Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

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Porque nos interessa a Filosofia?

Coordenadora:
Maria Manuel Araújo Jorge

Autores:
Paulo Tunhas, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, João Lemos, Lídia Queiroz, Sofia Miguens, Susana Restier Poças, Diogo Alcoforado, Daniel Duarte de Carvalho, Daniela Silveira, João Valente Aguiar, Eurico Albino Gomes Martins Carvalho, Bruno Pinheiro

Porquê pensar a metafísica, o que existe e o que é, o conhecimento e a ciência, os valores, o belo, o bem, a verdade, porquê pensar a vida e o próprio pensamento? E porquê fazê-lo em diálogo com outros, mesmo que tão distantes no tempo, como Parménides? Esta obra mostra, na variedade de questões que toca, como o prazer da reflexão filosófica reside, em parte, no reencontro com temas arquitectónicos do pensamento humano que, à distância, mas de um modo permanente, articulam o modo como, no dia-a-dia, procuramos algum sentido à nossa volta.

Escrito por filósofos para não- filósofos, este livro, numa linguagem clara e rigorosa, conduz o leitor pelos múltiplos temas de que a filosofia se ocupa, permitindo-lhe viajar livremente pelos diferentes territórios da cultura e do pensamento.

SOBRE A COORDENADORA:
Maria Manuel Araújo Jorge é professora no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sua área de investigação é a filosofia das ciências e em particular da biologia, bem como a relação da investigação científica com a ética. Participou como co-autora em seis obras colectivas e é autora de mais de sessenta artigos, muitos deles publicados internacionalmente, e de três livros: Da epistemologia à biologia, Instituto Piaget, 1994; Biologia, Informação e Conhecimento, Gulbenkian, 1995; As ciências e nós, Instituto Piaget, 2001. É investigadora principal do Instituto de Filosofia e membro da Comissão de Ética da Universidade do Porto, em representação das Ciências da Vida, assim como da Comissão de Ética para a Saúde do Centro Hospitalar do Porto.

A Colecção Esfera da Filosofia é dirigida por José Meirinhos e resulta de uma parceria com o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.


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Precisamos mesmo de uma dieta mental?


O professor Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «o jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «o conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras

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Habilitações para a docência

As más notícias não param de chegar.

O Decreto-Lei 220/2009 tem de ser regulamentado no que diz respeito aos domínios de habilitação não abrangidos pelo Decreto-Lei 43/2007. As habilitações para a docência estão a ser profundamente alteradas e é bom que se compreenda que isso terá implicações profundas e dramáticas sobre a realidade profissional dos professores de Filosofia portugueses. Desengane-se quem pense que o problema incidirá apenas sobre os professores contratados pois, como se verá, todos serão seriamente afectados. Eis o documento que circula na internet:

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8º Encontro Nacional de Professores de Filosofia

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Brian Green sobre O mito de Sísifo de Albert Camus


Quando virei a última página de O mito de Sísifo, há muitos anos, fiquei surpreendido por o texto ter conseguido concluir com um sentimento global de optimismo. Afinal, a história de um homem condenado a empurrar uma pedra monte acima, plenamente consciente de que ela vai rolar para baixo, obrigando-o a começar a empurrar de novo, não é daquelas que se espera tenham um final feliz. No entanto, Camus viu uma esperança profunda na capacidade de Sísifo de exercer a sua vontade livremente, de insistir contra obstáculos invencíveis e de impor a sua escolha de viver, mesmo condenado a uma tarefa absurda num universo indiferente. Ao abandonar tudo o que está para lá da experiência imediata e ao cessar a procura de qualquer tipo de entendimento ou sentido mais aprofundado, Sísifo, argumentou Camus, triunfa.
Brian Green, O tecido do cosmos, tr. Pedro Miguel Ferreira, Gradiva, pp. 46, 47.
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PdF – Newsletter de Verão

Já está disponível a Newsletter n.º 2, correspondente à edição do Verão de 2010. Para receber a Newsletter na sua caixa de correio, inscreva-se na caixa que se encontra na barra lateral direita deste blogue.

A periodicidade da newsletter é trimestral. Não receberá mais nenhum e-mail nem mensagens publicitárias. A adesão é gratuita.Continue a ler PdF – Newsletter de Verão

Miguel Baptista Pereira, "Alteridade, Linguagem e Globalização"

O amor da sabedoria é também amor da linguagem, que nos diz os caminhos para o outro num tempo, cuja técnica permite alargar até aos confins da ecúmena a praxis solidária dos homens ou a dinâmica do seu ser-no-mundo de modo global. O humano ser-no-mundo sem exclusão de ninguém e com solicitude pelo outro por cuja integridade se sente responsável «in solidum» e não «pro rata» segundo a linguagem dos juristas, recebeu no sec. XIX da pena de P. Leroux o nome de «solidariedade» e nos nossos dias o de modo humano de «globalização» ou de «mundialização
», que, enquanto modo de estarmos no mundo, diz a incondicionada disponibilidade e responsabilização pelos outros, que, a nível planetário, a técnica hoje nos permite conhecer e abordar. A solidariedade, que enlaça os homens, é também aliança com a natureza e a vida, cuja alteridade continua criadora, mantendo e albergando os homens. Da vinculação umbilical à vida e à natureza e da globalização como modo planetário de estarmos com todos os homens tomamos consciência através da língua materna, que desde o berço iniciou a abertura do mundo dos homens, da vida e da natureza. Neste sentido, globalização ou mundialização como ser-no- -mundo-com-outros opõe-se radicalmente à mundialização nascida da técnica, do mercado e da informação: «Mundialização e universalidade não coincidem mas excluem-se mutuamente. A mundialização é das técnicas, do mercado, do turismo, da informação. A universalidade é dos valores, dos direitos do homem, das liberdades, da cultura, da democracia. A mundialização parece irreversível, o universal estaria antes em via de desaparecimento.

