Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the diabetes

Bi-linderona, da planta Lindera aggregata

A estrutura química do composto ilustrado a seguir, chamado de bi-linderona, foi publicada hoje na internet pela revista Organic Letters. Muito interessante. A substância, isolada da planta Lindera aggregata, apresentou atividade anti-diabetes, demonstrada através da resistência à insulina induzida por glucosamina em células do tipo HepG2, em uma concentração de 1 μg/mL. Olhando a estrutura, [...]Continue a ler Bi-linderona, da planta Lindera aggregata

Café é uma panacéia?


cafe

Notícia divulgada hoje no jornal Folha de S. Paulo on-line afirma que “Consumo diário de café retarda doenças do fígado”, segundo pesquisa realizada por Neal Freedman, do National Cancer Institute dos Estados Unidos.

O consumo diário de várias xícaras de café retarda a evolução de doenças do fígado, como a hepatite C, revela um estudo de pesquisadores norte-americanos divulgado na quarta-feira (21/10/2009). As pessoas que sofrem de hepatite C crônica e de outras enfermidades hepáticas em estado avançado que consomem ao menos três xícaras de café diárias reduzem em 53% o risco de evolução da doença em relação aos que não fazem o mesmo, destaca o estudo realizado pelo americano Neal Freedman, membro do Instituto Nacional do Câncer (NCI). A pesquisa analisou 766 pessoas com hepatite C sem resposta a tratamentos com antivirais e que bebiam ou não café.

A cada três meses, durante cerca de quatro anos, estes pacientes foram submetidos a biópsias para determinar a evolução da doença. “Observamos que a evolução das enfermidades era inversamente proporcional ao consumo de café”, explicou Freedman.

Uma das hipóteses sobre o papel do café é que ele reduziria os riscos de diabetes do tipo 2, frequentemente associada a doenças hepáticas ou inflamações. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 3 e 4 milhões de pessoas contraem hepatite C a cada ano, e em 70% dos casos a doença se torna crônica e pode provocar cirrose ou câncer de fígado.

xicara-cafeSurpreso, fui investigar a literatura científica sobre tais benefícios relacionados ao consumo de café. Em primeiro lugar, descobri que o trabalho mencionado na reportagem não é tão recente assim, e que foi publicado em 13 de julho deste ano, na revista Hepatology. Mas, na verdade, a maior supresa foi por ter encontrado vários artigos que atestam que beber café moderadamente traz vários benefícios para a saúde.

Por exemplo, segundo pesquisadores do Department of Plantation da Central Food Technological Research Institute da Índia, o café apresenta propriedades antioxidantes que podem prevenir o envelhecimento precoce e o surgimento de doenças degenerativas. Além disso, apresenta propriedades anticancerígenas, ajuda a eliminar substâncias nocivas do metabolismo humano, pode retardar o aparecimento de doença de Parkinson, o desenvolvimento de câncer de fígado e o surgimento de diabetes. Tais propriedades são válidas para um consumo moderado, de 3 a 4 xícaras de café por dia. O artigo de revisão bibliográfica

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Sacarose


açúcar

Inocente, alva, limpa e doce, a sacarose aparentemente se revela um problema muito sério para a saúde. Estudos recentes demonstram que diversas doenças humanas estão intimamente relacionadas ao consumo de açúcar. Além de cáries, obesidade e diabetes, também câncer e doenças neurológicas. Matéria de capa da revista VEJA desta semana, da qual não gosto, traz o assunto para discussão, e relata que pesquisadores norte-americanos consideram que o consumo de açúcar deve ser tratado como consumo de drogas. O assunto já havia sido tratado pela VEJA (aqui), mostrando que este tema é antigo. Livro polêmico, de qualidade discutível, mas com fatos interessantes, William Dufty publicou em 1975 “Sugar Blues“. Neste o autor traz uma série de argumentos que mostram que o consumo de açúcar é muito mais maléfico do que se pensa. O livro foi considerado “radical demais” por muitos, inclusive cientistas. Hoje deveria ser lido com olhos críticos, à luz das atuais evidências.

Sugar_Blues

Quando descoberto, o “açúcar branco” era consumido puro pelas elites européias, como droga que provocava estímulo, seguido de efeito depressivo. Nos dias de hoje se sabe que o consumo excessivo de sacarose traz uma série de problemas, inlusive de natureza psicológica (depressão), associados ao desenvolvimento de obesidade. O assunto é sério e deve ser objeto de uma discussão profunda por médicos, nutricionistas e órgãos reguladores de saúde pública, pois cerca de 30% da população do Brasil já é considerada obesa. Muitas vezes “escondida”, a sacarose permeia a alimentação em refrigerantes, massas e a maioria dos alimentos industrializados. Educar, informar e esclarecer é o passo mais importante para que se diminua o consumo de açúcar (sacarose), de maneira significativa. Todavia, levando-se em conta que sacarina, ciclamato, aspartame e outros adoçantes artificiais não resolvem o problema, e podem causar outros. Importante, mas muito difícil, é mudar hábitos e desenvolver sensibilidade para que se possa perceber quão doces podem ser frutas e cereais, sem a adição de açúcar.

sacarose

Atualização em 22/09/09: notícia divulgada no jornal “O Estado de S. Paulo on-line” diz que países desenvolvidos cogitam taxar alimentos calóricos, como refrigerantes, para frear o avanço da obesidade. Veja aqui.

