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Archive for the Aristóteles

O Bambu da Ticiane

caminho-bambu-getty Não gosto muito, principalmente por e-mail, de mensagens natalinas ou de ano novo. Acho, na verdade, uma coisa meio hipócrita, enviada a montes de gente, sem um direcionamento pessoal. Por vezes as mensagens são pura pieguice. Nunca me manifestei contra, ainda mais publicamente, afinal não é bom ferir suscetibilidades, principalmente de amigos. Só as “correntes” que, quando recebo, protesto mesmo.

O caso do Bambu da Ticiane é diferente. É diferente pelo próprio teor da mensagem (ela precisa ser coletiva mesmo) e também pelo simples fato de às 23:01 h exatamente, eu ter recebido um torpedo dela em meu celular dando feliz 2010. E como foi bom, como foi especial. Talvez ela nem saiba o quanto me fez bem ser lembrado (com tantas coisas que ela deveria estar fazendo na hora, pelo menos 3 cidades distantes de mim) e pego o celular para me desejar um bom ano. Infelizmente não pude responder (vergonha, estava sem crédito rs).

Hoje, em meu e-mail recebi uma mensagem da Tici. Chamava-se O Bambu Chinês. Constava eu como destinatário com vários outros amigos queridos que compartilharam conosco anos de estudo em filosofia e uma amizade inquebrantável além de nossas formações. O e-mail dela, mesmo coletivo, foi só reforço do carinho especial que ela demonstrou na noite anterior, ajudado, claro, pela reflexão interessante que ela suscitou nesse cansado filósofo de 2009, mas esse pretenso renovado filósofo de 2010. O texto é esse:

HORTO-CAMPOS_002-784488Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê  nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos. Em nosso trabalho especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.”

A perspectiva “meio auto-ajuda” do último parágrafo não deixa de ser uma ótima reflexão para o início de um novo…

Continue a ler O Bambu da Ticiane

O Bambu da Ticiane

caminho-bambu-getty Não gosto muito, principalmente por e-mail, de mensagens natalinas ou de ano novo. Acho, na verdade, uma coisa meio hipócrita, enviada a montes de gente, sem um direcionamento pessoal. Por vezes as mensagens são pura pieguice. Nunca me manifestei contra, ainda mais publicamente, afinal não é bom ferir suscetibilidades, principalmente de amigos. Só as “correntes” que, quando recebo, protesto mesmo.

O caso do Bambu da Ticiane é diferente. É diferente pelo próprio teor da mensagem (ela precisa ser coletiva mesmo) e também pelo simples fato de às 23:01 h exatamente, eu ter recebido um torpedo dela em meu celular dando feliz 2010. E como foi bom, como foi especial. Talvez ela nem saiba o quanto me fez bem ser lembrado (com tantas coisas que ela deveria estar fazendo na hora, pelo menos 3 cidades distantes de mim) e pego o celular para me desejar um bom ano. Infelizmente não pude responder (vergonha, estava sem crédito rs).

Hoje, em meu e-mail recebi uma mensagem da Tici. Chamava-se O Bambu Chinês. Constava eu como destinatário com vários outros amigos queridos que compartilharam conosco anos de estudo em filosofia e uma amizade inquebrantável além de nossas formações. O e-mail dela, mesmo coletivo, foi só reforço do carinho especial que ela demonstrou na noite anterior, ajudado, claro, pela reflexão interessante que ela suscitou nesse cansado filósofo de 2009, mas esse pretenso renovado filósofo de 2010. O texto é esse:

HORTO-CAMPOS_002-784488Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê  nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos. Em nosso trabalho especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.”

A perspectiva “meio auto-ajuda” do último parágrafo não deixa de ser uma ótima reflexão para o início de um novo…

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O que é a amizade?

Dedico este post à minha colega, professora Luísa Madeira

“Analisemos agora a amizade. De facto, trata-se de uma certa excelência, ou algo de estreitamente ligado à excelência; além disso, é do que mais necessário há para a vida. Pois ninguém há-de querer viver sem amigos, mesmo tendo em conta os restantes bens. E até os ricos, os que têm posição e poder, têm uma necessidade extrema de amigos (…).

Contudo, uma amizade que tem como fim em vista o que cada um é em si próprio existe apenas entre homens de bem, porque os ordinários não podem sentir prazer nenhum uns com os outros, a não ser que possam obter uma qualquer vantagem. E só a amizade entre os bons é capaz de resistir à calúnia. Na verdade, não é fácil acreditar no que se diz sobre um amigo que foi posto à prova por nós próprios durante longo tempo. Na amizade entre boas pessoas há confiança mútua (…).

Agora, parece que não é possível ser-se amigo de muitas pessoas, pelo menos no sentido pleno da amizade, do mesmo modo que não é possível amar ao mesmo tempo muitas pessoas (tal parece que, na verdade seria excessivo; e o amor costuma nascer naturalmente em relação a uma única pessoa), porque não é possível agradar de modo totalmente satisfatório a muitos ao mesmo tempo, nem eventualmente até para as pessoas de bem. Por outro lado, para se criar uma amizade tem de se ter experiência conjunta de dificuldades e ganhar confiança mútua, o que é muito difícil (…).”

