Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Ambiente e sustentabilidade

In Memoriam

É com pesar que a família de Rui Gonçalo Moura anuncia a sua morte, aos 80 anos, que ocorreu no Domingo 27 de Junho de 2010, devido a complicações derivadas de uma intervenção cirúrgica.

Para além de um marido, pai e avô extremoso, amigo dedicado, que deixa eterna saudade entre os seus familiares e amigos, Rui Gonçalo Moura foi um Engenheiro e homem de Ciência brilhantes, com uma paixão pela verdade científica. Depois da graduação como melhor aluno do seu curso, no Instituto Superior Técnico (IST), em 1957, trabalhou durante 30 anos como engenheiro electrotécnico. Foi simultaneamente assistente e professor convidado da cadeira de Electrotecnia Teórica, Medidas Eléctricas e Alta Tensão do IST entre 1970 e 1976. Serviu na Comissão Europeia de 1987 a 1990 e na Comissão Técnica e Científica do Plano Energético Nacional de 1989 a 1992.

Depois da sua reforma, em 1992, dedicou-se ao estudo do clima, de forma a poder contribuir para um debate que considerava fundamental. Possuindo uma mente verdadeiramente brilhante, para além de se ter tornado um especialista em dinâmica do clima, aprendeu a comunicar efectivamente na era moderna, e criou este Blog em 2005. Conjuntamente com Jorge Pacheco Oliveira, traduziu o livro "A Ficção Científica de Al Gore", de Marlo Lewis Jr., publicado pela Booknomics, 2008.

Podemos ainda recordá-lo nas suas participações recentes em dois debates televisivos sobre alterações climáticas, no programa Sociedade Civil (RTP2) em 4 de Outubro de 2009 e no Expresso da Meia Noite (SIC) em 11 de Dezembro de 2009.

Agora que já não está fisicamente entre nós, este Blog faz parte do seu legado científico, e a sua contribuição para um debate científico sério da dinâmica climática não será esquecido. Como não será esquecida a sua luta contra o obscurantismo científico, venha este de onde vier.

Agradecemos sentidamente a todos os que nos fizeram chegar o seu pesar e uma mensagem amiga, bem como os posts que fazem referências à sua personalidade e trabalho que encontrámos.

Jornais:
Correio da Manhã, Expresso, Jornal i

Blogs:
Anovis anopheles, Antena cristã, Blasfémias, Ecotretas, Enclavado, Lodo, Minoria ruidosa, Moicanos, My web time, Pena e espada, Universidade de Coimbra



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Advertência

Por motivos de saúde, a frequência dos posts em MC tem sido reduzida nos últimos tempos. Voltará à frequência normal logo que as condições o permitam.Continue a ler Advertência

História (quase) secreta do aquecimento global (2/6)

Por Geraldo Luís Lino

(continuação)

Na segunda metade da década de 1960, os estrategistas do Establishment transatlântico já se encontravam numa fase avançada da preparação da agenda de erradicação do “vírus do progresso”, com a sua substituição pelo conceito malthusiano dos “limites do crescimento”, para cuja promoção explícita foi criado o Clube de Roma, em 1968. A operacionalização do movimento ambientalista era uma peça fundamental da estratégia. [6]

Um dos principais centros organizativos do ambientalismo foi o Instituto Aspen de Estudos Humanísticos, sediado em Aspen (EUA), cuja figura central era Robert Orville Anderson, presidente da companhia petrolífera Atlantic Richfield, vinculada à Standard Oil, da família Rockefeller. Segundo Donald Gibson, o instituto “foi uma das primeiras organizações, se não a primeira, a começar a falar sobre a possibilidade de afstar os EUA do crescimento orientado pela ciência e a tecnologia”. [7] No conselho de administração do instituto, encontravam-se três nomes que viriam a desempenhar papéis cruciais na consolidação do ambientalismo: a antropóloga Margaret Mead; Robert McNmara, ex-secretário de Defesa dos EUA e futuro presidente do Banco Mundial (onde introduziu condicionantes ambientais aos empréstimos feitos pelo banco); e o canadense Maurice Strong, amigo particular de Anderson e que viria a se tornar a própria encarnação do “aquecimento”.

