Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

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Pouco café, bom coração (em Ikaria)

Pesquisadores da Universidade de Atenas da Ilha de Ikaria, no Mar Egeu, realizaram estudo que aponta que o consumo moderado de café ajuda a manter a distensão cardíaca em pessoas idosas. A distensão cardíaca é uma medida da elasticidade das artérias. Uma baixa distensão cardíaca está associada à arteriosclerose e indica propensão para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O aumento da sobrecarga do trabalho cardíaco causa hipertensão, que por sua vez promove mudanças vasculares e ativação neuro-hormonal. Como conseqüência, surge a fadiga vascular e perda de elasticidade na musculatura cardíaca.

Os pesquisadores da Universidade de Atenas realizaram uma avaliação com 343 homens e 330 mulheres, com idade entre 65 e 100 anos, moradores da Ilha de Ikaria. A população desta Ilha apresenta alta expectativa de vida, com uma grande proporção de moradores com idade acima de 90 anos. Foram avaliadas características sócio-demográficas, bioclínicas, estilo de vida e da dieta que pudessem estar relacionadas a fatores de risco como hipertensão, diabetes, hipercolesteremia (alta taxa de colesterol no sangue) e obesidade, além de atividade física e características bioquímicas dos indivíduos.

Como o consumo de café é um hábito tradicionalmente arraigado na população grega, o consumo deste foi avaliado a partir do momento em que a pesquisa foi iniciada. Foi verificado que o efeito da cafeína é mais pronunciado em indivíduos com quadro de hipertensão do que em aqueles que não apresentam alta pressão arterial. Desta maneira, o consumo de café foi analisado ainda mais detalhadamente no grupo de 235 indivíduos com quadro de hipertensão, de maneira associada aos hábitos alimentares e à característica de distensão da aorta (a principal artéria humana) do mesmo grupo.

Os resultados indicaram, de maneira conclusiva, os benefícios do consumo moderado de café na distensão da aorta. Os pesquisadores atribuíram os resultados observados à presença de substâncias derivadas de polifenóis, presentes no café. No entanto, o café bebido na Grécia também é rico em terpenos como o cafestol e o kahweol. Dentre os derivados polfenólicos, destacam-se os ácidos clorogênico, caféico e ferúlico, que melhoram a função vascular, reduzem o grau de oxidação celular e aumentam a biodisponibilidade de óxido nítrico, um importante regulador celular. Além disso, a presença de pequenas quantidades de flavonóides, magnésio, potássio, niacina e vitamina E, também presentes no café, podem contribuir para os benefícios observados sobre a função cardíaca. Porém, os efeitos são menos benéficos em indivíduos hipertensos, nos quais…

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Blackberries season at São Carlos, Brazil

I have to explain why I am posting in English. This is because this post is a feedback to mrdanbaird, who recently posted on “A conscious search for blackberries” in Das Bloggen. His post was very much appreciated, including by me, and I was surprised by the size of blackberries shown in the pictures. I decided to show the difference to Brazilian blackberries, which are smaller and not so sweet (of course this last particularity cannot be appreciated in a blog – but who knows? perhaps one day this will be possible).

I went for a walk yesterday evening, around 5 pm, in the neighbourhood where I leave. After walking half a block, I found a very big blackberry tree (usually this tree is not so big here), filled with blackberries. I took some pictures, but I am not a good photographer, and the pictures were not good. The street near to the blackberry tree was covered by rather large smashed blackberries. I wondered the reason why the berries were big, and a possible explanation is because the tree was in a garden and certainly under good care. Since this season has been particularly dry in Brazil, and we haven’t seen a drop of rain during the last 30 days, or even more, I was surprised with the size of those blackberries. Walking an additional block, I found another blackberry tree, and the pictures I took were not so bad.

Most blackberries are not yet ripe enough to be eaten. But the trees are filled with these small berries, a nice mixture of colours with the leaves, though the contrast is nicer when the fruits are completely ripe.

Just beside this second blackberry tree there is a small river. Such small rivers here in Brazil are called “córregos”. It is nice to have a córrego near to home because the water attracts birds and sometimes other small animals, as possums and egrets. And it makes a nice ensemble of plants around the wet area.

Going further away, I took a picture of the landscape, since the light was going down, putting the colours in evidence.

