A óbvia necessidade de ensinar e de aprender
A referência à obra de John Dewey (1859-1952) tornou-se banal nos círculos educativos. Não erro muito se disser que toda a gente que se move nestes círculos afirma conhecer essa obra, mesmo que só tenha lido uma ou outra frase desgarrada, numa segunda, terceira, ou quarta fonte.Na verdade, raro é o discurso a que se quer imprimir um timbre pedagógico onde não se veja reproduzida meia dúzia de lugares-comuns que se afirma serem ideias do professor e investigador americano, mas que, em geral, na sua ligeireza, distorce, contradiz o seu pensamento profundo e, em muitos aspectos. actual.
Um desses aspectos, no qual insistiu em grande parte dos seus livros e artigos, é a necessidade absoluta, indispensável de ensinar. Para que se aprenda é necessário, obviamente, ensinar! (A expressão obviamente é do próprio Dewey, que cedo percebeu a deturpação a que as suas conjecturas eram sujeitas...)
O texto que se pode ler de seguida, justifica a referida necessidade com base na identidade e de funcionamento social (não no sentido etnocêntrico que, no presente, tendemos a invocar), que não sendo a única razão para se assumir claramente que é preciso ensinar para se aprender, é, certamente, uma das mais importantes.
"A palavra vida refere-se aos costumes, instituições, crenças, vitórias e derrotas, divertimentos e ocupações. Utilizamos a palavra experiência com a mesma riqueza de sentido [em ambos os casos] é aplicado o princípio da continuidade através da renovação. No que respeita aos seres humanos, a par da existência da renovação física, dá-se a renovação das crenças, ideais, esperanças, alegrias, misérias e hábitos. A continuidade de qualquer experiência, processada através da renovação do grupo social, é um facto.
A educação, no seu sentido mais lato, é o meio através do qual se verifica esta continuidade de vida social. Todos os elementos que constituem um grupo social, tanto numa cidade moderna como numa tribo selvagem, nascem imaturos, carentes de ajuda, não possuindo qualquer tipo de linguagem, convicções, ideias, ou padrões sociais. Cada indivíduo, cada unidade portadora da experiência de vida do grupo a que pertence, com o tempo desaparece. No entanto, a vida do grupo continua.
Os factos inevitáveis do nascimento e da morte de cada indivíduo num grupo social, determinam a necessidade de educação. Por um lado, existe o contraste entre a imaturidade dos elementos recém-nascidos do grupo - seus únicos representantes
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Acontece que há poucos dias duas professoras enviam-me a mesma imagem, estando eu, por 




"Assistimos nós à morte da Universidade (…)? De algum modo, sim. Uma certa figura de Universidade desapareceu no horizonte arrastada pela exigência mesma de uma democraticidade do acesso ao saber. Dessa morte não devemos ostentar o luto. Mas seria trágico se nessa metamorfose da ideia e da realidade a Universidade, enquanto forma suprema do viver intelectual europeu, não pudéssemos controlar, ou antes guiar, o movimento dessa vaga e fôssemos arrastados por ela aceitando passivamente a proliferação de saberes sem emprego, no seu duplo sentido de sem finalidade e sem inserção no mercado simbólico da comunidade intelectual e humana que chamamos latamente a Cultura e que constitui o espaço teórico-prático da sociedade no seu conjunto”.