Caros estudantes, investigadores, divulgadores e jornalistas de ciência e tecnologia,
Após quase quatro meses de aulas diárias de jornalismo no Cenjor, em Lisboa, vimos partilhar convosco o entusiasmo da recta final deste caminho, que teve como objectivo aprendermos a comunicar ciência pela escrita. O resultado deste trajecto é a primeira Gazeta, de 2006, dedicada em exclusivo à Ciência e à Tecnologia.
Durante a produção da Gazeta, espiolhámos o mundo que nos rodeia com olhos de jornalistas e não como cientistas, que somos ou já fomos. Tivemos que trabalhar sob a pressão do imediato e da actualidade. Confrontámo-nos com a deontologia própria do jornalismo, com a lei da proximidade, com a dificuldade de lidar com as fontes e com a lentidão ou ausência (desesperante) de respostas. Experiment ámos a dificuldade de escrever claro sobre o que pode ser extremamente complexo.
Com a ajuda, a paciência e a dedicação dos formadores (António Granado - editor deste primeiro número da gazeta de C&T do Cenjor -, Ana Moutinho, Paulo Chitas e Marina Ramos) escrevemos sobre temas fascinantes que estão à espera de ser lidos neste link (download de PDF com 1,4 Mb).
Até ao próximo número da gazeta, ...
Uma proposta muito curiosa. Lembra-me aquela ideia de usar apostas para prever ataques terroristas...
Rui
Nature 439, 782 (16 February 2006)
"Peer review could be improved by market forces"
Klaus Jaffe
(Laboratorio de Comportamiento, Universidad Simön Bolívar, Apartado 89000, Caracas 1080, Venezuela)
Sir:
Although peer review seems the best system for quality control of scientific publications and grant proposals ("Three cheers for peers" Nature 439, 118; 2006), we might try to improve it. Market forces are known to optimize complex systems where multiple players have conflicting interests. Economic principles and internet technology could be applied to a peer-review system in the following way. First, a central digital repository receives a paper for a fee 'x'. Potential referees then bid to review the paper, and, if approved by the author, receive a fee 'y...
Dr Senén Vilaró Coma
Departament de Biologia Cel·lular
Facultat de Biologia, Universitat de Barcelona
Num país onde regra geral os estudantes de licenciatura fazem o seu curso perto de casa dos seus pais, o programa Erasmus geralmente funciona como a primeira oportunidade de explorar novos territórios geográficos, culturais e ocasionalmente científicos. Em 1994 fui fazer um Erasmus a Barcelona e não fui excepção. A excepção resultou da generosidade pessoal e cientifica do meu supervisor Senén Vilaró. A minha ida Barcelona resultou de um sucessão de pequenos incidentes, o sitio para onde originalmente queria ir acabou por cancelar o meu estágio poucas semanas antes da minha partida, pelo que a professora responsável pelo programa Erasmus disponibilizou-se a ajudar-me a encontrar uma boa solução. Durante a nossa conversa lembrou-se de que conhecia alguém em Barcelona, um telefonema e meia dúzia de emails selaram meu destino. A sorte ajudou-me e acabei não só por ir parar a um laboratório dinâmico, mas acima de tudo acabei por ter uma pessoa excepcional como supervisor de estágio. Uma pessoa que sempre se recusou a olhar para mim como aquele técnico capaz de sequenciar manualmente 30Kb de DNA. Desde que ...
Fazer ligações de ADN e uma verdadeira lotaria, por vezes sem razão aparente uma pessoa pode passar dias a tentar subclonar um fragmento de treta. Por vezes existem dias sucessivos em que todos os plasmídeos são positivos. Que desperdício...
Nature 438, 282 (17 November 2005)
Peer-review system could gain from author feedback
Sir:
The ever-growing number of submissions to many journals has necessarily increased the number of scientists serving as reviewers. Although the majority of these perform their duty honourably and provide valuable feedback to the authors, some produce bad or even damaging reviews, which may not be filtered by the editors.
I believe anonymity is important for the peer-review process, but some power could also be granted to the authors in order to balance the equation. The flexibility of online systems could be employed to establish a feedback mechanism that may help journals weed out rogue reviewers.
