Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Darwin

Acaso, Aleatoriedade e Propósito (Parte 2)

Bolas aleatórias Quero crer que os conceitos expressos no artigo anterior tenham ficado claros para continuarmos. Noções como heurística, teleologia e teleonomia são de suma importância para que entendamos não só o processo científico, mas os motivos pelos quais os argumentos criacionistas e de sua vertente pseudocientífica (o Design Inteligente) não se sustentam dentro daquilo que alegam pretender: serem uma alternativa às teorias vigentes e ter o estatuto de conhecimento científico.

Nesse artigo tentarei discorrer sobre a possibilidade da emergência de estruturas complexas cujo Télos se defina dentro do próprio processo e dispensa a necessidade de uma intencionalidade e direcionamento prévios: pilares dos conceitos criacionistas de Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada. Esses conceitos, cunhados por seus autores Michael Behe e William A. Dembski respectivamente, trazem como conseqüência (nos argumentos de seus autores) a exclusividade da conclusão lógica de um projetista inteligente para todas as formas de vida.

Minha idéia, assim como de muitos que vêem uma separação heurística fundamental entre fazer ciência e outra atividade qualquer, não vai em direção (insustentável a meu ver) contra a existência nem de Deus e nem da possibilidade de algum tipo de direcionamento ou impulso prévio que manteria ou desenvolvesse a vida dentro de certas restrições. Minha idéia é demonstrar que, mesmo concedendo a possibilidade dos “tedeístas” e criacionistas estarem certos, a forma como eles postulam suas hipóteses não tem sustentabilidade nem científica e nem dentro de seus próprios raciocínios, pois:

1 – Sua heurística se baseia em raciocínios que hiperbolizam suas observações condicionadas por pressupostos não demonstrados e tomados como absolutos e

2 – Seus pressupostos requerem um nível de cognoscibilidade atual impossível, sendo que se eximem de demonstrar sua possibilidade.

Dessa forma, como indicado ainda no artigo anterior, faltará abordar também a própria idéia de Deus como conceito lógico que dispensa qualquer necessidade de atribuição necessária de um propósito próprio, sendo que postulá-lo, significa tão somente atribuir nossos propósitos, carências e desejos em uma idéia que fazemos d’Ele. Seria, sobretudo, inferir que teríamos acesso à Sua natureza, Seus desejos, impulsos e modos de Ser. Isso, sem dúvida, constitui-se em uma arrogância sem tamanho e nada nos garante que tenhamos acesso a esse tipo de conhecimento para postulá-lo. Ou seja, a petição de princípio que fazem para chegar às conclusões que chegam, necessita de algo fora do magistério científico: a fé.…

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Evolução


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Novas espécies de coral são achadas em Galápagos

Cientistas descobriram até seis novas espécies de coral perto das Ilhas Galápagos, na costa do Equador, alimentando esperanças de que as formações podem ser mais resistentes ao aquecimento dos oceanos do que se acreditava.

O pesquisador Terry Dawson, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que realizou a pesquisa marinha, disse à BBC Brasil que foram encontradas “cinco ou seis espécies novas para a ciência”, além de “três outras que são novas para as Galápagos e são semelhantes a espécies encontradas em lugares como o Panamá e a Costa Rica”.

Dawson acrescentou que também foi achada uma espécie que os cientistas acreditavam ter desaparecido após a última grande manifestação do fenômeno El Niño, entre 1997 e 1998.

O projeto de três anos, que procura auxiliar o governo do Equador na preservação do ecossistema das Galápagos, concentrou-se em duas ilhas – Wolf e Darwin – no noroeste do arquipélago.

El Niño

A descoberta levanta duas questões, disse Dawson. A primeira hipótese é que os corais seriam mais resistentes ao aquecimento das águas decorrente do El Niño do que se acreditava.

A segundo é que os corais podem estar se adaptando e se tornando mais resistentes ao fenômeno.

O pesquisador admite, contudo, que há pessimismo no mundo científico quanto ao futuro dos corais. Em longo prazo, se os corais não forem destruídos pelo aquecimento das águas, podem acabar vítimas da acidificação dos mares.

Esse fenômeno é provocado pela concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que também provoca o aquecimento global.

Recifes de coral são formados por depósitos de carbonato de cálcio deixados ao longo de milhares de anos por bilhões de pequenos organismos chamados pólipos de coral.

