Blogs de Ciência

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Archive for the desenho

Como desenhar um ovo

Como desenhar um ovo... com um compassoContinue a ler Como desenhar um ovo

Mais maravilhas do mundo de Alice: quando é que um argumento é cogente?

(Este desenho é de Sir John Tenniel, autor das ilustrações que fizeram  parte da edição original.) “- Que espécie de gente vive por aqui? - Naquela direcção – disse o Gato, levantando a pata direita – vive um Chapeleiro, e naquela, uma Lebre de Março. Vai visitar o que quiseres, são ambos loucos. - Mas eu não quero estar ao pé de gente louca – respondeu a Alice. - Oh, não podes evitá-lo –Continue a ler Mais maravilhas do mundo de Alice: quando é que um argumento é cogente?

Observação participante

Desenho de Antonia Santolaya. Mercado do Bulhão. Porto. Outubro 2008. Retirado do blogue Desenhador do Quotidiano. "A observação participante, que muitas vezes é também designada por trabalho de campo, caracteriza-se pela “inserção do observador no grupo observado. Se o investigador apenas se integra no grupo a partir do momento em que se inicia o processo de investigação, falamos de Continue a ler Observação participante

Desenhos com areia: será isto arte?

Muitos desenhos de Kseniya Simonova são (na minha opinião) belos. A sua realização revela perícia (eu, por exemplo, não seria capaz de fazer nenhum deles). É manifesto que exprimem ideias e sentimentos da autora. Esta, ao fazê-los e apresentá-los publicamente, comunica a outras pessoas essas ideias e sentimentos. Tal comunicação desperta emoções nessas pessoas e - presumivelmente – leva-as a reflectir e a debater acerca dos temas dos desenhos.

Serão estas razões suficientes para considerar artístico o trabalho de Kseniya Simonova?

O facto dos desenhos com areia serem efémeros poderá ser considerado uma razão para não serem considerados obras de arte?

O facto da generalidade dos especialistas em arte e dos artistas reconhecidos como tal, ignorar habitualmente os desenhos com areia e não os incluir nas suas listas de formas de arte, será razão suficiente para alguém que deles goste não os considerar obras de arte?

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Crime?

parede riscada grafitti

O crescimento dos graffiti nas paredes portuguesas tem sido exponencial. Trata-se de um comportamento errado que deve ser considerado crime ou, pelo contrário, de uma legítima manifestação da liberdade de expressão?

Outra questão pertinente (embora a resposta não diga respeito à Sociologia, mas sim à Filosofia) é: os graffiti são arte?

Para responder a essas questões, é ainda preciso fazer uma outra: o que é um graffiti? Qualquer risco na parede é um graffiti? Um rapaz que escreva nas paredes da escola “Amo-te, Yolanda!” faz um graffiti?

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Sem Deus tudo seria permitido?

«Afirma-se muitas vezes que é prejudicial atacar uma religião, porque ela torna os homens virtuosos. Confesso que não estou convencido disso. Conheceis, por certo, a paródia que Samuel Butler fez deste argumento no sue livro Erewhon Revisited.

Estais recordados de que um certo Higgs chegou a uma remota região onde passa algum tempo e depois se escapa num balão. Vinte anos depois, tendo aí regressado, ficou Albrecht Durer's Praying Hands rezar surpreendido ao deparar com um novo culto no qual ele próprio era adorado sob o nome de Filho do Sol. Recorde-se que, com efeito, subiu aos céus. Estava para breve a celebração da Festa da Ascensão, quando ouviu (…) [dois] altos dignitários da religião dos Filhos do Sol confidenciar uma ao outro que nunca tinham visto o chamado Higgs e que esperavam que jamais isso acontecesse. Cheio de indignação, aproximou-se e disse-lhes: ‘Vou esclarecer neste dia toda esta mistificação e dizer ao povo de Erewhon que eu, Higgs, sou apenas um homem como os outros e que, simplesmente, me servi de um balão para deixar o vosso país.’ Responderam-lhe: ‘Não faças isso, porque todos os princípios morais deste povo estão ligados a esse mito, e se souberem que não subiste ao céu, transformar-se-ão todos em malfeitores’. Persuadido, abandonou o país silenciosamente.»

Bertrand Russell, Porque não sou Cristão, Brasília Editora, Porto, s/d, pp. 28-29.

