PARA ESCLARECER ALGUNS FATOS

geofagos @ Geófagos Categorias: Antropologia, Ciência, Ciência Geral, Ciência Geral, Criacionismo, Livros, Religião, academia, cultura, darwinismo, sociologia, ética
Por Elton Luiz Valente Eu imaginava até há pouco que não haviam dúvidas, tanto para os nossos leitores mais assíduos, quanto para os leitores fortuitos, de que o Geófagos é uma página que tem como norte a Ciência e, entre outras coisas, defende a Teoria da Evolução de Sir. Charles Darwin como a explicação lógica, fundamentada em bases científicas, para explicar a vida na Terra. Mais que isso, consideramos também que Darwin é um marco na história da ciência e da humanidade. Às vezes nossos artigos, principalmente os meus, são redigidos com uma boa dose de bom humor e ironia. O que pode ser percebido na maioria dos meus textos, inclusive nesse último, intitulado “O Vestibular do Juízo Final”. Parece que alguns leitores não entenderam isso, ou pelo menos um, o que já é suficiente para justificar este esclarecimento. Referindo-se ao artigo mais recente, e confundindo tudo, o leitor me enviou ontem um e-mail com a seguinte afirmação: “… infelizmente temos uma dicotomia insanável: sou ateu, não posso considerar textos ou deduções ou considerações que não tenham base lógica, comprováveis e acima de tudo, com evidências” (sic.). Santa Maria Madalena! Meu Deus! São Charles Darwin! Alguém que “não pode considerar” determinados textos, quaisquer textos, é ...

O Vestibular do Juízo Final

geofagos @ Geófagos Categorias: Antropologia, Armagedon, Cablocos, Ciência Geral, Ciência Geral, Neolítico, Sertanejos, agricultura, aquecimento global, cultura, meio ambiente
Por Elton Luiz Valente No meu artigo anterior, fiz uma defesa do modo de vida Neolítico (e deveria ter recomendado também este post aqui, do Ítalo Rocha). No meu entusiasmo por reforçar essa defesa do Neolítico, admito que tenha cometido um possível equívoco. Eu afirmei que vamos todos pro buraco com nossa parafernália hi-tech, de uma tacada só, xeque-mate! E talvez não seja bem assim. Digo isto porque, colocando a coisa dessa forma, eu estou subestimando os meus conterrâneos da Cabeceira do Rio São Mateus, do Jequitinhonha, do Sertão Nordestino, os Caboclos do Pantanal e da Região Amazônica. Essa gente, para usar uma expressão muito bacana de um amigo da pós-graduação, é uma “Galera Roots”. Não é qualquer pirotecnia do Criador em fúria que vai acabar com eles, não! Pois trata-se de um povo que sabe lidar com a natureza e com gente irascível, geniosa e estressada como o Onipotente quando se zanga. E ao que tudo indica, de acordo com os Profetas do Apocalipse e do Aquecimento Global, vêm dias difíceis por aí. O Criador está zangado e vai aprontar das suas, de novo. Gosto muito dessa expressão “Roots”, não pelo que ela sugere de rusticidade, mas pelo que ela revela ...

Ninguém vai nos convencer, nem mesmo o clima!

geofagos @ Geófagos Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Geral, Mudanças climáticas, Neolítico, Novas Tecnologias, Política, agricultura, aquecimento global, cultura, economia, meio ambiente, sociologia, ética
Por Elton Luiz Valente O Período Neolítico, que teve seu início há cerca de 10.000 anos, é aquele em que o homem deixa sua vida nômade, de caçadores-coletores, para fixar-se em aldeias. Isso foi possível com o domínio da agricultura, da domesticação de animais e uma série de outras conquistas que permitiram o sedentarismo. Embora o homem nunca tenha deixado de ser guerreiro (nesse sentido George W. Bush é pré-histórico), no Neolítico a vida era bem melhor que antes. A alimentação era mais farta e de melhor qualidade, havia excedentes agrícolas, o que permitiu ao homem (e à mulher) dedicar tempo a outras atividades mais lúdicas, como as artes. Isso culminou na invenção da escrita. Nesse momento, com a invenção da escrita, o homem deixa a pré-história para ingressar na história, na Era do Bronze, do Ferro e etc. Daí pra frente todo mundo conhece o enredo desse tango do argentino doido. E o final deste tango é o óbvio. Podem usar a equação que quiserem, não há crescimento econômico que se equalize com sustentabilidade. São coisas diametralmente opostas e pronto! Crescimento econômico, que todos os países (e políticos) almejam e defendem, é sinônimo, ipsis litteris, de drenagem dos recursos naturais. Sustentabilidade, se ...

