Jovens Velhos…
Existem jovens que são velhos. Velho já sabe tudo. Não acredita que existam mais coisas a serem nomeadas e relacionadas. Tudo já se encontra encaixado naquilo que sempre esteve e ele já descobriu ao longo da vida. Quando é que recuperaremos enquanto humanidade a nossa capacidade de nomear as coisas novamente, de estabelecer novas relações e valores entre elas?
Quando abrimos mão de corresponder à expectativas, sejam do mundo, da sociedade e nossas mesmos, parece-me que recuperamos uma antiga capacidade humana (própria até da juventude) de nomear o mundo muito mais por aquilo que desejamos dele, do que por aquilo que ele espera de nós. E é só assim que transformamos o mundo, ou seja, quando abrimos mão de reproduzir os nomes e as relações já estabelecidas e passamos a nomeá-lo (ele e as coisas dele) a partir de novas perspectivas e desejos que não reprimimos para atender o status quo.
Hoje, o homem e a mulher se vêem diante de escolhas múltiplas em um mundo globalizado e de referências cruzadas e, como nunca, podem se vir co-participes da história, sujeitos mesmo. Antes de sujeitos históricos ou concomitantes a essa condição, podem o homem e a mulher fazerem a própria história, sem, contudo, negar as suas próprias condições históricas.
Ser histórico é saber-se fruto do passado e das relações que as variáveis que se relacionam historicamente nos formam. Mas ser histórico tem como fundamento não ser apenas mero efeito dessas inter-relações, mas ser determinado por valores que direcionaram essas relações a um determinado efeito. A revolução desses valores, ou como Nietzsche nos diz, a transmutação desses valores pode sim determinar outros rumos e rearranjos que desviam a história e formam outras.
A história da humanidade foi pautada pela luta pelo poder para determinar a história. A cada vitória, o valor dominante estabelecia um arranjo de coisas que levava a um determinado lugar. O poder destituído ou diluído no que chamamos “Capital Humano” é a oportunidade contemporânea de o homem responsabilizar-se por si e tomar as rédeas de sua própria história.
Esse é o novo jogo, a nova vida: uma história a ser contada por nós, todos nós... E para jogá-lo é necessário resgatar o jovem em nós e nos próprios jovens. É possível? Fica a pergunta... É possível passarmos a nomear o mundo a partir de novos valores, nos negando a…
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