Quaresmas

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Saxifragaceae
Saxifraga granulata Os nomes vulgares têm destas coisas: criam afinidades fortuitas entre plantas que não podiam ser mais diferentes. A única característica que a quaresmeira e as quaresmas (Saxifraga granulata) partilham é a de, nas suas regiões de origem, florirem ambas entre Fevereiro e Abril; mas, enquanto a primeira é um arbusto lenhoso, de folhagem perene, com flores roxas, a segunda é

Rio amarelo

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Amarante, Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Fabaceae, Pinus
Rio Tâmega: mimosas (Acacia dealbata), pinheiros-bravos e tojo Não sabemos até onde vai o caminho que, partindo do Parque Florestal de Amarante, acompanha, pela margem esquerda do rio, o curso descendente do Tâmega. Talvez ele se prolongue até Marco de Canavezes e depois continue até Entre-os-Rios, onde o Tâmega entrega a alma ao Douro. Seriam trinta quilómetros bem puxados numa paisagem que

O que eu cresci para aqui chegar

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Cycadaceae, Jardim Botânico- Coimbra
Cycas revoluta Com os ginkgos, as coníferas e os fetos arbóreos, as cicas completam a lista das plantas ainda existentes que foram contemporâneas ou até anteriores aos dinossauros. Cica é o nome comum genérico para as plantas da ordem das Cycadales, que inclui a família Cycadaceae (de que o género Cycas é o único representante) e uma dezena de outras, como a Zamiaceae (de que já aqui

Exposição de camélias no Porto

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Camellia, Ciência Geral, Divulgação
Camélias da Quinta de Santo Inácio (Gaia) Organizada pela secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias, o Porto terá nos próximos dias 1 e 2 de Março (sábado e domingo) a sua Exposição de Camélias. Não no Mercado Ferreira Borges, lugar onde tradicionalmente ela tinha lugar, nem no Palácio do Freixo, para onde se transferiu em 2007, mas sim num local algo surpreendente: no antigo

Exposição de camélias no Porto

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Camellia, Ciência Geral, Divulgação
Camélias da Quinta de Santo Inácio (Gaia) Organizada pela secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias, o Porto terá nos próximos dias 1 e 2 de Março (sábado e domingo) a sua Exposição de Camélias. Não no Mercado Ferreira Borges, lugar onde tradicionalmente ela tinha lugar, nem no Palácio do Freixo, para onde se transferiu em 2007, mas sim num local algo surpreendente: no antigo

Pôr-do-sol no Cabo

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Jardim Botânico- Coimbra, Proteaceae
Leucadendron salignum Quando a prenda é fracota, talvez um embrulho vistoso a faça mais atraente. A forma como esta planta resolveu apregoar as suas flores mostra que tal estratégia vale também no reino vegetal. A inflorescência é essa «pinha» de um verde azulado salpicada com fiapos amarelos; mas o embrulho, formado por folhas modificadas (brácteas) tingidas com as cores do pôr-do-sol, é

Pôr-do-sol no Cabo

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Jardim Botânico- Coimbra, Proteaceae
Leucadendron salignum Quando a prenda é fracota, talvez um embrulho vistoso a faça mais atraente. A forma como esta planta resolveu apregoar as suas flores mostra que tal estratégia vale também no reino vegetal. A inflorescência é essa «pinha» de um verde azulado salpicada com fiapos amarelos; mas o embrulho, formado por folhas modificadas (brácteas) tingidas com as cores do pôr-do-sol, é

Hapu’u pulu

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Dicksoniaceae, Jardim Botânico- Coimbra
Com o Jardim Botânico de Coimbra fechado ao fim-de-semana por falta de dinheiro para pagar aos vigilantes, visitá-lo é agora mais fácil do que nunca. Esta afirmação nada tem de irónico, e o paradoxo explica-se sem dificuldade: tendo-nos habituado, noutros tempos, a visitar o jardim aos sábados ou domingos, era sempre uma frustração encontrar quase tudo fechado. Na verdade, o jardim não abria:

Amieiro florido

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Betulaceae, Ciência Geral
Amieiro (Alnus glutinosa) no Parque da Lavandeira (Gaia) Embora menos chamativos do que as magnólias ou as amendoeiras, também os amieiros que encontramos junto aos cursos de água florescem no Inverno, quando estão despidos de folhas. À semelhança do que sucede com árvores como os carvalhos, castanheiros, salgueiros e bétulas, as flores do amieiro têm funções especializadas, podendo ser

Feto-do-botão

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Blechnaceae, Ciência Geral, Jardim Botânico- Porto
Woodwardia radicans Por razões que escapam ao leigo, esta planta não é incluída na categoria dos fetos-arbóreos, embora eleve a sua coroa de frondes (nome técnico das folhas dos fetos, em geral duplamente pinadas e muito compridas) mais de dois metros acima do solo. Ao que parece, ser chamado de feto-arbóreo é título de nobreza reservado às famílias Dicksoniaceae e Cyatheaceae,

