Blogs de Ciência

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Archive for the Ambiente

Marinaleda- Uma aldeia andaluza em autogestão, uma utopia real



por Mohamed Belaali, 22/Agosto/2010

"Avenida da Liberdade", "Rua Ernesto Che Guevara", "Praça Salvador Allende, "Paz, Pão e Trabalho", "Desliga a TV, acende a tua mente", "Uma utopia rumo à Paz", etc são os nomes de ruas, de praças e dos slogans de uma aldeia andaluza não longe de Córdoba e de Sevilha que o visitante estrangeiro descobre no fim de uma estrada sinuosa em meio a campos de oliveiras, de trigo cortado e seco ao sol.

A rua principal da pequena aldeia com cerca de 3000 habitantes conduz directamente ao ayuntamiento dirigido por Juan Manuel Sánchez Gordillo, que ganhou todas as eleições por uma ampla maioria e isto desde há mais de trinta anos.

Juan Manuel é um homem simples que recebe os visitantes no seu gabinete, que ostenta um grande retrato de Ernesto Che Guevara, espontaneamente e naturalmente sem agendamento nem protocolo. Ele não hesita em deixar o seu gabinete para mostrar as casas brancas situadas em frente ao edifício e construídas colectivamente pelos próprios habitantes em terras oferecidas quase gratuitamente (15,52 euros por mês) pela comuna. Esta põe igualmente à sua disposição a ajuda de um arquitecto e de um mestre-de-obras. A região contribui com o grosso do material de construção. Promotores imobiliários, especuladores e outros parasitas não têm aqui lugar. A habitação deixa assim de ser uma mercadoria e torna-se um direito.

Juan Manuel fala com entusiasmo e orgulho das numerosas realizações dos habitantes do seu município, com números e gráficos para confirmar.

O empregado do café "La Oficina", um pouco afastado do ayuntamiento, relativiza um pouco as afirmações daquele dirigente mas confirma, no essencial, os avanços sociais da aldeia, nomeadamente a concessão dos terrenos àquelas e àqueles que precisam de uma habitação, primeira preocupação dos espanhóis. Ele confirma também a ausência total da polícia, símbolo da repressão estatal. Com efeito, os habitantes não experimentam qualquer necessidade de recorrer aos seus "serviços". Aqui os problemas de criminalidade, de delinquência, de vandalismo, etc estão ausentes. Eles pensam gerir e resolver eles próprios os problemas que possam surgir entre si. De qualquer forma, desde a partida para a reforma do último polícia, não consideraram útil substituí-lo.

Frente ao "La Oficina" ergue-se

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Vergonha Nacional

Reportagem na revista eletrônica O Eco narra a tragédia dos inúmeros incêndios neste inverno seco, responsáveis pela destruição de 90% do Parque Nacional das Emas. Diz a reportagem d’O Eco:

Conhecido pela imensa quilometragem de aceiros para prevenção de tragédias com o fogo, desta vez o Parque Nacional das Emas (GO) não conseguiu se defender das três frentes de queimada que arrasaram praticamente toda a unidade de conservação em apenas dois dias. Estima-se que entre os dias 12 e 13 de agosto mais de 90% dos 132 mil hectares do Parque das Emas tenham sido queimados.

O chefe do parque, Marcos Silva Cunha, comunicou que a partir desta terça-feira a unidade ficará fechada por pelo menos 30 dias para recuperação das estruturas danificadas, e principalmente para preservar fauna e flora sobreviventes.

Diversos animais que viviam nesta porção de Cerrado cercada por lavouras de soja estão sendo vistos pelos arredores da cidade de Chapadão do Céu perdidos, por isso foram planejadas ações de fiscalização de caça na região. Também nesta semana será realizada perícia no entorno da unidade de conservação para descobrir as causas do incêndio.

A última vez que um desastre causado pelo fogo tomou essas proporções foi em 1994, quando foram contabilizados mais de 300 tamanduás-bandeiras carbonizados.

O Instituto Chico Mendes determinou a todas as suas unidades que considerem ações de prevenção e combate a incêndios prioritárias no país.

