteligência e esforço humanos?Às vezes acontecem coisas que fazem duvidar de Deus, sobretudo quando a maldade impune ou a desgraça gratuita nos batem à porta. Mas os crentes têm uma resposta: foi Deus que nos quis pôr à prova, foi castigo de culpa escondida ou aviso para uma penitência devida. Os Lentes de Coimbra interpretaram deste modo o terramoto de 1755, fazendo com que a prova que contraria a crença metafísica fosse tomada em seu favor.Agora que os mercados estão a ruir como um castelo de cartas, o que dirão os ...

Precisamos de cortar as emissões de CO2 uns 80% +

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Hipertexto, co2, corta relva, earth day, economia, educação, facilitismo, sarah palin, sustentabilidade, árctico
O gerador de nomes para bebés de Sarah Palin Genial. Se eu fosse filho de Sarah Palin o meu nome seria Gripper Carom Palin e um dia poderia ser presidente! Um cortador de relva inovador A ideia vem da Coreia do Sul. Toxel. Uma experiência económica fez apanhadores de fruta aumentarem muito a produtividade Slate. Globo logos Um filme de Daniel Vallée para o Earth Day. YouTube. Guia de campo da sustentabilidade para designers Ecolect. 2008 sem recorde de gelo derretido no Árctico Boas notícias! Nem por isso. Segundo Walt Meier, o ano passado teve condições óptimas para o gelo derreter o que não aconteceu este ano e mesmo assim ficou perto do máximo. BBC. Do 6º. para o 7º. ano com oito negativas e uma positiva Por este andar chega a primeiro ministro. A Educação do Meu Humbigo. Químicos do plástico utilizado em embalagens responsáveis por diabetes e doenças do coração Bloomberg. Precisamos de cortar as emissões de CO2 uns 80% Vai ser isso mesmo. Com reduções da taxa de crescimento das emissões de 10% em seis anos (o que por outras palavras significa que as emissões aumentarão até ao infinito). Guardian + Abrupto.

PROGNÓSTICOS SÓ NO FIM DAS ELEIÇÕES

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Política, desporto, economia
Minha crónica no "Público" de hoje: João Pinto, durante muitos anos defesa direito do Futebol Clube do Porto e da selecção nacional, ficou famoso não apenas pela sua genica em campo mas também pelas suas frases à margem dos jogos. Talvez a melhor seja a resposta que deu a um repórter que lhe pediu um prognóstico antes de uma partida importante: Prognósticos só no fim do jogo. Desde os tempos do Oráculo de Delfos que prever tem sido uma tarefa difícil. Muitos e muitos profetas falharam, porque não adoptaram a sábia atitude preconizada por João Pinto. Em particular, prever resultados de futebol sempre foi e continua a ser complicado, porque nesse desporto “tudo pode acontecer”. Modernamente, há, porém, métodos que nos permitem prever hoje quem vai ganhar os jogos de amanhã. Podem-se fazer sondagens, podem-se fazer apostas, pode-se perguntar a especialistas, ou pode-se, ainda, combinar essas possibilidades. E, “mutatis mutandis”, os modos de previsão que valem para o futebol poderão valer para a política. É hoje indiscutível o poder de sondagens bem feitas, que conseguem, com pequenas margens de erro, prever os resultados eleitorais. Pode-se ...

A tragédia de Hardin

Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, economia
"A Tragédia dos Comuns" é um artigo de Garrett Hardin publicado em 1968 na revista Science. Tem servido de fundamento pretensamente científico da economia de mercado, sobretudo a partir dos anos 80 do século passado. Mas muitos autores pensam que este artigo é uma farófia, e um deles é parcialmente convincente para o leitor imparcial: Ian Angus. O artigo está aqui, via Arts & Letters Daily.Quando li o artigo de Hardin fiquei espantado como podia ser usado para defender a ideologia norte-americana, pois tudo o que o artigo faz é pressupor que as pessoas são muito egoístas e portanto que é preciso um sistema que não deixe o egoísmo das pessoas levar a situações graves. No artigo não se argumenta 1) que as pessoas são realmente assim tão egoístas (apesar de ser óbvio que essa é a ideologia norte-americana) nem 2) que a única maneira de controlar o egoísmo deletério das pessoas é através dos mercados.O artigo de Angus é parcialmente convincente, mas enferma do mesmo tipo de ultra-simplificação ao pressupor que as pessoas são anjinhos comunitários. O argumento histórico usado por Angus não funciona, pois as comunidades auto-reguladas e ...