One can imagine a scenario in which all authors would be asked to complete an online questionnaire about the reviews of their manuscript. The questionnaires could be anonymous, but should allow the journal to cross-reference the feedback with the name of each reviewer. Once sufficient data have accumulated, the journal will be able to identify reviewers who are serial offenders and decide not to approach them again.
Gathering feedback from the authors and using that to improve the peer-review process is a simple way of humanizing an increasingly electronic process.
Alon Korngreen
Faculty of Life Sciences and the ...
"I guess I've always known that many students are just taking my course to get a requirement out of the way," Naumoff said. "But it was disheartening to see that some couldn't even go to the trouble of finding out the name of the person teaching the course."
The floodgates were opened and the other UNC professors at the dinner began sharing their own dispiriting stories about the troubling state of curiosity on campus. Their experiences echoed the complaints voiced by many of my book reviewers who teach at some of the nation's best schools.
All of them have noted that such ignorance isn't new -- students have always possessed far less knowledge than they should, or think they have. But in the past, ignorance tended to be a source of shame and motivation. Students were far more likely to be troubled by not-knowing, far more eager to fill such gaps by learning. As one of my reviewers, Stanley Trachtenberg, once said, "It's not that they don't know, it's that they don't care about what they don't know."
This lack of curiosity is especially disturbing because it infects our broader culture. Unfortunately, it seems both inevitable and incurable.
In our increasingly complex world, the ...
These are composite images of the faces of 10 women with the highest level of estrogen and 10 women with the lowest levels.The composite image of 10 women with high estrogen levels is on the left. Men chose it as the most attractive in the study.
MIRIAM J. LAW SMITH
The researchers photographed 59 women between 18 and 25, who were wearing no makeup, and took a urine sample from each subject for hormone analysis. A group of men then rated the women in the photographs for health, femininity and attractiveness.
The results showed that men were most attracted to the women who tested for high levels of estrogen. Miriam Law Smith, who helped carry out the research, says men were, in effect, choosing the women best poised to bear children.
"From an evolutionary point of view, it would now make sense that men prefer feminine female faces because those are the women who have higher estrogen levels, and who are ultimately more fertile," says Law Smith. "In our evolutionary past, men who favoured women with feminine features would be choosing the more fertile female, thus would have had more babies and be passing on more of their genes."
CHRISTOPHER ...
By ERIC CORNELL
Scientists, this is a call to action. But also one to inaction. Why am I the messenger? Because my years of scientific research have made me a renowned expert on my topic: God. Just kidding. You'll soon see what I mean. Let me pose you a question, not about God but about the heavens: "Why is the sky blue?" I offer two answers: 1) The sky is blue because of the wavelength dependence of Rayleigh scattering; 2) The sky is blue because blue is the color God wants it to be.
My scientific research has been in areas connected to optical phenomena, and I can tell you a lot about the Rayleigh-scattering answer. Neither I nor any other scientist, however, has anything scientific to say about answer No. 2, the God answer. Not to say that the God answer is unscientific, just that the methods of science don't speak to that answer.
Before we understood Rayleigh scattering, there was no scientifically satisfactory explanation for the sky's blueness. The idea that the sky is blue because God wants it to be blue existed before scientists came to understand Rayleigh scattering, and it continues to exist today, not in the least undermined ...
Só hoje, 3 de Novembro, tive oportunidade de ler os comentários feitos no Conta Natura a propósito de um artigo sobre blogues de ciência que escrevi no Expresso. Desejo, muito sinceramente, que a qualidade do trabalho científico dos autores seja superior à qualidade dos comentários.
Comecemos pela história da vaca, a que alguém se referiu como de crítica bem humorada. Meus amigos, punhamos os nomes aos bois: trata-se do uso da piada rasca, unica, pura e simplemente, tão ao jeito dos detentores da verdade, entes superiores inexistentes... felizmente.
Thiago de Carvalho fala de uma certa superficialidade do artigo. É o tipo de crítica que aceito - o do direito à opinião e diferença. Mas vamos ser claros: o Expresso deu-me 3500 caracteres para o trabalho. Pouco mais do que duas páginas A4.
