Apoios do ensino especial
A resposta mais óbvia é que se insiste, contra toda e qualquer evidência empírica disponível, em favorecer uma perspectiva médica do ensino/aprendizagem, em particular no que diz respeito aos problemas de aprendizagem da leitura e escrita (não vou ocupar-me aqui da hiperactividade, embora aconselhe as pessoas a, antes de se pronunciarem peremptoriamente sobre este assunto, consultarem a literatura especializada, portuguesa e estrangeira).
Por outro lado, seria interessante que alguém explicasse que tipo de apoio tinham os alunos com problemas da leitura (os erradamente chamados disléxicos) antes da alteração legislativa referida na notícia. A sugestão de que o apoio existia e foi retirado, é simplesmente falsa. De forma organizada (organizacional) esse apoio não existia, não existe e muito provavelmente continuará a não existir. Ainda assim, neste momento, em muitas escolas, há uma maior preocupação de sinalização e de intervenção junto de alunos com dificuldades, felizmente sem ter que se esperar por diagnósticos de dislexias, nem por autorizações de Direcções de Educação. E muito menos – felizmente – sem ter que se esperar por um ensino especial que vem tarde e a más horas e cuja utilidade é desconhecida (seria interessante que fossem fornecidos dados sobre os brilhantes resultados que o ensino especial obteve nos anos em que “havia apoio”).
Por ora e para não ocupar demasiado espaço, pretendo apenas demonstrar que os modelos médicos aplicados às questões de aprendizagem constituem, eles sim, uma verdadeira patologia social, incapaz de ajudar os alunos quando eles precisam. A medicina nada tem a dizer sobre este assunto, tornando-se simplesmente inaceitável que haja tanta gente a tentar patrocinar má ciência e caricatos modelos em que causas, características e intervenção nunca casam e nunca casarão. A este propósito, cinco pontos têm que ser devidamente realçados:
(a) não existe qualquer evidência de afecção cerebral (brain injury) em alunos com problemas de aprendizagem;
(b) os modelos explicativos da denominada dislexia não representam mais do que uma hiper-generalização a partir de sujeitos atípicos e adultos;
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Acontece que há poucos dias duas professoras enviam-me a mesma imagem, estando eu, por 


