Uma destas noites, cruzei-me com um funcionário da câmara de Matosinhos, vestido para a guerra química, com roupa fluorescente. Levava às costas um sulfatador e atacava furiosamente as ervas daninhas das bermas e dos passeios da nossa rua. Hoje cruzei-me com uma carrinha da Câmara de Matosinhos, com um enorme depósito cheio de erbicida, também em guerra às ervas em plena luz do dia.
Pior. Andava distraidamente no quintal quando reparo num saco de 50kg de milho para as galinhas. Em letras não muito grandes, mas visíveis: “Milho transgénico”. Inquiri, veio do grémio de Matosinhos e ninguém faz propriamente muita publicidade que seja este tipo de milho. O meu pai tentou ir trocá-lo, não sei com que resultado. Trata-se de parte do alimento das galinhas que estão no nosso quintal. Os nossos filhos comem ovos delas todas as semanas.
Mesmo que se lute contra estas situações, é guerra perdida. E está à nossa porta.
Quando deparei com escavadoras e betoneiras neste terreno, pensei que esta gente não pode ver um pedaço de terra livre… Mas estava enganado. Afinal tratava-se da construção de uma “Horta à Porta”, da qual desconheço mais pormenores, mas considero excelente ideia. Ainda ontem tinha publicado este link para o New York Times, onde se defende a produção agrícola mais perto do local onde as pessoas vivem. Esta “Horta à Porta” vai permitir a umas boas dezenas de hortelãos urbanos cultivarem alguns legumes de uma forma acessível, com benefícios físicos, psicológicos, coesão da comunidade e também entretenimento. Vou seguir com atenção o seu desenvolvimento.
Numa outra nota, admito que perdi a noção do valor do dinheiro, mas mais de 70.000 euros parece-me absolutamente excessivo para uma obra desta natureza. Claro, que sendo o Estado um péssimo pagador, os juros de mora estão habitualmente incluidos no orçamento. Com uma melhor gestão, produzia-se o dobro.
Ghost Bikes
Homenagens espontâneas a ciclistas atropelados em Nova Iorque. New York Mag via Ressabiator.
EcoLabs
Iniciativa de literacia ecológica.
Importa quando bons arquitectos aceitam fazer grandes projectos para maus governos
Obviamente, particularmente na China para onde voou tudo o que é arquitecto, alguns dos quais sempre muito vocais no Ocidente, sobre tudo e sobre nada. Um exemplo dessa hipocrisia de luxo é Koolhaas, mais o seu belo prédio para a televisão estatal chinesa, um palácio da censura por excelência.
Fim do Dias Com Árvores?
Assinado por apenas dois dos autores, mas assim parece. Não é bom, porque é um dos melhores.
Área ardida quase triplica a de 2007
Há coisas que não entendo. Com um ano tão húmido, consegue-se este brilhante resultado. O dinheiro continua a ser desbaratado como se não houvesse amanhã. No governo, caladinhos como ratos. Público. Ontem 91 incêndios registados (esta palavra é importante).
Voltar às cidades, casas pequenas, devido ao custo dos combustíveis
Já se fala de USD $175 o barril até ao fim do ano. Eu acho óptimo, encaro tudo isto que sempre previ como uma oportunidade, embora não isenta de dificuldades. O petróleo barato sempre foi uma má ideia e ...
Ao contrário do que se possa habitualmente pensar, muitas árvores devem ser podadas no Verão. A Magnólia é uma delas. Ainda é um pouco cedo, mas tenho de aproveitar quando posso. A poda resume-se a corrigir a forma, arejar ligeiramente e retirar ramos mortos ou doentes. Também tem como objectivo poder passar por baixo da árvore e controlar o crescimento de um exemplar que me parece ser demasiado grande para o local — mas como tenho dito, nos hortos por cá nunca se sabe muito bem o que se está a comprar.
E pronto. De seguida triturei estes ramos todos que utilizei como cobertura do solo num dos canteiros (isto tudo só deu para um).
