Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Cultura clássica

“Não é que goste de traduzir”

Maria Helena da Rocha Pereira, um nome maior na área dos Estudos Clássicos, a primeira mulher a apresentar provas públicas de doutoramento e também a primeira catedrática da Universidade de Coimbra, recebeu mais um prémio que reconhece a sua obra. Trata-se do Prémio Vida Literária, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores.

A este propósito, reproduzimos excertos da interessantíssima entrevista que, há um ano, deu ao jornalista António Guerreiro e que foi publicada no jornal Expresso (Actual) (Fotografia de José Ventura).

A professora é em Portugal a representante mais ilustre de uma disciplina, os estudos clássicos, que era até ao final do século XIX, a disciplina mestra das Humanidades, mas é hoje um resíduo na formação universitária...
Na verdade, é uma disciplina que tem perdido muitos alunos (...) Quando na reforma de 1957 se introduziu a disciplina de História da Cultura Clássica, comum a todos os cursos de Letras, esta foi muito apreciada tanto na Universidade de Coimbra como na de Lisboa. Nessa época, os alunos tinham tido alguns anos de Latim, alguns tinham mesmo tido Grego. Eu, por exemplo, não tive Grego, só o aprendi na Faculdade. Os alunos dessa disciplina comum encontravam-se numa situação variada quanto ao conhecimento dos textos e à competência para os ler no original. Razão pela qual comecei logo a traduzir os textos fundamentais e a distribuí-los em folhas. Era o que se podia fazer na altura.

Não havia traduções portuguesas dos clássicos?
Havia muitas traduções, mas não eram traduções directas, eram pseudo-traduções, feitas de outras línguas. Hoje estamos mais bem servidos, nesse aspeto. Mas havia uma série de textos que os alunos tinham de conhecer para perceber as minhas aulas. Em 1959, publiquei a primeira edição da antologia "Hélade", tornando acessíveis os textos fundamentais da cultura grega. Depois, traduzi obras inteiras de vários autores, por exemplo A República, de Platão. Mas não é que goste de traduzir. Tenho passado a vida traduzir por necessidade. Aquilo de que gosto é do sabor do original, sinto sempre que estou a atraiçoar. O Teatro Universitário de Coimbra, no tempo de Paulo Quintela, pediu-me que eu traduzisse A Medeia, de Eurípedes. E também traduzi para eles a Antígona. Paulo Quintela fazia umas encenações maravilhosas, tinha resolvido muitobem a maneira de o coro se exprimir, algo muito difícil porque não podia ser através do canto, uma vez que não podemos reconstituir a música da Antiguidade. Era uma coisa maravilhosa ouvir os

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Os Iónicos

A Origem da Comédia relembra que se caminha a todo o vapor para a segunda sessão do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas.

A sessão sobre os Iónicos — Tales, Anaximandro & Anaxímenes — realizar-se-á no dia 10 de Março, quarta-feira, às 18h00, no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, e contará com a presença do Professor David Santos da Universidade da Beira Interior, e com uma performance poética pela Oficina de Poesia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra baseada em excertos do Fausto de Goethe.

Depois da primeira sessão contextualizadora, inicia-se a abordagem aos filósofos propriamente ditos. Tales, simultaneamente o primeiro filósofo e o primeiro cientista, abre as portas a uma tradição de questionamento empírico, que se tornará num dos pilares da tradição intelectual da sua cidade, Mileto, de cuja escola sairão, mais tarde, Anaximandro e Anaxímenes.

A entrada é livre.Continue a ler Os Iónicos

A Grécia Arcaica

A primeira tertúlia de um ciclo organizado pela associação A Origem da Comédia terá como tema a Grécia Arcaica, como pano de fundo histórico-cultural da revolução científica e filosófica protagonizada pelos filósofos que serão tratados nas tertúlias seguintes.

A tertúlia será presidida pela Doutora Maria Helena da Rocha Pereira, contarando ainda com o grupo de teatro clássico Thíasos, que fará a ante-estreia de um recital de poesia intitulado Pintar com Vinho as Setas do Amor (a partir da Anacreontea, uma colecção de poemas gregos recentemente traduzida para português pela primeira vez, por Carlos Jesus).

Dia 5 de Março, no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, pelas 18horas. A entrada é livre.Continue a ler A Grécia Arcaica

Latim – uma chave para o sucesso

Em Inglaterra, várias escolas básicas desenvolvem actividades relacionadas com o ensino do latim a crianças. Professores, Especialistas e Directores de escolas enumeram as vantagens desta aprendizagem precoce a nível cognitivo, atitudinal e instrumental.