Feto-do-botão

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Blechnaceae, Ciência Geral, Jardim Botânico- Porto
Woodwardia radicans Por razões que escapam ao leigo, esta planta não é incluída na categoria dos fetos-arbóreos, embora eleve a sua coroa de frondes (nome técnico das folhas dos fetos, em geral duplamente pinadas e muito compridas) mais de dois metros acima do solo. Ao que parece, ser chamado de feto-arbóreo é título de nobreza reservado às famílias Dicksoniaceae e Cyatheaceae,

Pinheirinho-das-areias

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Crassulaceae, Dunas
Sedum sediforme Ainda que fora de época, uma vez que ela floresce no Verão e as fotos, tiradas em São Jacinto, são de Julho passado, é oportuno mostrarmos agora esta planta espontânea em Portugal que aqui mencionámos, assim completando a lição sobre o género Sedum. Ambos os nomes por que ela é conhecida - erva-pinheira e pinheirinho-das-areias - aludem ao porte erecto das suas hastes florais,

Invasão amarela

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Crassulaceae, Jardim Botânico- Porto
Sedum praealtum Por falta de concorrência, as plantas que florescem no Inverno gozam de maior visibilidade, qualidade mediática hoje em dia muito prezada. E uma das que mais agora se vê - seja nas dunas, nos bosques, nas bermas de estrada ou em qualquer jardim menos cuidado - é o trevo-azedo (Oxalis pes-caprae), que dá justamente flores amarelas. Mas, como aquelas figuras públicas que nos

Invasão amarela

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Crassulaceae, Jardim Botânico- Porto
Sedum praealtum Por falta de concorrência, as plantas que florescem no Inverno gozam de maior visibilidade, qualidade mediática hoje em dia muito prezada. E uma das que mais agora se vê - seja nas dunas, nos bosques, nas bermas de estrada ou em qualquer jardim menos cuidado - é o trevo-azedo (Oxalis pes-caprae), que dá justamente flores amarelas. Mas, como aquelas figuras públicas que nos

Ao fundo das escadas, à direita

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Buçaco, Ciência Geral, Oleaceae
Fonte Fria / Fraxinus pennsylvanica Não é inteiramente exacto que todas as árvores monumentais do Buçaco, sofrendo de incurável timidez, se escondam atrás das companheiras logo que algum fotógrafo ameace puxar da máquina. A Manuela já aqui mostrara o «Cedro de São José», que deixa ver de si o suficiente para dar irrefutável testemunho do seu gigantismo. Mas é mesmo verdade que, tirando aquelas

E mais não coube

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Buçaco, Ciência Geral, Dicksoniaceae, Oleaceae
Dicksonia antarctica Para quem goste de fotografar árvores, uma visita à Mata do Buçaco pode ser uma grande frustração. Não faltam motivos para fotografar, pois são muitas as árvores que nos enchem o olho; mas é raro encontrar alguma que se preste a um bom enquadramento. Recuamos para que uma dessas gigantes nos caiba na foto - e logo uma cortina de outras árvores se interpõe no campo de visão

Espinhenta e expansionista

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Proteaceae
Hakea sericea O género Hakea é endémico da Austrália, pertence à família da Banksia e da Grevillea, e inclui cerca de 150 espécies de arbustos ou pequenas árvores. Algumas delas, como esta Hakea laurina que vegetou incógnita durante anos num certo jardim do sul do país, têm flores muito atraentes; mas a H. sericea, que hoje aqui trazemos, não se recomenda pela beleza: é um arbusto de porte

Kenwood House

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Ericaceae, Londres, Quercus, Tilia
Os terrenos da Kenwood House prolongam para norte a grande mancha arborizada de Hampstead Heath, embora oficialmente não façam parte dela e tenham até gestão autónoma. A casa está cercada por jardins formais onde pontificam maciços de azáleas e por bosques de grandes e velhas árvores: carvalhos, faias e castanheiros. Entre 1951 e 2006, o lago da propriedade, que aqui ontem mostrámos, acolheu

Aeonium arboreum

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Crassulaceae, Jardim Botânico- Porto
Aeonium arboreum Tal como a Crassula ovata, que pertence à mesma família botânica, também esta planta floresce nos meses frios, dando uma viva pincelada amarela no desmaiado canteiro das suculentas do Jardim Botânico do Porto. Não que a Aeonium arboreum, marroquina de origem, aprecie particularmente o frio - mas, desde que tenha abundante exposição solar e vegete em terreno bem drenado, lá vai

Singularidades de uma vila

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Betulaceae, Ciência Geral, Gatos, Myrtaceae, Oleaceae, Ponte de Lima
São muitas as singularidades de Ponte de Lima. A primeira é que a sede do concelho persiste, orgulhosamente, em ser vila, quando quase todas as nossas outras localidades de dimensão semelhante há muito que quiseram proclamar-se cidades. Por isso é a vila mais antiga de Portugal; uns anos mais e será, simplesmente, a vila de Portugal. A segunda singularidade é o espaço público impecavelmente

