Inversamente proporcional

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Livros e Revistas, aldo leopold, média, paul chadwick
Enquanto o Mundo se deleitava com as eleições nos EUA, estive a ler “Pensar Como Uma Montanha” de Aldo Leopold (”A Sandy County Almanac” no original de 1949). “Pensar Como Uma Montanha” é uma expressão do próprio Leopold, que eu já conhecia de uma banda desenhada — “Concrete: Thinking Like a Mountain” de Paul Chadwick. Este é um dos livros importantes do movimento conservacionista norte-americano e foi agora dado à estampa em Portugal pelas Edições Sempre Em Pé (das quais já tinha lido o “Ecologia Profunda), numa edição que me parece muito cuidada. A palhaçada mediática de volta das eleições americanas, permitiu-me também reflectir sobre o nosso tempo. Não só a época, mas o nosso tempo como capital verdadeiramente limitado que possuímos. Foi desde Gutenberg que o conhecimento humano se começou a fixar de uma forma sistemática e cada vez mais acessível. “Fast forward”, foi nos últimos 100 anos que tudo realmente acelerou e chegamos aos dias de hoje onde o conhecimento está verdadeiramente por todo o lado. E o que sinto, ao ler um importante livro de 1949, é que a duração média da nossa vida é inversamente proporcional à quantidade de conhecimento que fica disponível. É cruel....

Comparado

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, orangotangos
Ontem nos poucos minutos que parei em frente da televisão, vi no canal Odisseia algo que me impressionou: Algures, provavelmente na Indonésia ou por lá perto, andam pessoas a salvar orangotangos literalmente uns passos à frente dos destruidores da floresta. Uma medida desesperada. De um lado a floresta virgem, do outro a desolação completa e numa escala difícil de abarcar num ecrã de televisão. Comparado com o que já está a acontecer no ambiente, o colapso do sistema financeiro é uma brincadeira. É bom ter noção disso — de uma coisa e outra.

Os neo-neolíticos

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, carlos loureiro, direitos dos animais, gabriel silva, helena matos, paulo rangel
Os animais sem direitos (Público), segundo Paulo Rangel, deu origem a um texto de Carlos Loureiro e outro de Helena Matos no inefável Blasfémias, o auto-proclamado blogue “de referência”. O primeiro, destaca o cão como “coisa” e nem é necessário dizer mais nada; o segundo, dentro de uma linha de demagogia da mais baratinha que existe, defende a tese grosseira de quem é amigo dos animais não é amigo das pessoas. E dá exemplos! Esses malvados amigos dos animais não vão ver os familiares idosos ao lar! Assegura até que isto é do foro psicológico e até quase criminoso. Imagine-se há uns quase-criminosos em campanha para salvar um tubarão-baleia de um aquário no Dubai (BBC), tendo ali mesmo ao lado uns indianos em situação de quase escravatura. Sobre a quase escravatura, a Helena Matos já deve ter tomado atitudes mais consentâneas com a dimensão da sua indignação, além de escrever prosas neolíticas. Sem dúvida que não tem iPod, telemóvel ou “gadgets” fabricados numa qualquer “sweatshop” chinesa; petróleo e os seus derivados, principalmente do Dubai (mas pode ser também da Arábia Saudita ou Venezuela), também não consome. É que nem de transportes públicos anda. Para completar o ...

