Blogs de Ciência

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Archive for the Comportamento

Resenha do filme: Corra Lola, corra.




Por: Luciana Rodrigues Vasconcellos e Tatiana Santos Teixeira.



“Corra Lola, Corra” é um filme de ação produzido na Alemanha em 1998, cujo nome original é Lola Rennt, do diretor e roteirista Tom Tykwer. A protagonista do longa metragem Franka Potente interpreta Lola, uma jovem ruiva que vive uma frenética corrida contra o tempo a fim de salvar o namorado Manni (Moritz Bleibtreu) de uma enrascada que pode custar sua vida. Para isso, Lola perpassa três caminhos mas, somente um a levará a onde quer considerando que durante seu percurso encontra-se em situações e com figuras influentes no seu destino.

O filme exige do telespectador capacidade de associar idéias rapidamente, visto que é um filme de muita ação que contém ao mesmo tempo uma densa reflexão sobre a vida e experiência humana. À Lola foi dada a possibilidade de experenciar três destinos diferences, de viver três possibilidade de conduta para alcançar seu objetivo. Sabemos nós, que não temos a mesma chance de Lola, contudo o filme nos desperta para atentar sobre o que estamos realmente fazendo para alcançar nossos desejos, como nos relacionamos e como afetamos os outros e nosso meio.

Parece uma contradição pensar, em uma sociedade individualista como a nossa, que nossa atuação no mundo em prol de realização pessoal não pode se reverter em um resultado contrário, agimos em busca de nossos sonhos e anseios e nossa ação resulta em fracasso e morte. Como é possível tal contradição? “Corra Lola, corra”, retrata nada mais que o rítimo da vida moderna que não nos deixa tempo para refletir sobre as decisões que tomamos, muito menos, para atentar para nosso próprio comportamento e as possibilidades que o meio nos apresenta. Lola, só conseguiu realizar-se quando literalmente não atropelou a si mesma e aos outros, a personagem precisava correr, mas é quando pára que ganha tempo.

Atualmente, o tempo subjetivo não corresponde ao tempo de ação, levamos a vida com pressa e nossa mente parece voar na velocidade da luz. Contudo, o filme destaca que é preciso equalizar o tempo para convertê-lo em ação efetiva, enxergar o que nos cerca e somente assim alcançar a tão desejada realização pessoal.

“Corra, Lola, corra” trás o retrato atual dos dilemas da vida moderna presentes nos mais simples detalhes como em animações gráficas e fotografias que passadas como lampejos de memória representam o passado e o

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Quer ter sucesso entre as mulheres? Seja capaz de aprender mais rápido que seu concorrente

ResearchBlogging.org
O valor evolutivo da intelegência sempre foi foco de grande interesse. A maioria das mulheres tem a inteligência como um atributo que seu pretendente deve ter para conquistá-la. Shohet e Watt (Universidade de Shffield) realizaram um estudo onde avaliaram a capacidade de aprendizagem de diferentes indivíduos de peixes e testaram se isso tem alguma influência na escolha destes por fêmeas de sua espécie. A espécie usada foi a Poecilia reticulata o famoso Guppy (ou lebiste).

Esta espécie é conhecida no meio científico por reconhecer e lembrar de indivíduos do seu grupo, bem como adquirir e usar informações na escola de parceiros e na busca por alimentos. Mas como testar a inteligência dos machos? Não foi com o uso de testes de QI. Os pesquisadores usaram labirintos em aquários, nos quais, ao final da rota, o peixe poderia encontrar alimento. Durante alguns dias, o tempo levado pelo peixinho para encontrar comida nos dois labirintos foi cronometrado. Esta medida indica a capacidade de aprender o caminho para comida nos dois cenários, com isso, machos que demoram menos tempo com o passar dos dias teriam uma capacidade de aprendizagem maior (mais inteligentes). Esta capacidade seria de grande valia na natureza, pois peixes mais inteligentes aprenderiam mais rápido a nadar pela correnteza dos rios, sendo assim mais eficientes na busca por alimentos e mais ágeis na fuga de predadores. Se alimentando melhor, teriam maior tamanho corporal e manchas laranjas maiores (características que deixam as fêmeas dos gupps louquinhas!).