Os ossos da evolução

De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Biologia, Ciência Geral, divulgação da ciência
Informação recebida da Câmara Municipal de Oeiras (cloicarn nja imagem para ler conteúdo)

Uma Aula

geofagos @ Geófagos Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Ciência do Solo, ecologia de paisagens, evolução humana, meio ambiente
Por Elton Luiz Valente Assisti hoje a uma aula memorável, digna da pós-graduação (aliás, todas as aulas deveriam ser assim, não só da pós-graduação). Foi ministrada pelo Professor Carlos Ernesto Schaefer, do Departamento de Solos da UFV. Durou cerca de 3 horas e meia, sem contar o intervalo para almoço. Cito o nome dele com a devida autorização. A aula, evidentemente, é impossível de ser reproduzida aqui. O “pano de fundo” foram as adaptações do gênero Homo aos solos e à paisagem. Mas a discussão foi muito além deste que, por si só, é um assunto digno de uma cadeira própria na Academia. A abordagem do Professor começou lá na Gondwana e foi parar no Homo sapiens tecnologicus… Lembrei-me do Geófagos durante toda a explanação, principalmente quando o Professor disse uma frase abordando um assunto que nos é muito caro, a ciência agregada à razão e ao bom senso: “O Darwinismo causa alergia à nossa mente conservadora. Sabemos mais do Velho Testamento e do Criacionismo do que da origem e evolução do homem. A educação religiosa é plausível, mas fazer a letra do Criacionismo ser a verdade absoluta é um absurdo.” Quisera eu que todas as pessoas, indistintamente, pudessem comungar deste pão e deste vinho, ...

Judeus nos sertões

Italo M. R. Guedes @ Geófagos Categorias: Antropologia, Arqueologia, Ciência Geral, Etnologia, Genética, História do Brasil, cristãos novos, cultura, câncer de mama, genealogia sertaneja, herança judaica, marranos, sefarditas
Em minha adolescência, a curiosidade natural pelas origens, conjugada com a leitura entusiasmada da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, levaram-me a pesquisar a genealogia da minha família junto a parentes mais velhos do sertão paraibano. A genealogia, junto com a heráldica, tornou-se por um bom tempo um hobby muito querido, a que dediquei muitas horas boas. O doutorado infelizmente interropmpeu isto, mas ficou o interesse. Em minha pesquisas mais de uma vez encontrei referência à presença de cristãos-novos, ou marranos, na ascendência de muitas famílias sertanejas, inclusive a minha. Estes cristãos-novos eram judeus portugueses e espanhóis, sefaraditas, convertidos à força no início da idade moderna na Península Ibérica. Muitos, apesar da conversão superficial, mantinham em segredo práticas da antiga religião e eram chamados de judaizantes. Com a colonização das Américas, muitos fugiram para cá e uma quantidade expressiva parece ter se deslocado o mais para o interior possível, procurando os sertões, terras onde a mão firme da Inquisição dificilmente alcançaria. Apesar de o catolicismo se ter tornado a religião da maioria dos descendentes destes judeus conversos, uma quantidade notável de rituais de origem claramente judaica persistiu em muitas comunidades sertanejas. Depois de ler em um jornal que um rabino americano identificara ...

2012: data marcada para morrer?