Leiam também os comentários desta reportagem, aqui.

Será que somente uma candidata à presidência da república vai se pronunciar de maneira aberta e explícita com relação a essa e outras tragédias ambientais que assolam este país, mas que são varridas para debaixo do tapete? A mesma revista O Eco noticia o fim do incêndio crimonoso do Parque Nacional do Itatiaia (aqui).Recentemente houve um grande derramamento de óleo na região de Búzios, litoral norte do Rio de Janeiro (veja aqui, e aqui). A notícia diz que o derramamento tinha origem desonhecida. Desconhecida? Como um grande derramamento de óleo pode ter origem desconhecida? Isso se chama incompetência ou acobertamento dos fatos. Com a palavra, as autoridades “competentes” sobre o assunto.


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"A Deriva do Litoral" por Valdemar Rodrigues

Sobre as nossas praias e o risco de serem privatizadas com a nova onda (ou tsunami), não resisto a publicar um excerto do texto do Professor Valdemar Rodrigues, que foi publicado do DN no passado dia 11. Mas leiam o artigo todo, que está óptimo!

Nisso consiste a “Deriva do Litoral”: na destruição do arcaico mas persistente conceito de “domínio público”, e na transformação do (muito) que ainda resta do litoral português em propriedades e domínios de gestão privada, porém devidamente servidos de segurança e infra-estruturas à custa, claro está, do eterno sujeito passivo que é o povo português. Tudo o que se disser diferente disto, usando as habituais técnicas do linguajar economês tecnocrático, não passa de música celestial, anunciando eternos “amanhãs que cantam” mas nunca chegam, e mantendo sempre em nós aquela ansiedade da tartaruga de Zenão, ou do Rio de São Pedro de Moel que, por mais que corram, nunca conseguem chegar a lugar nenhum.  Acordai, escrevia o mestre Fernando Lopes Graça. Acordai antes que seja demasiado tarde. Antes que, daqui a nada,”tenhais de pagar bilhete, ou portagem, para poderdes ir a banhos”.
(...)»
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Em nome da terra

No passado dia 5 de Junho, a RTP2 emitiu o documentário "Em Nome da Terra", com autoria e realização da jornalista Rita Saldanha e produção de Miguel Ferraz, " baseado em testemunhos próprio e de outros a visão do ambiente e do ordenamento do território na óptica de Gonçalo Ribeiro Telles.

Há muito que o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles vem avisando e alertando para os perigos do mau ordenamento do território, do desrespeito da construção pelo ambiente, da excessiva impermeabilização, da falta de espaços verdes nas cidades. Será que já está na hora de começar a ser ouvido? É tarde, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.

O documentário completo pode ser visto nesta página da RTP2. Por aqui ficam os minutos finais, e uma das frases de Gonçalo Ribeiro Telles no documentário: "O homem do futuro, que está a nascer por todo o lado, é um homem que vai juntar a cidade e o campo"

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Leituras de Verão (II)

Numa altura em que as temperaturas novamente atingem alguns máximos, o relembrar que a energia solar é uma das formas de energia com maior potencial e o ser humano é sempre falível, apesar de ter ou não uma sólida formação lógica e racional:

Solar - IAN McEWAN - GRADIVA

A contra-capa indica-nos que:

Michael Beard é um físico galardoado com o Prémio Nobel cujo trabalho já conheceu melhores dias. Agora vive da sua reputação, proferindo conferências, emprestando o nome a instituições científicas e aceitando – relutantemente – presidir a uma iniciativa sobre aquecimento global levada a cabo com dinheiros públicos. Mulherengo compulsivo, Michael vê entretanto ruir o seu quinto casamento. Mas desta feita é diferente: é ela quem tem um caso e ele ainda está apaixonado.

Quando os mundos profissional e pessoal de Michael colidem inesperadamente, conjugam-se as almejadas oportunidades de fugir da confusão conjugal, revitalizar a carreira e salvar o mundo da destruição ambiental.

Solar é um romance inteligente e sombriamente satírico que revela a fragilidade humana confrontada com os mais prementes e complexos problemas do nosso tempo. Uma obra profunda e elegante de um dos escritores maiores da actualidade.

