Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Carl Sagan

Apenas humanos

“(...) as teorias científicas são interpretações daquilo que percebemos e acreditamos existir no mundo dos fenômenos naturais. O mundo não oferece, de maneira clara, perceptível e inequívoca, os elementos necessários para que possamos compreendê-lo. Nenhuma teoria científica pode se pretender capaz de reproduzir integral e fidedignamente os fenômenos naturais. Toda e qualquer teoria científica, independendo do seu domínio de aplicação, é uma representação da natureza.”
Antonio Augusto Passos Videira (2000), Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
“(...) todos os que deliberam sobre um caso duvidoso devem ser isentos de ódio, de amizade, de ressentimento e de compaixão: aquele obnubilado por essas prevenções tem muita dificuldade de discernir a verdade, e nunca alguém serviu ao mesmo tempo sua paixão e seus interesses. Se vosso espírito é livre, ele pode tudo. Se a paixão o possui, ela domina, e a inteligência nada mais pode.”
Caio Júlio César (5 de dezembro de 63 a.C.), imperator e ditador vitalício de Roma

A linguagem da ciência, como qualquer produto do intelecto humano, é mais do que apenas uma replicação do mundo. Em seu bojo, ela traz objetivos, intenções, desejos e conhecimentos prévios, que partem da premissa de que os discursos dos cientistas sobre a natureza – suas teorias – devem estabelecer diretamente relações de correspondência com a natureza sendo descrita. Assim, os conceitos utilizados pela ciência referem-se ao mundo. Nos últimos tempos, em algumas de minhas aulas ou em correspondências de alunos e curiosos, tenho sido reiteradamente perguntado se acredito que o ponto de vista científico é capaz de explicar a realidade. Minha resposta não poderia ser outra: sim. No entanto, isso não significa dizer que apenas o discurso científico é capaz de expressar o assombro dos homens perante a natureza, em suas mais diferentes manifestações. Além disso, qualquer cientista no século XXI sabe que nossa espécie apenas engatinha na tentativa de compreender o que observamos à nossa volta.

Não conhecemos detalhadamente a constituição de grande parte do universo. Há questões fundamentais pairando sobre assuntos tão díspares quanto a constituição da matéria escura, como se formam buracos negros, se existem “buracos de minhoca”, qual o discreto charme das partículas elementares, como são as interações entre as forças (fraca, forte, gravitacional e eletromagnética) na sua totalidade, se as supercordas compõem o tecido do cosmo, como se parecem os multiversos, onde e como nascem as estrelas... O quadro não se torna

Continue a ler Apenas humanos

Sagan e a Espiritualidade

Sou co-autor de um artigo que foi dividido em 2 partes, e que basicamente olha para a forma como Carl Sagan vê a espiritualidade na ciência. O artigo é baseado no livro do Sagan intitulado As Variedades da Experiência Científica. Uma visão pessoal da procura de Deus. Podem ler mais sobre o livro, aqui, aqui, e aqui. Na [...]Continue a ler Sagan e a Espiritualidade

Música e Ciência: a sinfonia que remistura conhecimento


Aí está uma forma original de transmitir conhecimento científico e filosofia ao grande público: através da música. The Symphony of Science é o nome do projecto iniciado em 2009 e liderado por John Boswell, que oferece, no seu website, vídeos, letras, músicas (disponíveis para download) e links para assuntos científicos (relacionados com os temas de cada música).

O vídeo-exemplo que aqui partilhamos chama-se “The Unbroken Thread“, é um hino à biodiversidade, e recorre a imagens imortalizadas por nomes como David Attenborough, Jane Goodall, e Carl Sagan. É o quarto vídeo do projecto. Os outros três podem também ser vistos por .

Publicado por Sílvio Mendes
Continue a ler Música e Ciência: a sinfonia que remistura conhecimento

De repente, nas profundezas do bosque

Amós Oz é um escritor israelense, nascido em 1939, que sempre está entre os favoritos ao Nobel de Literatura. Selecionei um trecho de um belo livro seu, De repente, nas profundezas do bosque:

“Era um peixe pequeno, um peixinho, com o comprimento de meio dedo, com escamas prateadas e nadadeiras delicadas, branquiadas, espelhadas e trêmulas. Um olho de peixe redondo e arregalado ao máximo mirou os dois por um instante como se sugerisse a Maia e Mati que todos nós, todos os seres vivos sobre este planeta, pessoas e animais, aves, répteis, larvas e peixes, na realidade todos nós estamos bem próximos uns dos outros, apesar de todas as muitas
diferenças entre nós: pois quase todos nós temos olhos para ver formas, movimentos e cores, e quase todos nós ouvimos vozes e ecos, ou pelo menos sentimos a passagem da luz e da escuridão através da nossa pele. E todos nós captamos e classificamos, sem parar, cheiros, gostos e sensações.