Em 1969, Anderson levou para a presidência do Instituto Aspen o ex-director de programas da Fundação Ford, Joseph Slater, que recrutou Thomas Wilson, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, para dirigir o programa ambiental do instituto. A primeira missão da dupla foi preparar uma vasta ofensiva organizativa nos dois lados do Atlântico, para colocar o ambientalismo na agenda política internacional. Por intermédio do embaixador sueco na ONU, Sverker Aastrom, Slater apresentou à Assembleia Geral da organização uma proposta para a realização de uma conferência internacional sobre o meio ambiente, a qual foi aprovada em 1970, depois de superar uma forte oposição dos países subdesenvolvidos, que já suspeitavam de que as preocupações ambientais poderiam implicar em obstáculos ao seu desenvolvimento econômico.

Em 1971, o mesmo grupo articulou a criação, em Londres, do Instituto Internacional para Assuntos Ambientais, depois renomeado Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), que atuava em estreita coordenação com o Instituto Aspen. Entre os seus fundadores, encontravam-se Anderson, Wilson, Strong, McNamara, o futuro ministro do Interior britânico Roy Jenkins e a economista inglesa Barbara Ward. Nas décadas seguintes, o IIED desempenharia um papel de relevo na incorporação dos setores empresariais e

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Quarta Conferência Internacional do Clima

Nos dias 16, 17 e 18 de Maio p.p. realizou-se, em Chicago, EUA, a 4ª Conferência Internacional do Clima. Já é possível ter acesso às intervenções de alguns dos convidados através de um link do Heartland Institute, organizador do acontecimento.

Para o efeito, deve-se escolher o orador convidado clicando no rectângulo respectivo dos que se encontram espalhados no link. As intervenções duram, aproximadamente, entre 15 minutos e uma hora.

Participaram mais de 400 pessoas de todo o mundo, incluindo dois defensores do aquecimento antropogénico que aceitaram o convite da organização para participar num debate alargado a toda a gente disposta a discutir ciência climática.

Foi o caso do Dr. Scott Denning, da Universidade do Colorado, e de Tam Hunte, da UC Santa Barbara’s School of Environmental Science & Management, que aceitaram o convite para participar nos debates.

Porém, outros não aceitaram o convite para discutir ciência climática. Foi o caso dos conhecidos patrocinadores da tese do aquecimento global de origem antropogénica: Gavin Schmidt, James Hansen, Michael Mann, Phil Jones e William Schlesinger.Continue a ler Quarta Conferência Internacional do Clima

Manifesto à espanhola

Por Jorge Pacheco de Oliveira

O “Manifesto por uma nova política energética em Portugal”, de que fui um dos subscritores, recebeu variadas e fortíssimas críticas mal viu a luz do dia.

Duas dessas críticas até apareceram nos jornais ainda antes de o texto ter sido divulgado ao público pelos seus autores! Com efeito, a partir de uma versão – por sinal clandestina e não definitiva – publicada na página de internet do semanário Expresso, quer o ex-ministro Manuel Pinho, quer o ex-Presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, entenderam publicar artigos demolidores contra o Manifesto.

Não era necessário muito mais para se perceber que o Manifesto tinha tocado interesses poderosos, mas enfim, isso já à partida se sabia. O que não se previa era que a resposta fosse tão pronta e tão orquestrada.

De facto, num período de muito poucos dias após a divulgação pública do Manifesto apareceu nos jornais uma multiplicidade de artigos críticos. O que se tornou espantoso verificar foi que, numa primeira vaga de assalto, a maioria desses artigos provinha, imagine-se, dos próprios responsáveis dos órgãos de comunicação social e seus colunistas, pessoas sem qualquer currículo na área de energia.