Um texto que prende, dividido em três momentos cronológicos, mostrando-nos a complexidade da tomada de decisões sobre o ambiente…

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Artigo do Prof. Metzger (IB-USP) discute a base científica do Código Florestal Brasileiro

Artigo do Professor Jean-Paul Metzger, publicado na revista Natureza & Conservação, com o título “O Código Florestal tem base científica?”, foi disponibilizado para este blog. Leia a introdução do artigo a seguir.

Existem muitas dúvidas sobre qual foi o embasamento científico que permitiu definir os parâmetros e os critérios da lei 4.771/65 de 15 de Setembro de 1965, mais conhecida como Código Florestal. Dentre estas dúvidas, podemos incluir as bases teóricas que permitiram definir:

i) as larguras das Áreas de Preservação Permanente (APP);

ii) a extensão das Reservas Legais (RL) nos diferentes biomas brasileiros;

iii) a necessidade de se separar RL da APP, e de se manter RL com espécies nativas; e

iv) a possibilidade de se agrupar as RL de diferentes proprietários em fragmentos maiores.

Neste artigo, eu procuro analisar estas questões, tentando entender se os avanços da ciência nos últimos 45 anos permitem, ou não, sustentar o Código Florestal de 1965 e suas modificações ocorridas posteriormente. Esse trabalho não tem por objetivo fazer uma compilação completa de trabalhos científicos relacionados ao Código Florestal, objetivo esse que demandaria um tempo e esforço muito mais amplo. Dada a minha especialidade, eu vou me limitar à discussão dos quatro pontos acima, para os quais a ecologia tem importantes contribuições. Ademais, eu me ative a trabalhos feitos em ecossistemas brasileiros, para considerar a complexidade e as particularidades destes sistemas. Limitei também a busca a trabalhos com amplo respaldo internacional, dando assim preferência a artigos publicados em revistas científicas internacionais e/ou compilados pelos sistemas Scopus (http://www.scopus.com/) ou ISI Web of Knowledge (http://apps.isiknowledge. com/).

Leia o artigo do Prof. Metzger na íntegra, aqui.


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Aquecimento global ameaça cadeia alimentar marinha

Agência Fapesp* A quantidade de fitoplâncton nos mares tem caído no último século. A queda no conjunto de organismos aquáticos microscópicos com capacidade de fazer fotossíntese foi destacada na edição atual da revista Nature. Segundo o estudo, a queda é global e ocorreu por todo o século 20. O fitoplâncton forma a base da cadeia alimentar marinha e sustenta diversos conjuntos de espécies, do Continue a ler Aquecimento global ameaça cadeia alimentar marinha

Espécies marinhas invasoras no Brasil

Outra notícia, desta vez não muito boa, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo on-line é que

Maioria das espécies invasoras chega ao Brasil de navio – Ricardo Mioto

O Brasil tem mais de 50 espécies invasoras marinhas. Esse número deve aumentar, já que não se sabe como barrar a chamada bioinvasão, que pega carona no lastro de navios em 55% dos casos. O dado é do Ministério do Meio Ambiente, que aponta a água de lastro das embarcações internacionais como a principal vilã do problema.

Pausa para uma explicação. Uma espécie invasora é uma espécie biológica que não é encontrada em uma determinada região, ou país (por exemplo), e que é introduzida seja propositalmente ou acidentalmente naquela região ou país. A introdução de espécies invasoras pode levar a vários desequilíbrios biológicos no local da invasão, já que muitas vezes as espécies invasoras não têm “competidores naturais”, ou seja, predadores e competidores que limitariam a ocupação territorial pela espécie invasora.

Para aumentar a estabilidade quando descarregados, os navios se enchem de água num tanque que atua como lastro. Entre um porto e outro, espécies viajam clandestinas nos tanques e chegam aos novos habitats. Isso acarreta perda da biodiversidade na costa, pois as espécies nativas, forçadas a concorrer com as invasoras, podem acabar extintas. Desde 1600, 39% das extinções com causas conhecidas estavam relacionadas à competição com espécies invasoras. Com os barcos trazendo espécies marinhas para cá e para lá, a biodiversidade também diminui. “É uma homogeneização, podemos acabar tendo uma biota global”, diz Rosa de Souza, bióloga da Universidade Federal Fluminense, que apresentou os dados no encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal.

