Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Desabafo

Nojo de mim


Isso tem acontecido com mais e mais frequência.
Pessoas que prestam serviços essenciais ao meu estilo de vida estão ficando cada vez mais afastadas da minha realidade.

Pratos simplesmente somem da mesa e chãos aparecem limpos, como se louça e lixo fossem mais importantes que garçons e faxineiros, pois eu sinto mais facilmente a falta daqueles que a presença destes.

Estou na fronteira, no limiar, prestes a entrar num local que sempre desprezei, onde moram os esnobes e bossais, que acham que pessoas podem ser classificadas em dignas e não-dignas, elite e serviçais.

Eu tenho plena consciência de que existem pessoas que servem e pessoas que pagam para serem servidas, mas todos têm o mesmo ancestral comum com os gorilas das montanhas e não posso admitir que indivíduos sejam relegados ao barulho de fundo, como um chiado de fita cassete, imperceptível para quem desconhece sua existência e sequer reconhece sua utilidade.

E isso está acontecendo logo comigo, que sempre faço questão de agradecer pelo serviço prestado e até pergunto o nome do garçom vez por outra para ele ouvir seu nome sendo chamado intermitentemente.

Não prego que todos sejam tratados da mesma forma, pois isso seria, primeiro, impossível e, segundo, a pior forma de preconceito possível (pois todos são diferentes).
Mas todos merecem ser tratados com respeito (até um mostrar que não merece tal honra, aí vale até cuspida na cara), mesmo que esse ilusório conceito de “respeito” seja apenas a confirmação de sua existência, nem que seja com um aceno de cabeça.

Parece pouco, mas quem já está com a alma calejada de ser tratado como reboco de parede aprecia bastante quando alguém “do outro lado” sabe seu nome.
E, talvez, quem sabe, um dia, receber até um tapinha nas costas e, sonhar não custa nada, uma gorjeta pela simpatia desprendida.

Muitos pratos já sumiram da minha mesa. Preciso parar com isso.

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Ó PATRIA MÃE

Bandeira%20de%20Portugal.jpgAo olhar para os acontecimentos dos últimos dias, com a paragem dos transportadores de mercadorias nas estradas nacionais e europeias, fruto de descontentamento acumulado nos últimos 2 anos com a subida dos preços dos combustíveis é, com apreensão, que olhamos para o futuro, e com maior preocupação que observamos as ideias propostas para ultrapassar estas dificuldades e o modo como as querem implementar. É notório e justo reconhecer que muito tem sido feito nos últimos três anos no domínio das energias renováveis em Portugal, com especial destaque para a aposta na energia eólica e solar. Muita há ainda por fazer na área da energias das ondas e no biodiesel. Destas duas, a mais rápida e fácil de por em marcha, também menos onerosa, é o biodiesel. Das muitas formas possíveis de produção , a reciclagem de óleos vegetais de consumo doméstico e sua conversão em combustível "amigo do ambiente", ao mesmo tempo que libertamos as nossas centrais de tratamento de resíduos do pesado fardo da descontaminação dos esgotos, é a mais fácil e rápida a obter o retorno no investimento. Têm sido já publicitadas algumas iniciativas de pequena dimensão para a produção de biodiesel. Hoje, na rubrica Nós Por Cá da SIC, foi noticiado um excelente exemplo de inciativa, de um político- O Presidente da Junta de Freguesia da Ericeira- que apostou na recuperação dos óleos acumulados pelas empresas da indústria hoteleira local para diminuir o consumo de outros combustiveis derivados do petróleo, ao mesmo tempo que diminuía as emissões de poluentes para a atmosfera e para as águas da rede pública de esgotos. Estaríamos nós já a comemorar este exemplo de bom serviço à coisa pública e ao ambiente, não fosse uma inspecção do Ministério das Finanças ter determinado que esta produção de biodiesel era ilegal e que constituia fraude por se encontrar a laborar sem licença, e como tal, não tinha sido tributada. Mais detalhes poderão ler no Público de ontem, mas para resumir a história, se a Junta de Freguesia não pagar o imposto retroactivo pela sua actividade cidadã, em prol do ambiente, das populações e do país, arrisca-se a uma multa e a uma penhora dos seus bens! Não fosse este o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades e mais uma anedota portuguesa nos faria rir para ajudar a digestão do jantar.

