Darwin 150, 200

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Georges-Louis Leclerc, Conde de Buffon. Um dos precursores do pensamento evolutivo moderno. Fonte: Wikimedia Commons.

"A maneira como o Darwinismo é compreendido depende muito da experiência e do interesse do observador. A palavra tem significados diferentes para um teólogo, para um Lamarckista, para um Mendeliano ou para um evolucionista moderno. Uma outra dimensão que contribui para a diversidade de opinião sobre o significado do Darwinismo é a geografia: a palavra "Darwinismo" tem significados um pouco diferentes na Inglaterra, na Alemanha, na Rússia e na França. Desde o começo (...) as teorias de Darwin estavam em oposição a um número de ideologias tais como o essencialismo, o fisicalismo, a teologia natural e o finalismo, cuja força variava de um país para o outro. Para os defensores de uma ou de outras dessas ideologias, a palavra "Darwinismo" significa o oposto de suas próprias crenças.
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Darwinismo enquanto Evolucionismo
O evolucionismo era um conceito estranho aos fisicistas, não somente por rejeitar o essencialismo, mas também por aceitar o elemento histórico tão conspicuamente ausente das ideias fisicistas do século dezenove. Influências históricas eram igualmente estranhas a todos os filósofos vindos da lógica ou da matemática. Foi Charles Darwin quem tornou o pensamento evolutivo uma ideia respeitável dentro da ciência. Todavia não seria certo se referir ao evolucionismo como Darwinismo. O pensamento evolutivo já estava bem disseminado quando Darwin publicou a Origem, particularmente na linguística e na sociologia. Na biologia também, graça a autores como: Buffon, Lamarck, Geoffroy, Chambers, e diversos autores alemães. Darwin, definitivamente, não foi o pai do evolucionismo, mesmo merecendo tal designação.
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Darwinismo enquanto Uma Nova Visão de Mundo
J. C. Greene (1986) tem sugerido, assim como outros historiadores das ideias, que o sufixo -ismo deveria ser usado apenas para designar ideologias, e
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Continue a ler Criação: o filme sobre Darwin
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Continue a ler Resenha: Além de Darwin – Reinaldo José LopesÉ Darwin sob todos os prismas: pintura, desenho, escultura, peças de anatomia e taxidermia, uma peça anatómica de um cérebro humano e até mesmo a primeira edição de um livro seu.
A exposição de arte e ciência chama-se “Exuberâncias da Caixa Preta” (a propósito do livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, de Charles Darwin) e apresenta, em 270 metros quadrados, «uma visão mais contemporânea da obra de Darwin». Fica no Museu Soares dos Reis, Porto, até 21 de Março de 2010.
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Quando li a notícia de que estavam fazendo um filme sobre como Darwin escreveu o Origem das Espécies fiquei bastante empolgado. Primeiro por que qualquer um que leu o livro biográfico escrito por Adrian Desmond e James Moore sabe que esta é uma excelente história a ser contada. Segundo por que o ator encarregado de interpretar o naturalista inglês é o Paul Bettany que já tinha interpretado um outro naturalista, fictício é verdade mas tremendamente inspirado em Darwin, no filme Mestre dos Mares.
Tive a oportunidade de assistir ao filme ontem que, numa tentativa infeliz de ironia, foi chamado de Creation. Tenho más notícias. Vou resumir o assunto já que os próximos parágrafos vão conter algum spoiler e eu não quero estragar nada para ninguém. O filme não se sustenta nem como filme, nem como cinebiografia. Aviso novamente, como reforço, OS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS PODEM CONTER SPOILERS, portanto, siga por própria conta e risco.
Esteriótipos e Exageros
Antes de mais nada devo reforçar que toda a crítica que faço é, sobretudo, por oposição ao livro do Desmond e Moore. Obra que não tem relação direta com o filme, que foi baseado no livro Annie’s Box, de Randal Keynes que é também tataraneto de Darwin.
O filme se divide em duas linhas de tempo. A primeira tem como ponto central a figura de Anne Darwin, mostrando a relação privilegiada entre Charles e sua segunda, e preferida, filha até sua devastadora morte aos 10 anos de idade. A segunda linha de tempo mostra Darwin lutando contra sua doença e sua tentativa de terminar o Origem das Espécies para publicação.
A primeira coisa que me incomodou bastante é a maneira como tudo é construído. Tudo muito exagerado, tudo muito esteriotipado. Darwin é o gênio indomável que tenta conter a si próprio em respeito ao amor que sente por sua esposa, Emma, a beata que em nome da religião vê, sem reclamar, sua filha sendo torturada, ao mesmo tempo em que suprime os impulsos do marido na busca de salvação para sua alma. Anne é a criança gênio, feita à imagem e semelhança do pai.
E por exagerar transforma o “naturalista atormentado” de Desmond e Moore em um “naturalista alucinado”. Darwin passa metade do filme tendo visões do fantasma de sua filha, em uma crise existencial que relaciona o Origem das Espécies com a morte de Anne, com as dificuldades do casamento, com a doença misteriosa.
Para o filme,…
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