Uma boa noite de sono
Quem já esteve pela vizinhança enquanto eu durmo (até mesmo imediatamente após eu escorregar para os confortáveis braços de um semi-coma circadiano) sabe que eu ronco.
Bastante.
Para os que não fazem ideia do furdunço que é me ouvir dormir, meu ressonar é forte o suficiente para que, em certos momentos, eu mesmo escute e acorde assustado, mesmo possuindo a habilidade de descer ao mais profundo estágio do sono em menos tempo do que uma pessoa normal usa para concluir um espirro.
Eu consigo adormecer mais rápido que minha gata.
Alguns anos atrás, o avô da menina com quem eu morava morreu. Após algumas semanas, a avó dela foi nos visitar e, ao passar a noite no apartamento, precisou me alertar na manhã seguinte. Segundo ela, seu marido morreu devido a problemas cardíacos causados por ronco.
Aos 92 anos de idade.
Tendo roncado desde criança.
Certa feita, apesar dessa situação não me incomodar (apesar de acordar vez por outra, como já foi notado, eu retorno ao estado-base de falta de consciência em 4,2 microssegundos) eu pensei em fazer algo a respeito e abordei meu laringologista (sim, eu tenho um) durante uma festa de reveiõ e perguntei: “Bal, o que eu faço para parar de roncar?”
Sua resposta, “pare de dormir”, não me satisfez. Mas como o médico é ele, achei que não haveria solução.
E eu me nego a usar um ventilador mecânico de pressão positiva.

Outra das minhas habilidades é a capacidade de me sentir ridículo mesmo dormindo...
Eis que então, alguns meses depois (no começo de agosto), tenho minha crise anual de inflamação de garganta e presto uma visita profissional ao meu médico. No entanto, como ele está deveras ocupado, me consulto com sua irmã, igualmente otorrinolaringologista, e descubro que dois de seus sobrinhos pequenos fizeram uma cirurgia para parar de roncar.
Solução encontrada. Marquei um exame numa “clínica do sono” para dia primeiro próximo e esperei.
Anteontem, dia vinte e cinco, recebo uma ligação de uma funcionária da clínica me avisando que uma das máquinas foi para manutenção (em São Paulo, obviamente, já que não existem mecânicos em Natal) e meu exame seria antecipado para o dia vinte.
Imediatamente comecei a fumaçar, pois ela estava me ligando com cinco dias de atraso, mas ela pediu que eu me acalmasse e esclareceu que estava,…