Contra as crenças da fé as razões da lógica nada podem, está visto mais uma vez*

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, aquecimento global, carlos abreu amorim, helena matos
A Helena Matos, aprendeu umas coisas sobre as alterações climáticas com um seu colega de blogue e chapou esses belos conhecimentos numa página do Público (Blasfémias). Mas tudo muito bem misturado, a ver se num assunto onde já ninguém se entende, a confusão é ainda maior. Primeiro, o típico uso do tempo para justificar opiniões sobre o clima. Sempre a ignorância que dá jeito, quando dá jeito. Depois, a alegação que o assunto foi esmorecendo porque agora a China suplantou os EUA como maior emissor de gases com efeito de estufa. É a teoria da justificação, versão Helena Matos. Uma patetice. Primeiro porque até confirma, dando razão, uma exigência de sempre de George W. Bush de incluir a China em qualquer acordo sobre alterações climáticas; segundo, os argumentos perante a actuação da administração Bush e o seu registo ambiental são tantos, que na verdade é mais um menos um; terceiro, é daí? A China é o maior poluidor à conta do lixo que fabrica essencialmente para o Ocidente, designadamente os EUA. O que acontece é que além da mão de obra barata, a China é também o vazadouro para as indústrias mais poluentes do Ocidente. Em que é ...

“Todo o investimento que requer subsídios ou é prematuro ou nunca será viável”1

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, energia eólica, joão miranda, subsídios
O João Miranda do Blasfémias, descobriu uma fórmula e então utiliza essa fórmula para tudo. Do aquecimento global aos restaurantes chineses, passando recentemente pela energia eólica. Um misto de afirmações supostamente chocantes para os defensores da tese contrária (qualquer assunto), com obviosidades, vacuidades, gráficos parciais, egoísmo não assumido e muito menos declarado e umas pitadas de ironia. Um dos alvos preferidos do João Miranda é o ambiente no sentido mais lato possível e não perde uma oportunidade de criticar tudo o que possa ser criticado. Agora é apropriadamente a energia eólica, porventura a encarnação mais parecida com um moinho de vento que modernamente se consegue encontrar. Outra vez os mesmos argumentos passados com o velhinho papel químico. Sempre os mesmos. O João Miranda, com a formação que tem ainda não conseguiu perceber que se não fossem os subsídios, hoje não andava de automóvel e que o mal não está no subsídio em si. Está permanentemente de má fé e para ele a “big picture” tem os limites serrilhados de um selo dos correios. Só discute subsídios ambientalmente meritórios. Os subsídios ao petróleo (Union of Concerned Scientists), por exemplo, não discute. Subsídios de George W. Bush, não discute (BBC). ...

Respira

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: China, Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, geox
Geox Respira Ontem fui surpreendido por um aparelho emissor de ruidos irritantes que a Luisa chamou de “play station”. Como não me lembrava daquilo dentro de casa, tratei de examinar mais de perto. “Geox Respira”? Fui esclarecido que foi uma oferta das sapatilhas Geox. Este calçado é uma excelente ideia e basicamente não tem alternativa. O próprio médico das crianças é o que aconselha, porque a sola tem uma espécie de válvulas que deixam entrar ar, mas não água. Made in China Mas tenho uma notícia para os senhores da Geox lá em Itália: O que pretendo é sapatilhas para as crianças mais baratas — até podem ser feitas na China. Mas o que se observa é que mesmo quando feitas na China (estas em particular vieram do Vietname), continuam caras. Mas oferecem uma “play station” que não vale nada e não vislumbro porque tenho de levar com a “revolução” chinesa numa base regular. Mesmo que não queira.

Manobra nuclear

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Energia Nuclear, economia, vítor constâncio
Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, poucos dias depois do “estado da nação” no parlamento, anunciou nas calmas que afinal a economia este ano não cresce 2%, mas sim 1,2% (a ver vamos). Em 2009, em vez dos badalados 2,3%, passamos para 1,3% (a ver vamos). Estes números não fazem parte do “estado da nação”, para não incomodar os digníssimos parlamentares. Astutamente e numa manobra que está nos manuais, falou também na “opção nuclear”. É o suficiente para desvalorizar em termos mediáticos as más notícias económicas. É esta a minha opinião sobre a credibilidade do “nuclear” em Portugal. E sobre a credibilidade do resto, também.

