Marcapasso contra a depressão

Felipe Epaminondas @ Ciência e Psicologia Categorias: Behaviorismo, Ciência, Ciência Geral, Comportamento, Medicina, Psicologia, Psiquiatria, Saúde, depressão, doença mental, farmácia
Passeando pela net, me deparei com este artigo, a seguir um trecho: Uma novidade pode reforçar o arsenal da medicina contra a depressão. Grupos de pesquisadores estão testando a eficácia de marcapassos no controle dos sintomas da doença, [...] Embora ainda experimentais, os estudos têm apresentado resultados animadores. O objetivo da implantação dos marcapassos é o mesmo dos medicamentos orais usados hoje contra a enfermidade. As duas estratégias têm como finalidade reequilibrar a concentração no cérebro de substâncias associadas às emoções.“ Eu achei essa idéia tão absurda que juro que nem soube por onde começar a comentar, escrevi e apaguei este primeiro parágrafo umas três vezes pois em todas acabei sendo “radical” demais ou ofendendo alguém. Melhor apenas defender minha postura: Eu não acredito que a depressão seja de origem genética nem que seja uma doença. Mas eu acredito que nosso corpo possui uma estrutura biológica herdada filogeneticamente para sentir, e em nossa ontogenia, ou seja, durante nosso desenvolvimento, esse corpo vai se adaptando ao meio que vivemos e em conjuntos de situações mais complexas como na perda de um ente querido, dificuldades financeiras, dificuldades de relações interpessoais, entre vários outras possíveis situações agravantes, acabamos adotando comportamentos rotulados como ...

Onde estão as doenças mentais? - Parte 2

Felipe Epaminondas @ Ciência e Psicologia Categorias: Behaviorismo, Ciência, Ciência Geral, Comportamento, Medicina, Psicologia, Psiquiatria, Saúde, comportamental, doença mental, esquizofrenia
Na semana passada levantei a questão de que as “doenças mentais” nada mais seriam do que padrões de comportamentos aprendidos durante a história de nossas vidas. É um conceito no início um pouco difícil de digerir e estou tentando explicá-lo de maneira simples, sem muito behaviorês. Quais são as implicações deste tipo de visão? No meu ponto de vista, a mais relevante é que se tiramos a causa do problema de dentro do cérebro (ou do universo mental) também deixamos de buscar as soluções nestes lugares. Se queremos ter controle sobre estes comportamentos inadequados, a resposta está nas relações do indivíduo com seu ambiente (histórico, físico, social). Através da Análise do Comportamento sabemos como comportamentos são aprendidos, como padrões de respostas aparecem nas mais diversas situações, como levar comportamentos à extinção, ou seja, temos o conhecimento necessário para uma intervenção eficaz. O problema é que a maneira como uma pessoa aprendeu a emitir um comportamento não é igual à da outra pessoa - o desafio é justamente em enxergar quais são as funções de um determinado comportamento, ou seja, identificar o que o está mantendo. O que fazer a partir daí também não é simples: alguns comportamentos podem ser ...

Onde estão as doenças mentais?

Felipe Epaminondas @ Ciência e Psicologia Categorias: Ciência, Ciência Geral, Comportamento, Psicologia, Psiquiatria, Saúde, doença mental
No último post mostrei um vídeo de uma mulher que tinha medo de palhaços. Parece tão bizarro mas é o mesmo medo que alguns de nós sente de altura, de baratas, de avião ou até de outras pessoas. Eu costumo defender a posição que doença mental não existe e é tudo aprendido, mas se é assim, então como explicar esses “sintomas”? Bom, tentarei explicar usando um exemplo que aconteceu comigo outro dia: consegui organizar uma viagem pra BH e isso me deixou muito contente, fiquei o dia todo mais sorridente, conversando mais, todo feliz… um amigo olhou pra mim e me perguntou “por que você está tão alegre hoje?“. Acontece que por causa de determinados fatores ocorridos eu passei a me comportar de certas maneiras que fizeram com que este meu amigo me percebesse como alegre. Não é que eu estava com um objeto chamado alegria dentro de mim, isso não existe - eu estava me “comportando alegremente”. Assim como não tenho tristeza dentro de mim, que ora desperta ora adormece, eu simplesmente me comporto de maneira triste. São apenas nomes dados à conjuntos de comportamentos. Da mesma maneira que eu não “tenho depressão”, nem “tenho fobias”, ...
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