Como vimos no texto anterior, Ptolomeu em seu livro Almagesto, propõe um modelo bastante rigoroso de Universo geocêntrico. E o começa fazendo listando uma série de argumentos, empiricamente suportados, descrevendo uma terra em forma de esfera e fixa. Partindo daí, passa à teoria do Sol.
A teoria do Sol de Ptolomeu é basicamente uma transcrição das idéias de Hiparco. Pelos dados empíricos da época, Hiparco (e portanto Ptolomeu) conseguia prever com certa acuidade quanto tempo o Sol levava para dar uma volta à Terra (e portanto, a duração de 1 ano), bem como sua posição relativa em datas futuras ou passadas.
Já nesta época se sabia que um ano durava em média 365 dias. O cálculo era muito simples, imaginando que o Sol descreve uma orbita circular ao redor da terra, podemos dividir esta orbita em graus. Como sabemos, um círculo possui 360° e, por medições relativamente simples, era possível saber que o Sol se deslocava aproximadamente 1° por dia. Dividindo este círculo em 4 partes iguais, podíamos distribuir as estações do ano por este círculo.
Mas como sabemos, as estações do ano não possuem a mesma duração em dias. Ptolomeu resolvia este problema deslocando o centro da orbita solar, também conhecida ...
A um certo tempo me envolvi em uma controvérsia com um texto do G1 que fazia, digamos assim, uma pequena injustiça com Cláudio Ptolomeu. Discussões a parte, só hoje, estudando melhor a figura de Ptolomeu, é que me ocorreu que o trabalho do matemático carrega em si questões mais profundas.
Primeiro precisamos contextualizar. Ptolomeu viveu aproximadamente no ano de 160 d.C. Aparentemente passou toda sua vida em Alexandria e desenvolveu grandes trabalhos em astronomia, astrologia, geografia e etc. Sua obra mais conhecida, o “Almagesto”, é um livro constituído de 13 volumes que tem a difícil tarefa de descrever o universo.
É no 1º volume do Almagesto que Ptolomeu faz algumas proposições que hoje parecem ingênuas. Entre estas, a de que a Terra esta fixa no centro do Universo, enquanto o Sol, os planetas conhecidos à época e a Lua descrevem orbitas ao redor de nosso planeta. Sobre estas idéias, precisamos recuar um pouco na história.
O modelo geocêntrico de Universo remonta a Aristóteles. O grande filósofo grego, por conseqüência de sua teoria do movimento que será melhor explorado em outra oportunidade, propõe que a Terra ocupa um lugar ao centro do Universo, com todo o resto orbitando ao seu redor. ...
O Carlos, lá do Lablogatórios, escreveu por estes dias um texto que trata do ego dos cientistas. No texto ele levanta duas questão que, para mim, são muito interessantes e permitem boas reflexões. Coloco abaixo a parte central das duas questões (mas por favor, NÃO deixem de ler o texto integral).
A primeira questão diz: “…O bom disso é que a Ciência possui mecanismos de auto-correção, e que são usados freqüentemente…”. E a segunda: “…se um cientista vir uma oportunidade de destruir uma verdade científica, ele o fará imediatamente e com prazer…”.
Vamos começar de trás pra frente, tratando primeiro da questão sobre verdade científica e refutação. Me é um pouco estranho o uso do termo “verdade científica” pra se referir a uma proposição, ou teoria. Talvez por causa do meu pé atrás com a palavra “verdade”. É um termo filosoficamente tão controverso, que o evito sempre que posso. Mas pra além disso, ainda temos a questão de que essencialmente a ciência não pode ser feita de verdades.
Quer dizer, ela pode tentar pra valer. Mas como sabemos, a verdade é um objetivo inalcançável. E não podia ser diferente, todo conhecimento científico é passageiro. O que nos leva ao segundo ...
Este exemplo, clássico em livros textos e didáticos, ilustra a um exemplo de um mecanismo de mudanças na frequência dos alelos, ocorrido entre espécies de mariposas Biston betularia, durante a revolução industrial na Inglaterra. Esta espécie de mariposa é polimórfica, ou seja, apresentam vários genes alelos para uma determinada característica, e isto fenotipicamente se expressa em mariposas de dois tipos a variedade melânica (escura) e a variedade não-melânica (clara). A variedade melânica é determinada por um gene e a cinza por um alelo diferente, sendo o gene da forma melânica não dominante sobre o não-melânico.