O latim aparece como um modo de imprimir sucesso a aprendizagens futuras. As crianças parecem ficar fascinadas com histórias de heróis longínquos e o seu nível de desempenho torna-se verdadeiramente superior a nível linguístico. Assim, o elitismo em que parecia consistir o ensino do latim democratiza-se, permitindo o alargamento de horizontes.

Assistam aqui .Continue a ler Latim – uma chave para o sucesso

LAW AND DRAMA IN ANCIENT GREECE

Informação recebido pelo De Rerum Natura.

Publica-se neste mês de Março o livro Law and Drama in Ancient Greece, pela Duckworth (Londres). Editado por Edward M. Harris, Delfim F. Leão e P.J. Rhodes, integra contribuições de classicistas de universidades europeias e americanas nas áreas da literatura clássica, da história antiga e da história do direito.

Autores: Roger Brock (Senior Lecturer in Classics, University of Leeds); Chris Carey (Professor of Greek, University College, London); Maria de Fátima Silva (Professor of Classics, University of Coimbra); Maria do Céu Fialho (Professor of Classics, University of Coimbra); Edward M. Harris (Research Professor of Greek History, Durham University); Delfim F. Leão (Professor of Classics, University of Coimbra); Douglas M. MacDowell (Professor Emeritus of Greek, University of Glasgow); F.S. Naiden (Associate Professor of History, University of North Carolina, Chapel Hill); P.J. Rhodes (formerly Professor of Ancient History, now Honorary Professor, University of Durham); Alan H. Sommerstein (Professor of Greek, University of Nottingham).

Sobre o livro: The relationship between law and literature is rich and complex. In the past three and half decades the topic has received much attention from literary critics and legal scholars studying modern literature. Despite the prominence of law and justice in Ancient Greek literature, there has been little interest among Classical scholars in the connections between law and drama. This is the first collection of essays to approach Greek tragedy and comedy from a legal perspective, providing a sample of different approaches to the topic. Some essays show how knowledge of Athenian law enhances our understanding of individual passages in Attic drama and the mimes of Herodas and enriches our appreciation of dramatic techniques. Other essays examine the information provided about legal procedure found in Aristophanes’ comedies or the views about the role of law in society expressed in Attic drama. The volume reveals how the study of law and legal procedure can enhance our understanding of ancient drama and bring new insights to the interpretation of individual plays.Continue a ler LAW AND DRAMA IN ANCIENT GREECE

Aquilo que nos negaram

Recentemente, três alunos de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra fundaram uma associação designada por Origem da Comédia, da qual já aqui demos notícia.

São eles Miguel Monteiro de Sena, do 3.º ano do 1.º ciclo, e João Loureiro e Sophia de Carvalho, ambos do 1.º ano do 2.º ciclo.

A atitude que subjaz à sua inciativa é afirmada e construtivamente rebelde face ao apagamento da cultura clássica na nossa sociedade, em geral, e no sistema de ensino, em particular. O seu lema é dar a conhecer "aquilo que é negado" à esmagadora maioria das crianças e jovens: a cultura artística, filosófica, política, científica, fundacional da nossa civilização.

O De Rerum Natura tratou de os encontrar e falar com eles.

P: Porquê a designação Origem da Comédia para a vossa associação?

R: É imediatamente um jogo com aquela obra magistral da filosofia, A Origem da Tragédia, de Nietzsche. Mas, além dessa brincadeira referencial, inspirámo-nos ainda nessa obra para, simultaneamente, reclamar a herança duma filologia clássica apaixonada e apaixonante, que olha para a realidade greco-latina não dum modo seco e fechado, mas que busca e descobre elementos fundamentalmente humanos que esta exprimiu, intemporais, e desse modo revela o seu irresistível encantamento. E o que é mais, uma das diferenças que Aristóteles apontou para diferenciar a Tragédia da Comédia é que esta última acaba bem. Queiram os deuses que o mesmo aconteça neste nosso caso.

P: Que sentido tem a vossa associação, numa altura em que a expressão da cultura clássica é tão diminuta na nossa sociedade, mesmo em círculos onde deveria estar bem presente, como a escola básico e secundária e a universidade?

R: A Origem da Comédia surgiu, em grande medida, como resposta a esse apagamento da cultura clássica, que, como estudantes da área, sentíamos de forma particularmente aguda e perante o qual não poderíamos permanecer impávidos. Acreditamos francamente que a Antiguidade tem um profundo interesse e actualidade. Veja-se, a título de exemplo, a recentíssima encenação de A Cidade, pela Cornucópia, ou a nova versão do Rei Édipo, em cena no Teatro Nacional Dona Maria II (e no Porto prepara-se a Antígona, no São João). Porém, só é possível amar aquilo que se conhece. Ora os alunos, seja do básico, do secundário ou da universidade, pouco contacto têm, ao

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Representações da Cidade Antiga

Informação recebida pelo De Rerum Natura.