Utilizei as seguintes ferramentas, essenciais para um bom trabalho: Tesoura de poda grande Stihl, serra manual Stihl (com lâmina curva japonesa) e um podador em altura Fiskars.
Demorei mais tempo do que contava porque esta árvore (que por acaso fui eu que plantei há uns dez anos nesta casa que era da minha ...
Edith Macefield, 1921-2008
Não existem muitas pessoas assim no Mundo. É uma pena.
Sobre o Festival de Jardins de Ponte de Lima
E um certo tipo de jardim. Exactamente aquilo que eu penso. Jardins reduzidos a bolas de plástico, adereços e “mensagens”, para mim não são jardins. Mas de assinalar que no festival não há só disso. Dias Com Árvores.
Public Farm 1
Também tenho algumas reservas relativamente a este tipo de projectos.
A lista vermelha da Greenpeace
É uma lista que exige uma pesca sustentável. E um consumo responsável.
Pólo Norte sem gelo já este Verão
Cientistas dizem que há 50% de hipóteses de isso acontecer. The Independent.
Grandes símios ganham direitos humanos
O parlamento espanhol aprovou a atribuição de direitos aos macacos geneticamente próximos dos humanos. Realmente a mente humana é uma contradição manifesta. Pessoalmente não contava com esta notícia vinda de um país que em termos de tratamento dos animais ficou no século XIII. TreeHugger.
Parte do que sobrou das festividades. Planeei tratar de parte da junça, mas passei o dia de S. João a limpar e a fazer tristes remendos no triste jardim. Esta é a cova menor, para a que tinha debaixo do Ácer, a terra nem chegou. Com um cão como o nosso, de facto não se pode ter nada. Depois do foguetório é isto. E como se sabe, estamos num país em que nenhum motivo é pequeno demais para uma sessão de foguetório.
Para comemorar o Solstício de Verão, resolvi tirar umas fotografias já praticamente sem luz, perto das 22h00. É a minha tentativa na fotografia contemporânea.
Este ano a horta não me está a correr demasiado bem. Entre chuva a mais e a falta da “sombra do jardineiro”, o meu lado do quintal apresenta um aspecto decrépito.
Pouco mais tenho feito do que arrancar ervas daninhas que são aos milhões. Não é tarefa que me desconsole, aliás gosto bastante. Mas confesso que é tudo mais lindo quando a outros níveis está tudo estável e a correr bem, o que agora não é verdade. Bons tempos em que ia a meio da semana para Cinfães, nas calmas. Ao que parece, chamam-lhe crise.
Consegui preparar o segundo canteiro de agriões à sombra do diospireiro. É uma planta que dadas as condições certas, germina no dia seguinte. Na fotografia pode-se ver o aspecto passados apenas três dias (para não falar das protecções anti-gato). Esta vitalidade tem um senão, pois com demasiado calor, espigam quase imediatamente — daí a sombra parcial providenciada pelo diospireiro.
Neste livro, são dadas à estampa 55 fotografias do grande fotógrafo da natureza Ansel Adams, junto com textos seleccionados de John Muir, Henry David Thoreau, John Hay, Hal Borland, do próprio Ansel Adams e muitos outros. Um trabalho notável.
Quem está familiarizado com a fotografia deste artista do século XX, sabe que os resultados variam entre o inacreditável e na pior das hipóteses o muito bom. A um mero nível de gosto pessoal, preferia a objectiva apenas em árvores vivas, monumentais ou simplesmente curiosas. Alguns detalhes do tronco, raízes, árvores mortas ou queimadas, gostaria que tivessem ficado para outro livro, mas felizmente são uma minoria largamente compensada pelas sequóias, as faias, carvalhos, pinheiros e tantas outras árvores maravilhosamente captadas em locais encantados como Yosemite, cenário de eleição de Adams.