Os sacerdotes convenceram Higgs a não dizer a verdade argumentando que sem a fé religiosa não haveria razões suficientemente fortes para convencer as pessoas a agir moralmente: cumprir regras, respeitar os outros e os seus bens, etc. O romancista russo Fiódor Dostoiévski exprimiu essa ideia através destas célebres palavras: “Sem Deus tudo seria permitido”.

A ideia de que as pessoas não agiriam moralmente se não tivessem uma motivação religiosa presta-se a objecções óbvias, nomeadamente esta: há imensas pessoas que não têm qualquer crença religiosa e mesmo assim procuram agir moralmente. Por isso, é possível que mesmo sem Deus nem tudo fosse permitido.

Mas, mesmo que admitíssemos a necessidade de uma tal motivação religiosa, isso não seria – como sugere a história contada por Bertrand Russell – uma prova a favor da existência de Deus ou de outro ser sobrenatural qualquer. Com efeito, para se adquirir esse tipo de motivação e para que esta seja eficaz, não é necessário que Deus exista – basta que as pessoas acreditem que existe.

[Uma discussão mais…

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Interacção social: À espera que chegue a minha vez

Desenho: "À espera que chegue a minha vez na Segurança Social", de Eduardo Salavisa, no blogue Desenhador do Quotidiano.
O que é uma interacção social?
De acordo com Anthony Giddens (no livro Sociologia, 5ª Edição, Gulbenkian, 2007, pág. 695), é o "encontro social entre indivíduos. A maior parte das nossas vidas são povoadas por interacções de um tipo ou de outro. A interacção social refere-se a situações formais e informais nas quais as pessoas travam conhecimento umas com as outras. Uma sala de aula constitui uma ilustração de uma situação formal de interacção social; o encontro de duas pessoas numa festa ou numa rua é um exemplo de interacção informal."
No passado ano lectivo disse aos alunos de Sociologia para lerem dois ou três capítulos do romance "O Véu Pintado", de Somerset Maugham (Edições Asa). Pedi-lhes para sublinhar e assinalar passagens relacionadas com conceitos sociológicos: socialização, estatuto social, papel social, mobilidade social, etc.
Ao analisar esses capítulos na aula concluímos que, caso quiséssemos sublinhar e assinalar todas as passagens relacionadas com interacções sociais, teríamos que sublinhar e assinalar quase todas as frases.
Eis uma pergunta fácil mesmo para quem nunca leu o referido romance: porque é que chegámos rapidamente a essa conclusão?
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Winter wonderland – o frio, a neve e a leitura

“Winter wonderland”, desenho de Gabi Camapanario, no Seattle Sketcher Blog.

Escrevy sete ou oito linhas sobre o facto de nos países do norte da Europa (onde neva bastante, faz muito frio e anoitece cedo) as pessoas lerem mais livros do que nos países do Sul da Europa (nomeadamente neste parque de estacionamento à beira do mar plantado que dá pelo nome de Portugal), mas apaguei-as.

A imagem não precisa de legenda.

Por outro lado, um fenómeno como os hábitos de leitura, ou a falta deles, tem certamente causas mais complexas e humanas que o clima. Se se pudessem explicar os miseráveis índices de leitura que temos em Portugal só com o clima... Que bela desculpa que isso seria para algumas pessoas que eu conheço.

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Corrigir testes é… difícil

Desenho de Helena Monteiro (que é professora),
no blogue Desenhador do Quotidiano.

Quando ando a corrigir testes lembro-me muitas vezes do mar. Também me vêm à cabeça esplanadas sossegadas, miradouros com lindas vistas e cidades onde nunca fui, como Florença.
Não faço a mínima ideia do motivo de tais lembranças, mas garanto que não é vontade de fugir ao dever.
Seja como for, é uma evasão pedagogicamente compensadora: após um breve passeio mental regresso aos testes mais concentrado e atento.
Sugiro, por isso, aos futuros avaliadores dos professores - e digo isto sem nenhuma ironia - que recorram ao mesmo método.
Esplanadas sossegadas onde se possa ler um livro ou conversar com um amigo, miradouros com bonitas vistas... Se calhar é isso que faz falta ao modelo de avaliação do desempenho que se anda a discutir há tantos meses.
Sem ironia, repito.
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Queres um chá ou preferes café?

"Os Maias", Desenho digital de António Jorge Gonçalves, no blogue Sempre a Desenhar.
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