Por exemplo, Pedro Santos Guerreiro (Director do Jornal de Negócios), Bruno Proença (Director Executivo do Diário Económico), Nicolau Santos (Subdirector do Expresso), Ricardo David Lopes (colunista do semanário Sol), Camilo Lourenço (colunista do Jornal de Negócios), nenhum destes “especialistas” do sector energético perdeu tempo em desqualificar o Manifesto e até mesmo os seus subscritores. Da minha parte, todos eles levaram que contar. Uns ignoraram, outros responderam de forma cordata e apenas um deles de forma malcriada. Vá lá...

De facto, um dos sabichões sentenciou, de forma indignada: “É impressionante a desonestidade intelectual de algumas "verdades" do Manifesto (...)”. Outros, que nem sequer leram o texto com atenção, mas como conheciam as preferências pela opção nuclear de alguns dos subscritores do Manifesto, deram por adquirido que o documento contemplaria uma proposta nesse sentido. Azar deles, o Manifesto nem sequer contém o termo “nuclear”. Mas isso não impediu que outro dos sábios da comunicação social começasse o seu comentário com esta preciosidade : “um grupo de 33 membros da sociedade civil veio esta semana defender a implementação da energia nuclear em Portugal”.

Enfim, se tudo isto não fosse revelador da teia de cumplicidades que dominam a vida pública e económica nacional, estas patetices até seriam divertidas.

Ironia das ironias, o que

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História (quase) secreta do aquecimento global (1/6)

Por Geraldo Luís Lino

A presente histeria mundial em torno do aquecimento global e a mobilização política articulada para “controlar” os seus alegados efeitos têm motivações bastante diferentes daquelas estabelecidas pelo papel e as responsabilidades da ciência como mola propulsora do progresso da humanidade. O fato é que uma legítima indagação científica sobre as funções do dióxido de carbono para o clima e a contribuição humana para o aumento das suas concentrações na atmosfera, que remonta ao século XIX, se viu alçada à condição de obsessão mundial e convertida numa pauta política que ameaça afetar drasticamente a matriz energética e os níveis de vida de todas as nações do planeta.

Tal processo pouco tem a ver com a ciência em si, mas com a captura de fenômenos atmosféricos, como as mudanças de temperaturas e o “buraco” na camada de ozónio, pela agenda ambientalista do Establishment (classe dirigente) anglo-americano. As motivações para a colocação em marcha desse processo remontam à década de 1950, quando a humanidade, como um todo, experimentava o período de mais rápida expansão do seu desenvolvimento socioeconómico. Tal impulso foi proporcionado pela reconstrução econômica do pós-guerra, o processo de descolonização na Ásia e na África e o arcabouço financeiro e monetário relativamente estável proporcionado pelo Sistema de Bretton Woods.

Ao mesmo tempo, uma série de conquistas científico-tecnológicas contribuía para disseminar um intenso otimismo cultural: a “Revolução Verde” das variedades vegetais alimentícias de alto rendimento, os avanços da medicina e da saúde pública, as telecomunicações, as perspectivas de uso pacífico da energia nuclear, a corrida espacial e outras. Naquele momento, a palavra de ordem era industrialização, principalmente entre os países subdesenvolvidos, muitos dos quais contemplavam ambiciosos planos de modernização econômica baseados na indústria. Em 1957, o comércio mundial de produtos industrializados superou, pela primeira vez, o de produtos primários e alimentos. Entre 1953 e 1963, a participação dos países subdesenvolvidos na produção industrial mundial subiu de 6,5 % para 9 %, uma alta de quase 50 %, com tendência ascendente. [1]

Foi nesse contexto que certos setores do Establishment anglo-americano, que desde o início do século XX promoviam iniciativas que visavam o controle social, como a eugenia (“melhoramento racial”) e o controle demográfico, colocaram em marcha o movimento ambientalista, com a criação de grandes ONGs internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e a Fundação Conservação (Conservation Foundation),

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Pachauri confessa-se?