Forma não-melânica e melânica da mariposa
A forma melânica era rara e a forma não-melânica mais comum de serem encontradas nos bosques ingleses, antes das indústrias começarem suas atividades nos arredores, com lançamento de gases poluentes, o que causou o enegrecimento dos troncos das árvores. Com isso este fator, ocorreu um aumento da frequência da forma melânica que passou a ser bem mais frequente.
O aumento da abundância relativa da frequência das mariposas melânicas aconteceu devido à ação da seleção natural. A hipótese era que: “Contra um fundo coberto de fuligem, as aves poderiam ver ...
Aprendemos logo cedo na escola que um dos problemas que assustavam os navegadores de antigamente, era a idéia de que a Terra era chata. O mito de que era possível navegar até a borda do planeta, se cristalizou no senso-comum e é constantemente usado para simbolizar a ingenuidade dos antigos.
Mas o que dizem os historiadores da ciência é que esta história não passa de mito. A idéia de uma Terra chata existe na mitologia oriental. No entanto, para os povos da Europa ocidental, o planeta sempre teve formato esférico. O que, mantendo as devidas correções modernas, é relativamente correto.
O mapa atual da Terra em sua versão
Com efeito, os primeiros mapas celestes sempre colocavam a Terra representada como uma esfera, rodeada pela abóboda celeste. Mas se não era o medo de “cair” pela borda do planeta, existia afinal algo que assustava os antigos navegadores?
Na verdade, sim. Uma pequena observação empírica levou à criação de uma teoria equivocada. Não é preciso ter aparelhos científicos rebuscados para saber que, quanto mais nos dirigimos em direção ao equador, mais quente fica o clima.
Esta constatação deu origem a idéia ...
Vivemos em um mundo moderno, ou ao menos é o que gostamos de dizer. Temos carros, computadores, celular, internet e estações espaciais. Todos símbolos da grande capacidade inventiva humana. Todos fruto do desenvolvimento acelerado do empreendimento científico.
Mesmo a ciência é normalmente referenciada como “ciência moderna”. O que nem sempre nos lembramos é que a base de sustentação dessa modernidade é uma idéia antiga. Muito antiga. Popularizada por um homem que viveu a mais de 300 anos antes de Cristo.
Aristóteles foi, e ainda é, um dos maiores gigantes do intelecto humano. Foi discípulo de Platão, mas desenvolveu uma filosofia curiosamente divergente da de seu mestre. E a divergência era a forma de encarar o mundo. Para Platão, o mundo físico era uma espécie de “sombra” de um outro mundo. Um lugar em que todas as coisas do plano físico existiam em sua versão real. O mundo platônico das idéias não podia ser atingido pelos sentidos humanos.
Platão, de vermelho e Aristóteles de azul.
Essa particularidade impedia que o homem soubesse as causas reais sobre qualquer fenômeno natural. De modo que para Platão, devíamos nos ater à descrição dos fenômenos ...
A explosão cambriana é um período curioso da história da vida na Terra. Quando olhamos para o registro fóssil do período anterior, notamos que a diversidade biológica não era lá muito grande. Ou talvez as condições não fossem as melhores para o processo de fossilização. O caso é que na passagem do pré-cambriano para o cambriano, a biodiversidade do planeta da um salto incrível. Uma espécie de “explosão” de tipos de seres vivos. A ciência teve um período similar, conhecido como Revolução Científica.
Aconteceu entre os séculos XVI e XVII. Até então o empreendimento científico existia de forma tímida, e se perdia dentro de atividades como a alquimia ou astrologia. Mas de maneira semelhante à biodiversidade, durante o período de transição entre a Idade Média e o Renascimento, a ciência ganhou corpo e começou sua trajetória meteórica até o ponto em que se encontra hoje.
E assim como a explosão cambriana, o período da Revolução Científica é coberto de controvérsias. Provavelmente a maior delas seja a explicação para a revolução ter se passado na Europa Ocidental. O fato é que em termos de avanço do conhecimento, a China e os povos islâmicos, em muitos aspectos, eram tão, ou talvez mais, ...