Isis Nóbile Diniz @ Xis-Xis Categorias: Antropologia, Ciência, Ciência Geral, Comportamento, História, Sociedade, curiosidade, estória, igreja
Credo, que título mais mórbido. Ainda mais na esperança de um, enfim, ensolarado final de semana… O fato é que escrevi uma matéria para o portal iG sobre a tal da “Profecia Maia”. De acordo com a “lenda”, dia 22 de dezembro de 2012 o Calendário Maia acaba. E o mundo irá junto para o buraco - será negro? Passei, praticamente, quatro dias - incluindo sábado e domingo - lendo livros sobre o tema. Agradeço as editoras que mandaram os exemplares. Pesquisei, matutei, falei com experts. Soube até de um efeito sensacional. Existe uma pirâmide no México que, quando o dia nasce, devido a maneira que o Sol bate nela, a sombra parece uma serpente que desce ao solo. No final da tarde, a serpente volta para o topo da construção. Sensacional. Na realidade, o que acontece com o Calendário Maia é o mesmo que ocorre com a Bíblia. Cada um interpreta da maneira que bem entende. Eu prefiro acreditar que, para esse inteligente povo, a vida e a natureza eram cíclicas. Daí, acaba um período e começa outro. Vamos entrar na era do meu signo! A Era de Aquário! O mais idealista que todos do ...

Primeiro BLOG a adotar o Acordo Ortográfico

Isis Nóbile Diniz @ Xis-Xis Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Sociedade, site
O IG é o primeiro portal a escrever seguindo as novas normas. Eu me autointitulo o primeiríssimo blog a fazer o mesmo - assim já vou treinando. Afinal, a partir do ano que vem, toda a imprensa dos oito países que assinaram o Acordo Ortográfico deverá colocá-lo em prática. Caso contrário… Será que vamos presos? Viraremos foras da lei? O que acontecerá com as criancinhas que escreverem errado? Alguns estudiosos são contra essa idéia de tudo virar lei. Faz sentido. Bom, e o que há de científico em tudo isso? Muita coisa. Aspectos comportamentais, históricos, linguísticos, antropológicos… Fazendo um especial para o IG sobre o tema - leia aqui -  tive a oportunidade de discorrer com pessoas interessantíssimas e ligadíssimas ao tema. Aliás, foi em uma conversa com Mauro Villar - veja o resultado aqui -, coautor do dicionário Houaiss, que fui convencida da importância do acordo. A escrita, de certa maneira, é uma convenção. Facilitar e unir o português falado em todo o mundo pode ajudar a fortalecer a nossa cultura. Claro que também concordo com Luis Carlos Cagliari, professor de letras da Unesp. Ele abordou questões imensamente relevantes. O processo para o acordo mostrou uma série de preconceitos. Portugal, no início, não quis ceder a algumas correções sugeridas pelo Brasil. “Como uma ex-colônia está palpitando?” Por outro lado, ...

Centenário de Josué de Castro

geofagos @ Geófagos Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Geral, História do Brasil, Josué de Castro, Livros, fome, fome como problema ambiental, geografia da fome
O pernambucano Josué de Castro, falecido em Paris em 1973, completaria hoje cem anos de idade. Apesar de médico por formação, a contibuição intelectual de Josué de Castro se estende para as áreas de antropologia, geografia, nutrição, sociologia… Grande estudioso do fenômeno da fome, seu livro mais conhecido talvez seja “Geografia da Fome“, de 1946, em que analisa profundamente o problema da fome no Brasil. Segundo o próprio Castro, sua atenção para o fenômeno da fome foi despertada observando a ação humana nos mangues e alagados do Recife. É um clássico brasileiro, extremamente atual, mas parece que meio esquecido pela geração mais nova. Fica aqui esta pequena homenagem dos Geófagos. Ítalo M. R. Guedes © geofagos for Geófagos, 2008. | Permalink | One comment | Add to del.icio.us Post tags: , , , Feed enhanced by Better Feed from Ozh