No dealbar da escrita de mais uma ficção científica - a preparação do 5º relatório do IPCC, a emitir em 2013 - o patético chairman do IPCC falou à BBC.

Há alguns anos esta emissora tinha alguma credibilidade. Hoje dedica-se a propagar a mentira do “aquecimento global”. Na entrevista de Rajendra Pachauri este, como sempre, apresentou-se como um verdadeiro hipócrita.

Logo de entrada diz uma mentira grosseira: We have not been effective at telling the public, 'yes, we made a mistake', but that does not change the fact that the glaciers are melting.

De facto, o IPCC não cometeu apenas um erro. Cometeu um chorrilho deles. Ver, por exemplo, Donna Laframboise (aqui, aqui e aqui). Além disso, Pachauri esqueceu-se de dizer que se os glaciares recuam é porque estamos num período interglacial.

O recuo, provavelmente, pouco ou nada tem a ver com o “aquecimento global”. Tem mais a ver com as aglutinações anticiclónicas, realidade que Rajendra nem faz a mínima ideia do que seja.

Mesmo assim, outros glaciares avançam, como acontece com os escandinavos. E de há dois ou três anos para cá o Árctico registou aumentos da área gelada. Mas Rajendra mente pois a verdade não lhe convém.

Nesta peça da BBC, Rajendra Pachauri simulou a ideia de que o IPCC vai mudar de atitude e incluir a audição dos críticos. Mas quais críticos?

Ele designa os críticos pejorativamente como deniers (negacionistas). Parece que vai mudar para tudo continuar na mesma. Diz com razão um dos leitores do MC:

O problema deles não é só os sinais de variabilidade climática, como degelo ou não degelo, mas o facto de terem já estabelecido à partida que o CO2, por ser um gás de estufa, é necessariamente o principal, e talvez o único, responsável pela variabilidade climática nos últimos 100 ou 150 anos.

Como é que provam isso? O aumento da concentração de CO2 em paralelo com o aumento da temperatura média (que não foi sempre em paralelo) é uma causa ou uma coincidência?

Podia a temperatura média dos últimos 150 anos continuar a baixar sabendo que se tinha saído da pequena idade do gelo? Não tinha que subir necessariamente?

A entrevista à BBC é de uma confrangedora mediocridade. Eis um pequeno resumo de alguns dos IPCCGates que Pachauri se “esqueceu” de mencionar: ClimateGate, FOIGate, ChinaGate, PachauriGate, PachauriGate II, SternGate, SternGate II, AmazonGate, PeerReviewGate, RussiaGate, Russia-Gate II, U.S.Gate, IceGate, ResearchGate, ReefGate, AfricaGate, DutchGate, AlaskaGate.Continue a ler Pachauri confessa-se?

Manifesto : Uma resposta a António Costa Silva

Por Jorge Pacheco de Oliveira

Num artigo com o inusitado título “Energia : o plágio dos orangotangos”, o semanário Expresso de 15/05/2010 publicou a réplica do Prof. António Costa Silva (ACS) à crítica que lhe foi dirigida, duas semanas antes, pelo Prof. Clemente Pedro Nunes (CPN), num artigo em que este respondia a anteriores críticas de ACS ao “Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal”, e que ACS, nesta réplica, designa, maliciosamente, por "Manifesto contra as Energias Renováveis". De facto, começa bem...

Não conhecia esta faceta truculenta de ACS, uma figura aparentemente simpática e cordata quando aparece nos ecrans de televisão, mas é bem verdade que na pele do cordeiro pode esconder-se um feroz leão. Ou, porventura, um ameaçador orangotango.

Acontece que a argumentação de ACS é errada e enganadora e sendo eu um dos subscritores do Manifesto não posso deixar de comentar o seu contundente artigo. Outras respostas certamente lhe serão dadas pelos mais directos visados, no mesmo ou noutros órgãos de comunicação social, pois, além de CPN, também Mira Amaral é duramente atingido pela verve cáustica de ACS.