O artista da sua terra

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Betulaceae, Ciência Geral, Museu Soares dos Reis, Ponte de Lima
Amieiro na margem direita do Lima Houve um tempo em que o caderno de encargos do artista estava definido com clareza: o poeta celebrava em versos de rigorosa métrica as belezas (naturais ou humanas) da sua terra, e o pintor cumpria igual tarefa com óleos e aguarelas. O âmbito geográfico restrito dos motivos de inspiração não tolhia o surgimento de vocações universais: o artista podia ser do

Camélias e gatos em Agramonte

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Camellia, Cemitério, Ciência Geral, Gatos
Há duas actividades que nada têm de ofensivo mas são proibidas no cemitério municipal de Agramonte, no Porto. São elas tirar fotos e alimentar gatos. Se cometermos a ingenuidade de lá entrar com a máquina a tiracolo, somos de imediato alertados para a primeira proibição; quanto à segunda, ela está inscrita, de forma bem visível, numa tabuleta junto ao portão. Contudo, estas interdições trazem

Camélias e gatos em Agramonte

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Camellia, Cemitério, Ciência Geral, Gatos
Há duas actividades que nada têm de ofensivo mas são proibidas no cemitério municipal de Agramonte, no Porto. São elas tirar fotos e alimentar gatos. Se cometermos a ingenuidade de lá entrar com a máquina a tiracolo, somos de imediato alertados para a primeira proibição; quanto à segunda, ela está inscrita, de forma bem visível, numa tabuleta junto ao portão. Contudo, estas interdições trazem

Quem te viu

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Dunas, Umbelliferae
Eryngium maritimum Um planta em fim de vida, como este esquelético cardo-marítimo, pode funcionar como metáfora do ano que termina logo à noite, exactamente antes de rebentarem os primeiros foguetes. Mas este exactamente é, como se sabe, pura convenção: depende não só do fuso horário, mas também de se ter estabelecido, no mundo ocidental, o dia 1 de Janeiro como o primeiro de cada ano. Se a

Escola do Porto

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Sizentismo
É um lugar-comum dizer-se que a Avenida da Ponte (Av. D. Afonso Henriques na toponímia oficial), no Porto, é uma ferida aberta na freguesia da Sé: é-o desde 1952, ano em que o bairro foi esventrado para se abrir uma ligação rodoviária desafogada entre a estação de São Bento e a ponte D. Luís. Agora que no tabuleiro superior da ponte só passa o metro, a avenida perdeu muita da sua importância para

Árvores velhas

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Dias sem árvores, Jardim de S. Lázaro, Tilia
Jardim de São Lázaro - Porto Em Junho de 2004, era o Porto governado por uma ecuménica coligação de esquerda-direita, caiu uma tília na Praça da República, escaqueirando cinco carros lá estacionados. A árvore aguentou enquanto pôde para tombar durante a noite sem atingir pessoas, mas foi-lhe arboreamente impossível não destruir bens. O vice-presidente da Câmara atribuiu as culpas da ocorrência

Sobreiros e acácias na Penha

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Fabaceae, Guimarães, Quercus
Sobreiros (Quercus suber) no monte da Penha (Guimarães) Há vários modos de subir à Penha, em Guimarães. O mais cómodo, não isento de sustos para quem sofre de vertigens, é pular a bordo de uma das planantes cabines de teleférico que sobem e descem a encosta num vaivém ininterrupto. É essa a maneira barata de nos sentirmos como pássaros voando sobre as árvores, mas sem a liberdade de pousarmos

Nariz-de-zorra

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Caryophyllaceae, Ciência Geral
Silene gallica São muitos os nomes que a Flora Digital de Portugal atribui a esta herbácea: cabacinha, erva-cabaceira, erva-de-leite, erva-mel, erva-ovelha, gorga e nariz-de-zorra. O último da lista, e nosso preferido, refere-se aos pêlos que cobrem os cálices das flores. Mas a planta é toda ela penugenta e pegajosa, funcionando como armadilha para insectos pequenos: o seu nome em inglês é

Paixão sem espinhos

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Ciência Geral, Passifloracea
Passiflora molissima Os missionários seiscentistas na América Tropical ficaram tão maravilhados com a flor desta trepadeira que se viram compelidos a interpretá-la como uma mensagem divina: terá sido nela, argumentaram, que Jesus Cristo quis simbolizar o episódio culminante da sua passagem terrena; por isso não puderam senão chamar-lhe flor-da-Paixão (Passiflora em Latim). Nesta extraordinária

A nova geração

Paulo Araújo @ Dias com árvores Categorias: Ambiente e sustentabilidade, Cactaceae, Ciência Geral, Gatos, Jardim Botânico- Porto
O assunto previsto para este texto era legitimamente botânico, mas a Opuntia, planta da família das cactáceas, fotografada há dias no jardim das suculentas do Botânico, já faz tempo que encerrou a temporada de floração; como aliás fizeram quase todas as suas companheiras. Mesmo com temperaturas desvairadas e chuva irregular, todo o Jardim Botânico se rendeu já ao Inverno improvável que chegará
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