Roupa

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: China, Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, compras, consumismo
Compro muito pouca roupa, que uso até se desfazer (e ainda passa para o quintal). E reparo que hoje em dia se desfaz com mais facilidade que antes. Não tenho paciência para procurar pechinchas e mesmo nas promoções (eufemismo para saldos cada vez mais precoces), ou especialmente nas promoções, vou direito às marcas que de uma forma ou de outra considero ultra-caras, mas onde perco pouco tempo. Ultra-caro, para mim, é olhar para algo que adquiri e ter a certeza absoluta que não vale o dinheiro, nem coisa que se pareça. E voltando ao início, são essas marcas (nenhuma em particular), que cada vez têm menos qualidade objectiva. Assim, verifico que adquiri duas peças de uma conhecida marca alemã. Uma feita na China, outra feita na Polónia (na Polónia afinal não há só canalizadores — Wikipedia). Surpresa, a peça chinesa não é um cêntimo mais barata que a polaca. Duas peças de uma conhecida marca americana. Ambas feitas na China. Ambas caríssimas. Duas peças de uma conhecida marca britânica. Ambas feitas em Espanha e previsivelmente exorbitantes. Portanto, ainda a propósito do optimismo sem fundamentos, constato uma vez mais que não há nada que pelo simples facto de ...

O optimista sem fundamentos ou “…o mundo está bem e recomenda-se”

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: China, Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, crise, dr. pacheco pereira, sustentatibilidade
O Dr. Pacheco Pereira desta vez surpreendeu-me negativamente revelando-se um optimista colossal, o que por si só, há quem considere uma qualidade bestial. E eu que o tinha como um genuíno e bem fundamentado pessimista. Isto a propósito da crise, que na tese do Dr. Pacheco Pereira é predominantemente ocidental. O facto de muitos dos ganhos nos países onde não há a “nossa” crise irem para “dirigentes políticos corruptos, para déspotas cruéis e a sua corte, para elites plutocratas” não trava o optimismo sem fundamentos. Pelo contrário, pois “há muita gente comum que está a ganhar com a “crise”". Isto não é novo, é uma versão requentada do “roubem, desde que façam”, muito comum na América do Sul. O caso da China é paradigmático, porque sendo uma ditadura comunista, coexiste com o “mercado” e tem a eterna admiração dos liberais ocidentais. É uma verdadeira revolução na qualidade de vida de milhões e milhões, bem musculada, cilindrando tudo à sua frente, insustentável do ponto de vista ambiental, mas admirável do ponto de vista dos liberais. Mas nesta revolução, ou se acredita que estamos num planeta com recursos finitos, ou não se acredita. A este nível, todos os sinais sem ...

À porta

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, erbicidas, milho transgénico
Uma destas noites, cruzei-me com um funcionário da câmara de Matosinhos, vestido para a guerra química, com roupa fluorescente. Levava às costas um sulfatador e atacava furiosamente as ervas daninhas das bermas e dos passeios da nossa rua. Hoje cruzei-me com uma carrinha da Câmara de Matosinhos, com um enorme depósito cheio de erbicida, também em guerra às ervas em plena luz do dia. Pior. Andava distraidamente no quintal quando reparo num saco de 50kg de milho para as galinhas. Em letras não muito grandes, mas visíveis: “Milho transgénico”. Inquiri, veio do grémio de Matosinhos e ninguém faz propriamente muita publicidade que seja este tipo de milho. O meu pai tentou ir trocá-lo, não sei com que resultado. Trata-se de parte do alimento das galinhas que estão no nosso quintal. Os nossos filhos comem ovos delas todas as semanas. Mesmo que se lute contra estas situações, é guerra perdida. E está à nossa porta.