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Mamãe passou açúcar em mim 2009-09-11 16:45:00

No Journal of Alzheimer’s Disease, um artigo de Ming Tong e colaboradores do Dep. de Neuropatologia da Warren Alpert Medical School-Brown University sobre os efeitos das nitrosaminas sobre a resistência insulínica me chamou bastante a atenção.
Como se sabe, recentemente estamos diante de uma sorte de "epidemia" de doenças relacionadas à resistência insulínica: Diabetes melitus do tipo 2 (DM2), Esteato-hepatite não alcoólica (NASH), e também Doença de Alzheimer (DA). Os autores afirmam que a exposição às nitrosaminas seriam uma causa de resistência insulínica.
A Estreptozotocina, uma molécula relacionada às nitrosaminas, já havia sido investigada pelo grupo que concluiu que causava resistência insulínica inclusive neurodegeneração do tipo Alzheimer. Os autores então hipotizaram que a exposição crônica às nitrosaminas poderia contribuir para a patogênese destas três síndromes e para isto expuseram ratos a um tratamento com N-nitrosodietilamina (NDEA) e após 2-4 semanas estes animais foram avaliados para disfunção cognitiva e motora, resistência insulínica e degeneração neural usando abordagem comportamental, bioquímica e molecular. Os ratos tratados apresentaram deficits na função motora e no aprendizado espacial, peroxidação lipídica, perda celular, níveis aumentados de proteína precursora de amiloide-β, amiloide-β fosfo-tau e imunoreatividade da ubiquitina, alteração da expressão (upregulation) das citocinas pró-inflamatórias e dos genes pró-ceramidas, que juntos levam à resistência insulínica. O tratamento causou diabetes do tipo 2 e esteatose hepática.
Em base a estes resultados, os autores concluiram que a exposição ambiental às fontes dietéticas ou não de nitrosaminas são um fator crítico para a patogênese destas síndromes e que uma maior detecção, e consequentemente prevenção, poderia ser útil no combate a esta epidemia.

*Nitrosaminas são encontradas facilmente em alimentos processados e também em cosméticos. São também produzidas em nossos corpos (suco gástrico).
Fontes comuns de nitrosaminas:
Alimentos: bacon frito, cerveja, leite em pó, salames, salsichas, alimentos curados.
Exposição ocupacional: produtos derivados do tabaco, do látex, indústria da borracha, metalúrgicas, pesticidas, indústrias químicas, cosméticos.

O que procurar e evitar nos rótulos de cosméticos (INCI):
Bronopol (2-bromo-2-nitropropane-1,3-diol)
Brononitrodioxane
Cocamidopropil betaíne
DEA (e condensados)
DEA-sodium lauryl sulfate
Morpholine
Padimate-O (octyl dimethyl PABA)
Quaterniums
TEA


Para ler o artigo:
Tong M, Neusner A, Longato L, Lawton M, Wands JR, de la Monte SM.
Nitrosamine Exposure Causes Insulin Resistance Diseases: Relevance to Type 2 Diabetes Mellitus, Non-Alcoholic Steatohepatitis, and Alzheimer's Disease.
J Alzheimers Dis. 2009 Jun 19.

* "Mamãe passou açúcar em mim", Copyright: S. Goraieb,2006Continue a ler Mamãe passou açúcar em mim 2009-09-11 16:45:00

Vídeo-aula: Diabetes

Vídeo-aula da LAPRACSCE - Universidade Estadual do Ceará - sobre Diabetes. Esta é a primeira de quatro partes. Para assistir, basta clicar nos respectivos links.

Parte 2 Parte 3 Parte 4


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Vídeo-aula: Diabetes

Vídeo-aula da LAPRACSCE – Universidade Estadual do Ceará – sobre Diabetes. Esta é a primeira de quatro partes. Para assistir, basta clicar nos respectivos links.

Parte 2 Parte 3 Parte 4


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Frutas cítricas e obesidade


frutas-citricas

A naringenina, um flavonóide encontrado principalmente em plantas do gênero Citrus (limões, laranjas, mexericas, mimosa, bergamota, morcote  e grape-fruit) apresentou grande potencial para prevenção de obesidade e síndrome metabólica (que pode levar ao surgimento de diabetes tipo 2 e favorecer doenças cardiovasculares), em estudo realizado por pesquisadores da University of Western Ontario (Canadá).