Pero Vaz de Caminha, a Heterose, a Evolução e a Raça Brasileira: Um Ensaio

Elton Luiz Valente @ Geófagos Categorias: Aimorés, Anatomia, Antropologia, Bartira, Baía de Guanabara, Brasil Colônia, Brasilidade, Carta de Pero Vaz de Caminha, Ceci e Peri, Chica da Silva, Ciência Geral, Ciência Geral, Colonização, Cunhambebe, Cunhã-Porã, Cântico dos Cânticos, Darcy Ribeiro, Dicionário Tupi-Françês, Etnologia, França Antártica, Gilberto Freyre, Henriville, Heterose, História do Brasil, Iracema, Jaci, Jesuítas, José de Alencar, João Ramalho, Juliana Paes, Lorena, Martius, Mulher Brasileira, Nicolas Durand de Villegagnon, Padre Anchieta, Pedra Lorena, Pero Vaz de Caminha, Pindorama, Piratininga, Planalto de Piratininga, Raça Brasileira, Roquette-Pinto, Salomão, Século XVI, Sérgio Buarque de Holanda, Tibiriçá, Tupinambás, Xica da Silva, anatomia pubiana, calvinistas, cotas raciais, digressão, endogamia, evolução humana, grumetes, mamelucos, meio ambiente, mulatos, negros, nudez, segregacionistas, segregação racial, sevícia, índios
Por Elton Luiz Valente Senhores, isto não é uma hipótese, muito menos uma tese, nem contestação, talvez uma constatação e apenas um ensaio, uma digressão para aproveitar o restinho das férias. Nestes tempos politicamente corretos, mas de idéias vazias e interesses torpes, uma expressão que traz a palavra “raça”, no que se refere às populações humanas, deve causar algum frisson, tanto entre os bem intencionados quanto entre os hipócritas. Digo já! Sou contrário às “cotas raciais” ou qualquer outra coisa do gênero. Na sua tentativa de juntar pela força da lei, as cotas segregam e eu sou a favor da mistura livre, da beleza da miscigenação. Nesse quesito, a História Brasileira é quase uma fábula, e nem é necessário citar Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre ou Sérgio Buarque de Holanda, renomados estudiosos da Brasilidade. Mas sobre a fábula, o médico, antropólogo, etnólogo, professor, ensaísta, poeta e primeiro radialista do Brasil, Roquette-Pinto, disse certa vez: “Martius demonstrou que a história do Brasil seria fábula ou romance se lhe faltassem as bases da etnografia regional, e da etnografia geral“. Então vamos à História e aos fatos. Aqueles europeus caucasianos, ou judeus, ou outros quaisquer, segregacionistas, endogâmicos, principalmente os mais ricos, os da “nobreza”, da Europa, ...

Fantasmas com ouro em Bonito

Isis Nóbile Diniz @ Xis-Xis Categorias: Antropologia, Biologia, Bonito, Ciência Geral, História, MS, ciências humanas, estória, lenda, viagem
Como todo lugar mágico, Bonito - cidadezinha do Mato Grosso do Sul - está repleto de histórias. Mais que isso, algumas são lendas vivas. Cá entre nós e baixinho, os moradores garantem que elas influenciam, ainda hoje, a vida das pessoas. “O enterro” é um exemplo… Durante a Guerra do Paraguai, iniciada em 1864, soldados paraguaios - que vinham lutar em terras brasileiras - traziam ouro para garantir o sustento, trocas-trocas e afins. Muitas batalhas se deram onde hoje fica o estado do Mato Grosso do Sul. Durante os confrontos, os paraguaios enterravam o metal para não perdê-lo ou serem roubados. Procuravam uma Figueira típica da região - não a dos famosos figos nem as das praças públicas de São Paulo - e escondiam o ouro sob a sombra ou a uma determinada distância da árvore. Na volta das lutas, desenterravam e seguiam com o metal. Entretanto, diversos soldados paraguaios morreram antes de alcançar seu tesouro. Assim, a Guerra acabou em 1870. Mas… os espíritos deles continuam vagando por Bonito em busca dos ouros. Pessoas juram - de pés juntos - que encontraram o precioso metal enterrado aos pés das Figueiras. Porém não adianta voar para lá atrás do seu brilho dourado. Não é qualquer um que consegue descobri-lo. Apenas quem possui ...