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Meu querido amigo Vasco

Pensei logo em ti, quando li o seguinte: "A importância da diversidade na oferta cultural pode ser comparada à relevância da diversidade biológica, porque só assim conseguem as espécies sobreviver" Tu, que ficas com um fim-de-semana estragado quando o NYT dá uma calinada, diz-me por favor quantos meses levarás a recuperar duma barbaridade destas? Que posso eu fazer para te balsamizar estes tempos difíceis que certamente estás a viver?
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INEM Mais Ninguém

INEM%20FROTA.jpg O Portal da Saúde anunciou, em Junho do ano passado, que o Instituto Nacional de Emergência Médica tinha alcançado uma cobertura de 97% da população portuguesa residente no continente. Sem querer diminuir este valor importará não esquecer algumas questões suscitadas pelo episódio trágico de há um mês. Em concreto, um acidentado próximo de Odemira com traumatismo crânio-encefálico grave terá levado cerca de 6 horas a chegar a Lisboa para ser assistido por uma equipa neurocirúrgica. Tenho grande dificuldade em compreender por que motivo os serviços de emergência terão levado tanto tempo a percorrer 200Km mas foi após ouvir as declarações do Director Clínico do INEM à TSF que esta incompreensão se converteu em revolta. Ainda esta semana testemunhamos um exemplo de eficácia de uma grande equipa de Busca & Salvamento da Protecção Civil que localizou com êxito o corpo da última vítima do desastre ferroviário da Linha do Tua. É um exemplo de competência dos serviços e denota respeito para com os familiares das vítimas que só fica bem ao serviço público. Acontece que a vítima, desaparecida, estava morta. No caso de Odemira, a vítima só veio a falecer 4 dias depois. Apesar das dificuldades do terreno no rio Tua, 5 barragens foram encerradas. Em Odemira, um anónimo de 54 anos, sem a atenção dos "Directos" jornalísticos não foi, claramente, alvo do mesmo afã e da mesma dedicação. "Em Odemira não existem viaturas com apoio médico", disse à TSF o director clínico do Instituto, Nélson Pereira " refere um jornal diário. Eu próprio ouvi o mesmo director referir na mesma estação que "é evidente que não existe a mesma segurança nos cuidados de emergência médica em Odemira que em Lisboa"... Concordo com a política de encerramento das unidades de saúde que são inúteis e cuja função maioritária é a de assinar guias de transporte para hospitais centrais de Lisboa, Coimbra ou Porto, (para além dos gastos avultados de recursos escassos). Por isso mesmo estou completamente à vontade para criticar a atitude negligente do Serviço Nacional de Saúde quando descrimina os cidadãos de Odemira ou de qualquer outra região do país e não compensa a concentração dos serviços de saúde, pondo em marcha uma política exigente de emergência médica com cobertura total do território. É um imperativo constitucional assegurar equidade no socorro de todos os doentes através de meios

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Ciao!

Mfuscata.jpgEstou de saída. Tenho vontade de participar em algo que me permita escrever sem a preocupação de dar um "spin" científico a cada ideia que tenho. A participação neste blogue foi muito positiva. Permitiu antes de mais aprofundar amizade com pessoas que conhecia pouco mais que de vista e nelas descobrir qualidades inesperadas. Reconheço principalmente a Sofia, o Ricardo e o Santiago, grandes ajudas na árdua tarefa de desdramatizar a vida. Agradeço-lhes também, principalmente ao último, a muita argúcia na mirada com que raramente deixaram passar em silêncio um acto ou palavra (ou omissão) que pudessem atentar contra as "liberdades". E, falando de tolerância, quero declarar arrefecida a minha reacção ao post que a este precede. A clarificação dada pelo autor ao responder aos comentários completou o conteúdo do texto e foi suficiente para o meu entendimento da sua opinião. Se a minha atitude deixa algum aspecto de fanatismo ou intransigência, peço desculpa. Não quis com o meu comentário tirar ilações acerca da intenção de voto do autor nem insultar a sua inteligência. Temi apenas que fosse doravante costume do Conta a apresentação de textos de interpretação variegada e desprovidos de explicações quanto à sua escolha. Bruno, para ti, "aquele abraço". Foto: Macaca fuscata, habitante das fontes de água quente do Parque Natural de Jigokudani, Nagano, a norte do Japão. Continue a ler Ciao!