Depois dos animais falarem, é a hora das plantas escreverem. Lá no Japão, em um restaurante bem gracinha chamado Donburi Cafe Dining, a plantinha Midori-san posta (!) diariamente no seu blog. Veja bem: trata-se da primeira planta que escreve em um blog!
Para tal proeza, a companhia Kayac e o laboratório Hiroya Tanaka, da Universidade de Keio, criaram um “sistema de interface da planta”. Sensores na superfície “lêem” a leve corrente bioelétrica que flui em toda a superfície das folhas. Captando, dessa maneira, os pensamentos da mocinha. Em seguida, tais sentimentos são postados uma vez por dia.
Se você for até lá e tocar delicadamente a Midori-san, ela dirá a química que existe entre vocês. Em seguida, poderá tirar uma foto com ela, transferir para o celular e, então, postar no seu blog.
Agora, para tratar a plantinha à distância, existe um widget do lado direito do blog - pode colocar no seu. Digite uma palavrinha de amor e clique em “OK”. Pronto, as lâmpadas fluorescentes acenderão para tratar a Midori-san com uma dose de luz. Ah, e no quadrinho aparecerá – em japonês, claro – a palavra: “Arigatoo”. Afinal, a planta agradece.
Veja o blog da planta aqui. ...
A macroevolução é o termo usado para nomear qualquer mudança evolutiva em/ou acima do nível de espécie, algumas das mudanças que ocorrem nos níveis superiores, como o surgimento de novas famílias, novos filos ou gêneros, são considerados eventos macroevolutivos.
A macroevolução tem como explicação principal a Teoria do Equlíbrio Pontuado, proposta por Stephen Jay Gould que nos diz que, uma vez que as espécies foram originadas e estão adaptadas ao seu nicho ecológico, estas tendem a permanecer como estão pelo resto da existência, e somente um evento raro poderia proporcionar mudanças evolutivas, em geral rápidas e de grande significância.
A aparição dos primeiros tetrápodes data do final do Devoniano, há aproximadamente 360 milhões de anos atrás, tem como principais representantes o Ichthyostega e o Acanthyostega, animais aquáticos, pois possuíam brânquias e nadadeiras lobadas composta por dedos. Os tetrápodes então deram origem a vários grupos terrestres, tendo sobrevivido até a atualidade dois grupos distintos de animais os anfíbios (anamniotas) e o outro ramo dos tetrápodes vivos os mamíferos, tartarugas, aves e répteis (amniotas).
Esta passagem para o ambiente aquático para o ambiente terrestre envolve uma série de transformações anatômicas e fisiológicas, complexas e que demandariam muito tempo para que ocorressem, caso fossem ...
A história da ciência, enquanto disciplina, é bastante recente. E seu surgimento se relaciona com a maneira como a ciência ganhou status a partir do século XVII. Há algumas questões relevantes para a disciplina. Por exemplo, o historiador da ciência deve ser um cientista de formação? Os núcleos de história da ciência devem estar atrelados aos departamentos de ciência ou de história?
São problemas que podem ajudar a compreender os rumos da disciplina até aqui, bem como tentar prever qual será o seu futuro. E existem partidários para todos os gostos. O fato é que os primeiros historiadores da ciência foram mesmo cientistas. O que parece ser um movimento natural, afinal ninguém é mais interessado em ciência do que o cientista.
Mas daí podem decorrer alguns problemas. O cientista provavelmente irá estudar a história de sua especialização. E ao se deparar com o passado, pode tentar compreendê-lo usando os conceitos presentes. Se assim o for, é quase certo que o cientista-historiador vai acabar “viciando” sua análise.
Esta é ao menos a opinião do historiador da ciência Kostas Gavroglu. Para ele, os primeiros historiadores da ciência cometeram o engano de narrar a ciência como uma iniciativa excepcional para o gênio humano. Desta forma, ...
Lidar com a ciência experimental é provavelmente um dos trabalhos mais difíceis de se fazer. O pesquisador precisa de paciência não só pra desenvolver sua teoria, mas encontrar as formas corretas de se testar as preposições e descobrir se está no caminho certo.
O problema esta justamente na experimentação. Há objetos de estudo que permitem experimentações simples. Por exemplo, se eu tenho a teoria de que todos os cisnes são brancos, a experimentação consiste na simples observação destes animais.