Evolução humana e pedologia II

Carlos Pacheco @ Geófagos Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Ciência do Solo, Fertilidade do Solo, agricultura, evolução humana, meio ambiente, pedogeomorfologia, população mundial, revolução industrial, revolução verde, técnicas agrícolas
Bem, em recente post discuti a respeito da influência pedológica e geomorfológica no sucesso da evolução do homem primitivo. Agora discutirei acerca da influência dos solos na evolução do homem moderno. Para início de conversa é necessário entendermos um pouco mais sobre algumas características de grupos antigos e recentes. No início o gênero “homo” era nômade e vivia basicamente da caça e de frutos nativos. A fixação do homem em um determinado espaço com o consequente desenvolvimento da feição social hoje existente só foi possível graças ao aprendizado de como cultivar a terra. A essência agrícola do homem perdurou até o desenvolvimento de técnicas industriais. O próprio sucesso das sociedades feudais só foi possível porque existiam quem abastecesse os feudos com produtos essenciais para a sobrevivência da população. Com a advento das técnicas industriais e sobretudo após as duas revoluções industriais no século XIX ocorre uma elevada migração de pessoas para os então denominados centros urbanos. Esse fato agrava a necessidade de produção de alimentos em larga escala. O problema é que com a expansão de tais centros urbanos, cada vez mais tinha-se menos pessoas para produzir e mais pessoas para consumir os alimentos. Além disso, começa-se a limitar ...

Mundos Imaginados - Exposição

Paulo Gama Mota @ De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Biologia, Ciência, Ciência Geral, Ficção Científica, divulgação da ciência, museus
Desde sempre, confrontado com o desconhecido, o Homem imaginou-o e materializou-o em imagens, mais ou menos ficcionadas. Os fenómenos da natureza, os animais e as plantas, o outro, o diferente, foram imaginados, idealizados, diabolizados, convertidos em seres monstruosos e em cenários fantasmagóricos, povoados de ciclopes, unicórnios e outros seres mitológicos.A ciência veio permitir clarificar o que era real ou apenas imaginário, já que, de entre todos os mundos possíveis, vivemos num só.Os imaginários dos europeus sobre a natureza e os outros são descritos e analisados nesta exposição do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, em colaboração com as secções museológicas de história natural e de física,que hoje inaugura (17h) na galeria do Museu Antropológico, na Rua do Arco da Traição, em Coimbra. A exposição integra-se na semana cultural da Universidade de Coimbra e prolonga-se até Junho.

Evolução humana e pedologia

ceplima @ Geófagos Categorias: Antropologia, Arqueologia, Ciência Geral, Ciência Geral, evolução humana, paleossolos, pedogeomorfologia, savanas, solos de regiões calcárias
Caros amigos leitores, seguindo a linha proposta pelo meu amigo Ítalo discutirei alguns aspectos ao meu ver interessantes sobre a evolução humana e sua possível associação com determinadas características dos solos por onde passou a espécie. Há já um consenso científico em torno do fato de a evolução humana ter se iniciado no continente africano, mais especificamente em áreas savanizadas (áreas onde predomina a vegetação em forma de savana, semelhantes ao cerrado brasileiro). Ora, a savanização do continente africano deveu-se a restrições pluviométricas de parte daquele continente. Até hoje, a savanização do continente é considerada o principal fator do sucesso das espécies “homo” que posteriormente se espalharam pelo mundo. Mas consideremos alguns aspectos por vezes “esquecidos” por antropólogos e arqueólogos e, que ao meu ver, também devem ser considerados para explicar a evolução humana. À savanização é atribuída o maior sucesso de defesa do gênero “homo”, que desenvolveu a capacidade de se movimentar “de pé”, tornando-se bípede e que, por causa de um predomínio de vegetação rasteira apresentava maior raio de alcance da visão. Porém, além disso, as restrições climáticas em áreas de materiais de origem “ricos” (em geral, rochas com abundância de elementos alcalinos, entre outros) geram solos pouco intemperizados e via de regra ...

