Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Cultura clássica

Papel de Epicuro


Transcrevo este trecho do poema "A Natureza das Coisas" (I. 62-79), de Lucrécio, que surge no livro recentemente reeditado "Romana. Antologia da Cultura Latina", 6.a edição aumentada organização e tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, Guimarães, 2010 (na advertência preliminar a autor declara ter utilizado a tradução de A. de Mendonça Falcão, "Da Natureza das Cousas", Imprensa da Universidade, 1890"):

"Quando, abjecta, a vida humana jazia aos olhos de todos
sobre a terra, oprimida pelo medo da crendice,
que das celestes regiões erguia a cabeça,
impendendo sobre os mortais com tremendo aspecto,
~um Homem Grego ousou, antes de todos,
contra ela erguer os seus olhos mortais
e contra ela foi o primeiro a opor resistência.
A ele não o deteve a fama dos deuses, nem coriscos.
nem o céu com estrondos minazes, mas mais lhe acicatou
do seu ânimo a acérrima força, para ambicionar ser o primeiro
a arrombar as trancadas portas do acesso à natureza.
ganhou, portanto, a vitória a vigorosa força do seu ânimo,
avançou muito para além das muralhas flamejantes do mundo,
e com a mente o espírito percorreu a intensidade;
daí regressa vitorioso, para nos ensinar o que pode ser
e o que não pode; enfim, de que maneira cada coisa
é sujeita a limites e bem enterrados os marcos que lhes põem termos.
Eis porque a crendice foi calcada aos pés, por sua vez,
e a vitória nos faz subir aos céus."Continue a ler Papel de Epicuro

Hipólito

O grupo Thíasos apresenta, no âmbito do XII Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico, a peça Hipólito, de Eurípides.

Dia 15 de Julho de 2010 às 21h30.

Teatro-Estúdio Bonifrates
Casa Municipal da Cultura de Coimbra

Contactos e reservas: 962565710 / 962565810 / teaclass@ci.uc.ptContinue a ler Hipólito

Três novos livros da "Classica Digitalia"

Informação recebida da Classica Digitalia pelo De Rerum Natura;

O Conselho Editorial da editora Classica Digitalia tem o gosto de anunciar 3 novos livros, cuja publicação decorre da mesma política global de criar sinergias dentro do espaço lusófono, de estimular a internacionalização e de promover o trabalho de jovens investigadores.

Conforme é prática da Classica Digitalia, todos os volumes são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital de acesso livre.

Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Gregos
- Carmen Soares e Roosevelt Rocha: Plutarco. Obra Morais. Sobre o afecto aos filhos / Sobre a música. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2010). 243 p. PVP: 14 €

Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Ensaios
- Maria de Fátima Silva e Susana Hora Marques (eds.): Tragic Heroines on Ancient and Modern Stage (Coimbra, CECH, 2010). 129 p. PVP: 11 €
- Ália Rodrigues, Carlos M. Jesus e Rodolfo Lopes: Intervenientes, discussão e entretenimento “No Banquete” de Plutarco (Coimbra, CECH, 2010). 139 p. PVP: 10 €Continue a ler Três novos livros da "Classica Digitalia"

“CÓDIGO DE PLATÃO”

Os grandes autores do passado continuam a estimular análises que surpreendem pela sua capacidade inventiva.

Segundo uma teoria acabada de apresentar por um historiador da ciência da Universidade de Manchester, Platão, o grande pensador ateniense da época de ouro da filosofia grega, teria inscrito nas suas obras um código de leitura de matriz pitagórica.

Para mais pormenores sobre este Código de Platão, veja aqui e aqui">aqui.
Delfim Leão
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Quatro novos livros da “Classica Digitalia”

Informação recebida pelo De Rerum Natura.

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar quatro novos livros, resultantes de uma crescente partilha de trabalhos dentro do espaço lusófono.

Relembra-se que todos os volumes são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital de acesso livre.

I. Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Gregos

- J. A. Segurado e Campos: Licurgo. Oração Contra Leócrates. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH/CEC, 2010). 285 p.PVP: 16 Euros)


II. Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Latinos

- Márcio Meirelles Gouvêa Júnior: Gaio Valério Flaco. Cantos Argonáuticos – Argonautica. Tradução do latim, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2008). 242 p.PVP: 14 Euros)

III. Série Monografias

- Cristina Santos Pinheiro,
O percurso de Dido, rainha de Cartago, na Literatura Latina (Coimbra, CECH/CEC, 2010). 196 p.PVP: 11 Euros)

- Ricardo Nobre, Intrigas Palacianas nos Annales de Tácito. Processos e tentativas de obtenção de poder no principado de Tibério (Coimbra, CECH/CEC, 2010). VI + 205 p.PVP: 13 Euros)Continue a ler Quatro novos livros da “Classica Digitalia”

DOZE ANOS A PROMOVER O TEATRO DE TEMA CLÁSSICO


Artigo de Delfim Leão que saiu na Newsletter da Universidade de Coimbra:

A FESTEA – associação promotora deste festivais, únicos no seu género em Portugal – celebra em 2010 a XII edição do Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico. Entre os meses de Abril e de Julho, o público terá à sua disposição cerca de duas dezenas e meia de espectáculos. As performances serão essencialmente de teatro, mas o Festival comporta igualmente, e desde o início, uma presença musical, assegurada pela classe Canto e Drama do Conservatório de Música de Coimbra, que propõe este ano duas apresentações de As bodas de Fígaro. Além do Thíasos do Instituto de Estudos Clássicos – grupo residente e um dos promotores do Festival –, participam ainda na programação duas companhias estrangeiras (El Aedo Teatro de Cádis e Calatalifa de Villaviciosa de Odón) e um agrupamento de teatro escolar (NET das Caldas da Rainha). Em conjunto, são propostas nove produções distintas, de autores como Ésquilo, Sófocles e Eurípides – os três grandes trágicos gregos – e ainda de Plauto e Terêncio, os maiores comediógrafos latinos.

Entre as marcas distintivas do Festival encontra-se a sua forte propensão formativa, que leva a que os espectáculos de Abril e Maio sejam dirigidos, em particular, ao público escolar, enquanto que as performances de Verão se destinam a um público mais geral. A FESTEA procura, igualmente, contribuir para que cada espectador se torne também num leitor de teatro e, por essa razão, o texto dramático, que ainda não é teatro, mas onde está latente a experiência performativa, é vertido para português a partir do original grego ou latino e publicado em livro de bolso, cumprindo assim a função de bilhete em todas as representações. Para esta concepção articulada das artes performativas contribui também o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, através da linha de investigação em Pragmática Teatral, reforçando a dinâmica de transferência de saberes entre unidades de investigação, docência universitária e sociedade civil.

Além da sensibilização para as artes performativas e para a leitura, a organização dos Festivais procura também que os espectadores se sintam motivados a visitar locais com interesse arqueológico. Para isso, em vez da tradicional representação em espaço fechado, é privilegiado o enquadramento cénico ao ar livre, num esforço deliberado de valorização do património arquitectónico nacional, opção que acaba por sublinhar não só

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O Truculento

Informação recebida pelo de De Rerum Natura.

No âmbito do XII Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico, o grupo espanhol El Aedo Teatro representa no dia 13 de Maio (sexta-feira), às 15h30, no Museu Machado de Castro, em Coimbra, a peça O Truculento, de Plauto.
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Trata-se de um drama de amor e ciúmes. A acção desenrola-se em Atenas, onde três jovens perdidamente enamorados pela mesma cortesã (Fronesio) - um é camponês abastado (Estrábax), outro citadino rico (Diniarco) e o terceiro um militar de Babilónia (Estratófanes) - lutam pela sua atenção e cada um deles ocupa um lugar distinto no seu coração.Continue a ler O Truculento

Prometeu Agrilhoado

Informação recebida pelo de De Rerum Natura.

No âmbito do XII Festival Internacional de Teatro de Tema Clássio, o grupo espanhol El Aedo Teatro (Cádiz) representa a peça Prometeu Agrilhoado, de Ésquilo.

Prometeu Agrilhoado descreve com vigor e violência o sofrimento de Titã, amigo dos homens e criador da cultura em geral, na sua oposição a Zeus. Prometeu um dia ludibriou Zeus, o qual, como castigo, privou os homens do fogo. Servindo-se de novo ardil, Prometeu roubou mais tarde o fogo, ao que Zeus respondeu agrilhoando-o e condenando-o a suportar os ataques de uma águia que lhe devora o fígado. Aos mortais deu como castigo a primeira mulher - Pandora.

Ao servir-se do mito de Prometeu, Ésquilo quis, uma vez mais, mostrar que até os deuses devem ser moderados, sem nunca ultrapassarem as limitações do seu poder. Prometeu é o último rebelde, que ensinará a Zeus que a paz só se alcança através da justiça e da persuasão. Só quando Zeus modera a sua ira e perdoa a Titã, a quem injustamente tinha infligido um castigo tão severo, é que se estabelece sobre deuses e homens um governo pacífico.