Fonte: BBC Brasil – Ciência

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O Ensino do Criacionismo em Aulas de Ciências

adao_e_deus Toco, não contra minha vontade, em um assunto polêmico, porém necessário. Antes da defesa de qualquer bandeira não há como analisar um fato e posicionar-se dentro de uma perspectiva sem que as cartas estejam na mesa. Até porque mesmo que já tenhamos como pano de fundo uma perspectiva, é preciso analisar os fatos para que o posicionamento seja coerente e justificado dentro do mínimo de bom senso que se espera. Até porque os fatos nunca são eles próprios de forma pura e simples. Há sempre coisas em jogo além dos fatos quando se olham os fatos.

A questão central é que para quem preserva um firme propósito diante da verdade, se os fatos sugerirem ou demonstrarem que nossa perspectiva esteja equivocada, começamos a perceber uma desconstrução natural de nossas crenças e assistimos um reposicionamento progressivo na amplitude de nosso olhar sobre o mundo. Os fatos nunca estão isolados. Sempre existe um contexto que os encaixa em um sentido maior que sustenta uma certa simbólica. O reposicionamento, porém, não acontece sem dor e para quem busca a verdade é preciso estar preparado para a dor e o desconforto. Na multiplicidade de opiniões em um esforço sincero de imparcialidade é que as coisas se ajeitam, tomam forma e constituem a realidade que nos circunda, tanto sensivelmente quanto simbolicamente; não sem antes assumirmos o quanto trágico isso pode ser e nos posicionarmos favoravelmente para reconstruções profundas.

Isso é o que difere, talvez, as buscas religiosas das buscas filosófico-científicas. Quem busca a verdade pela religião se acomete de uma Vontade de Verdade que não raro o cega diante de qualquer coisa que, supostamente, contradiga a interpretação canônica daquilo que crê. A busca da verdade religiosa é uma busca, primordialmente, de conforto psicológico e nisso não podemos negar que a religião é profícua, útil e (a despeito das más línguas) até necessária. Embora haja no bojo da atividade científica e filosófica uma disposição “natural” ao conforto (pois são feitas por homens e suas complexas psiques), não é possível dizer que essa busca seja a primordial. Por esse motivo é que elas se constituem um plano de saber diferenciado e não raro promotoras de angústias e sofrimento para aqueles que precisam desconstruir suas crenças e verdades prontas para se abrirem às evidências.

charles_darwin A questão criacionista é uma questão delicada. Envolve muito mais do que crer ou não…

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O Ensino do Criacionismo em Aulas de Ciências

adao_e_deus Toco, não contra minha vontade, em um assunto polêmico, porém necessário. Antes da defesa de qualquer bandeira não há como analisar um fato e posicionar-se dentro de uma perspectiva sem que as cartas estejam na mesa. Até porque mesmo que já tenhamos como pano de fundo uma perspectiva, é preciso analisar os fatos para que o posicionamento seja coerente e justificado dentro do mínimo de bom senso que se espera. Até porque os fatos nunca são eles próprios de forma pura e simples. Há sempre coisas em jogo além dos fatos quando se olham os fatos.

A questão central é que para quem preserva um firme propósito diante da verdade, se os fatos sugerirem ou demonstrarem que nossa perspectiva esteja equivocada, começamos a perceber uma desconstrução natural de nossas crenças e assistimos um reposicionamento progressivo na amplitude de nosso olhar sobre o mundo. Os fatos nunca estão isolados. Sempre existe um contexto que os encaixa em um sentido maior que sustenta uma certa simbólica. O reposicionamento, porém, não acontece sem dor e para quem busca a verdade é preciso estar preparado para a dor e o desconforto. Na multiplicidade de opiniões em um esforço sincero de imparcialidade é que as coisas se ajeitam, tomam forma e constituem a realidade que nos circunda, tanto sensivelmente quanto simbolicamente; não sem antes assumirmos o quanto trágico isso pode ser e nos posicionarmos favoravelmente para reconstruções profundas.