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Maria Luísa Portocarrero Silva, "Autonomia e Clonagem Humanas"

Na sua conferência Gelassenheit, (Serenidade), 2, um texto escrito em 1959, M. Heidegger, filósofo que dispensa qualquer apresentação, alertava-nos já para os desafios e perigos da nossa era. Era atómica (...), era técnica, a denominação pouco importa (...), se soubermos detectar a natureza real do perigo referido.
Heidegger não podia prever o desenvolvimento da genética! Muito menos do conjunto de perspectivas suscitadas pela experiência hoje real da clonagem de mamíferos. Dizia-nos, nesse tempo, usando as palavras do químico e prémio Nobel americano Stanley, que estávamos muito próximos da hora em que a vida estaria nas mãos dos cientistas. Estes teriam , então, a possibilidade de a manipular de acordo com a sua vontade.

Entrámos hoje, em definitivo, nessa era. Passámos, nomeadamente com o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida e com o incremento da genética, da era da criação à era da acção. Sabemos, sem sombra de dúvida, como agir tecnicamente para obter determinados resultados. No entanto, não sabemos o que pretendemos fazer com aquilo que conseguimos e está disponível! Sabemos que, se desenvolvermos determinadas possibilidades, podemos mudar para sempre o rosto do mundo. Esquecemo-nos, porém, de aquilo que não sabemos. Por outras palavras, conseguimos, desde que a ciência deixou de ser académica e se tornou tecnociência, produzir técnicas profundamente ambivalentes. Comprovamos assim, no nosso dia-a-dia, não só os efeitos positivos da energia nuclear, da exploração espacial, da engenharia genética, da intervenção bioquímica no comportamento humano, mas também algumas das suas consequências profundamente nocivas. O que significa que as capacidades de planificação, que desenvolvemos, escapam-nos. Dão origem a respostas distorcidas e inimagináveis. A autonomia com que sonhámos pode, enfim, transformar-se numa perigosa dependência!

O que falhou afinal? Porque levantamos esta questão? Será a autonomia que almejamos uma categoria de ordem puramente operatória? As técnicas de manipulação, de que dispomos, embasbacam-nos, pois não nos dizem o que devemos ou não realizar. Apenas o que podemos fazer com elas em nosso benefício imediato.

Falta-lhes o ethos precioso do ser cm situação, humus verdadeiro de uma profícua e meditada deliberação.

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Agenda: de 07 a 13 de Junho de 2010

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Para que serve a Lógica?

O homem, independentemente da civilização histórica a que pertence, tenta conhecer a verdade. Tanto os homens primitivos como os nossos contemporâneos aspiram a chegar, conhecendo o mundo circundante, ao saber verdadeiro. Este traz alegria e satisfação a uns e penas a outros: a verdade impulsiona os fortes a realizar proezas, mas paraliza a vontade dos fracos, conduze-os ao pessimismo e à confusão. Não obstante, todas as pessoas querem conhecer o mundo em que vivem. 


Não é fácil alcançar o saber autêntico, mesmo não sendo cabal nem definitivo. As vezes exige sacrifícios. Giordano Bruno, filósofo italiano que, seguindo a cosmologia heliocêntrica de Copérnico, propôs a concepção do infinito dos mundos do Universo, foi acusado pela lnquisição de heresia e morreu na fogueira. Vários físicos investigadores da radioactividade foram vítimas da irradiação radioactiva. Alguns microbiólogos realizaram no seu organismo experiências perigosas para a sua vida. 

Os homens querem não só conhecer as leis da natureza e a essência dos fenómenos sociais, mas também os segredos do cérebro humano. No século XVII, Francis Bacon, filósofo inglês, falou da coincidência do saber e do poderio do homem. Mas é espinhoso o caminho que conduz à verdade. O grande filósofo do século XIX Karl Marx assinalou: "Na ciência não há via magna e só o que não temer o cansaço e escalar as suas sendas pedregosas poderá alcançar os seus cumes resplandecentes'". 

A fim de ampliar as possibilidades cognoscitivas, o homem criou o microscópio e o telescópio, a rádio e a televisão, o computador, a nave espacial, o veículo lunar e os satélites artificiais de planetas que lhe permitiram conhecer mais a fundo e cabalmente as propriedades dos fenómenos naturais e sociais. 

Foram descobertos diversos métodos de conhecimento: simulação e métodos matemáticos, experiências físicas e biológicas, engenharia genética, processamento de informação nos computadores, etc. 

O aproveitamento eficiente de todos estes métodos e inventos exige que o pensamento humano seja logicamente correcto. A natureza, a sociedade e, claro está, o pensamento têm as suas leis de desenvolvimento. E própria do homem a aspiração a conhecer as leis do pensamento correcto, ou seja, as leis lógicas. A ciência denominada lógica ajuda a conhecê-las. 

Poderá o homem pensar correctamente sem conhecer as regras e as leis exactas da lógica, utilizando-as apenas intuitivamente? Claro que há músicos que tocam um ou outro instrumento sem saberem a arte musical (em particular, as notas). Mas a sua criação é limitada: não podem executar uma obra

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