Further uphill, there is a small charming grove, plenty of Brazilian trees. An ecological trail has been made by people leaving around, who think that it is important for neighbourhood foreigners and…

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Pássaros da Mata Atlântica de Minas

Saira de 7 cores Saíra-lagarta (Tangara desmaresti)

Tangará? Sanhaço-frade (Stephanophorus diadematus)

Clique nas fotos para ampliá-las. Fotos: André Berlinck (veja também aqui).


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Sahney X Darwin?

Vários sites de divulgação científica, e também de conteúdo criacionista, alardearam recentemente que um artigo recente teria jogado por terra uma premissa básica da teoria da evolução elaborada por Charles Darwin: a de que a evolução é direcionada principalmente pela competição entre espécies. A generalização, divulgada às pressas e sem uma análise mais cuidadosa do conteúdo do artigo, é que a evolução teria sido direcionada pela ocupação do espaço físico (territorial, de nichos ecológicos) pelas espécies biológicas. Como a autora principal, Sarda Sahney, disponibilizou o artigo para aqueles que quiserem ler (aqui), tive a oportunidade de ler seu artigo “Links between global taxonomic diversity, ecological diversity and the expansion of vertebrates on land”.

O objeto de estudo dos autores são os tetrápodes, ou seja, animais que apresentam 4 membros. Atualmente existem cerca de 30.000 espécies de tetrápodes, divididos em 300 famílias que apresentam 75 modos de vida. Toda esta diversidade se originou muito provavelmente a partir de uma única espécie de anfíbio, que realizou a transição do ambiente aquático para o terrestre no meio do período Devoniano. Desde então ocorreu uma diversificação exponencial das espécies de tetrápodes, que pode ser justificada ou pelo aumento dos habitats ocupados (não somente em termos de extensão, mas também em termos de diversidade de habitats), ou pela competição entre espécies em determinados habitats. De maneira a verificar qual das duas hipóteses seria a mais plausível, os autores analisaram a diversidade taxonômica e ecológica de 840 famílias de tetrápodes, às quais foram atribuídas características ecológicas, cronológicas e geográficas. Os ecomorfos assim estabelecidos (um ecomorfo é uma variedade local de uma espécie cujas características são determinadas pelo ambiente em que se encontra) possibilitaram a definição de 288 modos de vida (3 tamanhos X 16 tipos de dietas X 6 habitats), dos quais 81 são incompatíveis (como, por exemplo, de espécies que viveriam exclusivamente em árvores e se alimentariam exclusivamente de vermes do solo). Desta forma, foram definidos 207 modos de vida.

Após a análise, os autores observaram que a diversidade taxonômica global das famílias dos tetrápodes apresenta muito boa correlação com os nichos ecológicos que estes animais ocuparam ao longo do tempo. Dentre os 207 possíveis modos de vida que os tetrápodes poderiam ter adotado, somente 36% destes (75) foram efetivamente adotados. Desta forma, na ausência da interferência humana, muito provavelmente os tetrápodes teriam continuado a se diversificar para ocupar outros modos…

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Banda larga móvel no Brasil é um LIXO

Reportagens publicadas mesta última quarta feira, no jornal Folha de S. Paulo, denunciam a verdadeira vergonha que é o serviço de banda larga móvel  oferecido no estado de São Paulo pelas operadoras de telefonia. Duas das reportagens foram transcritas a seguir.

Velocidade não atinge 60% do contratado – Alexandre Orrinco

A Folha testou os serviços de banda larga móvel das quatro maiores operadoras do país (Claro, Oi, TIM e Vivo) e constatou o que reclamações de usuários do serviço já indicavam: a velocidade real de conexão fica bem abaixo da vendida. Nos testes, o download (recebimento de dados) não ultrapassou 60% da velocidade contratada. Em dias úteis, isso fica pior, com velocidade média inferior à metade da contratada. No domingo, a situação melhora, mas em nenhum dos testes a conexão chegou à velocidade do plano comprado, de 1 Mbps.

No caso de upload -dados que você manda para a rede, como e-mails ou vídeos para o YouTube-, a velocidade ficou sempre abaixo de 30% do tal 1 Mbps. É preciso considerar, porém, que a velocidade de upload é sempre menor que a de download, mesmo em serviços internacionais de altíssima qualidade.

Além da velocidade, outro problema percebido nos testes, já constatado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e por órgãos de defesa do consumidor, é o da instabilidade do serviço.