Mas nem sempre é assim. Como experimentar a existência de uma partícula quântica? Ou experimentar o processo de especiação? Embora seja possível, a realização esta longe de ser trivial. Essa dificuldade pode se transformar em uma armadilha para o cientista.
Se nos iludimos com uma pintura, o que pensar quando olhamos para o Universo?
Por vezes estamos tão compenetrados em nosso trabalho, e não raro ele se torna tão desgastante, que podemos incorrer em um erro de interpretação e tomarmos um resultado qualquer como verdadeiro. O famoso “falso positivo”. É claro que a rotina de laboratório estabelece uma espécie de “sistema anti erros”, a repetição ...
Seja nos filmes de Hollywood, seja em laboratórios de robótica, as tentativas de se construir uma réplica artificial de seres humanos não são novidade. Existe um efeito bastante curioso relacionado a este fato, conhecido como “vale da estranheza”.
Proposto em 1970 por Masahiro Mori, o conceito diz que quando uma tentativa de produzir uma pessoa artificial chega próximo à perfeição, sem atingí-la de fato, o resultado gera uma espécie de estranhamento. A foto abaixo demonstra bem o efeito.
Estranha? Eu?
O que acontece é que nascemos com uma espécie de “instinto”, uma capacidade intrínseca de reconhecermos nossos “iguais”. Quando nos deparamos com robôs como o da foto acima, algo em nossos cérebros sinaliza que “há algo errado ali”.
Por estes dias, refletindo um pouco sobre algumas idéias de Kant, divulgação científica e sobre ciência moderna, tive uma espécie de insight. E se for o caso de a ciência se encontrar em uma situação similar à causada pelo vale da estranheza? Explico do início.
Para Kant, o homem vê o mundo através de uma “moldura” criada por nossos sentidos. Não só os físicos, como a visão, tato e olfato. Mas também por nossos sentidos intelectuais, nossa capacidade de ...
Muitos estudantes, mestrandos, pesquisadores, têm criado blogs para divulgar seus trabalhos. Sem dúvida esta é uma ferramenta bastante útil, mas com grandes limitações em relação a outros tipos de sites na internet. Felizmente, o Blogger vem disponibilizando uma série de ferramentas e opções que permitem uma boa configuração e estilização dos blogs. Um limite considerável para blogs que pretendem disponibilizar material é a impossibilidade de se hospedar arquivos diretamente no site. No menu deste blog há um link para arquivos de um servidor temporário, onde disponibilizo livros, e outros arquivos que podem ser baixados. Sempre que algum material for adicionado, ou algo no blog mudar, um post com título UPLOAD será apresentado. Algumas das ferramentas mencionadas anteriormente já estão em teste neste blog, como é o caso do Google Translator, que traduz toda a página para um idioma selecionado. Este foi um pedido de leitores que acessaram dos EUA o blog. Espero que funcione. De tempos em tempos o autor dos quadros apresentados diariamente no blog deve mudar. O primeiro deles é o fantástico – enigmático René Magritte!! Ao lado, temos alguns exemplos de outros sites que divulgam ou inspiram as atividades acadêmicas.
Quando falamos em descobertas científicas, logo imaginamos novos planetas, partículas quânticas, eventualmente algum vírus ou bactéria e, com maior frequência, algum aparelho ou aplicação nova. Nada essencialmente errado com isso. O que poucas vezes consideramos como legítimas descobertas, são as abstrações que acabam por produzir novas tendências na ciência.
É o caso das revoluções científicas de Thomas Kuhn. Não, não estou ficando maluco. Estou atestando que uma idéia filosófica é uma das grandes descobertas científicas já feitas. Mas explico melhor.
Antes de Kuhn, o estudo da ciência se dividia em filosofia da ciência e história da ciência. Dois processos separados, sendo investigados de formas distintas e em departamentos distintos. Kuhn, enquanto estudava para realizar um seminário sobre filosofia da ciência teve um insight. Percebeu que era muito mais simples entender a filosofia da ciência quando se compreendia o contexto histórico em que ela se desenvolvia.
