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Archive for the Charles Darwin

Darwin 150, 200


Darwin foi um dos mais importantes e influentes cientistas de todos os tempos. A ele se deve a formulação de uma teoria de evolução que permite explicar a diversidade da vida na Terra nos últimos 3 mil milhões de anos. O que conhecemos hoje sobre a biologia dos seres vivos só é compreensível com base no princípio da evolução. Além disso, uma das consequências principais das teorias de Darwin é a recolocação do Homem no seio da Natureza, ao estabelecer que a nossa espécie também evoluiu, como as outras, de antepassados que viveram muito tempo antes.
Uma brilhante exposição no Museu da Ciência em Coimbra decorre desde 23 de Abril e termina dia 31 de Julho.
Mais informações :

http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=exp_temporariaContinue a ler Darwin 150, 200

A longa viagem


Quando Charles Darwin escreveu A origem 'as espécies, abordou a evolução de organismos que variam de orquídeas a baleias, mas, notadamente, deixou de fora de sua obra-prima um debate consistente sobre a origem dos humanos, limitando-se a comentar: "Luz será lançada em relação à origem do homem e sua história". Estudiosos atribuem o referido silêncio de Darwin sobre o assunto à sua relutância em alfinetar ainda mais a instituição vitoriana, e sua mulher devota, para quem a origem de todas as coisas - principalmen¬te os humanos - era obra divina.

Thomas Henry Huxley, o biólogo conhecido como o "bulldog de Darwin" não guardava nenhuma restrição. Em 1863 escreveu a obra Evidence as to man´s place in nature, onde aplicou abertamente a teoria da evolução de Darwin aos humanos, defendendo que certamente descendíamos dos macacos. Doze anos mais tarde, o próprio Darwin, possivelmente encorajado pela iniciativa de Huxley, escreveu A descendência do homem, onde declarava o chimpanzé e o gorila nossos parentes vivos mais próximos, com base nas semelhanças anatómicas; e ainda previa que nosso ancestral mais remoto poderia ser encontrado na África, habitat actual dos primatas vivos.
Ao mesmo tempo, tinha-se notícia de apenas um punhado de fósseis humanos, todos eles de Neandertais de sítios na Europa Ocidental.
Desde então, diversas evidências com fósseis e análises genéticas validaram as alegações de Darwin. Hoje sabemos que nosso parente mais próximo é o chimpanzé e que os humanos surgiram na África entre cinco e sete milhões de anos atrás, depois que nos diversificamos da linhagem do chimpanzé.
Descobriu-se também que durante boa parte da pré-história nossos antecessores dividiram o planeta com uma ou mais outras espécies de hominídeos. Mas, longe de ser uma sucessão linear de criaturas pouco a pouco mais erectas, a árvore genealógica humana exibe diversos galhos secos.
Falta muito ainda para completar a história de nossa origem.
Os Paleontólogos estão ansiosos para encontrar fósseis do último ancestral comum entre chimpanzés e humanos, por exemplo. Os investigadores querem saber como exactamente o Homo sapiens conseguiu superar os Neandertais e outros humanos arcaicos. Pairam ainda muitos mistérios sobre nosso passado colectivo. E as considerações de Darwin sem dúvida continuarão a iluminar o caminho até resolvê-los .
Adaptado da Revista Scientific American - A Evolução da Evolução
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Sobre o uso do termo "Evolucionismo"

Buffon_evolucao_darwin.jpgGeorges-Louis Leclerc, Conde de Buffon. Um dos precursores do pensamento evolutivo moderno. Fonte: Wikimedia Commons.



Na bela tarde gelada deste último domingo por algum motivo que eu não me lembro se iniciou uma discussão no twitter sobre o uso do termo "Evolucionismo". Segundo a @mariaguimaraes:

maria_evolucionismo_twitter.jpg
Minha resposta a esta colocação foi de que eu discordava deste posicionamento, que "Evolucionismo" era um termo popular para se designar o conjunto de ideias que formavam a base da Teoria da Evolução. O @uoleo também deixou sua opinião sobre o assunto, concordando com a @mariaguimaraes:

igor_evolucionismo_twitter.jpg
Como o espaço no twitter é bem limitado, resolvi chamar um amigo da minha biblioteca para dar sua opinião de forma mais prolixa do que 140 caracteres sobre este assunto:



"A maneira como o Darwinismo é compreendido depende muito da experiência e do interesse do observador. A palavra tem significados diferentes para um teólogo, para um Lamarckista, para um Mendeliano ou para um evolucionista moderno. Uma outra dimensão que contribui para a diversidade de opinião sobre o significado do Darwinismo é a geografia: a palavra "Darwinismo" tem significados um pouco diferentes na Inglaterra, na Alemanha, na Rússia e na França. Desde o começo (...) as teorias de Darwin estavam em oposição a um número de ideologias tais como o essencialismo, o fisicalismo, a teologia natural e o finalismo, cuja força variava de um país para o outro. Para os defensores de uma ou de outras dessas ideologias, a palavra "Darwinismo" significa o oposto de suas próprias crenças.

(...)

Darwinismo enquanto Evolucionismo

O evolucionismo era um conceito estranho aos fisicistas, não somente por rejeitar o essencialismo, mas também por aceitar o elemento histórico tão conspicuamente ausente das ideias fisicistas do século dezenove. Influências históricas eram igualmente estranhas a todos os filósofos vindos da lógica ou da matemática. Foi Charles Darwin quem tornou o pensamento evolutivo uma ideia respeitável dentro da ciência. Todavia não seria certo se referir ao evolucionismo como Darwinismo. O pensamento evolutivo já estava bem disseminado quando Darwin publicou a Origem, particularmente na linguística e na sociologia. Na biologia também, graça a autores como: Buffon, Lamarck, Geoffroy, Chambers, e diversos autores alemães. Darwin, definitivamente, não foi o pai do evolucionismo, mesmo merecendo tal designação.

(...)

Darwinismo enquanto Uma Nova Visão de Mundo

 J. C. Greene (1986) tem sugerido, assim como outros historiadores das ideias, que o sufixo -ismo deveria ser usado apenas para designar ideologias, e

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"Meu nome é Darwin"

Já imaginou um filme cujo personagem principal é Darwin? Não estou falando do recém lançado "Criação" que o Breno já comentou aqui no blog. Conheçam "Darwin", inspirado no novo filme de Sherlock Holmes.







Via The Dispersal of Darwin

PS.: Só agora vi que o Kentaro também postou o vídeo!
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Criação: o filme sobre Darwin

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O seguinte texto apresenta spoilers do filme, quem preferir, assista antes de ler.

Para começar, o filme é muito bom. A história de "Criação" compreende o período em que Darwin já havia voltado de sua viagem ao redor do mundo. O período anterior a viagem somente é mostrado em alguns "flashbacks". Sendo assim, para quem achava que ia encontrar Darwin coletando ou passando por aventuras dentro do Beagle vai ficar decepcionado. Mas acredito que por pouco tempo.

O filme mostra as crises de consciência que Darwin teve durante a interpretação dos dados coletados e do começo da redação de "A Origem das espécies". Em alguns momentos, o filme fica mais próximo das ciências humanas do que das ciências biológicas. As crises existenciais e, em alguns momentos, os surtos de Darwin. O filme se prende muito ao duelo entre acreditar ou não em Deus. Um exemplo disso é que a única aparição Huxley (no início de filme) é marcada pelo tentativa do Buldogue de convencer Darwin de que a publicação de sua obra acaba por matar Deus. E aí mesmo que nosso querido naturalista entra em parafuso, pois se vê em uma sociedade altamente regulada pela Igreja, além sua esposa, Emma, ser extremamente religiosa.

Em seus surtos mais fortes, ele conversa com sua falecida filha Annie (que pela conversa com minha noiva que é psicóloga, seria uma representação artística de seu alter-ego). Nas conversas, Annie pressiona seu pai a escrever o livro, representando assim, o Darwin livre de suas questões religiosas. Além dela, seu amigo, Joseph Dalton Hooker, se mostra outro entusiasta de que Darwin escreva logo o livro. Entretanto, Darwin somente volta com todo o gás para terminar sua obra quando se trata psicologicamente com os primórdios do que viria a ser a psicanálise. Um parenteses para admirar como a ciência se desenvolvia de maneira primorosa, pois os primórdios de linhas de pensamento atuais tão importantes das ciências humanas e biológicas nasceram naquela época.