Energias alternativas e aquecimento global

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ambiente, Ciência Geral, climatologia, economia
O debate quente sobre o aquecimento global referido pelo Desidério pode manter as altas temperaturas neste Verão há alguns dias muito morno mas, na minha opinião, passa ao lado de um ponto importante que tem pouco a ver com possíveis efeitos climáticos e mais com efeitos económicos. De facto, e como já apontei, o debate sobre as alterações climáticas centra-se essencialmente no CO2 antropogénico, mais concretamente orbita aquele produzido pela combustão de um combustível fóssil em particular, o petróleo, e são postos na prateleira os outros GEEs. Assim, as directivas da UE - mas também as preocupações do encontro em Bali - incidem quasi exclusivamente na procura de fontes alternativas de energia e no aumento da eficiência energética dos dispositivos existentes (por vezes traduzidas em medidas absolutamente ridículas).As medidas que a CE implementou, nomeadamente as metas que pretendem que em 2020 sejam obtidos de fontes renováveis 10% do combustível usado nos meios de transportes e 20% da energia produzida, não foram alteradas apesar de a primeira meta se ter revelado totalmente contraproducente. Os problemas dos biocombustíveis que se pretende ...

A gestão vai à escola

De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, economia, revistas
Este é o título de um artigo da jornalista Joana Madeira Pereira publicado na revista "Exame" de Agosto de 2008. Obedecendo ao subtítulo "Recorrendo a analogias com outras áreas do saber, a gestão tem sabido produzir com arte o seu próprio conhecimento", trata da influência de várias disciplinas científicas na gestão. Eis dois curtos excertos, um relativo à física e outro à matemática:"Física - Executivos elásticosProva de lideranças fortes, a resiliência sempre foi muito adnmirada nos gestores. Importado da Física, o termo tem a sua origem na forma do verbo latino resilire, que significa "saltar de novo", e passou a ser usado no início do século XIX, quando o inglês Thomas Young começou a estudar a resposta elástica dos materiais a deformações [sic, deve ser forças deformadoras]. Fácil de comprovar, a teoria explica que, quando sujeita a uma força relativamente pequena, um material elástico deforma-se sendo que esta deformação é tanto maior quanto mais força se aplicar sobre ele. Carlos Fiolhais, professor catedrático na Universidade de Coimbra, explica que "a mola ou material acumulam energia se estiverem sujeito a uma força de tensão e restituem essa energia quando ...

Abelhas e conservação da Natureza

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ambiente, Biologia, Ciência Geral, Ecologia, economia
Os Estados Unidos, mais especificamente a Califórnia, são responsáveis por cerca de 80% da produção mundial de amêndoas. As amendoeiras são totalmente dependentes das abelhas para polinização e o sucesso da colheita do ano passado foi em grande parte assegurado por milhões de abelhas importadas. De facto, as abelhas são responsáveis por cerca de 30% dos alimentos produzidos nos Estados Unidos mas nos últimos anos os apicultores americanos têm tido dificuldade em encher de colmeias os camiões com que percorrem o país. Assim, esta e outras culturas estão em risco se não se travar o desaparecimento em massa de abelhas.Até há uns anos, a varroose era o principal problema da apicultura ocidental, nomeadamente da norte-americana. A parasitose provocada pelo ácaro Varroa destructor, detectada em 1987 nos Estados Unidos, era só por si um problema preocupante para a sobrevivência das colmeias mas recentemente a esta adicionou-se uma doença misteriosa baptizada Colony Collapse Disorder, CCD, que tem devastado as abelhas nos Estados Unidos. Em 2007, alguns apicultores perderam 90% das colmeias embora a média nacional tivesse sido de 31%. Entre Setembro de 2007 e Março ...

EU GOOGLO, TU GOOGLAS, ELE GOOGLA

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, Tecnologia, economia, língua
Minha crónica no "Público" de hoje (na foto Larry Page e Sergey Brin, os fundadores da Google):Sim, eu sei que o verbo não está no dicionário de português. Mas vai estar. Será dicionarizado em português, tal como já foi em inglês: to google entrou em 2006 no Oxford English Dictionary e no Merriam-Webster Collegiate Dictionary. Só não sei é se, com o acordo ortográfico, não vai ser grafado “guglar” e conjugado “eu guglo, tu guglas, ele gugla”. Espero que não, pois pareceria a voz de um perú. A origem do termo é curiosa. Vem da palavra googol, que foi criada em 1938 por uma criança de oito anos quando o seu tio, matemático, lhe pediu para dar um nome ao número um seguido de cem zeros. A variante google surgiu em 1998 quando um dos primeiros investidores num projecto de Larry Page e Sergey Brin, estudantes da Universidade de Stanford, passou um cheque de cem mil dólares, por lapso, a Google Inc. Era mais fácil criar uma empresa com esse nome do que pedir a emissão de novo cheque (no burocrático Portugal, o cheque teria sido devolvido). A palavra googol ...