Eu desafio qualquer dos comentadores a fazerem um trabalho aprofundado com este espaço. Podem explicar-me (eu agradeço, sou um dos que pensa que é bom aprender pela vida fora)o que aprofundariam? Vou dizer-vos uma coisa: nada ou um aspecto determinado apenas. Duvido que isso se chame aprofundar.
Eu penso que desvalorizaram o que para mim era essencial (e isto admito que não o seja para todos): informar, divulgar que estavam a aparecer ...
Por desleixo meu só agora vi este comentário a um post que eu publiquei no passado acerca da gripe das aves. Apesar da minha resposta ser tardia vale no entanto a pena dar-lhe um certo destaque uma vez que o seu desespero demonstra em primeira mão o reverso da medalha de uma questão que com excessiva frequência e' exclusivamente tratada e decidida por quem vai ao campo apenas para fazer um Pic-Nic*.
"Sendo eu um dos avicultores que vive desta actividade, vejo agora a minha empresa e vida a beira da ruína. Tudo porque o edital em vigor proíbe a venda de aves nos mercados e em feiras, mas só nas feiras e mercados onde não haja condições, esta decisão cabe ao veterinário municipal que nem se desloca ao local para verificar as suas condições.
Existem dois tipos dois tipos de mercados os que preenchem as condições exigidas e os que não as tem, mas que podem ser criadas, o que se passa e que e mais fácil proibir tudo
Só eu tenho 20000 pintos em casa (mas existem varias centenas de avicultores na mesma situação), e não tenho maneira de os vender pois como já referi tem o local ...
Este primeiro encontro de investigadores na area de Biologia Evolutiva está aberto a todos os interessados, e tem como objectivo principal criar laços de comunicação entre grupos de investigação, traçar o panorama actual desta area científica em Portugal e apontar perspectives de trabalho futuro.
Data: 22 de Dezembro (5ª f), das 9:30-17:30
Local: Faculdade de Ciências de Lisboa
Inscrições/Informação: biologia.evolutiva@gmail.com
Ps. O texto aqui incluído foi-me enviado pela Patrícia Brito
Sempre que comento com alguém o meu regresso iminente a Portugal a resposta e' inevitavelmente a mesma - "prepara-te!". Existem referências a realidades menos claras, perigos escondidos de um pais profundamente burocrático onde a cultura do "jeitinho" e da "cunha" abunda. Obviamente aqueles que hoje criticam, amanhã tem poucas intenções de não usufruir de tais idiossincrasias. Mas hoje não quero falar da natureza humana, queria apenas partilhar convosco a minha enorme surpresa com o elevado número de candidatos a uma posição de estagiário que abri em Setembro. Tendo em conta que tal posição esta' longe de ser extraordinária, apenas posso atribuir tal número ao prestígio do Instituto Gulbenkian de Ciência e à existência de um número horrivelmente elevado de pessoas com vontade fazer ciência mas que são incapazes de encontrar emprego. Este desequilíbrio evidente entre a capacidade do ensino superior criar estudantes licenciados de qualidade e a capacidade do mercado de trabalho os absorver leva a uma necessidade premente de redimensionamento do ensino superior. Eu compreendo que uma taxa razoável de desemprego seja inevitável e que nem todos os alunos de um curso tenham o entusiasmo e a qualidade necessária para seguirem uma carreira ...
Blogshares (press release)
"Conta Natura was the subject of much speculation when analysts at several firms were heard to be very positive about it's recent performance. It's share price rose from B$371.37 to B$594.19."
Posted: 23:31 04 Oct 2005
O que será que António Egas Moniz e os Ramones têm em comum?
(clicar na extended entry para resposta)
TEENAGE LOBOTOMY (Lyrics)
Lobotomy, lobotomy, lobotomy, lobotomy! DDT did a job on me now I am a real sickie guess I'll have to break the news
That I got no mind to lose all the girls are in love with me I'm a teenage lobotomy
Slugs and snails are after me DDT keeps me happy now I guess I'll have to tell 'em
That I got no cerebellum gonna get my Ph.D. I'm a teenage lobotomy
Lobotomy, lobotomy, lobotomy, lobotomy! DDT did a job on me now I am a real sickie guess I'll have to break the news
That I got no mind to lose all the girls are in love with me I'm a teenage lobotomy
A próxima pandemia de gripe tem sido fonte de inúmeros mitos jornalísticos. No entanto como prova de que o jornalismo científico de qualidade ainda existe sugiro este link da National Geographic.