Isso é o que difere, talvez, as buscas religiosas das buscas filosófico-científicas. Quem busca a verdade pela religião se acomete de uma Vontade de Verdade que não raro o cega diante de qualquer coisa que, supostamente, contradiga a interpretação canônica daquilo que crê. A busca da verdade religiosa é uma busca, primordialmente, de conforto psicológico e nisso não podemos negar que a religião é profícua, útil e (a despeito das más línguas) até necessária. Embora haja no bojo da atividade científica e filosófica uma disposição “natural” ao conforto (pois são feitas por homens e suas complexas psiques), não é possível dizer que essa busca seja a primordial. Por esse motivo é que elas se constituem um plano de saber diferenciado e não raro promotoras de angústias e sofrimento para aqueles que precisam desconstruir suas crenças e verdades prontas para se abrirem às evidências.

charles_darwin A questão criacionista é uma questão delicada. Envolve muito mais do que crer ou não…

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Macau abre as portas do seu primeiro Centro de Ciência


Vista Exterior do Centro de Ciência de Macau, © CCM

«Arrastou-se durante vários anos, perdeu dimensão por via dos arranha-céus que nasceram nas imediações, foi inaugurado em Dezembro com pompa, circunstância e honras de Hu Jintao. Ontem, abriu finalmente as portas ao público, sem estar porém a funcionar na totalidade. Há quatro galerias ainda em construção, mas há muito para ver (e tocar) no Centro de Ciência de Macau.» (Ler texto de Isabel Castro no jornal macaense Ponto Final)

O projecto arquitectónico tem a assinatura de I.M. Pei (o mesmo que concebeu a Pirâmide do Louvre, em Paris) e oferece espaço para um Centro de Exibições, um Planetário e um Centro de Conferências. Isto, à margem das 14 galerias de ciência, pensadas para todas as faixas etárias, que se dedicam a áreas como a robótica, a astronomia, a ecologia, a saúde no desporto e a ciência alimentar, entre outras. Einstein, Newton, Goldbach e Darwin dividem as galerias para os mais pequenos, numa divisão espacial que não esquece também uma abordagem às ciências e tecnologias antigas da China.

Interior do Centro de Ciência de Macau, © Isabel Castro (Ponto Final)

Mais: Museu de Ciência de Macau (Website oficial)

Publicado por Sílvio Mendes
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Darwin, Lamarck e a influência do mundo real

Os professores do ensino médio (e eu estou incluído nesse peculiar grupo social) repetem tão exaustivamente certos conceitos que acabam por minar quase que completamente nossa capacidade analítica, nossa capacidade de pensar e estabelecer relações por nós mesmos. É certo que vários aspectos do processo cognitivo requerem repetições, mas não outros – muito menos todos! Uma dos exemplos curiosos dessas repetições nem sempre “adequadas” é a relação que acabamos sedimentando em nossas mentes das diferentes hipóteses evolutivas (que muitos chamam de “teorias”, como na famigerada frase “a teoria de Lamarck…”) com o mundo real, a realidade tangível. Senão vejamos.

O que passo a relatar ocorreu no milênio passado, talvez ali por volta do fim de 96 ou início de 97. Nessa época, eu assinava uma revista francesa de que gostava muito, a La Recherche. Em outubro de 96, foi publicado um artigo intitulado “Du nouveau sur l’origine dês espèces: Le paradigme darwinien revu par l’analyse moléculaire des bactéries”. Ainda guardo minhas revistas (desagradavelmente mofadas, em sua grande maioria), e consegui achar esse número! Para quem arranha o francês, copiei o resumo introdutório:

Les bactéries pratiquent une sexualité primitive mais particulièrement efficace, qui leur permet de s’adapter aux environnements hostiles. Deux systèmes de réparation de l’ADN jouent un rôle fondamental : le SRM et la réponse SOS. Agissant successivement ou de concert, ils organisent la capacité d’une population de bactéries à réagir face à une situation de stress. La mise en oeuvre de ces deux systèmes est susceptible d’induire un processus de spéciation. Il en va peut-être de même chez les eucaryotes, qu’ils pratiquent ou non une sexualité sophistiquée.

De forma resumida, trata-se da capacidade de certas bactérias em aumentar, deliberadamente, suas taxas de mutação, quando submetidas a situações de estresse. O artigo é bastante intenso e trata dos mecanismos do “sistema de reparo de malpareamento” (o famoso mismatch repair system, que em francês fica SRM) e do sistema SOS na formação de novas espécies, mas o que me interessou particularmente foi a questão do tratamento com antibióticos (um nome bem melhor é antibacteriano): quando submetida a um determinado antibiótico (numa situação portanto estressante), bactérias como Escherichia coli e Salmonella typhimurium são capazes de diminuir a atividade do sistema de reparo de malpareamento e de elevar a atividade do sistema SOS. O resultado disso é que as taxas de mutação podem ser elevadas em várias ordens de grandeza (atualmente, quase…

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retrospectiva ciência na mídia 2009: VIII – história da ciência


As fases da Lua, como desenhadas por Galileu a partir de suas observações com auxílio de uma luneta.