É enorme a variação da velocidade, e a qualidade do serviço muda rapidamente. Uma página que apareceu em segundos, minutos depois fica parada sem razão aparente. Quedas de conexão também são frequentes. Parte da culpa é da natureza da tecnologia 3G, sensível a inúmeros fatores, como condições climáticas, quantidade de pessoas conectadas numa mesma região e posição geográfica.

Os contratos afirmam isso, procurando isentar as operadoras de responsabilidade por garantir a integralidade da velocidade contratada. Em geral, as empresas garantem um mínimo de 10% da velocidade estabelecida. Tais contratos têm gerado debates em órgãos de defesa do consumidor, e a Anatel está procurando estabelecer uma regulamentação geral para o setor.

As operadoras, porém, são obrigadas a cumprir o Código de Defesa do Consumidor, afirma o Procon.

Claro, Oi, TIM e Vivo adotam diferentes estratégias para tentar diminuir o número de reclamações e melhorar a qualidade do serviço de banda larga móvel. Desde o final do mês passado, algumas passaram a vender planos desvinculados de promessa de velocidade, passando a comercializar o

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Sapos, rãs e pererecas para quê?

Porque preservar espécies de anfíbios como sapos, rãs e pererecas? Afinal muitos são tidos como nojentos e feios. Antes de príncipe, sapo. Estes seres pegajosos  podem ter algo de bom?

Eu diria que existem pelo menos três razões muito importantes para que estas criaturas sejam preservadas com muito cuidado. Primeiramente porque, sendo animais sensíveis, servem de indicadores de mudanças ambientais. Mudanças ambientais significativas, como muito calor e muita secura, faz com que estes animais desapareçam. Segundamente, porque estes anfíbios são comedores de mosquitos. E ajudam a diminuir o incômodo de nossas noites de sono, além do incômodo da dengue, da malária e da febre amarela, e de outras doenças que são transmitidas por mosquitos. Terceiramente porque são uma fonte incrível de substâncias químicas extremamente variadas.1 Algumas destas substâncias são antibióticos extremamente potentes.

Pesquisadores dos Emirados Árabes estão procurando novos antibióticos presentes em secreções de anfíbios. Até agora já encontraram mais de 100. Um dos antibióticos mostrou ser eficaz contra uma bactéria cujo nome é bastante sugestivo: Iraqibacter. Esta bactéria mostrou contaminar vários soldados americanos combatentes no Iraque, e é resistente ao tratamento por antibióticos comuns.

Atualmente existe uma grande preocupação na descoberta e desenvolvimento de novos antibióticos, pois muitas linhagens de bactérias patogênicas estão adquirindo resistência contra os antibióticos usualmente utilizados no tratamento de infecções (veja aqui, e aqui). Considerando-se que os anfíbios estão no ambiente desde cerca de 300 milhões de anos, vivendo em ambientes quentes e úmidos, muito propício para o desenvolvimento de microrganismos, parece óbvio que estes pequenos seres tenham desenvolvido a capacidade de preoduzir e/ou de armazenar substâncias químicas com atividade contra microrganismos patogênicos. É esta a hipótese dos pesquisadores da Universidade dos Emirados Árabes Unidos.

Embora já se conheçam inúmeras substâncias isoladas de secreções de anfíbios, muitas destas substâncias são tóxicas para humanos. Por isso os pesquisadores dos Emirados Árabes não pretendem usar as mesmas substâncias que os anfíbios acumulam para tratar infecções por microrganismos patogênicos. Os pesquisadores pretendem utilizar estas substâncias como modelo para a descoberta e o desenvolvimento de novos fármacos com atividade antibiótica, que estão se tornando cada vez mais raros. Isso porque muitos microrganismos estão se tornando cada vez mais resistentes aos antibióticos já conhecidos. O grupo também pretende melhorar a absorção destas substâncias, uma vez que muitas não são eficientemente transportadas no sangue humano. Desta forma, pretendem dar uma contribuição importante para a…

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A CAPES e a avaliação da pós-graduação

Artigo publicado na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo, de autoria de Jorge Guimarães (Professor Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Presidente da CAPES) e Lívio Amaral (Professor Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Diretor de Avaliação da CAPES), discute a atual avaliação dos programas de pós-graduação brasileiros por parte da CAPES. O artigo é transcrito na íntegra, a seguir.