Porém, antes de seu tratamento psicológico, Darwin recebe a carta de Alfred Russel Wallace. Nesta parte tenho que contar que cheguei a rir: Darwin sentado em um banco no jardim lê a carta e diz que Wallace conseguiu resumir em 20 páginas o que ele vinha tentando fazer em 250 e não tinha terminado. Sendo este também um dos fatores

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Órgãos vestigiais e evolução


A evolução de diferentes organismos ou partes de organismos num mesmo sentido, chamada evolução convergente, mostra que a selecção imposta pelos mesmos habitais sobre linhas evolutivas diferentes pode ocasionalmente resultar em funções semelhantes, apesar de não serem desempenhadas pela mesma estrutura anatómica.

No entanto, com excepção de tais eventos, a Anatomia Comparada seguiu a lógica de que os organismos que partilham estruturas derivadas de um grupo ancestral comum representam um percurso evolutivo divergente. As comparações efectuadas após dissecções anatómicas cuidadosas permitiram estabelecer os critérios para a construção de uma árvore evolutiva detalhada.
Um interesse particular dos anatomistas comparativos foi encontrar estruturas que pareciam ter perdido algumas ou mesmo todas as funções que tinham nos seus ancestrais. Do ponto de vista evolutivo, os anatomistas puderam explicar a presença de órgãos vestigiais ou rudimentares porque a adaptação a um novo ambiente geralmente implicou a existência de estruturas que evoluíram previamente e que posteriormente perderam a sua utilidade.

De acordo com o princípio da selecção natural, os indivíduos que consumirem menos energia na elaboração e manutenção de tais estruturas, terão maior probabilidade de sobreviver que os indivíduos que as mantiverem inalteradas quando estas tiverem perdido o seu papel biológico.

Além disso, algumas estruturas que já não são necessárias provavelmente interferem com o funcionamento das novas adaptações.
Com o passar do tempo, as estruturas obsoletas tenderão a evoluir regressivamente, mostrando apenas traços da sua anterior forma e função. Exemplos disto são encontrados num conjunto de pequenos ossos abdominais presentes nas baleias e nas cobras que são o que resta da sua antiga cintura pélvica. A presença de um esboço reduzido do olho nos crustáceos cegos, cavadores de galerias, também indica um processo evolutivo através do qual as estruturas obsoletas se foram gradualmente tornando rudimentares. Nos humanos, a presença de um certo número de estruturas vestigiais indica não só a sua actual obsolescência mas também a sua relação ancestral com outros mamíferos e primatas. Por exemplo, os músculos do ouvido externo, tal como os músculos do escalpe, são rudimentares nos humanos e geralmente não funcionais, mas são comuns a muitos mamíferos. A inflexão dos pés para escavar, em simultâneo com a extensão do dedo grande, é um traço dos primatas que é encontrado nos humanos na idade infantil mas que regride nos adultos.
A capacidade de preensão das mãos dos humanos mais jovens é também um traço vestigial, porque outros primatas a desenvolveram

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Evolução é um facto!!!


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Resenha: Além de Darwin – Reinaldo José Lopes

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Muito se falou no último EWCLiPo ( II Encontro de Weblogs científicos em língua portuguesa) sobre a eterna discussão entre Jornalistas e blogueiros de ciência. Acho que esta discussão já não é mais necessária e, como diria o Ed Young, ela já deveria ter terminado em 2006. Digo isso porque o problema é bem simples de ser resolvido. Existem, em termos gerais, dois tipos de divulgadores de ciência: os bons e os ruins. Dentre os bons temos pessoas de todas as áreas, inclusive jornalistas, como o grande Carl Zimmer. E dentre os ruins temos vários exemplos que não precisam ser citados, incluindo cientistas de renome. Tenho toda a certeza que o jornalista Reinaldo José Lopes pode ser classificado dentre os bons divulgadores de ciência, e posso resumir o porquê. O motivo é bem simples e acho que todos os cientistas, sem exceção, deveriam buscá-lo. Reinaldo consegue passar informações cientificamente corretas para um público que nunca passaria perto de um artigo científico. Nem perto de um livro dos grandes divulgadores de ciência como Richard Dawkins, Jay Gould, Carl Sagan. Considero o livro "Além de Darwin" (Editora Globo) do Reinaldo José Lopes o único livro de divulgação científica sobre evolução que eu daria para a minha mãe ler. E este é o auge do que precisamos em termos de divulgação científica, principalmente no Brasil.