Em primeiro lugar, contrariamente ao que afirma ACS, nenhum dos subscritores do Manifesto alguma vez declarou rejeitar as energias renováveis. Nem o texto do Manifesto contem qualquer afirmação nesse sentido.

O que se lê no Manifesto, e vale a pena recordar, pois se trata da principal linha de argumentação, é que “A subsidiação concedida aos produtores de energias renováveis é excessiva e contribui para agravar de forma injustificada os preços da energia eléctrica ao consumidor final”.

E lê-se ainda que “A subsidiação do sobrecusto das energias renováveis não pode constituir uma prática permanente. Apenas se justifica por períodos de tempo iniciais, muito limitados, para viabilizar actividades nascentes que revelem alguma perspectiva de se constituírem como formas competitivas de produção”.

A lógica desta argumentação é suficientemente sólida. Se ACS não a entende, o problema é dele e não dos subscritores do Manifesto.

Com tom indignado, ACS rejeita a "insinuação" de CPN acerca de uma putativa ligação sua a empresas de energias renováveis e esclarece os leitores de que é apenas gestor de uma empresa de petróleo e gás, a qual, por sinal, tem investimentos na energia eólica, mas ele, ACS, não tem nada a ver com a gestão desses investimentos. Com certeza, estamos conversados. E habituados a argumentos deste género...

De seguida, ACS perde-se na refutação dos números avançados por CPN. Neste

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António Costa Silva. Fonte "Expresso".

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Inverno 2009-2010 (5)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

(continuação e finalização)

4) Em que estado se encontram as extensões de gelo nos dois Pólos?

Como é sabido, são muito numerosos os que anunciam que o Pólo Norte estaria muito próximo de ficar liberto de gelo. Instituições, como a NASA e bastantes outras, têm avançado prazos variando entre alguns anos e algumas décadas.

Vários governos do planeta, muito confiantes nestas predições (previsões, cenários), nomearam até “embaixadores dos Pólos”. Foram encarregados de discutir com representantes de outros países a propriedade de diferentes porções do Oceano Árctico.

O Árctico, tornado liberto de gelo, constituiria uma enorme reserva, tornada acessível, de petróleo e de gás… O embaixador dos Pólos francês é o sr. Michel Rocard [Primeiro Ministro de França entre 1988 e 1991].

[…] O que foi notável no comportamento primaveril [de 2010] do gelo do mar árctico foi a sua relutância em começar a fundir-se, como faz normalmente a partir do início do mês de Março. [Jean Martin apresenta uma curva semelhante à Fig. 197].

Foi necessário esperar praticamente um mês (até 31 de Março) para que se decidisse a fazê-lo. Durante aquele período assistimos a um aumento da superfície do gelo em vez de uma diminuição.

Se a extensão do mar gelado não atingiu a média dos anos 1979-2000, aproximou-se bastante. Eis que, este facto, não pressagia uma fusão acelerada todavia prevista, por certas pessoas, para um Verão próximo.

De notar que se tratou da fusão mais tardia que se conhece desde que se iniciaram as observações [por satélites] em 1979, segundo o NSIDC – National Snow and Ice Data Center.

Ninguém previu este comportamento tranquilizante e inabitual. E, como usualmente, nenhum dos nossos grandes media, nenhum órgão de imprensa – sempre prontos a anunciar (ou mesmo a antecipar) as más notícias – deu esta boa nova:

A superfície do mar gelado árctico quase que atingiu a média de 1979-2000! E começou a fundir apenas com quase um mês de atraso. Jean-Louis Etienne talvez tenha visto através do nevoeiro, do alto do seu balão, uma extensão imensa de gelo…

Encontra-se no blogue de Anthony Watts um estudo comparativo bastante minucioso entre dados de diferentes instituições (NANSEN Roos, etc.) que apresentaram resultados ligeiramente diferentes para os dias 6 e 7 de Abril… Mas tratou-se talvez de uma matéria de reactualização de dados [ironia de JeanMartin].

Contudo, o comportamento do mar gelado no

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