Transporte ferroviário de mercadorias

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, cp
Com esta história da greve de camionistas (ou empresas de caminonagem), bloqueios e poucas vergonhas variadas onde o nosso Estado mais uma vez demonstrou de que massa é feito, fiquei a saber uma coisa muito interessante: A CP não faz transporte de mercadorias. Explicaram-nos que havia uma empresa chamada Tex que efectuava esse serviço, mas agora opera exclusivamente por estrada. Durante décadas os sucessivos governos apostaram preferencialmente no alcatrão. O “progresso e desenvolvimento” para esta gente é uma estrada asfaltada. Agora aguentem. Quando o petróleo chegar a valores verdadeiramente incomportáveis, pelo menos vamos ter ciclovias realmente grandes, um aeroporto faraónico e um TGV.

Ainda os vândalos

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, guerrilha verde, jardim urbano
Que fazer quando a falta de educação é grande?Estão sempre a acontecer-me incríveis coincidêndias. Comigo, qualquer assunto é bom para uma coincidência. Na sequência de este texto publicado ontem, descubro hoje que tenho uma situação idêntica na nossa própria rua. Em frente a uma cabine da EDP, há um bocadinho de terreno que alguém resolver ajardinar. Até tem uma diminuta ramada com Kiwi, ou seria Maracujá? É que de uma forma ou de outra já não se vê lá planta nenhuma a trepar. Acho que é o único caso que conheço de “guerrilha verde”, ou seja ocupar um pouco de terreno público, não para vandalizar, mas para embelezar. Que fazer quando a falta de educação é grande?Hoje ao passar para ir ao eco-ponto, dou de caras com o pequeno cartaz que podem observar. E reparem que dá a entender que o vândalo é outro vizinho, não um simples puto cheio de ranho no nariz. Que fazer quando a falta de educação é grande?

Ladrões e vândalos

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, gayla trail, ladrões, luciano lema, vândalos
Ando arredado, mas tento ir seguindo os blogues dos que posso apelidar amigos desconhecidos. Um deles é o Luciano Lema na sua Quinta dos Moinhos. É sem dúvida mau feitio, mas já há muito tempo que sei que para mim, quanto menos gente melhor. A gente irrita-me. No entanto, a mão cheia que suporto (leia-se que me suportam), fazem-me falta frequentemente. Isto a propósito de gente que além de não me fazer falta a mim, pergunto que falta fazem ao Mundo. O Luciano comprou três rododendros e algum energúmeno, deu-se ao trabalho de arruinar a rede para os subtrair. Isto pode ser? Pode. Na versão idílica que tinha do campo, não me tinha ocorrido este pormenor. No Sargaçal, as plantas ainda não foram alvo de cobiça, preferem que eu trate delas para depois roubarem a fruta. Dizia versão idílica do campo? Aqui na cidade, o quintal onde vou arruinando uma horta, parece “little guantanamo”, depois do meu pai ter mandado colocar arame farpado em consequência do grande roubo das galinhas. Mais distante, no Canadá, a Gayla Trail insiste em manter o seu micro-jardim urbano, aguentando toda a casta de bêbados urinadores, vândalos e o seu senhorio que também ...

Junk-junk food

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Lixo, mcdonalds, pobreza
Hoje a Susana deu-me boleia para o Porto (porque anda ela com o carro, com as crianças e eu de Metro), mas antes paramos no Lidl para não sei o quê e fiquei no carro à espera. Assisti a esta cena: Vinha pelo passeio um tipo novo com ar de indigente e estacou em frente ao poste onde tinha um balde do lixo. Com alguma dificuldade, retirou lá de dentro o que reconheci como sendo um cartucho “take away” do McDonald’s. Rapidamente passou a inspeccionar o seu conteúdo, deitando para o chão o que não interessava. Mas a recompensa estava perto — o resto das batatas fritas e eventualmente da Coca-Cola, que tratou de devorar. Isto já vai assim a 500 metros de nossa casa?

