Florestas, solos pobres e ciclagem biogeoquímica

Italo M. R. Guedes @ Geófagos Categorias: APA Cachoeira das Andorinhas, Ciência Geral, Geoquímica, Matéria orgânica, agricultura, ciclos biogeoquímicos, floresta amazônica, meio ambiente, solos distróficos
O cidadão leigo deve achar estranho ou até improvável quando um especialista afirma categoricamente que a maior parte dos solos sob a floresta amazônica são solos nutricionalmente pobres, distróficos em nosso jargão profissional. Como solos pobres em nutrientes minerais poderiam sustentar vegetação tão exuberante? Pode parecer estranho, mas é a pura verdade e a Amazônia não é um caso isolado. Em meu doutorado trabalhei com solos nutricionalmente pobres, desenvolvidos sobre material de origem (rochas) também muito pobres, mas estes solos muitas vezes sustentavam comunidades vegetais exuberandtes e biodiversas. Tanto na Amazônia quanto na área de minha tese (Área de Proteção Ambiental Estadual Cachoeira das Andorinhas, em Ouro Preto, Minas Gerais), os principais solos são classificados como Latossolos e, em menor extensão, Espodossolos (logo teremos um post sobre as classes de solo do Brasil), solos normalmente pobres ou muito pobres em nutrientes minerais. A pobreza em nutrientes pode ser herdada do material de origem ou resultado de séculos de intemperismo químico. Em condições naturais, os teores mais altos de nutrientes nestes solos são via de regra observados nos horizontes (camadas mais ou menos paralelas à superfície que caracterizam um solo e permitem sua classificação) mais superficiais, mais ricos em ...

Metais Pesados em solos: Conceito Geral

Carlos Pacheco @ Geófagos Categorias: Ciência Geral, Ciência do Solo, Contaminação, Geoquímica, Geral, Metais Pesados, ciclos biogeoquímicos, ciclos geoquímicos, geoquímica de superfície, meio ambiente
Caros leitores, Esse post tem como objetivo apenas a conceituação desse que é um dos maiores e mais importantes grupos de poluentes existentes. A partir de agora iniciarei uma série de outros posts visando esclarecer alguns aspectos importantes sobre os mesmos. O termo metais pesados é de definição ambígua, mas vem sendo intensamente utilizado na literatura científica como referência a um grupo de elementos amplamente associados à poluição, contaminação e toxicidade (Amaral Sobrinho, 1993). Conceitualmente metais pesados são definidos como elementos que possuem densidade superior a 6 g/cm3 ou raio atômico maior que 20. Essa definição é abrangente e inclui, inclusive, alguns ametais ou semi-metais, como As e Se (Alloway, 1990 e Meurer, 2004). Alguns metais pesados são micronutrientes essenciais aos seres vivos como Cu, Zn, Mn, Co, Mo e Se e outros não essenciais como Pb, Cd, Hg, As, Ti e U. Para esses últimos talvez o termo metais tóxicos cairia melhor (Amaral Sobrinho, 1993). Segundo Sevenson & Cole (1999) existem metais traços essenciais para plantas como ferro (Fe), zinco (Zn), manganês (Mn), cobre (Cu), boro (B), molibdênio (Mo) e níquel (Ni). Já o cobalto (Co), crômio (Cr), selênio (Se) e estanho (Sn), não são requeridos pelas plantas, mas são essenciais para animais....

Uma introdução à origem dos solos I

Italo M. R. Guedes @ Geófagos Categorias: Ciência Geral, Ciência Geral, Ciência do Solo, Murray Leinster, ciclos biogeoquímicos, colonização doscontinentes pelas plantas, intemperismo, origem dos solos
Em sua novela de ficção científica The Forgotten Planet publicada em 1954, Murray Leinster descreve as condições de superfície do tal planeta esquecido da seguinte forma (tradução minha): “Nenhum animal vagava por seus continentes. Nenhuma vegetação crescia a partir de suas rochas. Nem mesmo bactérias lutavam para transformar as pedras em solo. Não havia solo. Rochas, pedras, cascalhos e mesmo areia estavam presentes. Mas nada de solo onde pudesse crescer algum vegetal. Nada vivo, por menor que fosse, nadava em seus oceanos, não havia sequer lama no fundo dos mares. Este era um daqueles muitos tristes mundos que apareceram quando primeiro se explorou a galáxia. As pessoas não podiam colonizá-lo porque nada vivera lá antes.” Poucas vezes li uma descrição tão didática e cativante da importância do intemperismo na existência de vida em um planeta. Vale salientar que esta história começou a ser escrita na década de 20 do século XX. Neste início de século XXI parecem ser tão poucas as pessoas conhecedoras dos processos originadores do solo ou que se dão conta do papel fundamental deste filho tardio do intemperismo em suas vidas. Aliás, vida é uma palavra chave quando nos referimos ao solo. Como o trecho deixa ...
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