Este foi um ano movimentado no que concerne à história da ciência. Por exemplo, foi o Ano Internacional da Astronomia e também o Ano de Darwin.

No primeiro caso, uma das razões para a celebração é que há 400 anos Galileu Galilei apontou para o céu a luneta de fabricação própria e bisbilhotou as luas de Júpiter, as manchas solares, a constelação de Órion e outras tantas visões astronômicas.

Charles Darwin retratado à época da viagem a bordo do Beagle.

No segundo, a comemoração foi dupla: 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação de seu livro “A Origem das Espécies [...]“.

Também comemoramos os 180 anos da morte de Jean-Baptiste Lamarck e os 200 anos da publicação de seu livro “Filosofia Zoológica”, embora infelizmente com menos ênfase que os festejos direcionados a Darwin. Aqui um raro exemplo de justiça à importância de Lamarck para a história da ciência.

Aldrin na superfície da Lua em 1969 fotografado pelo comandante da Apollo 11, Armstrong.

Por fim, este também foi o ano em que se festejou os 40 anos da chegada do homem à Lua, “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”.

[Veja aqui os demais posts da série retrospectiva ciência na mídia 2009.]

Posted in curiosidades, história da ciência Tagged: ano internacional da astronomia, ciência na mídia, Darwin, Galileu Galilei, história da ciência, Lamarck, retrospectiva 2009
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Sugestão para as férias: uma visita ao Museu Nacional Soares dos Reis

No Museu Soares dos Reis poderá visitar a EXPOSIÇÃO (de 17 de Dezembro até Março): “EXUBERÂNCIAS DA CAIXA PRETA a propósito d’ A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais de Charles Darwin”. «No ano das comemorações de Darwin o IBMC/INEB com o apoio da Ciência Viva e a colaboração da ESAD e deste Museu, avançaram com um projecto de exposição a propósito da obra Continue a ler Sugestão para as férias: uma visita ao Museu Nacional Soares dos Reis

“funcionário do mês” – Fritz Müller


Johann Friedrich Theodor Müller, em rara fotografia disponível.

Johann Friedrich Theodor Müller, mais conhecido como Fritz Müller, foi um naturalista alemão (1821-1897) que emigrou para o Brasil, instalando-se em Blumenau-SC nos anos 1850. Müller era um grande entusiasta da teoria da seleção natural de Darwin. Mais que isso, foi dos mais importantes colaboradores para o teste empírico desta.

As várias observações experimentais com seres vivos realizadas por Müller ofereceram diversos argumentos em favor das concepções de Darwin. O primeiro conjunto de observações foi realizado com crustáceos do litoral catarinense e organizado no livro Für Darwin (Pró Darwin – versão em inglês disponível no Projeto Guttemberg). O livro também marcou uma longa série de correspondências trocadas entre Darwin e Müller.

Dentre as diversas contribuições de Müller à biologia evolutiva, destaca-se a descrição do fenômeno que ficou conhecido como mimetismo mülleriano (à diferença do mimetismo batesiano, em que a interação entre as espécies resulta em benefícios apenas para o mímico, com eventuais prejuízos para o modelo, no mimetismo mülleriano há benefícios mútuos para as espécies envolvidas).

Apesar de todas essas importantes contribuições, incluindo o fato de que importantes testes empíricos da teoria de Darwin tenham sido conduzidos por aqui, Fritz Müller é bastante desconhecido dos brasileiros, mesmo entre os biólogos. Esse ano, excepcionalmente, a figura de Müller  finalmente veio à tona com as comemorações do ano de Darwin, embora ainda de maneira incipiente. Em outubro, a Universidade Federal de Santa Catarina concedeu-lhe, in memorian, o título de doutor honoris causa.

Para saber mais sobre a vida e obra de Fritz Müller:

[A coluna "Funcionário do Mês" é postada todo dia 10 (dessa vez 11!) aqui no blog. Acesse aqui as colunas anteriores sobre a vida e trabalho de outros importantes cientistas e/ou divulgadores de ciências.]

Atualização em 16/12/2009: Descobri no blog da Miriam Salles que há 3 excelentes documentários sobre Fritz Müller. No link indicado você pode assistir a

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