Em seu livro de 1962, A Estrutura das Revoluções Científicas, além de propor a idéia de revoluções e criar o conceito original da incomensurabilidade, Kuhn sugere que não faz sentido estudar filosofia da ciência ignorando a história. São dois processos de relações muito estreitas e melhor compreendidos quando estudados juntos.
O livro em si criou ...
O trabalho de divulgação científica consiste, a grosso modo, em tornar a linguagem complexa da ciência acessível para qualquer pessoa. Ninguém questiona a importância de se divulgar ciência, evidentemente. Mas se é tão importante tornar a ciência compreensível, por que a atividade científica já não é feita desta forma?
É fácil perguntar, o difícil é responder. Historicamente, todo o conhecimento humano resultante de qualquer atividade mais complexa, dificilmente era acessível para a população. Pode-se especular alguns motivos para este fato.
Talvez a própria natureza do objeto de estudo seja extremamente complexa. De modo que descrever tal objeto de forma acessível não seja tarefa das mais fáceis, embora certamente não seja impossível. Além disso, um objeto de estudo qualquer pode requerer conhecimento técnico prévio, o que dificulta ainda mais o acesso a este corpo de conhecimento.
Um outro motivo pode ser político. Privar grandes populações de conhecimento pode servir como medida de controle. Há mais de um caso na história que demonstra justamente este processo.
O fato é que atualmente a ciência se desenvolve em um ritmo frenético, praticamente impossível de se acompanhar. Além disso, a forma atual de se anunciar um trabalho científico é através de um artigo técnico complicado, destinado ...
Nos últimos dias os brasileiros que acompanham o noticiário e que não conheciam o Prêmio IgNobel de Ciência definitivamente agora sabem pelo menos que ele existe: é que saiu em todos os cantos que um cientista brasileiro foi agraciado com a honraria na área de Arqueologia, com seu trabalho a respeito do fato de que tatus podem bagunçar as camadas de sedimentos em sítios arqueológicos, confundindo a identificação correta de cada estrato à sua idade relacionada. Provavelmente esses mesmos brasileiros que acompanharam o noticiário recentemente também acompanharam a entrega de outro prêmio satírico: o Framboesa de Ouro, que ironiza o Oscar. Este último trata de esculhambar atuações muito ruins de celebridades que ganham muito dinheiro - “honrando anualmente o que Hollywood tem de pior a oferecer”.
O problema é que o IgNobel, mesmo sendo uma premiação satírica, não é um Framboesa de Ouro. Segundo a organização responsável por sua entrega, a Improbable Research, e como bem protestou o Carlos Hotta, do blogue Brontossauros em Meu Jardim, o IgNobel é apenas uma maneira divertida de trazer a atenção para a ciência – e não uma forma de desmerecê-la. Uma das idéias da Improbable Research é fazer com que as ...
Caros leitores. Quem acompanha este blog percebeu que a atividade diminuiu sensivelmente. Além de ter ficado um bom tempo sem receber atualizações com novos textos, os podcast’s também pararam de ser publicados.
Não temam, o Polegar Opositor não foi abandonado. O que se passa é que mudei para Lisboa para cursar o mestrado em História e Filosofia da Ciência. O processo todo me deixou duas semanas inteiras sem internet e ainda estou me ajeitando por aqui.
Embora minha conexão já tenha se restabelecido, ainda estou correndo com uma série de burocracias de documentos e matrícula na universidade. Essa correria toda ainda vai me consumir outra semana, então não esperem muitas novidades para os próximos dias.
No entanto, o blog volta à sua programação normal a partir do dia 12 de outubro. Até lá, conto com a compreensão de todos. Obrigado.
Thiago Henrique Santos.
Cena: À direita da porta de entrada, o balcão se fazendo de bar: cachaça de minas, cachaça com canela, vodca, uma garrafa de 51, três garrafas de vinho tinto, frutas vermelhas (morango, framboesa e amora) e limão fatiado para as caipirinhas do tipo faça você mesmo. Compõem a cena uma mesa de salgados, outra de doces do tipo self-service. Na entrada, tocheiros dando as boas vindas, indicam o caminho para o palco: microfone, banquinho, espaço para intervenções. Abre-se o sarau: “queridos amigos, hoje a noite é de muita alegria, pois daremos início ao Primeiro Sarau Científico Polegar Opositor. Como todos sabem, o tema da vez é Evolução. Mas aceitamos vieses, dançarinos de hula-hula e ditadores potenciais do terceiro mundo. Separem seus textos, seus apetrechos que a partir de agora declaro aberto o 1º Sarau Científico Polegar Opositor”.