Avaliação trienal da Capes – Jorge Guimarães e Lívio Amaral

Os avanços em ciência e tecnologia no Brasil, comprovados, entre outros indicadores, pela 13ª posição na produção científica mundial, têm sido destacados em editoriais e em estudos e publicados em revistas, fóruns e organismos internacionais.

Destaque-se que esses avanços são indissociavelmente ligados à pós-graduação, uma realidade das últimas décadas, legitimada internamente e reconhecida internacionalmente. E, se a pós-graduação brasileira é esse caso de sucesso, isto se deve, sobretudo, ao processo de avaliação realizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Iniciamos no mês passado mais uma avaliação. Consultores estão avaliando dados de 2007-2009, informados pelos programas de pós-graduação, após auditagem prévia pelas coordenações dos cursos.

A avaliação contempla cinco eixos: proposta do programa; corpo docente; corpo discente, teses e dissertações; produção intelectual; inserção social dos cursos. Uma característica da avaliação é a universalização que se expressa nestes eixos para todas as áreas de conhecimento, sem com isso deixar de contemplar as especificidades próprias delas.

A produção intelectual da qual trata a avaliação é o que resulta em avanço do conhecimento associado à garantia de boa formação de mestres e doutores. Em algumas áreas, ela se expressa na forma de livros e, em outras, através da publicação de artigos em revistas científicas.

Para artigos em periódicos, temos o “Qualis-Periódicos”, que é atualizado periodicamente. Na trienal-2010, o Qualis servirá para avaliar 270 mil artigos publicados em mais de 17 mil diferentes periódicos. O componente qualitativo desse acervo quantitativo é o que se vai identificar e avaliar.

O eixo da produção intelectual tem sido objeto de recorrente debate, inclusive por meio da imprensa. Algumas vozes, equivocada e distorcidamente, propagam a ideia de que a avaliação da pós-graduação é exclusivamente um processo para “avaliar o quantitativo da produção intelectual”.

É puro reducionismo afirmar que avaliar é contar trabalhos e que a única questão é como classificar as revistas nas quais

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Consumo de álcool e memória

O consumo excessivo de álcool apresenta efeitos negativos no processo cognitivo, como a memória. Em particular, sobre a metamemória, que se refere ao conhecimento subjetivo que as pessoas possuem de suas próprias capacidades cognitivas, como o monitoramento e o controle da memória.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Université de Caen/Basse-Normandie, na França. A metamemória capacita os humanos a adaptar seu comportamento no dia-a-dia, e utilizar sua memória da forma mais eficiente possível. Também se refere ao conhecimento de como saber processar a memória, em particular o reconhecimento da própria memória individual. Por exemplo, se uma pessoa frequentemente se esquece de comprar coisas durante sua ida a um supermercado, ela aprenderá que deve escrever uma lista de compras. O que não é um problema, pois passou a reconhecer que esta é a maneira mais eficiente para utilizar a sua memória.

Todavia, pessoas que apresentam um quadro de alto consumo de álcool, de maneira regular, não conseguem predizer o desempenho futuro de sua memória. Tais pessoas tendem a super-dimensionar sua capacidade de memorização, acreditando serem capazes de, por exemplo, reconhecer uma palavra correta, quando na verdade não conseguem. As mesmas pessoas que consomem muito álcool acreditam que sua memória é tão boa quanto à das pessoas que não consomem, apesar de apresentarem episódios freqüentes de falhas de memória. Embora seja evidente que consumidores de álcool em excesso não apresentam um bom desempenho de memória, o estudo apresenta caráter inédito por demonstrar que as mesmas pessoas não conseguem reconhecer seu quadro de memória deficiente.

Uma das conclusões mais importantes do estudo é que, mesmo estas pessoas procurando tratamento médico, tenderão a abandonar o tratamento mais rápido do que deveriam, por acreditar que não apresentam problemas de memória. Uma das conseqüências é que tais pessoas não conseguem prever situações de risco. Acreditando na sua capacidade de memória, mesmo esta estando deficiente, poderão comprometer parte de seu desempenho pessoal no seu dia-a-dia.

Nada bom.