Isso e mais: todos nós sem exceção nos assustamos às vezes e até mesmo ficamos apavorados, e às vezes todos ficamos cansados, ou com fome, e cada um de nós gosta de certas coisas e detesta outras, que nos inspiram temor ou aversão. Além disso, todos nós sem exceção somos sensíveis ao extremo. E todos nós, pessoas répteis insetos e peixes, todos nós dormimos e acordamos e de novo dormimos e acordamos, todos nós nos empenhamos muito para que fique tudo bem para nós, não muito quente nem frio, todos nós sem exceção tentamos a maior parte do tempo nos preservar e nos guardar de tudo o que corta, morde e fura. Pois cada um de nós pode ser amassado com facilidade. E todos nós, pássaro e minhoca, gato menino e lobo, todos nós nos esforçamos a maior parte do tempo em tomar o máximo cuidado possível contra a dor e o perigo, e apesar disso nós nos arriscamos muito sempre que saímos para correr atrás de comida, atrás de uma brincadeira e também atrás de aventuras emocionantes.

E assim, disse Maia depois de refletir sobre esse pensamento, e assim no fundo é possível dizer que todos nós sem exceção estamos no mesmo barco: não apenas todas as crianças, não apenas toda a aldeia, não apenas todas as pessoas, mas todos os seres vivos. Todos nós. E ainda não sei bem dizer se as plantas são um pouco

Continue a ler De repente, nas profundezas do bosque

Carl Sagan e a batida de um tambor diferente

Depois da excelente música do Carl Sagan sobre as tortas de maçã e o universo, mais um video do nosso astronômo favorito é lançado na rede, e dessa vez ele recebe os ilustríssimos convidados, Richard Feynman com seu bongô, o astrofísico Neil deGrasse Tyson e Bill Nye, o cara da ciência, e foi incrível a nostalgia que senti, quando lembrei que era ele (Bill Nye) que fazia os experimentos científicos (que eu tentava reproduzir) em cada final do desenho De volta para o futuro, lembra?
Agora, aproveite o som e lembre-se, de uma forma ou outra estamos todos conectados...



E sigam-me os bons no Twitter.

Via: Topless Robot. Imagem: aqui
Continue a ler Carl Sagan e a batida de um tambor diferente

As Grandes Navegações do Século XX


Mapa com as trajetórias das naves e sondas nestes 50 anos de conquistas espaciais.

Mapa com as trajetórias das naves e sondas nestes 50 anos de conquistas espaciais.

Carl Sagan costumava tomar as grandes navegações dos séculos XV e XVI como exemplo para as empreitadas espaciais. O espírito aventureiro, a necessidade de conhecer novos mundos, ao mesmo tempo em que pouco se sabia sobre o seu próprio mundo eram temas-chave. O Espaço era um oceano, e a superfície da Terra seria uma linda praia margeando um mar convidativo, ele costumava poetizar.

Sagan participava destas missões científicas. Além de divulgador científico, ele era, antes de tudo, um cientista e trabalhava nestas que foram as grandes navegações do século XX.

A imagem acima ilustra o que já foi realizado nos últimos 50 anos de conquistas espaciais. Naves e sondas espaciais foram enviadas a praticamente todos os planetas do Sistema Solar. Algumas destas naves já cruzaram o limite entre o que ainda é sistema solar e o que já se começa a se tratar como meio interestelar.

Na figura acima, pode-se ver as trajetórias, nomes das missões e seus respectivos anos. Para uma mesma nave, há várias trajetórias indicando que ela passou em um dado local mais de uma vez (flyby). As missões que falharam também estão representadas.

Ao meu ver, trata-se de resumo visual rico em detalhes, um trabalho excelente! Como é de costume afirmar: uma imagem vale mais que mil palavras!

Mais do que isso, além do fato de estas naves nos enviarem notícias de mundos longínquos, o mais distante artefato já produzido pelo homem nos mandou uma das mais importantes fotos já produzidas pela ciência. Enquanto observava Saturno, a Voyager 1 conseguiu capturar uma imagem de nosso mundo, enquanto esse navegava pela imensidão cósmica.

Abaixo, reproduzo uma imagem da sonda Voyager 1 e um vídeo que filosofa sobre o quão importante essa fotografia nos revela, humanamente falando e em todos os sentidos que essa palavra possa abordar.