O aumento dos preços dos combustíveis como incentivo

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, energia, petróleo
Vítor Constâncio, essa constante do sistema financeiro português, considera “que esta alta dos preços do petróleo é um incentivo para a economia de energia e para o desenvolvimento de alternativas” (Agência Financeira), ou seja, para a eficiência energética em todas as suas componentes. Acho que se exige mais a um Governador do Banco de Portugal do que este nível de vacuidades que qualquer português consegue esgrimir na mesa do café. Não se percebe como pessoas informadas, do alto dos cargos que ocupam, não previram esta crise desde… os anos 70. Enquanto estas pessoas prevalecerem, o nosso país nunca será desenvolvido. É mais fácil construir um aeroporto baseado em pressupostos que são desmentidos diariamente (Ambio), do que implementar uma rede de ciclovias nas cidades. Para esta gente, o sinónimo de eficiência energética é substituir o ar condicionado e as viaturas por novos modelos. Isso, e o zé povo apertar o cinto. Porque não dão o exemplo em nada — nada!

Vasos

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Vasos e varandas, arco-íris, rega, vasos
Vasos e o arco-risNo nosso pequeno jardim, é praticamente impossível ter plantas que não sejam pequenas árvores ou arbustos. Cortesia do cão e dos gatos, o resto é tudo arruinado em três tempos. Assim sendo fui-me refugiando nos vasos que pelo mesmo motivo têm de ter um tamanho considerável, mais altos que a perna alçada do cão por exemplo — e o cão é grande. Em três anos, juntei uns 40 vasos ou mais. Muitos são de plantas que estão a ganhar alguma dimensão, para eventualmente transplantar para o Sargaçal. A única real dificuldade que encontro relativamente à jardinagem em vasos é a rega. Durante todo o ano, se o tempo estiver seco, é necessário regar praticamente todos os dias. Nos meses de mais calor é obrigatório regar todos os dias e por vezes mais que uma vez por dia. A fotografia é de hoje, já com um crepúsculo bastante acentuado — em primeiro plano um Acer palmatum ‘Bloodgood’ e um Acer palmatum ‘Sango-kaku’. O arco-íris alegrou-me o dia que foi demasiado melancólico, até para mim.

Lixívia lava mais branco

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, acordo ortográfico
Um dia destes procurava informação sobre lixívia. Embora não fosse o que procurava, aprendi coisas novas sobre a lixívia, designadamente que no Brasil se chama “água sanitária”. Os nossos amigos brasileiros também lhe chamam “cândida” ou “qboa”. Admito que o português do Brasil é mais colorido que o de cá, mas reforço a convicção que não entendo o que dizem os defensores do acordo ortográfico. Mais uma vez o estado vai-se meter onde não é chamado e estragar o que está bem. E está bem cá e está bem lá. O português é resultado de uma história. E é o que é.

O “entertainer”

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Pessoas e personalidades, antónio barreto, josé miguel júdice
O Dr. Júdice é um “entertainer” completo. Estava aqui a passar o tempo, à espera que a chuva chova para ir dar uma volta com os cães, enquanto escrevia uns pequenos textos no blogue. Lá longe a televisão debita uma opiniões. As de António Barreto interessam-me. As de José Miguel Júdice decididamente não me interessam. Hoje fiquei a saber que o Dr. Júdice acredita sempre na imensa bondade da espécie humana (só para contextualizar, a propósito do responsável da ASAE que começou por negar a existênca de determinado documento). Já parou de chover, o Dr. Júdice continua a falar e de facto prefiro o ar fresco da noite e a companhia dos meus cães. Nunca acabo de ver este programa, apesar de António Barreto.

Greenwashing

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, greenwashing
E mais um comentário sobre o greenwashing, agora omnipresente: O que vai acontecer é muito simples. Consumidores bem intencionados vão chegar à brilhante conclusão que afinal o seu esforço, designadamente financeiro, a comprar produtos mais caros e “verdes”, não deu em nada. Brevemente deve estar para aparecer o outro lado desta moeda e voltaremos ao “business as usual” de onde na verdade nunca se saiu. Individualmente também ninguém faz o mínimo esforço e estou em crer que este marketing manhosamente verde resulta porque as pessoas gostam de ser enganadas. Sentem-se bem com isso. Dói menos. Em breve o verde deixará de ser o novo preto. O preto será o novo preto, que aliás nunca deixou de o ser.