ResearchBlogging.orgLe Berre AP, Pinon K, Vabret F, Pitel AL, Allain P, Eustache F, & Beaunieux H (2010). Study of Metamemory in Patients With Chronic Alcoholism Using a Feeling-of-Knowing Episodic Memory Task. Alcoholism, clinical and experimental research PMID: 20735374


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Amazônia perde áreas protegidas

Notícia publicada no dia 22 de agosto último pelo jornal Folha de São Paulo on-line (Folha.com), relata que

Amazônia perde 29 áreas protegidas entre 2008 e 2009 – Claudio Angelo

Por pressão de madeireiros, fazendeiros, mineradores ou do próprio governo, 29 áreas protegidas na Amazônia foram reduzidas ou extintas entre 2008 e 2009. O total de florestas perdidas no processo foi de 49 mil km2, quase um Rio Grande do Norte. As reduções ocorreram sem consultas públicas ou estudos técnicos, como manda a lei. Os dados são de um estudo inédito do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).

Os pesquisadores Elis Araújo e Paulo Barreto levantaram 37 iniciativas entre novembro de 2008 a novembro de 2009 para reduzir 48 unidades de conservação ou terras indígenas na Amazônia. Até julho deste ano, 23 propostas haviam sido concluídas – 93% delas resultaram em perda de área na unidade de conservação. O Estado de Rondônia, o mais desmatado da Amazônia, é o campeão: reduziu duas unidades de conservação estaduais e extinguiu dez, além de ter negociado com o governo a redução da Floresta Nacional Bom Futuro, unidade federal. “Como eles perderam um terço da cobertura florestal, o que sobrou são áreas protegidas”, diz Araújo. “A indústria madeireira lá ainda é forte. As unidades de conservação sofrem muita pressão.” O instrumento usado pelo governo do Estado para acabar com as áreas protegidas foi próprio zoneamento ecológico-econômico do Estado, lei que disciplina a ocupação das terras. As unidades de conservação nas zonas de intensificação da produção foram consideradas extintas. A Folha procurou a secretaria do Meio Ambiente de Rondônia por toda a sexta-feira, mas não foi atendida.

Outro caso foi o do Parque Estadual do Xingu, em Mato Grosso. Ele foi reduzido com o apoio da população de Vitória do Xingu para dar lugar a um empreendimento agropecuário, que não veio. “E a cidade ainda perdeu o repasse do Arpa [programa federal que dá dinheiro a regiões com unidades de conservação]“, diz Araújo.

Nota: o governador do estado de Rondônia é Ivo Cassol, filiado ao Partido Progressista, de Paulo Salim Maluf.


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Edital do CNPq – Ano Internacional da Química

Lançado na terceira semana de agosto, o edital do CNPq de apoio à divulgação do Ano Internacional da Química é mais um estímulo à mobilização de professores, estudantes e integrantes da comunidade científica para se engajarem no esforço de valorização da ciência. O edital 048/2010 destina R$ 2 milhões a projetos de popularização da Química junto à sociedade brasileira a fim de incentivar iniciativas que promovam a divulgação e melhoria da qualidade de educação na área. Contempla uma série de atividades como a produção de vídeos, livros, jogos, softwares, concursos e olimpíadas (veja a íntegra do edital). A data limite para submissão das propostas é 5 de outubro e o início da contratação dos projetos acontecerá a partir de 29 de novembro de 2010. Os proponentes podem pleitear financiamento em duas faixas, a primeira com projetos no valor de até R$ 50.000,00 e a segunda com projetos de até R$ 100.000,00.
A iniciativa do CNPq ocorre em consonância com um conjunto de ações que começam a ser realizadas pela SBQ e foi fruto deste esforço conjunto, cujo planejamento teve início na gestão anterior e está sendo implementado pela atual. Entre essas ações estão a comemoração do centenário do prêmio Nobel de Marie Curie, a criação de uma tabela periódica interativa, concursos de redação para alunos do ensino fundamental, médio e universitário, e uma exposição sobre a química no cotidiano, para todo o território nacional. A 34ª Reunião Anual da SBQ, em maio de 2011, será palco, por sua vez, de trabalhos que colocam o AIQ em foco. Ao mesmo tempo, informa a presidente da Comissão Organizadora do AIQ-2011, Cláudia Rezende, serão realizadas ações em conjunto com indústrias e instituições representativas do setor químico, como os CRQs, visando a integração com estudantes. Além disso, as comemorações do AIQ-2011 incluem atividades em parceria com sociedades estrangeiras.

Fonte: boletim da Sociedade Brasileira de Química


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