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Se você lembra disso, a velhice está na outra esquina…
Jayce e a Liga Relâmpago
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Muitos desenhos de Kseniya Simonova são (na minha opinião) belos. A sua realização revela perícia (eu, por exemplo, não seria capaz de fazer nenhum deles). É manifesto que exprimem ideias e sentimentos da autora. Esta, ao fazê-los e apresentá-los publicamente, comunica a outras pessoas essas ideias e sentimentos. Tal comunicação desperta emoções nessas pessoas e - presumivelmente – leva-as a reflectir e a debater acerca dos temas dos desenhos.
Serão estas razões suficientes para considerar artístico o trabalho de Kseniya Simonova?
O facto dos desenhos com areia serem efémeros poderá ser considerado uma razão para não serem considerados obras de arte?
O facto da generalidade dos especialistas em arte e dos artistas reconhecidos como tal, ignorar habitualmente os desenhos com areia e não os incluir nas suas listas de formas de arte, será razão suficiente para alguém que deles goste não os considerar obras de arte?
Continue a ler Desenhos com areia: será isto arte?O crescimento dos graffiti nas paredes portuguesas tem sido exponencial. Trata-se de um comportamento errado que deve ser considerado crime ou, pelo contrário, de uma legítima manifestação da liberdade de expressão?
Outra questão pertinente (embora a resposta não diga respeito à Sociologia, mas sim à Filosofia) é: os graffiti são arte?
Para responder a essas questões, é ainda preciso fazer uma outra: o que é um graffiti? Qualquer risco na parede é um graffiti? Um rapaz que escreva nas paredes da escola “Amo-te, Yolanda!” faz um graffiti?
Continue a ler Crime?«Afirma-se muitas vezes que é prejudicial atacar uma religião, porque ela torna os homens virtuosos. Confesso que não estou convencido disso. Conheceis, por certo, a paródia que Samuel Butler fez deste argumento no sue livro Erewhon Revisited.
Estais recordados de que um certo Higgs chegou a uma remota região onde passa algum tempo e depois se escapa num balão. Vinte anos depois, tendo aí regressado, ficou
surpreendido ao deparar com um novo culto no qual ele próprio era adorado sob o nome de Filho do Sol. Recorde-se que, com efeito, subiu aos céus. Estava para breve a celebração da Festa da Ascensão, quando ouviu (…) [dois] altos dignitários da religião dos Filhos do Sol confidenciar uma ao outro que nunca tinham visto o chamado Higgs e que esperavam que jamais isso acontecesse. Cheio de indignação, aproximou-se e disse-lhes: ‘Vou esclarecer neste dia toda esta mistificação e dizer ao povo de Erewhon que eu, Higgs, sou apenas um homem como os outros e que, simplesmente, me servi de um balão para deixar o vosso país.’ Responderam-lhe: ‘Não faças isso, porque todos os princípios morais deste povo estão ligados a esse mito, e se souberem que não subiste ao céu, transformar-se-ão todos em malfeitores’. Persuadido, abandonou o país silenciosamente.»
Bertrand Russell, Porque não sou Cristão, Brasília Editora, Porto, s/d, pp. 28-29.
Os sacerdotes convenceram Higgs a não dizer a verdade argumentando que sem a fé religiosa não haveria razões suficientemente fortes para convencer as pessoas a agir moralmente: cumprir regras, respeitar os outros e os seus bens, etc. O romancista russo Fiódor Dostoiévski exprimiu essa ideia através destas célebres palavras: “Sem Deus tudo seria permitido”.
A ideia de que as pessoas não agiriam moralmente se não tivessem uma motivação religiosa presta-se a objecções óbvias, nomeadamente esta: há imensas pessoas que não têm qualquer crença religiosa e mesmo assim procuram agir moralmente. Por isso, é possível que mesmo sem Deus nem tudo fosse permitido.
Mas, mesmo que admitíssemos a necessidade de uma tal motivação religiosa, isso não seria – como sugere a história contada por Bertrand Russell – uma prova a favor da existência de Deus ou de outro ser sobrenatural qualquer. Com efeito, para se adquirir esse tipo de motivação e para que esta seja eficaz, não é necessário que Deus exista – basta que as pessoas acreditem que existe.
[Uma discussão mais…
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Desenho: "À espera que chegue a minha vez na Segurança Social", de Eduardo Salavisa, no blogue Desenhador do Quotidiano.O que é uma interacção social?De acordo com Anthony Giddens (no livro Sociologia, 5ª Edição, Gulbenkian, 2007, pág. 695), é o "encontro social entre indivíduos. A maior parte das nossas vidas são povoadas por interacções de um tipo ou de outro. A interacção social refere-se a situações formais e informais nas quais as pessoas travam conhecimento umas com as outras. Uma sala de aula constitui uma ilustração de uma situação formal de interacção social; o encontro de duas pessoas numa festa ou numa rua é um exemplo de interacção informal."