Com certeza um dos motivos que fazem o "Além de Darwin" ser um ótimo presente para um público não iniciado em evolução está no seu formato. Mesmo não tendo gostado do título e, principalmente da capa (sabemos que o autor do livro é sempre o último a ver), acredito que o formato do livro dividido em textos curtos, em sua maioria com temas de grande apelo para o leitor (como, por exemplo, na página 23: "Vamos ao que interessa: sexo") e uma linguagem com termos coloquiais e mais simples atraem um público mais amplo. O problema talvez é que esse público alvo pode não chegar a abrir o livro, já que a foto do Darwin carrancudo e um título meio pesado podem afastar o leitor de ser iniciado (no bom sentido, claro). Algo como "Pílulas de evolução" refletiria melhor o que o livro apresenta. Não sei se atraria mais leitores, mas seria mais condizente com o conteúdo. Também não sei

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Arte e Ciência com Darwin: ‘Exuberâncias da Caixa Preta’ no Porto até Março


É Darwin sob todos os prismas: pintura, desenho, escultura, peças de anatomia e taxidermia, uma peça anatómica de um cérebro humano e até mesmo a primeira edição de um livro seu.

A exposição de arte e ciência chama-se “Exuberâncias da Caixa Preta” (a propósito do livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, de Charles Darwin) e apresenta, em 270 metros quadrados, «uma visão mais contemporânea da obra de Darwin». Fica no Museu Soares dos Reis, Porto, até 21 de Março de 2010.


Publicado por Sílvio Mendes
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Creation: uma crítica

Quando li a notícia de que estavam fazendo um filme sobre como Darwin escreveu o Origem das Espécies fiquei bastante empolgado. Primeiro por que qualquer um que leu o livro biográfico escrito por Adrian Desmond e James Moore sabe que esta é uma excelente história a ser contada. Segundo por que o ator encarregado de interpretar o naturalista inglês é o Paul Bettany que já tinha interpretado um outro naturalista, fictício é verdade mas tremendamente inspirado em Darwin, no filme Mestre dos Mares.

Tive a oportunidade de assistir ao filme ontem que, numa tentativa infeliz de ironia, foi chamado de Creation. Tenho más notícias. Vou resumir o assunto já que os próximos parágrafos vão conter algum spoiler e eu não quero estragar nada para ninguém. O filme não se sustenta nem como filme, nem como cinebiografia. Aviso novamente, como reforço, OS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS PODEM CONTER SPOILERS, portanto, siga por própria conta e risco.

Esteriótipos e Exageros

Antes de mais nada devo reforçar que toda a crítica que faço é, sobretudo, por oposição ao livro do Desmond e Moore. Obra que não tem relação direta com o filme, que foi baseado no livro Annie’s Box, de Randal Keynes que é também tataraneto de Darwin.

O filme se divide em duas linhas de tempo. A primeira tem como ponto central a figura de Anne Darwin, mostrando a relação privilegiada entre Charles e sua segunda, e preferida, filha até sua devastadora morte aos 10 anos de idade. A segunda linha de tempo mostra Darwin lutando contra sua doença e sua tentativa de terminar o Origem das Espécies para publicação.

A primeira coisa que me incomodou bastante é a maneira como tudo é construído. Tudo muito exagerado, tudo muito esteriotipado. Darwin é o gênio indomável que tenta conter a si próprio em respeito ao amor que sente por sua esposa, Emma, a beata que em nome da religião vê, sem reclamar, sua filha sendo torturada, ao mesmo tempo em que suprime os impulsos do marido na busca de salvação para sua alma. Anne é a criança gênio, feita à imagem e semelhança do pai.

E por exagerar transforma o “naturalista atormentado” de Desmond e Moore em um “naturalista alucinado”. Darwin passa metade do filme tendo visões do fantasma de sua filha, em uma crise existencial que relaciona o Origem das Espécies com a morte de Anne, com as dificuldades do casamento, com a doença misteriosa.

Para o filme,…

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