 
guppy.jpgLabirintos usados no experimento


E como é avaliado a atratividade de um macho em comparação aos outros? Quem respondeu que é somente ver o saldo bancário de cada um, errou feio. Foi montado um aquário retangular, sendo este dividido em três partes. Em cada uma das pontas ficava um macho que foi avaliado nos labirintos e, na parte central, foi colocada a fêmea. Em um combate de 10 minutos foi anotado a posição da fêmea a cada 15 segundos, assim, se ela ficasse mais interessada por um dos machos, seria percebido pela frequência de aproximação do lado do garanhão.


gráfico inteligencia.jpg
Está comprovado graficamente: inteligentes são mais atraentes (pelo menos para os peixes)


Foi observado que os machos mais inteligentes atraiam mais as fêmeas, elas tendiam a ficar mais próximas a eles. Os pesquisadores acreditam que esta inteligência pode ser mostrada pelo macho através de movimentos corporais na hora da conquista, além disso,

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Saúvas: uma sociedade de formigas

As Saúvas - Uma sociedade de formigas (Jo Fava Alves)

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas. Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

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Teoria da personalidade conforme Alfred Adler


adler

Alfred Adler nasceu de uma família de classe média em Viena, em 1870, e morreu na Escócia em 1937. Foi um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica de Viena e depois seu presidente. Não demorou muito para que começasse a desenvolver idéias que divergissem das de Freud. Formou, então, seu próprio grupo, denominando-o grupo do sistema holístico da psicologia individual.

A abordagem criada por Adler compreende as pessoas como sendo totalidades integradas dentro de um sistema social. Sustenta a motivação do homem como sendo fundamentada pelas solicitações sociais. Para Adler, o homem procura contato com os outros, empreende atividades sociais em cooperação, põe o bem-estar social acima do interesse próprio, adquirindo um estilo de vida que é, predominantemente, orientado para o meio externo.

Adler manifesta uma preocupação biológica, tanto quanto Freud e Jung. Freud enfatiza o sexo, Jung os padrões primitivos de pensamento e  Adler o interesse social.

Adler cria alguns conceitos muito importantes para a psicologia da personalidade:

Selfcorresponde a um sistema altamente personalizado e subjetivo que interpreta e tornam significativas as experiências do organismo. É criador, unitário, consistente e soberano na estrutura da personalidade.

É algo que intervém entre os estímulos que agem sobre a pessoa e as respostas que ela oferece. O homem constrói  sua personalidade com a matéria-prima da hereditariedade e da sua experiência. O self criador dá sentido à vida; cria tanto o ideal como os meios de atingi-lo. É o princípio ativo da vida humana.

Estilo de vidacorresponde ao princípio do sistema pelo qual a personalidade funciona; é o todo que comanda as partes. É o princípio que explica a singularidade da pessoa. Cada pessoa tem um estilo de vida e não há dois iguais.

Todos têm o mesmo objetivo, a superioridade, mas há inúmeras maneiras de atingi-lo. Toda conduta de uma pessoa tem origem em seu estilo de vida. Este forma-se na infância, por volta dos quatro anos de idade e, daí por diante, as experiências são assinaladas e utilizadas de acordo com ele. É uma compensação para determinada inferioridade.

Luta pela superioridade corresponde ao objetivo superior do homem na sua luta contra os obstáculos: ser agressivo, poderoso superior.

“Superioridade é algo análogo ao conceito de self em Jung, ou ao princípio de auto-realização de Goldstein. É um esforço da personalidade no sentido de completar-se. É

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Aguentar as m*rdas da sua mãe tem lá suas vantagens. (se você for um besouro)

Dizem que nada supera o amor de mãe... conhecemos histórias de mães que se sacrificam por seus filhos, ou lendas de mães que ergueram carros sozinhas para conseguir libertar um filho atropelado, ou qualquer coisa do gênero.

No mundo animal também temos exemplos notáveis de cuidado maternal, mas um em especial me chamou a atenção: as fêmeas do besouro Neochlamisus platani fazem de tudo para protegerem seus filhotes o máximo possível...

... mesmo que isso consista em construir um casulo que cobre os filhotes. De cocô.


(pausa para que todos possam dizer "Eeeeeeeca, que nojo!"... e estamos de volta com a nossa programação normal)


casebearingbeetle.jpgÉ, temos aqui mais um caso da nossa "Maravilhosa Enciclopédia Bizarra do Mundo Animal". Essas fêmeas de N. platani constroem uma espécie de carapaça-extra em suas costas que traz grande vantagem aos filhotes, que têm mais chances de, protegidos, chegarem à vida adulta.