Como seria de esperar, as imagens são a preto e branco, mas a técnica utilizada na sua impressão permite desfrutar de toda a riqueza tonal tal como imaginada pelo fotógrafo. Tecnicamente é uma obra perfeita.
Ansel Adams Trees editado por Jane Swan Bush.
A primeira frase, resume bastante bem aquilo que eu penso sobre este assunto nos dias de hoje. As nossas cidades e vilas estão atulhadas de carros e de cimento. Não têm capacidade para comportar em caldeiras de 40cm e encostadas a prédios, árvores que ocupam 50 metros quadrados com a sua copa.
Pruning Techniques. Nova Iorque: Brooklyn Botanic Garden, 1991
Com esta história da greve de camionistas (ou empresas de caminonagem), bloqueios e poucas vergonhas variadas onde o nosso Estado mais uma vez demonstrou de que massa é feito, fiquei a saber uma coisa muito interessante:
A CP não faz transporte de mercadorias. Explicaram-nos que havia uma empresa chamada Tex que efectuava esse serviço, mas agora opera exclusivamente por estrada.
Durante décadas os sucessivos governos apostaram preferencialmente no alcatrão. O “progresso e desenvolvimento” para esta gente é uma estrada asfaltada. Agora aguentem. Quando o petróleo chegar a valores verdadeiramente incomportáveis, pelo menos vamos ter ciclovias realmente grandes, um aeroporto faraónico e um TGV.
Celorico de Basto prepara-se para acolher, nos próximos dias 5 e 6 de Julho, no espaço da Casa do Prado, o primeiro Evento Solar.
Esta iniciativa, organizada por um grupo de amigos produtores de agricultura biológia, com o apoio da Câmara Municipal de Celorico de Basto, tem como principais objectivos a promoção e valorização da utilização de energias renováveis, bem como a protecção do meio ambiente.
No primeiro dia do certame, destaque para a realização de uma palestra subordinada ao tema Cozinhas em Portugal e no Mundo, que contará com a presença de Júlio Piscarreta e de Armando Herculano. Ainda no dia 5 terá lugar a preparação de um almoço em fornos solares, bem como a construção destes mesmos fornos solares artesanais e de baixo custo.
No domingo, dia 6, por sua vez, os trabalhos terão inicio com a construção de um secador de frutos solar e de um assador de chouriços alimentado com esta mesma fonte de energia.
Após o almoço terá lugar uma palestra sobre painéis solares artesanais, à qual se seguirá a construção destes mesmos painéis de aquecimento de águas sanitárias.
Os interessados em participar nesta iniciativa devem efectuar uma inscrição até final do mês de Junho, no ...
Estão sempre a acontecer-me incríveis coincidêndias. Comigo, qualquer assunto é bom para uma coincidência. Na sequência de este texto publicado ontem, descubro hoje que tenho uma situação idêntica na nossa própria rua.
Em frente a uma cabine da EDP, há um bocadinho de terreno que alguém resolver ajardinar. Até tem uma diminuta ramada com Kiwi, ou seria Maracujá? É que de uma forma ou de outra já não se vê lá planta nenhuma a trepar. Acho que é o único caso que conheço de “guerrilha verde”, ou seja ocupar um pouco de terreno público, não para vandalizar, mas para embelezar.
Hoje ao passar para ir ao eco-ponto, dou de caras com o pequeno cartaz que podem observar. E reparem que dá a entender que o vândalo é outro vizinho, não um simples puto cheio de ranho no nariz. Que fazer quando a falta de educação é grande?
Ando arredado, mas tento ir seguindo os blogues dos que posso apelidar amigos desconhecidos. Um deles é o Luciano Lema na sua Quinta dos Moinhos.
É sem dúvida mau feitio, mas já há muito tempo que sei que para mim, quanto menos gente melhor. A gente irrita-me. No entanto, a mão cheia que suporto (leia-se que me suportam), fazem-me falta frequentemente. Isto a propósito de gente que além de não me fazer falta a mim, pergunto que falta fazem ao Mundo.
