Eu moro a três quilômetros do meu trabalho, seguindo o tráfego. Saio de casa, espero todos os carros que passam pela minha rua pararem de passar, mas preciso de um pouco de coragem e poderes de divinação, pois nela, que é mão-dupla e suficiente apenas para dois carros lado a lado a usarem, carros de passeio, camionetas, caminhões e kombis dividem espaço em ambos os lados da via, não estacionando apenas bloqueando os portões dos edifícios, mas sem pudor algum em parar às faixas amarelas que se estendem por três metros de cada lado das entradas ou em usar a calçada imediatamente em frente aos portões. Após conseguir finalmente ter os quatro pneus do carro sobre o calçamento da rua, preciso parar vinte metros à frente, no primeiro cruzamento, de uma pista igualmente apinhada com carros, mas agravada pela presença de um colégio cujos alunos maiores preenchem os meio-fios enquanto os pais dos menores fecham o resto da passagem estacionando em fila dupla. Isso me facilita um pouco. Após dirigir por uma via asfaltada, que se assemelha bastante à estrutura atômica (composta majoritariamente por espaço vazio, ou mais especificamente, buracos), tomando muito cuidado com os carros que nela adentram sem ...