Nova oportunidade perdida

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, escola
Conheço uma pessoa que frequenta as Novas Oportunidades (Abrupto), como aluno. E outras, que as frequentam como professores, ou formadores. O aluno, passou do sexto ano, sem saber ler nem escrever, para o nono. Foi às aulas, não todas, foi quanto bastou. Agora vai para o décimo ano e informei-o que nesse ano, a matéria começava a ser um pouco mais exigente e que se calhar a capacidade seria pouca, com tão expedita progressão. Fico a saber que ainda vai ser mais fácil! Também é nas Novas Oportunidades. A perfeita consciência da sua própria situação por parte do aluno, que fala abertamente da sua ignorância, do facilitismo, da total ausência de conhecimentos que afinal é suficiente para se andar na escola com sucesso, é algo que tem de pasmar. Brilharetes nas estatísticas europeias tornaram-se os fins, os meios logo se verão. Numa coisa este governo é diplomado — em propaganda e slogans. “Aprender compensa”, mesmo não aprendendo nada. Prefiro 30% de analfabetos, a mais analfabetos.

Resposta a uma mensagem de e-mail

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, e-mail, educação
Antigamente, escrever uma carta era uma autêntica arte. Os anos passaram, — estamos na era da internet — e dificilmente se encontra alguém que ainda escreva cartas e as coloque no correio. O que encontro e cada vez mais, são pessoas que utilizando o e-mail, não se sentem minimamente obrigadas a responder às mensagens que recebem. E não falo de abordagens a frio, não solicitadas, a vender tinteiros de impressora quase genuínos. Falo de amigos, conhecidos, assuntos profissionais ou ainda contactar alguém que para algum assunto disponibiliza o seu e-mail no blogue por exemplo. (more…)

Jornais grátis

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, desperdício, jornais
Já tresandam. Hoje fui com a Susana de boleia para o Porto. Na Rotunda dos Produtos Estrela, dois jornais “Sexta” para dentro do carro. Na Rotunda da Boavista, mais dois jornais “Sexta” para dentro do carro — ir com a janela aberta nem dá tempo de recusar. Pelo chão, são aos montes a esvoaçar. Eu não alinho nesta sociedade do desperdício. A partir de agora, nem quatro, nem dois, nem um. Se quiser ler jornais, pago-os. Estes jornais grátis têm um valor correspondente ao seu valor facial: Zero. Só tenho pena das árvores necessárias para alimentar as rotativas que imprimem semelhantes pasquins esvoaçantes.

A coisa mais estúpida que li hoje

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno
Henrique Raposo no Expresso: Todos os dias, durante o mata-bicho, divirto-me com uma coisa que se chama ‘minuto verde’ (RTP 1). Neste programa, um representante da Quercus recomenda um determinado comportamento ‘verde’. Aquilo é uma espécie de Alcorão ecologista: todos os actos do dia-a-dia já estão codificados; tudo o que fazemos tem de seguir o que é ecologicamente correcto. Ou aceitamos esta “sharia” verde ou o dilúvio - provocado pelo degelo do Árctico - cairá sobre nós. Etc. Etc. Efectivamente, as últimas três décadas não foram uma página brilhante da história de Portugal. Entretanto, vamos a caminho de haver metade de uma população já nascida, criada e educada depois do 25 de Abril. Mais ano menos ano, são esses que vão estar à frente dos destinos do país. Pessoas da estirpe deste Henrique Raposo, por aí em biquinhos de pés, a debitar dislates com todas as letras do teclado. Vai ser coisa digna de ser vista.