A biblioteca digital Classica Digitalia têm o gosto de anunciar a última novidade editorial. Trata-se do livro organizado por Gabriele Cornelli e intitulado Representações da Cidade Antiga: Categorias históricas e discursos filosóficos.

Trata-se de um livro feito em parceria com o Grupo Archai e a Universidade de Brasília, iniciando assim, de forma altamente simbólica, a colaboração lusófona global do braço editorial do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos.

Conforme é prática dos Classica Digitalia, tanto o acesso à biblioteca digital como o descarregamento dos e-books são gratuitos. Os preços indicados (PVP) dizem respeito aos mesmos volumes, mas editados em formato tradicional de papel.

Referência completa: Gabriele Cornelli (Org.) (2010). Representações da Cidade Antiga. Categorias históricas e discursos filosóficos. Coimbra: Classica Digitalia/ CECH/ Grupo Archai. 173 p. PVP: 19 Euros [capa dura]Continue a ler Representações da Cidade Antiga

A Origem da Comédia

Informação recebida no De Rerum Natura.

A Origem da Comédia é uma recém-fundada associação, de dimensão nacional, que pretende congregar todos os estudantes, a nível universitário, interessados na Antiguidade Clássica e no seu legado. Tem como principal objectivo promover e difundir actividades culturais e educativas nesse âmbito, procurando partilhar com o público o que move quantos dela fazem parte: o amor pelas coisas clássicas e uma confiança profunda na sua actualidade.

A sua primeira actividade, intitulada Tertúlias Pré-Socráticas, centra-se, como o nome indica, nos filósofos que precederam Sócrates, pais do pensamento racional e profundo, bem como incipientes, mas importantes, cientistas.

O ciclo de sessões decorrerá entre 5/03 e 28/04, às quartas-feiras (salvo a primeira sessão), às 18:00 horas, no foyer do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, e contará com a presença de alguns dos mais reputados professores das áreas de Clássicas e Filosofia.

Várias das sessões serão ainda precedidas de um breve momento artístico a partir de textos maiores da literatura mundial e nacional onde figurem os filósofos a abordar, a cargo de grupos locais como o Thíasos, a Oficina de Poesia, o TEUC ou os Aranhiças & Elefantes.

O programa é o seguinte:
05/03 - A Grécia Arcaica: Maria Helena da Rocha Pereira
10/03 - Os Iónicos: Tales, Anaximandro & Anaxímenes: David Santos
17/03 - Heraclito: Alexandre Sá
24/03 - Parménides & Zenão de Eleia: António Martins
14/04 - Empédocles, Anaxágoras & Os Atomistas: António Mesquita
21/04 - Os Sofistas: Teresa Schiappa
28/04 - Pitágoras & Os Pitagóricos: José Pedro SerraContinue a ler A Origem da Comédia

Sísifo e o sentido da vida humana

SÍSIFO

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Sísifo foi o herói fundador da cidade de Corinto e representa a astúcia e a insubmissão humanas.

São várias as histórias que sobre este rebelde herói são narradas pelos antigos. Por ele fora Júpiter descoberto, quando, nas suas aventuras amorosas, tentava raptar Egina, a bela filha do rio Asopo. Com o velho pai desolado, pelo desaparecimento da sua jovem, o herói acorda o benefício de uma fonte cristalina e divina – a Fonte de Pirene - para a sua cidade, em troca do paradeiro da filha, que conhecia.

O pai dos deuses, para o punir desta traição, envia-lhe a Morte, que o tenta levar consigo para o reino infernal. Porém, Sisífo consegue aprisioná-la, de tal modo que ninguém mais morria à face da Terra e o caos se instalava no Reino do Hades. Júpiter é obrigado a intervir para a libertar e repor a ordem.

Por todos os enganos e traições perpetrados, quando morre, Sísifo é condenado a trabalhos infrutíferos: rolará eternamente, ladeira acima, uma enorme pedra até ao cume de uma montanha. Assim que o atinge, a pedra rola novamente até ao sopé da montanha. A Sísifo cabe repetir esta tarefa pela eternidade.

Imagem da rebeldia. Também da inquietude. Dor da fragilidade humana face à força divina. Contudo, nota do valor do esforço e da persistência.

Na imagem: Óleo em tela de Tiziano (1549).Continue a ler Sísifo e o sentido da vida humana

Encontro com escritor

Informação recebida do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

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