Órgãos vestigiais e evolução

A evolução de diferentes organismos ou partes de organismos num mesmo sentido, chamada evolução convergente, mostra que a selecção imposta pelos mesmos habitais sobre linhas evolutivas diferentes pode ocasionalmente resultar em funções semelhantes, apesar de não serem desempenhadas pela mesma estrutura anatómica.
No entanto, com excepção de tais eventos, a Anatomia Comparada seguiu a lógica de que os organismos que partilham estruturas derivadas de um grupo ancestral comum representam um percurso evolutivo divergente. As comparações efectuadas após dissecções anatómicas cuidadosas permitiram estabelecer os critérios para a construção de uma árvore evolutiva detalhada.
Um interesse particular dos anatomistas comparativos foi encontrar estruturas que pareciam ter perdido algumas ou mesmo todas as funções que tinham nos seus ancestrais. Do ponto de vista evolutivo, os anatomistas puderam explicar a presença de órgãos vestigiais ou rudimentares porque a adaptação a um novo ambiente geralmente implicou a existência de estruturas que evoluíram previamente e que posteriormente perderam a sua utilidade.
De acordo com o princípio da selecção natural, os indivíduos que consumirem menos energia na elaboração e manutenção de tais estruturas, terão maior probabilidade de sobreviver que os indivíduos que as mantiverem inalteradas quando estas tiverem perdido o seu papel biológico.
Além disso, algumas estruturas que já não são necessárias provavelmente interferem com o funcionamento das novas adaptações.
Com o passar do tempo, as estruturas obsoletas tenderão a evoluir regressivamente, mostrando apenas traços da sua anterior forma e função. Exemplos disto são encontrados num conjunto de pequenos ossos abdominais presentes nas baleias e nas cobras que são o que resta da sua antiga cintura pélvica. A presença de um esboço reduzido do olho nos crustáceos cegos, cavadores de galerias, também indica um processo evolutivo através do qual as estruturas obsoletas se foram gradualmente tornando rudimentares. Nos humanos, a presença de um certo número de estruturas vestigiais indica não só a sua actual obsolescência mas também a sua relação ancestral com outros mamíferos e primatas. Por exemplo, os músculos do ouvido externo, tal como os músculos do escalpe, são rudimentares nos humanos e geralmente não funcionais, mas são comuns a muitos mamíferos. A inflexão dos pés para escavar, em simultâneo com a extensão do dedo grande, é um traço dos primatas que é encontrado nos humanos na idade infantil mas que regride nos adultos.
A capacidade de preensão das mãos dos humanos mais jovens é também um traço vestigial, porque outros primatas a desenvolveram
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