Correspondência: Árvores de Bruxelas

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, bruxelas, rolagem
Árvores de BruxelasO leitor Manuel Resende enviou-me o seguinte mail que pedi para publicar porque coloca algumas coisas em perspectiva. Com o mal dos outros países podemos nós bem, mas também é verdade que o português tende a ver o negativo muito cá dentro e o positivo muito lá fora. Eu também sofro um bocado desse mal. Não serve de desculpa às barbaridades cometidas contra as árvores por esse país fora, mas de facto não é só cá. O texto do mail e mais fotografias, já a seguir ao salto (e clicar nas fotografias para ampliar, julgo que já sabem). (more…)

Preparação para o Dia da Árvore em Matosinhos

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno
A Câmara Municipal de Matosinhos, tem uma forma peculiar de assinalar o Dia da Árvore. Em frente aos paços do concelho, existem 48 choupos em duas fileiras. Hoje, à semelhança de anos anteriores, funcionários diligentes, ignorando as condições atmosféricas, estavam a prepará-los para apresentarem um aspecto condigno no dia da efeméride e poder-se explicar às criancinhas que aqueles paus são mesmo árvores, como diz o Paulo Araújo.

Como é que é possível?

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno
Há cerca de um ano, publicava um pequeno texto sobre uma poda ridícula e mais abaixo mostrava um magnífico Cedro (Cedro-do-líbano, acho eu) como um bom exemplo… Mas é como diz o Pedro do blogue A Sombra Verde. Isto é um país que odeia as árvores e não vale a pena criarmos grandes laços com nenhuma. Vejam a fotografia e expliquem-me como é possível uma árvore daquelas desaparecer! Fiquei siderado e tive de sair do carro para comprovar que era mesmo naquele local (estava farto de saber que sim, mas o cérebro tem destas coisas em presença de um grande choque). O muro estava rachado, deve ter sido essa a razão que ditou a sorte de tão magnífico exemplar. Depois de olhar para a fotografia ainda me sinto pior. Como é que é possível?

A destruição do ambiente como pecado

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno
A Igreja Católica actualizou a noção do que é o mal e adaptou-a aos tempos incertos que atravessamos. O arcebisbo Gianfranco Girotti apelou a uma consciência mais verde e os atentados ambientais entraram na lista de pecados. Dei uma pequena volta pela blogosfera nacional que invoca o Papa e Deus por tudo e por nada que sirva os seus interesses e nada. Não encontrei comentários sobre este assunto. Nem recensão da notícia. Para essa blogosfera, adepta de Deus e do paradigma do Homem agora e para sempre no topo da velhinha pirâmide, pelos vistos é um assunto incómodo. Pessoalmente, gosto do Papa Bento XVI. Na ambivalência católica, tem mostrado que o caminho por vezes é um e não dois ou mais. Nunca gostei de uma Igreja Católica onde cabe tudo e todos.

É um jardim à portuguesa (4)

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Locais
Magnólia Magnólia num jardim particular. Morta há mais de dois anos e ainda em agonia.

“Adira ao cartão Unibanco Metropolis…

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno
…e receba uma máquina de café Nespresso Siemens!” “Assim que o seu cartão for atribuído, receberá esta máquina em sua casa e poderá pagá-la em 6 prestações mensais de 30€, sem juros (TAEG 0%), debitadas no seu cartão Unibanco”. Primeiro, não sei porquê que a Susana recebe este lixómetro não solicitado da Unicre e faz parte de uma base de dados onde não se inscreveu. Segundo, quem quiser a máquina (o que não aconselho) por 149,00€ em vez da sensacional oferta Unicre de 180,00€ (TAEG 0%), pode encontrá-la por exemplo na Pixmania. Terceiro, esta gente existe?

É um jardim à portuguesa (3)

José Rui Fernandes @ Quinta do Sargaçal Categorias: Ciência Geral, Contra o Mundo Moderno, Locais
Belo café Em frente ao bosquete, o jardim de um café.
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