E tem gente que acha que teve uma infância/adolescência de m*rda... (trocadilho infame incontrolável, desculpem, foi o último... eu acho). Esses besouros servem de exemplo prá qualquer adolescente do tipo "ninguém me entende", "meus pais não me entendem". Aliás, imagina se a mãe do Renato Russo fosse uma fêmea de N. platani? "Pais e Filhos" seria uma música completamente diferente ;)

Essas fêmeas encasulam (isso é uma palavra? Me ajudem!) sua cria em uma espécie de cápsula feita de suas próprias fezes. Após a postura dos ovos, selam cada um deles em um casulo com formato de sino. Quando as larvas eclodem, fazem algumas modificações na estrutura do casulo, como um furo no "teto", além de aumentarem o tamanho do casulo com seu próprio excremento (palavra bonita pro bom e velho "totô"). Prá finalizar, imagine agora esse besourinho esticando sua cabeça para fora do casulo, e fazendo o mesmo com suas pernas: temos aqui um casco semelhante ao das tartarugas, que confere grande proteção ao inseto, servindo de "moradia móvel" que ele carrega até a idade adulta.

Além de ter uma "moradia móvel", os besouros N. platani têm formas de "tunar" seus casulos protetores. Uma das adições à estrutura inicial são pêlos (ou tricomas) das plantas que eles usam como hospedeiras. Esses tricomas são adicionados tanto ao interior quanto ao exterior do casulo, e possibilitam uma proteção extra contra eventuais predadores, como foi demonstrado num artigo publicado no periódico Animal Behaviour.

ResearchBlogging.orgOs autores do trabalho apontam…

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É o FIM DO MUNDO?… Ou será que não?

Nos EUA, o sexo oral está na moda entre os adolescentes. Será que os jovens estão mais pervertidos? Não é bem assim. Isso só mostra que eles são mais responsáveis que as gerações anteriores. Como assim? De 1994 a 2004, mais que dobrou o número de jovens de 12 a 24 anos que relataram a prática de sexo oral. As famílias entraram em pânico com a “perversão” de seus filhos. Só que, desde o início Continue a ler É o FIM DO MUNDO?… Ou será que não?

Mais sobre probabilidades: a questão do incesto


Num tópico anterior sobre probabilidades aleguei que a percepção correta das probabilidades associadas a determinados eventos e o estabelecimento (quando existem) de correlações entre eventos dados não é algo intuitivo entre os seres humanos, e provavelmente nem para os demais primatas.

Faz pouco tempo que me rendi a esse fenômeno moderno que são os blogs, e devo confessar que, apesar dos vários aspectos negativos dessa nova tecnologia, há algumas vantagens fantásticas. Uma delas é a possibilidade de receber, quase que imediatamente, as impressões e as opiniões do leitor (o famoso e desnecessário anglicismo “feedback”). Claro que isso também era (e continua sendo) possível com um livro impresso, mas há uma enorme diferença entre escrever, envelopar e postar uma carta para o autor, e encontrar logo após a leitura de um texto um convidativo “deixe seu comentário”…

Assim sendo, nesse tópico anterior sobre probabilidades entrei num diálogo com um colega, em que ele argumentava que a percepção das probabilidades é intuitiva, e eu mantinha minha posição. Revi alguns conceitos, e penso que há outra forma de defender minha suposição. Explaná-la é o fito dessa breve nota.

Nós conseguimos determinar probabilidades e estabelecer relações através de um processo laborioso de coleta de dados, seguido pelo não menos complexo trabalho de análise estatística desses dados coletados. Essa atividade de análise de dados é um processo científico, construído por décadas e décadas através do acúmulo de conhecimentos sobre esse ramo das ciências e da matemática. Meu ponto de vista é que a mente de um mamífero (vou aqui deliberadamente trazer a análise para um grupo mais inclusivo…) como a do ser humano não é capaz, intuitivamente, de perceber essa montanha de dados, de construir estatísticas descritivas e de ponderar probabilidades. Não estou chamando os mamíferos de burros, um apaixonado pela etologia que sou jamais faria isso. O que quero dizer é que os mamíferos, ou especificamente os primatas, não são intuitivamente capazes de estabelecer probabilidades, e que nem precisam disso: haverá alguma forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficaz de se analisar uma montanha gigantesca de dados, num período de tempo indefinido, e se estabelecer correlações? Penso que sim, e a resposta pode ser bastante simples: o processo de seleção.