Inteligência

2006_sb_coaches.jpgOntem os "potros" ganharam aos "ursos" num dos maiores acontecimentos desportivos do ano nos EUA. Estava escrito. Em 41 anos de existência, nunca se registaram equipas dirigidas por Afro Americanos no Super Bowl. Este ano, tanto Lovie Smith (Bears, Chicago) como Tony Dungy (Colts, Indiana) são de raça negra. Mas disso pouco se falou nos meios de comunicação. Coisa boa a priori, pensaria eu. Infelizmente, a razão do silêncio pouco teve que ver com a igualdade racial finalmente assumida pelos media e reflectida, realmente, no colectivo. Primeiro pensei que outros interesses "naturalmente superiores" tivessem ocupado lugar cabeceiro no rescaldo ultra dissecado do jogo de ontem. Como por exemplo, o facto de ter rompido records de audiência emissão televisiva, simultaneamente representando para o respectivo consórcio um lucro significativo e um acrescido peso imediato no mercado bolseiro de Nova Iorque. Mas não. "Googlear" Super Bowl hoje significa encontrar um número pouco usual de ligações a portais da imprensa cristã estado-unidense. Parece que outro aspecto em comum entre as duas equipas técnicas finalistas é o fervor religioso. Muito à semelhança dos brasileiros numa final de outro tipo de jogo, Tony Dungy apontou logo para o alto ao soar do clarim final (embora Smith nunca tenha indicado o chão, digo Inferno, no seu momento de derrota). Diz quem viu que, pouco depois de receber o objecto de todo um ano de esforço, Dungy dedicou-se a um discurso acerca da justiça divina, da caridade e demais virtudes teologais, e de como, principalmente, o resultado final ter sido (ao contrário do que a maioria supunha) uma escolha única e exclusivamente divina, uma vez que ambos finalistas eram ... good christians. Apesar da lógica duvidosa, um alívio parcial. Por momentos pensei ver o seu catequizar a apontar quilhas rumo ao intelligent design. Continue a ler Inteligência

Lufthansos

old_lufthansa1960_01a.JPGEscrevo do avião, cinco da manhã em Vila do Conde, meia-noite em Nova Iorque. O passageiro transatlântico de segunda classe experimenta da Lufthansa a objectividade (convencionada como) "tipicamente alemã". Um claro exemplo que demonstra o porquê daquele bilhete ser o menos caro de todas as ofertas "online" é o entretenimento disponível. Um único, mísero filme (com um título à altura do conteúdo) que só duas pintas de cerveja, um gin tónico, três copos de maduro branco e um Baileys podem tornar “assistível”. Junto o consumo deste último licor à seguinte confissão: nem a Akeelah nem a sua abelha soletradora (mais uma sugestão hollywoodiana de que nos EUA só é possível a emergência do gueto ou para o estrelato desportivo ou para profundidades etimológicas) foram capazes de arrancar-me uma lágrima. Porém, perante a impiedade destas linhas aéreas para com o meu vício de "infosurfista" (preço da Internet nos aviões: 26 dólares à hora), derramo calmamente o meu pranto entre as horas ténues que separam o hoje do ontem. Um documentário narra a saga do Jardim Zoológico de S. Diego que durante três anos procurou com sucesso a reprodução de Pandas em cativeiro. Afinal uma produção interessante do Discovery Channel que inclui novidades científicas conseguidas através de cuidadas e (por conseguinte) trabalhosas horas observando o comportamento, habitat e demais aspectos do nicho destes animais. O melhor do estudo de Ailuropoda melanoleuca permitiu o nascimento de uma cria em cativeiro, um fenómeno que adquiriu proporções mediáticas inesperadas e contribuiu assim para a popularidade da (a meu ver) única vantagem do zoo: condições controladas para a preservação das espécies. O Washington Post até ofereceu (se é que ainda não oferece) durante meses o acesso gratuito a uma câmara de televisão que permitia a observação permanente da cria. Repentinamente, uma metamorfose a telenovela: alguém da equipa californiana deixou de lado o desenvolvimento do “urso” recém-nascido para ler mensagens aparentemente colhidas ao acaso entre o abundante correio electrónico chegado ao seu servidor. Uma delas vem do Iraque. Diz o soldado que assistir em directo ao crescimento da cria ...jorrou luz, conforto e esperança sobre aquele seu ambiente; que ele e os colegas deixavam diariamente os tiros para espreitar a filha da Bai Yun; que se sentem mais unidos, etc... E foi assim que um passageiro à procura do sono, de nádegas semi calosas,

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POR QUÊ SÓ BONS NA BOLA?