O texto acima é fictício, mas poderia ter, de fato, acontecido. Lanço aqui a idéia, pois pensar em divulgação científica requer extrapolar os ambientes que são consensualmente comuns à ciência. Tirá-la das salas de aula e dos laboratórios e torná-la mais acessível. Resgatar aquela criança fascinada pelos tubos de ensaios e seus brinquedos alquímicos. Afinal, está lá a Esfinge para nos lembrar. De ...
No vasto mundo da pesquisa acadêmica, a idéia de comunicação tem um significado muito presente e necessário. Nas trilhas que enveredamos em busca de conhecimento, nunca estamos sozinhos. Quanto mais caminho por estes rumos mais vejo o quão pouco faz sentido a imagem (caricata) de cientistas que só conhecem os seus laboratórios e filósofos que só falam de coisas incompreensíveis e herméticas. O diálogo, o debate, a confrontação de argumentos que apontam para diferentes perspectivas é mais do que necessário. É fundamental. Pretendo com este blog partilhar as experiências que tenho tido ao participar do Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), no projeto de pesquisa cujo tema é: O projeto freudiano de 1895: atualidade de uma epistemologia não-cartesiana para a interface artes-ciências-humanidades. Durante este ano de pesquisa, que apenas iniciou, publicarei o diário das atividades desenvolvidas, as reflexões sobre os temas em estudo, e todas informações necessárias para que haja uma comunicaçao eficiente do trabalho realizado. Fazem parte deste projeto: Denise Coutinho (orientadora), Eleonora da Motta Santos (mestre em dança), Márcia Mignac (Mestranda em dança), Isa Sara Rego e Sidarta Rodrigues (alunos IC).
No vasto mundo da pesquisa acadêmica, a idéia de comunicação tem um significado muito presente e necessário. Nas trilhas que enveredamos em busca de conhecimento, nunca estamos sozinhos. Quanto mais caminho por estes rumos mais vejo o quão pouco faz sentido a imagem (caricata) de cientistas que só conhecem os seus laboratórios e filósofos que só falam de coisas incompreensíveis e herméticas. O diálogo, o debate, a confrontação de argumentos que apontam para diferentes perspectivas é mais do que necessário. É fundamental. Pretendo com este blog partilhar as experiências que tenho tido ao participar do Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), no projeto de pesquisa cujo tema é: O projeto freudiano de 1895: atualidade de uma epistemologia não-cartesiana para a interface artes-ciências-humanidades. Durante este ano de pesquisa, que apenas iniciou, publicarei o diário das atividades desenvolvidas, as reflexões sobre os temas em estudo, e todas informações necessárias para que haja uma comunicaçao eficiente do trabalho realizado. Fazem parte deste projeto: Denise Coutinho (orientadora), Eleonora da Motta Santos (mestre em dança), Márcia Mignac (Mestranda em dança), Isa Sara Rego e Sidarta Rodrigues (alunos IC).
Na última terça-feira, 16 de setembro de 2008, o Vaticano anunciou que a teoria da evolução é compatível com a bíblia. Toda notícia que envolve o Vaticano e a Ciência sempre causa comoção geral, e não foi diferente desta vez. Choveram post’s em blogs, comentários inflamados em comunidades de redes sociais e etc, etc, etc…
O curioso é que de tudo o que se falou, poucos lembraram que em 1950 o Papa Pio XII já não tratava a teoria evolutiva com repulsa, assim como o Papa pop João Paulo II. Qual é exatamente a novidade no pronunciamento atual então? Sinceramente, eu não sei dizer.
Vaticano. Clique para ampliar.
Na verdade, acredito que exista um grande equívoco no que se compreende publicamente do relacionamento do Vaticano com a Ciência. Há um certo exagero com a velha (e provavelmente falsa) dicotomia entre fé e ciência. A verdade é que a igreja nunca foi necessariamente contra o desenvolvimento científico. Com efeito, o Vaticano possuí sua própria academia de ciência. Os pesquisadores brasileiros Crodowaldo Pavan e Carlos Chagas Filho já foram membros bastante ativos desta academia.