Para explicar e defender minha suposição, preciso inicialmente estabelecer o conceito de módulo comportamental, que seria uma estrutura etológica geneticamente determinada. Em outras palavras, um determinado comportamento geneticamente…

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TUBA LIVRE: Os linchadores da Uniban

Não posso deixar de expressar aqui a minha indignação pela a expulsão da estudante universitária Geisy Arruda pela Uniban, mesmo que esta instituição tenha revogado a expulsão, no dia seguinte, depois da repercussão negativa na imprensa. Sobre o caso, faço minhas as palavras do apresentador da MTV Bento Ribeiro no programa Furo TV: “O problema não é a expulsão da estudante, o problema é chamar Continue a ler TUBA LIVRE: Os linchadores da Uniban

PREVENÇÃO RODOVIÁRIA


Texto do nosso leitor João Boaventura alusivo à campanha brasileira de prevenção rodoviária (cartaz na imagem):

A propósito da Prevenção Rodoviária Brasileira, lembrei-me da que foi utilizada na África do Sul, depois do primeiro transplante do coração realizado com sucesso pelo Dr. Christiaan Barnard, onde os cartazes espalhados nas estradas rezavam: “Dr. Barnard waiting for your heart”.

Como curiosidade, o Dr. Barnard já tinha realizado transplantes de coração em 50 cães, e o primeiro homem que se submeteu à operação tinha uma doença terminal pelo que não teve dúvidas em executá-la porque, argumentava: “For a dying man it is not a difficult decision because he knows he is at the end. If a lion chases you to the bank of a river filled with crocodiles, you will leap into the water, convinced you have a chance to swim to the other side.”

O 3 de Dezembro próximo relembra o que aconteceu há 42 anos.

João BoaventuraContinue a ler PREVENÇÃO RODOVIÁRIA

Psicologia evolutiva, oogamia, homossexualidade e outros assuntos


Em seu livro escrito num campo de prisioneiros russo (intitulado postumamente como “The natural science of human species”, mas que eu chamo simplesmente de “Manuscrito russo”), Lorenz defende uma união das psicologias em suas várias abordagens, uma união que se dê no seio de uma ciência mais abrangente, na qual as psicologias (o plural aqui é proposital) seriam inseridas, sendo essa ciência mais abrangente a biologia. O que Lorenz propôs não foi uma subordinação das psicologias à biologia, muito menos que se implementasse na psicologia esse tão nefasto e indesejável fenômeno chamado reducionismo (vale lembrar que Lorenz era um incansável crítico do behaviorismo e de seu reducionismo positivista). O que Lorenz propunha, isso sim, é que as psicologias entendessem o ser humano como uma entidade natural, dentro de um mundo orgânico evolutivamente diversificado. A mente humana, bem como a mente de outros mamíferos, não pode ser “reduzida” ao funcionamento de seus neurônios; apesar disso, dentro de uma perspectiva materialista, a mente dos animais (homem incluído), por mais complexa que seja, resulta de processos biológicos. Freud tece uma opinião semelhante (até certo ponto…) em seu “Projeto para uma psicologia científica” de 1895.

Quando comecei a ouvir falar da psicologia evolutiva (ou P.E.), pensei que essa pudesse ser uma possível aproximação de um ramo da psicologia à biologia de forma geral, algo como uma etologia humana que não fosse propriamente uma etologia, e que tivesse seus paradigmas voltados à psicologia de forma geral: em suma, uma vertente da psicologia que ensaiasse o movimento defendido por Lorenz. Contudo, o que vejo hoje é uma vertente da psicologia que nem agrada aos psicólogos de escolas como a psicanálise, a gestalt ou o behaviorismo, nem utiliza corretamente os conceitos da biologia evolutiva.

Penso que uma psicologia evolutiva que valesse o nome devesse ser, antes de tudo, uma psicologia que compreendesse a conexão histórica entre os organismos desse planeta, id est, suas ancestralidades comuns, e percebesse que certos comportamentos, como características morfológicas, podem ser homólogos tomando-se duas espécies diferentes (ou seja, que tal comportamento era presente no ancestral comum). Além disso, que compreendesse que características podem ser alvo de exaptações, exercendo assim uma função bem diferente da função primordialmente executada, quando tal caráter surgiu. Finalmente, mas muito importante, que compreendesse que nem todas as características são adaptações, e que assim sendo uma boa quantidade de comportamentos não têm função alguma, ou mesmo são disfuncionais.

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