Os biólogos estão preocupados, porque há espécies invasoras especialmente problemáticas, como algas tóxicas que afloram em praias turísticas ou espécies que causam danos à saúde, como a bactéria do cólera.

No Brasil, o caso mais famoso é o do mexilhão-dourado, espécie asiática que chegou ao país em 1998 e, sem predadores, virou praga. Ele gruda nos equipamentos das usinas hidrelétricas, atrapalhando o fluxo de água. “Há mais de dez anos os países procuram soluções”, diz o biólogo Flávio da Costa Fernandes, do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, da Marinha.

Em 2004, a Organização Marítima Internacional propôs uma convenção sobre a água de lastro, com medidas como fazer com que os navios

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Produção de biodiesel por algas apresenta desvantagens ecológicas

 A produção de biodiesel por parte de algas parece ser uma solução ecológica para a produção de um combustível, visto que para ser produzido biodiesel é necessário que ocorra a absorção de dióxido de carbono por parte destes seres vivos. Contudo, estudos mais recentes indicam que a quantidade de gases de efeito de estufa gerados aquando da produção deste biodiesel é cerca de quatro vezes superior à quantidade de gases libertados aquando da produção de gasóleo.

 Acontece que para as algas produzirem biodiesel, estas necessitam de estar expostas à luz solar e, como estas se encontram dentro de tubos, é necessário fornecer-lhes energia para "movê-las" e assegurar que contactam adequadamente com a luz solar.

 Se produzir biodiesel em biorreactores tubulares parece ser uma má opção, sob o ponto de vista ambiental, a produção deste tipo de combustível, por parte de algas, em lagos abertos (como os da imagem à direita) também não é solução. Apesar de a produção de gases de efeito de estufa ser menor, a água dos lagos tende a evaporar (o que acarreta um maior consumo de água) e a quantidade de biodiesel produzida é menor.

 Dessa forma, dada a necessidade de encontrar um combustível "verde", investigadores estão a desenvolver biorreactores fechados, onde as algas circulam à custa do fornecimento de pouca energia.


Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20727704.700-biodiesel-from-algae-may-not-be-as-green-as-it-seems.html (31/07/2010)
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Investigadores portugueses desenvolvem tecido "imune" à sujidade

 Quantas vezes desejamos que os nossos tecidos não se sujassem? Pois bem, esta já não é uma ideia utópica, pois investigadores portugueses do Centi (Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes), em Famalicão (no Norte de Portugal) desenvolveram um tecido que não se sujam e que em breve será comercializado no mercado sob a forma de guardanapos e toalhas de mesa.

 Este tecido, denominado "easyclean", é fabricado com recurso a nanomateriais que impedem substâncias aquosas e oleosas de penetrar nele e, como tal, que se suje. Para além disso, o tecido é fácil de limpar, o que leva a que tenha de ser lavado menos frequentemente, o que resulta na poupança de água e na diminuição da quantidade de detergente (que apresenta uma grande quantidade de produtos químicos) utilizado. 

 A comercialização dos guardanapos e das toalhas de mesa, fabricados com recurso ao "easyclean", será levada a cabo pela empresa Têxteis Penedo, algo que resultou da parceria entre os investigadores do Centi e o Citeve (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário), esperando-se que a Têxteis Penedo lucre, num período entre um a dois anos, cerca de um a dois milhões de euros, à conta destes novos produtos.

 Para além deste tecido que não se suja, o Centi tem vindo a desenvolver muitos outros objectos úteis para o consumidor e, simultaneamente, ecológicos, recorrendo à nanotecnologia, nomeadamente, couros "livres de odores desagradáveis" e um ladrilho que funciona como interruptor de electricidade (que controla a intensidade de emissão de luz).

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1625528 (24/07/2010)
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