Aristóteles, Ética a Nicómaco, tradução do grego de António C. Caeiro,Quetzal Editores, Lisboa, 2004, pp. 180, 185 e 188.


As características referidas por Aristóteles (384-322 a.C.) continuarão a fazer parte daquilo que chamamos amizade? Haverá outras?

O desenvolvimento tecnológico e a consequente facilidade de comunicação (entre outros aspectos da vida actual, nomeadamente a igualdade de direitos entre homens e mulheres) terão transformado de tal modo as relações entre as pessoas que a amizade já não é o que era na época de Aristóteles?

Etica a Nicomaco

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Dizer a verdade…

"Dizer a verdade é dizer que aquilo que é, é; e que aquilo que não é, não é. Dizer uma falsidade é dizer que aquilo que é, não é; e que aquilo que não é, é."
Aristóteles (citado de memória)

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Matemática e poesia

Embora o poema que vou apresentar não se relacione directamente com a matemática utiliza termos matemáticos como quantidade (?), problema, soma, multiplicar por dez, que acabam por ser um pretexto para divulgar um poeta/artista do século XX que foi um dos expoentes máximos do surrealismo português. Talvez este poema aguce o apetite aos leitores para outras poesias.

 

 

uma certa quantidade

 

 

Uma certa quantidade de gente à procura

de gente à procura duma certa quantidade

 

Soma:

uma paisagem extremamente à procura

o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)

e o problema do quarto-atelier-avião

 

Entretanto

e justamente quando

já não eram precisos

apareceram os poetas à procura

e a querer multiplicar tudo por dez

má raça que eles têm

ou muito inteligentes ou muito estúpidos

pois uma e outra coisa eles são

Jesus Aristóteles Platão

abrem o mapa:

dói aqui

dói acolá

 

E resulta que também estes andavam à procura

duma certa quantidade de gente

que saía à procura mas por outras bandas

bandas que por seu turno também procuravam imenso

um jeito certo de andar à procura deles

visto todos buscarem quem andasse

incautamente por ali a procurar

 

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse

que certo se esse alguém fosse um adolescente

como se é uma nuvem um atelier um astro

 

                                      Mário Cesariny [1923 - 2006]

 

Uma vez que o nosso poema fala de problema vamos deixar um pequeno desafio (clássico) para resolverem:

 

O meu avô tinha na sua horta um poço quadrado com uma figueira em cada canto, cuja água acabava durante o verão. Tentou arranjar uma solução para o problema aumentando a capacidade do poço, mas não queria derrubar as figueiras. Queria que ficassem no mesmo lugar. Depois de pensar conseguiu encontrar uma solução.

O poço foi alargado. Ficou quadrado. As figueiras ficaram no mesmo lugar.

 

As perguntas:

 

Como resolveu o meu avô o problema?

Que aconteceu à boca do poço? Que relação passou a existir entre as áreas da boca do poço inicial e do poço final? E entre os volumes dos dois poços?

(Sugestão: a melhor maneira de resolver o problema é fazer um desenho)

 

 

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A influência do olhar

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
17/08/2007

Nossa compreensão do mundo é feita a partir da observação. Cada indivíduo, através dos sentidos, percebe a sua maneira o meio no qual vive. Costumamos confiar mais na visão, pois quando observamos alguma coisa a compreendemos melhor. Uma imagem, como diz o ditado, pode “valer por mil palavras”.

Desde os primórdios da humanidade, olhamos ao nosso redor e elaboramos idéias e modelos para explicar o que nos cerca. Admiramos muitas coisas por sua beleza e formas e outras tentamos simplesmente entender. Esses atos corriqueiros, quando são transformados em construções elaboradas do nosso pensamento, criam idéias e conceitos que podem transcender o tempo e o espaço.
Um exemplo dessa situação é o conjunto de idéias construídas por talvez uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos. Refiro-me ao filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) que, além de ter sido o tutor de Alexandre, o Grande, foi um dos pensadores que mais influenciou a humanidade. Como muitos dos filósofos gregos, ele prezava por observar detalhadamente a natureza. A partir das suas reflexões, elaborou todo um sistema de idéias, construídas com lógica e coerência, para explicar o que observava. Há quase 2.400 anos ele criou, entre outras coisas, uma “física” e uma “biologia” para interpretar o que seu olhar podia vislumbrar.

Aristóteles explicou, por exemplo, a queda dos corpos a partir de conceitos que ele considerava fundamentais. Para ele, o universo era constituído de cinco elementos: água, ar, fogo, terra e éter. Os quatro primeiros formariam tudo o que existe em nosso mundo e o quinto existiria apenas no céu, responsável por constituir estrelas e planetas e preencher todo o espaço.

Cada elemento teria seu “lugar natural”. A terra estaria no centro do universo. Em seguida teríamos a água e, acima dela, o ar e depois o fogo. Um elemento densamente formado por terra, como uma pedra, cai em direção ao centro do universo, voltando para o seu lugar natural. Bolhas de ar em um líquido movem-se para cima. Dessa maneira, Aristóteles compreendeu que os objetos mais pesados tenderiam a voltar mais rapidamente para o seu “lugar natural” do que os mais leves.

Essa noção é ainda muito comum para a maioria das pessoas. A experiência cotidiana é, na maioria das vezes, compatível com a explicação de Aristóteles. Se soltarmos simultaneamente uma folha

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