Histórias da evolução: linguagem

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Evolução
O nosso conhecimento da evolução do cérebro humano deve-se essencialmente a estudos comparados da neuroanatomia de espécies extintas. Pouco se sabe sobre a evolução da especialização do cérebro humano e das concomitantes capacidades comportamentais e cognitivas únicas embora se saiba que durante milhões de anos, a evolução do comportamento humano acompanhou a encefalização. Mas num ponto muito recente da História, que alguns situam há cerca de 50 mil anos, parece ter acontecido uma súbita explosão de criatividade e inovação, não acompanhada por evolução anatómica, que se traduziu no aparecimento de novas ferramentas e objectos artísticos cuidadosamente esculpidos ou pintados.O que despoletou esta alteração radical no comportamento humano continua objecto de acesas discussões que, na minha opinião, apenas a genética molecular poderá ajudar a elucidar.Há uns anos li o livro «O despertar da cultura humana» escrito pelo paleoantropólogo Richard Klein em colaboração com Blake Edgar. Richard Klein, da Universidade de Stanford, desenvolve no livro a hipótese de que uma modificação genética teria acontecido há cerca de 50 mil anos em populações da África Oriental que as transformou em inovadores criativos. Dotados de novas capacidades técnicas e cognitivas assim como ...

Novos olhares sobre o Neanderthal

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Evolução
Imagem: Knut Finstermeier, Instituto Max Planck para a Antropologia Evolucionária. Original da reconstituição do Neanderthal: Reiss Engelhorn Museums, Mannheim.Os neandertais pareciam relegados ao esquecimento depois de desapareceram dos seus últimos redutos ibéricos, há cerca de 30 mil anos. O Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig tem sido crucial em trazer para a ribalta da ciência este ramo extinto da árvore filogenética humana. Para além do trabalho desenvolvido no âmbito do projecto do genoma Neanderthal, o instituto tem dado outras contribuições inestimáveis para um melhor entendimento dos nossos parentes extintos.O que se sabe a respeito da aparência dos neandertais deriva da análise e reconstituição de fósseis. Mas, como cabelo e pele não foram preservados, essa aparência é muitas vezes fruto de conjecturas e extrapolações por parte dos paleontólogos. Um facto deveras curioso, que contraria a imagem que as reconstituições dos Neandertais cimentam, foi anunciado há uns meses nas páginas da Science: algumas populações deste parente do homem moderno terão sido ruivas e de pele clara.A colaboração de uma equipa do Max Planck com os grupos de Carles Lalueza-Fox na Universidade de Barcelona e Holger ...

Evolução humana: nós somos o que comemos?

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Biologia, Ciência Geral, Evolução
Svante Pääbo, o director do departamento de genética do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig de que falei a propósito do genoma Neanderthal, é um cientista multidisciplinar que, antes de se tornar um nome incontornável em genética evolucionária, estudou história da ciência e egiptologia. Uma das áreas em que Pääbo tem mais impacto tem a ver com a evolução humana, nomeadamente com os trabalhos em que compara ADN humano com o de outras espécies.Mesmo antes da publicação do genoma do chimpanzé, (Pan troglodytes), Pääbo e colaboradores forneceram dados preciosos que explicam porque as duas espécies apresentam fenótipos tão diversos não obstante a semelhança dos seus genomas. O trabalho de Pääbo revelou que o que nos torna humanos - e não chimpanzés - não é apenas a pequena fracção de ADN não compartilhada com estoutros primatas mas é principalmente a forma como o Homo sapiens usa (ou expressa) os genes comuns às duas espécies.Em 2002, a sua equipa tinha já analisado o padrão de expressão de genes no sangue e em tecidos do cérebro e do fígado do homem, do chimpanzé, orangotangos (Pongo pygmaeus) e macacos Rhesus (Macaca mulatta). ...

Neanderthal: um beco sem saída da evolução?

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Ciência Geral, Evolução
Reconstrução tridimensional de um crânio Neanderthal efectuada no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig.Durante muito tempo pensou-se que o Neanderthal foi um degrau na evolução do homem, isto é que a árvore filogenética do homem seguiu uma linha entre o Australopithecus, Homo habilis, Homo erectus, Homo sapiens neanderthalensis e o Homo sapiens sapiens. Hoje em dia acredita-se que o Neanderthal é um ramo paralelo, sem sucesso, da evolução dos descendentes do Homo heidelbergensis, que seguiram duas linhas de evolução diferentes, determinadas pelo meio ambiente, respectivamente na Europa e em África. Os hominídeos que viviam no Hemisfério Sul enfrentaram uma seca terrível. E os que evoluiram no norte tiveram de se adaptar a um frio glacial, com temperaturas de -30ºC. Para isso, isto é para resistir a um frio extremo, o Neanderthal desenvolveu características físicas específicas, tinha braços e pernas curtos e era mais robusto e baixo do que o homem moderno. Media cerca de 1,60m e enquanto o Homo erectus tinha um volume craniano médio de 1000 cm3, o Neanderthal apresentava um volume de 1450 cm3 e o Sapiens de 1300 cm3. De igual forma, o pescoço, cujas dimensões aumentaram ...