Pálido ponto azul entre os anéis de Saturno.

Um pálido ponto azul entre os anéis de um Saturno que eclipsa o Sol. Créditos: NASA/JPL/Space Science Institute

Aquele ponto azul, destacado no canto superior esquerdo da figura acima, é a Terra, nosso planeta. Um pequeno mundo girando em torno do mesmo Sol que Saturno. Sol este que estava eclipsado por Saturno para um observador na Voyager 1.

Continue a ler As Grandes Navegações do Século XX

Carl Sagan, tortas de maçã e o Universo

Se você quiser fazer uma torta de maçã a partir do zero, você deve primeiro inventar o universo...


Uma das bilhões e bilhões de frases assombrosas e arrepiantes de Carl Sagan, o maior popularizador da ciência que este pálido ponto azul na galáxia já viu... O significado transcende a arte, ciência, filosofia e o nosso senso comum. Fique a vontade de interpretar e compartilhar comigo.

"If you want to make an apple pie from scratch, you must first invent the universe".
Carl Sagan (1934-1996)

Ouça a linda música do cosmos aqui.
Continue a ler Carl Sagan, tortas de maçã e o Universo

Carl Sagan

Carl Edward Sagan é uma dessas pessoas que fazem a diferença na miríade de rostos e corpos e idéias que constituem a espécie humana. Sagan foi o que o psicólogo Abraham Maslow chamaria de pessoa autorealizadora, talvez o que o psiquiatra Carl Jung designaria como um sujeito em franco processo de individuação, ou mesmo o [...]Continue a ler Carl Sagan

Falácias sobre a Ciência



Olá pessoal! Estou lendo um romance muito interessante de um grande astrônomo e divulgador científico chamado Carl Sagan. O livro, chamado CONTATO, narra o recebimento de uma mensagem extraterrestre de um sistema chamado Vega e a dificuldade em decifrá-la, entre outras questões filosóficas interessantes.
Mas o que eu achei legal foi uma passagem de um personagem religioso fundamentalista, criticando a Ciência. Você consegue identificar as falácias???

"Os cientistas estão sempre prontos a jogar no lixo as suas 'verdades' quando aparece uma nova idéia. Orgulham-se disso. Não imaginam que o conhecmento possa ter limites. Supõem que estejamos presos à ignorância até o fim dos tempos, que em nenhuma parte da natureza exista certeza alguma. Newton suplantou Aristóteles. Einstein suplantou Newton. Amanhã alguém haverá de suplantar Einstein. Assim que conseguimos entender uma teoria, surge outra em seu lugar. Eu não me importaria tanto com isso se nos advertissem de que as idéias antigas eram experimentais. A lei da gravitação de Newton, era assim que diziam. Aliás, ainda dizem. Entretanto, se era uma lei natural, como poderia estar errada? Como poderia ser suplantada? Só Deus pode derrubar as leis da natureza, não os cientistas. Só que eles embaralham tudo. Se Albert Einstein estava certo, Isaac Newton era um amador, um trapalhão."
Contato. Carl Sagan, Companhia de bolso. pg 137.

É uma reflexão interessante essa abordagem da ciência como "descartável", sempre sendo corrigida. Inicialmente, nos causa desconfiança acreditar em algo que está sempre sendo corrigido. Mas, como sabemos, essa é a maior virtude da Ciência: A refutabilidade. Pena que existem muitas pessoas que pensam como o trecho acima...

E o conhecimento, será que ele tem mesmo limites?


Gostaria de deixar bem claro que esta é apenas a passagem de uma história fictícia, e que o Carl Sagan foi um grande defensor da Ciência e da distinção dela em relação à pseudo-Ciência. Para esse tema, sugiro um outro livro dele, chamado "O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS".


Grande abraço e até a próxima!

Para saber mais:
  • Contato. Carl Sagan. Ed. Companhia de Bolso.
  • O Mundo Assombrado pelos Demônios. Carl Sagan. Ed. Companhia de Bolso.
Continue a ler Falácias sobre a Ciência

Astronomia


“O cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. A mais insignificante contemplação do cosmos emociona-nos - provoca-nos um arrepio, embarga-nos a voz, causa-nos a sensação suave de uma recordação distante. Sabemos que nos estamos a aproximar do maior de todos os mistérios.”

Carl Sagan

2009 é um bom ano para começar a gostar de astronomia. E começar por gostar, pode passar por este site : Astronomy Picture of the Day (http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/astropix.html)

A Estrada de Santiago sobre o Mauna Loa (Havai)

Tagged: "astronomia", "Carl Sagan"
Continue a ler Astronomia
  • Arquivos