Este parágrafo levanta diversas questões importantes e pode ser interpretado à esquerda e à direita de uma maneira diametralmente oposta. O problema é evidente e as suas consequências óbvias, no entanto as soluções são ainda problemáticas.
"The conclusion from this study is that 50% of teenage secondary school girls in this part of Nigeria are sexually active; 68.7% whom, have multiple sexual partners, and 86.7% of them did not use contraception at sexual debut. This unsafe sexual behaviour therefore put them at a great risk of acquiring STDs including HIV infection, and unwanted pregnancy. This study therefore recommends sex education/family life education for young people to encourage them to delay sexual activity as much as possible and practice safe sex when it eventually commences."
Sexual behaviour and contraceptive use among secondary school students in Ilesha South West Nigeria.
J Obstet Gynaecol. 2005 Apr;25(3):269-72
Orji EO, Esimai OA.
As bactérias e os vírus demonstram uma impressionante capacidade adaptativa. Esta capacidade de rapidamente se adaptarem a modificações do meio ambiente resulta essencialmente de dois factores: 1) O elevado numero de indivíduos inicialmente presentes numa população permite uma largo espectro de variabilidade genética. 2) O ciclo de vida extraordinariamente curto permite uma amplificação rápida de uma qualquer subpopulação de indivíduos com uma mutação vantajosa. Estes organismos usam a certeza estatística para garantir a sua sobrevivência. No entanto existe uma terceira variável nesta equação, quer as bactérias, quer as leveduras tem uma longevidade relativamente reduzida. Tal permite que haja um elevado "turnover" de individuos numa determinada população. De um modo extraordinariamente grosseiro e possível afirmar que uma bactéria ou uma levedura são "velhotes" respectivamente após 100 e 30 divisões celulares (ou seja em condições óptimas de crescimento aproximadamente 2/3 e 4 dias). Curiosamente o envelhecimento em leveduras foi correlacionado com a acumulação de stress oxidativo relacionado com a produção de radicais livres nas mitocôndrias (as fabricas energéticas das nossas células). Este fenómeno também é significativo no envelhecimento de animais mais complexos (incluindo os mamíferos). Tal sugere que a longevidade resulta (pelo menos em parte) de um balanço entre o dano causado ...
Planaria
O envelhecimento e a mortalidade são regra geral encarados como inevitabilidades biológicas. No entanto tal não podia estar mais longe da realidade. A imortalidade (ou quase imortalidade) existe em biologia e sua raridade apenas traduz a necessidade da vida se adaptar tanto quanto possível a um ambiente eternamente mutável e imprevisível. Ou seja, o bom funcionamento da selecção natural exige que cada organismo tenha uma longevidade adequada, sendo tal longevidade fortemente optimizada para assegurar a propagação da informação genética que o compõe. Se esta longevidade for excessivamente curta existe um desperdício de recursos e pode não haver oportunidade para o organismo se reproduzir devidamente. Se a longevidade for excessivamente longa então podemos ter uma situação em que a capacidade de uma espécie se adaptar rapidamente ao meio ambiente pode ser significativamente afectada.
(continua)
Imaginem um livro de António Lobo Antunes, não, imaginem uma novela de John Le Carre. Agora retirem os espaços entre as letras, boa parte da pontuação e separem os capítulos de uma maneira aparentemente ilógica. Imaginem agora um texto em letra miudinha, sem maiúsculas. Reintroduzam agora excertos apagados das primeiras versões da novela, verdadeiros fragmentos de arqueologia literária de um livro. Imaginem agora uma novela em que a qualidade do papel onde foi impresso e a sua textura e importante para o texto fazer sentido. Imaginem igualmente que cada página tem de ser dobrada de uma maneira particular. Falar no genoma de um organismo como o livro da vida apesar de útil e no entanto profundamente enganador. A informação contida numa molécula de ADN não se assemelha a uma biblioteca onde todos os dados são cuidadosamente arquivados e catalogados, assemelha-se antes a uma secretária coberta por um mar de papel onde o seu dono, e apenas o seu dono, e capaz de encontrar quase que milagrosamente o tal documento de que tanto necessita.
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