As brigas entre o Vaticano e cientistas ocorreram ...
Como qualquer atividade humana, a ciência é permeada por pontos polêmicos e disputas de egos. Não é raro observar propostas de teorias que de certa maneira, concorrem para explicar um mesmo fenômeno. Da mesma forma, também há casos clássicos de cientistas que partem para “contendas” de todos os tipos. Embora a imagem de uma ciência segura de seus enunciados, sabemos que na prático isso dificilmente ocorre.
Este é justamente o ponto do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman. O autor selecionou alguns dos casos mais populares de disputa entre cientistas e compilou estes casos em um livro bastante interessante. Eu diria até, bastante viciante. Desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (e daí né gente!) eu não lia nada que realmente me empolgasse e que fosse difícil de largar.
Evidente que o livro do Hellman nada tem a ver com os livros do Harry Potter. Não se trata de um livro de ficção, mas sim uma amostra bastante curiosa de casos clássicos da ciência. Entre estes casos temos a disputa entre Newton e Leibiniz, Galileu contra o Papa Urbano VIII, Thomas Huxley contra Samuel Wilberforce durante a legendária briga envolvendo a teoria da evolução de Darwin, e por ...
A EA Games lançou a algumas semanas o jogo Spore. Criado pelo gênio dos games Will Wright, a proposta em Spore é simular o desenvolvimento da vida na Terra. você começa com uma criatura unicelular, vai se desenvolvendo e evoluindo até finalmente sair do mar, iniciar uma comunidade tribal e por aí vai, até à conquista do espaço.
Eu já venho brincando com o Spore a alguns dias e confirmo, o jogo e bastante viciante e divertido. Eu gostaria de dizer que “curiosamente o jogo levantou algumasquestões polêmicas”, não fosse o caso de eu já ter antecipado o problema. Qualquer coisa que esbarre em questões polêmicas como a teoria evolutiva, gera posições extremistas de ambos os lados.
Spore. Clique para ampliar.
O Carlos e o Rafael já escreveram ótimos textos sobre o tema em seus blogs no Lablogatórios. Aparentemente alguns criacionistas reclamam que o jogo segue uma linha evolutiva. Os evolucionistas reclamam que o jogo segue uma linha de Design Inteligente. Eu reclamo dizendo que este povo leva a vida muito a sério.
Curiosamente em 1993, quando os video-games ainda estavam nos 16bits, a Enix lançou um jogo para Super-Nintendo chamado ...
Ontem entrou oficialmente em operação o maior instrumento científico já feito pelo homem. O Large Hadron Colider, ou simplesmente LHC, é um acelerador de partícula que, de tão grande, passa pelo subterrâneo de dois países, França e Suíça.
O aparelho vai ajudar à ciência em um entendimento mais apurado sobre os fenômenos quânticos e os mistérios do início do universo. Tudo muito bacana, tudo muito bonito. É evidente a importância deste aparelho para o desenvolvimento do conhecimento humano. Mas além disso, é uma chance única para observarmos uma questão geralmente polêmica. A relação entre as ciências aplicadas e as ciências de base.
Área geográfica ocupada pelo LHC. Clique para ampliar.
Willian Thomson, mais conhecido como Lorde Kelvin, foi um brilhante cientista inglês. O homem que deixou seu nome marcado em um sistema de medição de temperatura, também desenvolveu alguns trabalhos com a eletricidade e termodinâmica. Também foi a pessoa que cunhou o termo “ciência aplicada”. O termo é utilizado para diferenciar pesquisas que desenvolvem conhecimentos tão básicos que suas aplicações são incertas, das pesquisas que resultam em algum tipo de conhecimento, técnica ou dispositivo de aplicação evidente.
Essa separação acabou por gerar ...
A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes.
Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual.
Se o Leibniz morreu, e eu amo ele*É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano.
Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.
Trabalhava pesquisando genealogias para a aristocracia, e por isso tinha uma boa influência. Além disso é creditado a ele, em conjunto com Isaac Newton, a criação do cálculo moderno. Nesta mesma área, Leibniz foi um dos primeiros a construir uma máquina de calcular. Suas idéias ainda tiveram grande impacto na filosofia (aonde provavelmente é melhor reconhecido) e política.