A a Z da interferência política na ciência +

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência, Ciência Geral, Hipertexto, agro-química, aquecimento global, economia, golfo do méxico, iva
Neve no Oeste dos EUA a derreter mais cedo que o esperado Mais uma consequência do aquecimento global que levará a mais realimentação positiva. Science Daily. Previsão da maior zona morta no Golfo do México desde que há registos Uma das consequências da agro-química. Science Daily. Países Verdes Se é que se podem chamar assim. Time. Portugal vive acima das suas possibilidades há muitos anos Esta brilhante conclusão é do FMI. Mas ninguém diria, a começar pelo que se vê por parte do Estado e a acabar no cidadão comum, a quem andam a dizer há décadas que o que é necessário é gastar. Ir de férias para Varadero a crédito. Aumentar as poupanças vai ser o novo preto. Jornal de Negócios. A a Z da interferência política na ciência Union of Concerned Scientists. Pingo Doce acusado de cobrar IVA indevido O PCP continua a sua luta quixotesca, as televisões adoram. No Pingo Doce e nas grandes superfícies, os preços são mudados às centenas por dia. Eu preferia mais ética, o PCP decerto preferia a fixação de preços pelo estado. Diário Digital.

Manobra nuclear

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Energia Nuclear, economia, vítor constâncio
Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, poucos dias depois do “estado da nação” no parlamento, anunciou nas calmas que afinal a economia este ano não cresce 2%, mas sim 1,2% (a ver vamos). Em 2009, em vez dos badalados 2,3%, passamos para 1,3% (a ver vamos). Estes números não fazem parte do “estado da nação”, para não incomodar os digníssimos parlamentares. Astutamente e numa manobra que está nos manuais, falou também na “opção nuclear”. É o suficiente para desvalorizar em termos mediáticos as más notícias económicas. É esta a minha opinião sobre a credibilidade do “nuclear” em Portugal. E sobre a credibilidade do resto, também.

O EXEMPLO DO BIOCANT

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, economia
Minha crónica no "Sol" de hoje:O estado da nação não é, de facto, o melhor. Não é, em geral, o que poderia e deveria ser. Mas há excepções, bons exemplos que merecem ser mais bem conhecidos e emulados.O Biocant em Cantanhede é o primeiro parque português de biotecnologia. Deve-se à visão da Câmara Municipal de Cantanhede (basta ir a Cantanhede, muito perto de Coimbra, para verificar que nem todo o poder autárquico é mau) e das Universidades de Coimbra e de Aveiro, em particular o Centro de Neurociências de Coimbra, que foi o primeiro laboratório associado português. Dois amplos e modernos edifícios servem de sede e de complexo de laboratórios do Biocant. Neles fervilha intensa actividade, possibilitada pela presença de mais de cem investigadores, empresários e outras pessoas, a maioria dos quais bastante jovens. Está a começar a construção de mais dois edifícios nas imediações, um dos quais para o Centro de Neurociências. Ali constrói-se o futuro.Entre as empresas que aí funcionam é justo destacar a Crioestaminal, que está agora a fazer cinco anos, e que é a primeira empresa portuguesa no isolamento e preservação de células ...

GRANDES ERROS: FONTES INVENTADAS

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, economia, erros
Esta vem a propósito do estado da nação. A 28 de Maio de 2007 o conhecido professor de Economia da Universidade Católica João César das Neves escreveu uma crónica no "Diário de Notícias", intitulada "A Caminho do Sucesso no Meio do Disparate" em que voltava, tal como em crónicas anteriores, a referir uma tal Fundação Richard Zwentzerg. Começava assim o seu escrito sobre o estado da nação:"A Fundação Richard Zwentzerg nasceu em 1999 para estudar o atraso e subdesenvolvimento no mundo mas, logo no início da actividade, ficou fascinada com o caso de Portugal. É famoso o seu relatório de Março de 2000, O País Que não Devia Ser Desenvolvido - O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses. Aí se dizia: 'Portugal fez tudo errado, mas correu tudo bem. Os disparates cometidos na sua História são enormes. Só comparáveis com o sucesso que tiveram. Nenhum outro povo do mundo conseguiu construir... e destruir tantos impérios em tantas épocas e regiões. Hoje é um país rico, mais rico que 85% da população mundial. Mas conseguiu isso violando todas as regras do desenvolvimento.'A instituição publicou uma pequena colecção de estudos documentando a nossa realidade, até que a ...

África: um continente acorrentado por ele mesmo

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, Divulgação Científica, Governo, História, Livros, Política, Zimbábue, economia, África
É um chavão, mas vá lá: normalmente quando se fala em África a maioria das pessoas vai logo pensando em hordas famélicas num ambiente árido e sem esperança. E então elas se perguntam se não têm culpa neste sofrimento, pois afinal, além da escravização de boa parte da sua força de trabalho, o ocidente colonizou seus países explorando suas veias abertas, para enriquecimento das nações além mar. Mas será que foi, ou continua, desta forma? Robert Guest, editor de assuntos africanos para a The Economist em seu livro The Shackled Continent – Africa’s past, present and future (Ed. Macmilian, 280p., 2003, 11 libras e ainda não traduzido para o português, mas que poderia ter como título: “O Continente Acorrentado - O passado, presente e futuro da África”), tenta reverter a pergunta do porquê a África é tão pobre, para: por que a África é tão improdutiva? Por que mesmo representando aproximadamente 10% da população mundial este continente contribui com apenas 2% para o comércio mundial? Robert Guest morou em alguns países africanos durante três anos, e em 2004, após a publicação ...
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