O Luciano comprou três rododendros e algum energúmeno, deu-se ao trabalho de arruinar a rede para os subtrair. Isto pode ser? Pode. Na versão idílica que tinha do campo, não me tinha ocorrido este pormenor. No Sargaçal, as plantas ainda não foram alvo de cobiça, preferem que eu trate delas para depois roubarem a fruta.
Dizia versão idílica do campo? Aqui na cidade, o quintal onde vou arruinando uma horta, parece “little guantanamo”, depois do meu pai ter mandado colocar arame farpado em consequência do grande roubo das galinhas.
Mais distante, no Canadá, a Gayla Trail insiste em manter o seu micro-jardim urbano, aguentando toda a casta de bêbados urinadores, vândalos e o seu senhorio que também ...
Tenho andado arredado e ainda hoje mais uma contrariedade… A Susana ficou a meio caminho ao ir levar a Luisa ao colégio. Dizem que é a caixa de velocidades. Isso não é das coisas mais caras num carro? É sempre nas piores alturas. De resto, estou outra vez envolvido em obras.
No quintal, além de alguma colheita só arranco ervas. Atenção que apesar de não parecer, estamos em Junho. Mesmo que tenha chovido há pouco tempo, os vasos têm que ser regados. Os com pouco volume, todos os dias. Ontem não reguei e já tinha uma tília e liquidambares desanimados. Não deixa de ser irritante chegar a Junho outra vez sem um sistema para regar os vasos montado. É que até tenho material.
Porquê tantos tornados?
Time.
Minigarden
É um sistema de cultivo vertical, com patente portuguesa da QuizCamp e visto daqui está muito bem concebido. Para ser perfeito o plástico devia de ser reciclado (não sei se não é, mas habitualmente quando é, as empresas fazem logo bandeira).
Índios de uma tribo da Amazónia nunca contactada foram fotografados
É minha opinião que hoje à luz dos conhecimentos, estas pessoas deviam ser deixadas em paz e sossego. Não há nada que justifique a sua perturbação e não reconheço o direito a ninguém de os “descobrir” ou aos seus lugares. O que acontece hoje na Amazónia é um colossal crime contra esta humanidade em primeiro lugar, mas também contra toda a outra. Os responsáveis deviam ser julgados em conformidade. MSNBC.
Mas, admito que começa a ser chuva a mais. Alguns tomateiros definham. Outros já morreram.
Neste canteiro tem grande concentração de culturas. Um rego de feijão branco com uma pintas pretas, muito interessante; tomateiros ‘Coração de boi’, nos quais coloquei umas estacas, mas apresentam um aspecto que podia ser bem melhor; agriões dos quais já está uma sopa feita; chicória (e não rúcula como pensava — apesar da organização que tento ter, vou falhando regularmente); por fim, courgettes ‘Rondo di Nisa’ e ainda um milho tricolor só para perpetuar as sementes (que não nasceu).
Podem comparar como estava há 25 dias. E reparem na junça. Essa é que não se atrapalha.
Mas na verdade não sei se os bichos-de-conta contribuem para o resultado final da compostagem, ou apenas aproveitam condições propícias ao seu desenvolvimento. Alimentam-se de plantas em decomposição, isso é um facto.
Hoje a Susana deu-me boleia para o Porto (porque anda ela com o carro, com as crianças e eu de Metro), mas antes paramos no Lidl para não sei o quê e fiquei no carro à espera. Assisti a esta cena:
Vinha pelo passeio um tipo novo com ar de indigente e estacou em frente ao poste onde tinha um balde do lixo. Com alguma dificuldade, retirou lá de dentro o que reconheci como sendo um cartucho “take away” do McDonald’s.
Rapidamente passou a inspeccionar o seu conteúdo, deitando para o chão o que não interessava. Mas a recompensa estava perto — o resto das batatas fritas e eventualmente da Coca-Cola, que tratou de devorar. Isto já vai assim a 500 metros de nossa casa?
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