Como trabalha um antropólogo forense

De Rerum Natura Categorias: Antropologia, Ciência Geral
Informação recebida da Fábrica Ciência Viva de Aveiro:Identidade e o conhecimento da causa da morte - como trabalha um antropólogo forense12 Janeiro 2008, Sábado 15h-16h30Eugénia Cunha (na foto), Departamento de Antropologia, Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra«CADÁVER DE UM DESCONHECIDO encontrado na Praia do Mastro em 3-4-1960» «1. Indivíduo do sexo masculino, 1.72m de altura, bom estado de nutrição, idade provável cinquenta anos - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -- 2. não aparenta rigidez cadavérica; não tem livores - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 3. na calote craniana, ao nível da sutura dta. occipito-parietal, há uma perfuração circular de 4mm de diâmetro provocada por projéctil(...)» «(...) a cerca de 100ms. Da estrada se viam a descoberto um cotovelo humano e um joelho cujos tecidos se apresentavam parcialmente destruídos (...)»...

Os esquimós e suas palavras pra neve…

Shridhar Jayanthi @ Entropicando Ciência Categorias: Antropologia, Ciência Geral, esquimós, falácias, linguística
Estava lendo esse texto do Cristovam Buarque e eu vi que ele reproduziu logo no começo do texto aquela velha história de que os esquimós tem diversos nomes pra indicar neve enquanto nós não temos nenhum. Essa é uma teoria bastante interessante e razoável. Exceto pelo fato de que não há comprovação nenhuma deste mito, como aponta o livro "The Great Eskimo Vocabulary Hoax and other Irreverent Essays on the Study of Language" de Geoffrey Pullum.A história toda começou com o antropólogo Franz Boas que, tentando relacionar diferenças culturais com a língua. Ele teria relacionado 4 palavras pra neve em uma língua esquimó, enquanto que o inglês teria apenas uma, "snow". A partir daí o negócio foi crescendo como uma bola de neve e um editorial do New York Times dizia que os esquimós tinham 100 palavras distintas para neve.Mas acontece que as investigações a respeito mostram que o número que o número de "palavras" nas línguas esquimós (Inuit, Yupik e Yuit) para neve são da mesma ordem das palavras pro inglês, algumas línguas tem um pouco mais, outras tem um pouco menos. E eu usei aspas em torno das palavras porque as ...

Velho Inimigo

Categorias: Antropologia, Evolução, Medicina
A bactéria que causa a maior parte dos casos de úlcera estomacal está presente no sistema digestivo humano desde que o Homo sapiens saiu da África, há 60 mil anos, segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista científica Nature.Cientistas do Instituto Max Planck para Infecções Biológicas na Alemanha, compararam variações no genoma do Helicobacter pylori com as variações encontradas no código genético humano.A equipe descobriu padrões quase idênticos quando analisaram a variedade genética entre 769 amostras do Helicobacter pylori, retiradas de voluntários do mundo todo, pertencentes a 51 etnias diferentes.Colocados em um modelo de computador, os dados mostraram que a bactéria migrou do leste da África há cerca de 58 mil anos, o que coincide com a época em que os humanos começaram a se espalhar pelo mundo.Seguindo o modelo evolutivo "Saído da África", o Homo sapiens teria surgido no leste do continente por volta de 200 mil anos atrás.A saída da África é, variavelmente, colocada entre 50 e 70 mil anos atrás.Mas as rotas e a cronologia da grande diáspora não são bem entendidas, e a saída da África pode ter ocorrido em várias ondas.Se a Helicobacter pylori é um indicador ...
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