Hoje temos outro convidado. Carlos Fiolhais é Físico (oh, não, um físico a escrever num blog de Biologia!) e um excelente comunicador de ciência que não necessita apresentações. Este desabafo sobre futebol foi escrito para o Campeão das provincias, depois da vitória de sábado, mas pareceu-me boa ideia pô-lo aqui também (apesar da recente derrota), com os devidos agradecimentos.

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O futebol é um jogo simples baseado nas leis da física. E não é preciso invocar a física mais moderna (que é necessária para transmitir audiovisualmente os jogos), mas sim e apenas a velha física de Newton. A bola é um projéctil sujeito às leis da mecânica que se aprendem na escola.

Armando Vieira, um físico doutorado na Universidade de Coimbra, publicou recentemente um artigo numa revista norte-americana em que explicava um efeito estranho no pontapé. Essa contribuição portuguesa para a ciência do futebol não passou despercebida aos “media”: o “Público”, a SIC e a Sport-TV entrevistaram-no (na última junto com o ex-goleador Mário Jardel).

Os ingleses também estudam a ciência do golo. O último “Expresso” noticiava que um físico inglês, Ken Bray, da Universidade de Bath, tinha analisado no seu livro
“How to score” (“Como marcar golos”) a melhor forma de marcar penaltis. Pesquisando jogos como o do Portugal-Inglaterra do Euro 2004, concluiu que há zonas que são alvos indefensáveis, pois estão fora do alcance do guarda-redes.

Pois no último Portugal-Inglaterra a história repetiu-se. Os jogadores ingleses não devem ter lido o livro tão premonitório (dizia que o guarda-redes pode cobrir 72% da área da baliza) do seu conterrâneo. Não houve nenhum milagre da Senhora de Caravaggio ou da Senhora de Fátima, mas sim falta de pontaria inglesa e, claro, habilidade do nosso guardião. Quanto às leis de Newton verificaram-se mais uma vez e o Ronaldo sabe tirar partido delas: um pontapé aqui com uma certa velocidade dá um golo ali, onde o “keeper” não a pode apanhar.

Vi o jogo e estou, evidentemente, muito contente com a vitória lusa. Mas, perante o desvario que grassa entre nós com o futebol, gostava de colocar uma só questão: Por que é que havemos de ser apenas bons na bola? É que os ingleses – e já agora todos os semi-finalistas – são, além de bons na bola, bons noutras coisas. Por exemplo, para não ir mais longe, nas leis da física e nas equações…

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Previsão estatística

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A febre dos golos também pode ser científica. Assim, um grupo de matemáticos publicou a demonstração de que quando uma equipa marca o primeiro golo, tem mais hipóteses de vir a marcar muitos mais, devido, a factores tais como a maior confiança da equipa nas suas capacidades. Isto significa que as equipas não marcam sempre um número de golos proporcional às suas capacidades futebolísticas, mas sim são empurradas para a glória depois de marcarem um ou dois golos consecutivos.
Este efeito é menos notório em competições como o Campeonato do Mundo do que, por exemplo, nas ligas de cada país. Provavelmente, isto deve-se a um maior grau de competência e igualdade de qualidades das equipas que chegam às finais.
Resta-nos esperar que, amanhã, PORTUGAL marque um primeiro golo bem cedinho e que a esse primeiro se sigam muitos mais!

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Do Expresso

Portugal evita ‘fuga de cérebros’
PORTUGAL está a atrair cada vez mais cientistas estrangeiros. Os últimos dados da Fundação para a Ciência e Tecnologia relativos a 2000/2006 mostram que o número de doutorados estrangeiros a quem foram atribuídas bolsas para fazerem investigação no nosso país (753), supera largamente os portugueses bolseiros a fazerem investigação no estrangeiro (345), o que é uma realidade inteiramente nova.
Jornal O Expresso, edição de 24 de Junho de 2006, primeira página.

Mesmo que estes dados sejam referentes apenas às bolsas de pós-doutoramento da FCT, custa a crer que os números sejam verdadeiros. No entanto, é díficil ter acesso ao número total de bolseiros da FCT. Em todo o caso, a maioria dos doutorados a trabalhar no estrangeiro não é financiada pela FCT, o que implica que Portugal não está verdadeiramente a evitar a "fuga de cérebros"...

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