O problema de Gottfried, foi ter se ...
Para aumentar nosso orgulho por essa querida instituição, saiu a pouco no painel de notícias do site da UFV que a UFV foi a terceira colocada em qualidade dentre as universidades brasileiras segundo o MEC.Para verem a notícia por completo cliquem aqui.
ATO: É como se eu pensasse uma Galáxia, em que os fenômenos nebulosos completam-se em si, tampouco estejam em relação direta uns com os outros. De quando eu era criança, nas observações de Sagitário e na procura de um buraco negro que se velava atrás das estrelas, as interpretações científicas eram aquelas oriundas de vozes em planetários. Havia uma auto-suficiência no fenômeno, que o tornava único, mas diluído numa cadeia de experiências de fótons, neutros e prótons. Daí a idéia de constelação. E nas constelações, as estrelas são independentes. Nem por aquelas que tivessem nascido juntas, as estrelas duplas ou triplas, eu poderia estabelecer qualquer relação de encontro. É que, aos meus olhos incompletos, elas surgiam e morriam solitárias. Já a minha “incretude”, ao contrário, sempre me levou a estabelecer inúmeras linhas de união, relacionando-as umas com as outras, uma festa no céu, apesar delas seguirem só. A estrela Dalva, sempre a primeira, sempre única, e outras, como as Três Marias, que, sozinhas, aprendi a ver em grupo.
Este ato escrito em forma de mônada é o modelo que Walter Benjamin propõe para o relato das coisas. Para ele, o importante é que o fenômeno mantenha sua independência ...
Segue o link do blog da minha grande amiga Grasiele Silva, contemporânea minha da época do curso de Agronomia na UFV. Sempre muito dedicada ao paisagismo. A pessoa certa para serviços nesta área da agronomia.Visitem o Jardim da Grasi.
Um usuário on-line. Há segredos na ciência! O laboratorista tranca portas a sete chaves. Ou porque descobriu uma enzima nova, ou porque mapeou um gene antes do cara do laboratório ao lado. E há séculos que a ciência institucionalizada é pouco colaborativa e está presa a mais-valia. O cabo é de guerra e os dois usuários on-line estão a espreita de verbas, ou em busca de um aceite de seu artigo para publicação naquela revista especializada que irá projetá-lo como o ban-ban-ban da enzima –a ser batizada com seu próprio nome– ou do gene em questão. Não conversam entre si, embora desenvolvam trabalhos complementares.
Cinco usuários on-line. A necessidade faz o ladrão e, de repente, surge um comércio de co-autoria para pesquisadores menos éticos. E na mesma essência da mais-valia, cria-se uma corrente do tipo “me adiciona que eu te adiciono”. Enquanto estes fingem que se ligam uns aos outros, cinco usuários do tipo papers (artigos científicos revistos por pares) desta ou daquela revista não conversam entre si, embora configurem um mesmo centro de pesquisa ou uma mesma editoria, dizem assuntos correlatos e utilizam a mesma bibliografia, quiçá o mesmo método. A revista, em bloco, é segmentada e o artigo é ...
Não é novidade a relação de poucos amigos que algumas religiões tem com relação à ciência. O que me deixa curioso, e as vezes até impressionado, é a maneira como a questão vem sendo tratada a séculos. O discurso de ambos os lados é basicamente o mesmo, e em geral, mal esbarram no centro da questão.
E qual questão seria essa? Eu pergunto e respondo. A questão é que a ciência e a religião não possuem relação antagônica alguma. Ambas são constructos humanos, por mais divinas que sejam, e possuem suas raízes em conceitos filosóficos distintos.
Poderia usar a oportunidade para mais uma vez defender o conceito kuhniano de incomensurabilidade. Mas vou deixar passar, porque já usei esta argumentação em outro texto. O caso é que tanto a ciência como a religião são usadas como forma de segregação de opinião. Claro, não estou aqui falando de pessoas sensatas, que conseguem compreender que se nem só de pão vive o homem, não vai ser só de ciência ou religião que ele vai viver.
Estou falando dos “céticos afetados” e dos “religiosos de cabresto”. Gente que na tentativa desesperada de proteger sua visão de mundo, acabam por prejudicar o que defendem. Confesso que já ...
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