O estudo realizado com camundongos demonstrou que os animais que tiveram a alimentação enriquecida com naringenina apresentaram correção de taxas elevadas de colesterol e triglicerídios, bem como uma maior prevenção à resistência à insulina e o metabolismo da glicose normalizado. O interessante é que não foi necessária a diminuição calórica e de gordura administrada aos animais. Dois grupos de camundongos foram alimentados da mesma maneira, mas somente um deles teve o flavonóide adicionado à alimentação e não desenvolveu obesidade e outras disfunções metabólicas.

naringenina

A biodisponibilidade da naringenina é maior quando consumida in natura, ou seja, diretamente das frutas, do que se administrada como suplemento alimentar. Esta é mais uma evidência de que, melhor do que tomar vitaminas é ter uma dieta saudável, rica em vegetais (frutas, legumes e verduras).

O estudo foi publicado na revista Diabetes, e pode ser lido aqui (para as instituições que dispõem de assinatura deste periódico). A referência completa do estudo é:

Erin E. Mulvihill, Emma M. Allister, Brian G. Sutherland, Dawn E. Telford, Cynthia G. Sawyez, Jane Y. Edwards, Janet M. Markle, Robert A. Hegele and Murray W. Huff, Naringenin prevents dyslipidemia, apoB overproduction and hyperinsulinemia in LDL-receptor null mice with diet-induced insulin resistance. doi: 10.2337/db09-0634

Esta notícia também foi divulgada no site Science Daily.

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Curam macacos diabéticos com pâncreas de porco

Macaco comedor de caranguejos (Macaca fascicularis), espécie na que se fez a investigaçãoUm grupo de científicos do Instituto Científico Weizmann de Israel transplantou com êxito pâncreas de embriões de porcos em macacos diabéticos, e quatro meses depois os macacos estavam curados.O grande feito foi evitar a rejeição aguda típica dos xenotransplantes (transplantes de órgãos doutra espécie), e a
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Apostilas: Emergências no diabetes mellitus

Estas são duas apostilas fundamentais para aprender sobre emergências no diabetes. Nós que trabalhamos em urgência sabemos o quão frequente esta patologia é assim como suas complicações. Parece que tratam do mesmo assunto mas vale a pena ler as duas pois há detalhes em uma que não existe na outra. Elas se complementam.

Emergências do Diabetes Melliuts

Tratamento dos Estados Hiperosmolares e da cetoacidose Diabética

Abraços e até a próxima.

E lembrem-se, pedidos particulares de artigos ou outro material deve ser feito através do link Contato.


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As células tronco são o futuro?

Células tronco obtidas da pele

Parece improvável, pelo menos num futuro próximo, que consigamos reconstruir-nos com células tronco. Mas sim está previsto que se consiga, em breve prazo, curar doenças até agora incuráveis, como o cancro, a diabetes ou o parkinson.

O tipo de acção que as células tronco podem realizar é, como é conhecido, especializar-se (converter-se) em qualquer um dos tipos celulares normais, podendo assim substituir células danificadas no organismo, como acontece nos casos das doenças antes referidas e de muitas outras. 

O maior problema no desenvolvimento dos estudos com células tronco assenta no conflito ético que supõe a utilização fundamentalmente de embriões humanos para a obtenção de células tronco, sendo depois estes necessariamente desdenhados.

Isto supôs que George Bush, em 2001, proibisse nos Estados Unidos que se financiassem com fundos públicos federais as investigações com células tronco, o que contribuiu a travar o desenvolvimento destes estudos.

Surgia há uns dias uma alternativa que trazia a esperança a muitas pessoas que dependem de uma evolução nestas investigações para poder-se curar: Científicos da Escócia e do Canadá publicaram um estudo (ver no Washington Post), na revista Nature, no que expõem que descobriram um processo para converter de maneira segura outros tipos de células normais em células tronco.

Já antes se tinham obtido progressos em investigações deste género, mas para a transformação em células tronco utilizavam-se vírus, para introduzir os genes necessários nas células, e isto trazia alguns riscos acrescentados como a introdução de potenciais agentes cancerígenos, ou danificar o próprio ADN celular.

O estudo agora publicado indica que só será necessário introduzir quatro genes, e que os mesmos são retirados uma vez finalizado o processo.

Este novo método ainda se encontra numa fase inicial, e deve demorar 4 ou 5 anos até que se possam começar a realizar ensaios clínicos.

No entanto, esta tecnologia acaba de receber um empurrão mais, da mão de Barak Obama, que não só derrogou a anterior lei mas ainda disse também que as leis sobre a ciência devem fazer-se baseando-se em critérios científicos.

Por tanto, têm agora caminho livre para avançar as diferentes investigações sobre este novo e apaixonante campo das células tronco. Esperemos que para bem de todos.

Ver mais na Wikipedia.

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