Uma sessão terá lugar no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, no dia 13 de Maio (quinta-feira), às 11h00; outra sessão terá lugar no Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, no dia 14 de Maio (sexta-feira), às 11h00.Continue a ler Prometeu Agrilhoado

Boa e má demagogia?

Nas sociedades modernas, considera-se que os partidos políticos são essenciais à democracia e, na prática, aceita-se que sejam os dirigentes partidários a decidir e não o povo, cuja vontade é ponderada apenas em determinados momentos (como as campanhas eleitorais ou manifestações de rua mais visíveis).

Na Atenas clássica, a situação era consideravelmente diversa. Estava-se perante uma democracia directa e plebiscitária, cujo órgão principal — a Assembleia do povo ou dêmos— reunia todos os cidadãos, num agrupamento de massas de natureza heterogénea. O dêmos, além de possuir a elegibilidade para ocupar os cargos e a prerrogativa de escolher os magistrados, tinha o direito de decidir soberanamente em todos os domínios e de, constituído em tribunal, julgar toda e qualquer causa (pública ou privada), por mais importante que fosse. Daí que o dirigente político de Atenas vivesse em constante tensão e precisasse de convencer a pólis, em cada reunião dos órgãos soberanos, da superioridade da sua política e de que as medidas por ele propostas eram as que melhor serviam os interesses da cidade. Enfim, precisava de ser, por excelência, um demagogo — no sentido neutro da palavra enquanto ‘condutor do povo’ e não com a carga negativa que começara a adquirir logo no último quartel do século V a.C. (precisamente a seguir à morte do grande estadista Péricles) e que ainda hoje acompanha o termo.

Os demagogos — na acepção original — tendem a exercer um papel tanto mais significativo quanto maior for o peso atribuído à intervenção efectiva dos cidadãos nos destinos da sociedade e nas decisões do Estado. Não surpreende, por isso, que na democracia ateniense os demagogos constituíssem elementos estruturantes do próprio sistema e do seu correcto funcionamento. Neste sentido genérico, a designação pode inclusive ser aplicada a todos os líderes políticos de Atenas, sem olhar à classe ou pontos de vista, embora esteja sobretudo conotada com os líderes da facção popular e mais progressista, se bem que, em termos de proveniência social, esses mesmos chefes acabassem por ser tradicionalmente recrutados entre as famílias aristocráticas.

Ora foi precisamente em relação ao estrato social de origem dos demagogos que se terá verificado uma considerável evolução após a morte de Péricles (em 429 a.C.). Então e pela primeira vez, o povo escolheu um chefe que não vinha da classe aristocrática — Cléon. A estas personalidades emergentes, que, provindo embora de meios não nobres, atingem o primeiro plano político, os

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Os Sofistas

Informação recebida pelo De Rerum Natura.

A sétima e ÚLTIMA SESSÃO do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas, dedicada aos Sofistas, realizar-se-á no dia 05 de Maio, quarta-feira, às 18:00, no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, e contará com a presença de Teresa Schiappa, da Universidade de Coimbra. A sessão abrirá com uma performance do grupo Aranhiças & Elefantes, a partir de fragmentos das obras dos sofistas.

Sofistas é o nome genericamente atribuído a uma série de filósofos que, no século V a.C., revolucionaram o panorama intelectual de Atenas. Homens viajados e de grande cultura, procederam a uma intrincada reforma do sistema de cultura-educação grego fundado nos modos humanos de ordenação política e linguística, abandonando assim as especulações cosmológicas dos outros pré-socráticos. Protágoras, o mais famoso dentre eles, é o autor da célebre afirmação: «O Humano é a medida de todas as coisas», frase que ilustra bem o seu antropocentrismo, mas também o relativismo que marcou esta geração, bem mais céptica que as anteriores (o mesmo Protágoras viu os seus livros queimados por afirmar ser impossível saber o que quer que fosse sobre os deuses).

Numa Atenas onde a democracia dava os seus primeiros passos, estes homens, em boa medida os pais da retórica, questionaram a relação entre lei («nomos») e carácter («physis»), interrogarando-se sobre o papel da educação e o seu poder ou impotência quando confrontada com a natureza das pessoas. Hoje, o termo 'sofista' tem uma conotação extremamente negativa, algo que devemos a Platão, pouco amigo desta geração de filósofos. O próprio Sócrates, porém, de que eram contemporâneos, era visto por vários atenienses como um representante deste movimento intelectual — quiçá o maior —, que influenciou todo o curso posterior da filosofia, recentrando-a no que é, afinal, o seu princípio e objecto primeiro: o Humano.Continue a ler Os Sofistas
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