Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

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Jovens Velhos…

CorpoVelho-MenteJovem Existem jovens que são velhos. Velho já sabe tudo. Não acredita que existam mais coisas a serem nomeadas e relacionadas. Tudo já se encontra encaixado naquilo que sempre esteve e ele já descobriu ao longo da vida. Quando é que recuperaremos enquanto humanidade a nossa capacidade de nomear as coisas novamente, de estabelecer novas relações e valores entre elas?

Quando abrimos mão de corresponder à expectativas, sejam do mundo, da sociedade e nossas mesmos, parece-me que recuperamos uma antiga capacidade humana (própria até da juventude) de nomear o mundo muito mais por aquilo que desejamos dele, do que por aquilo que ele espera de nós. E é só assim que transformamos o mundo, ou seja, quando abrimos mão de reproduzir os nomes e as relações já estabelecidas e passamos a nomeá-lo (ele e as coisas dele) a partir de novas perspectivas e desejos que não reprimimos para atender o status quo.

Hoje, o homem e a mulher se vêem diante de escolhas múltiplas em um mundo globalizado e de referências cruzadas e, como nunca, podem se vir co-participes da história, sujeitos mesmo. Antes de sujeitos históricos ou concomitantes a essa condição, podem o homem e a mulher fazerem a própria história, sem, contudo, negar as suas próprias condições históricas.

Ser histórico é saber-se fruto do passado e das relações que as variáveis que se relacionam historicamente nos formam. Mas ser histórico tem como fundamento não ser apenas mero efeito dessas inter-relações, mas ser determinado por valores que direcionaram essas relações a um determinado efeito. A revolução desses valores, ou como Nietzsche nos diz, a transmutação desses valores pode sim determinar outros rumos e rearranjos que desviam a história e formam outras.

A história da humanidade foi pautada pela luta pelo poder para determinar a história. A cada vitória, o valor dominante estabelecia um arranjo de coisas que levava a um determinado lugar. O poder destituído ou diluído no que chamamos “Capital Humano” é a oportunidade contemporânea de o homem responsabilizar-se por si e tomar as rédeas de sua própria história.

Esse é o novo jogo, a nova vida: uma história a ser contada por nós, todos nós... E para jogá-lo é necessário resgatar o jovem em nós e nos próprios jovens. É possível? Fica a pergunta... É possível passarmos a nomear o mundo a partir de novos valores, nos negando a…

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Sobre o Ser e o Devir da Linguagem

Mas que Ser é esse, fugidio, que nos confunde pela escrita, pela a fala, pelo mundo, signos, coisas? Qual o Ser por traz do simples “parole”? O que significa dizer algo? Algo realmente é dito (ou seja, a linguagem é uma coisa e tem Ser próprio) ou só podemos dizer algo sobre outro algo (mera representação)? Como os falantes se entendem e se comunicam dentro de determinados contextos e de sua singularidade como seres? As questões lingüísticas, semiológicas ou semióticas confundem-se com questões talvez mais profundas que envolvem não só a origem da linguagem, mas como ela se dá fenomenicamente e, mais do que isso, que função exatamente ela cumpre na relação homem-mundo e homem-homem.

linguagem-corporal

Muitos se ocuparam dessas questões, mas não primordialmente se levarmos em conta a História da Filosofia. Husserl foi um deles e talvez pioneiro na forma como abordou o modo de existência da linguagem. Enquanto Descartes, Hume e Kant situados na Filosofia Clássica se ocupavam do problema do conhecimento pela relação entre o pensamento e as coisas, há pelo menos um século se assiste a virada lingüística colocando em pauta o problema do sentido e da significação como anteriores ao do próprio conhecimento; senão até como pressuposto de todo conhecimento possível.

Os protagonistas dessa “virada lingüística” na filosofia, dentre eles e com destaque Wittgenstein (seguindo a seu modo as problemáticas iniciadas por Frege e Russel), trouxeram a questão de que só através da linguagem e da lógica é que poderíamos fundamentar as ciências, justificando seu necessário caráter universal e objetivo. Com isso afastaram-se da idéia dominante até então de que toda ciência partiria de um Sujeito do Conhecimento. Certo é que essa contenda não acabou.

 

Wittgenstein e Husserl

Para Wittgenstein seria tarefa da filosofia a realização de uma análise da linguagem que possa revelar a sua verdadeira relação com os fatos a partir de sua forma de ser. O problema nessa análise da linguagem, a meu ver, se encontra no que nos propõe Wittgenstein como “análise de uma proposição”. Ele nos diz em seu Tractatus:

4.221 - É óbvio que, graças à análise da proposição, devemos chegar a proposições elementares que consistam de nomes numa vinculação imediata. Pergunta-se aqui como se dá o vínculo proposicional. (WITTGENSTEIN 1968, p. 82)

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Evolucionismo.Ning – eu faço parte…

Com muito orgulho assisti uma entrevista de Eli Vieira em vídeo postado no Orkut por minha amiga Asa Heuser. A entrevista foi feita pelo site do Instituto Ciência Hoje e repercute o que todos nós, que já acompanha o jovem Eli,  o esforço, dedicação e seriedade que ele tem no ensino da Teoria da Evolução e do benefício do esclarecimento e do conhecimento científico para muitas pessoas.

O orgulho, não só pela empatia que tenho por ele, reside também no fato de eu fazer parte de sua rede Evolucionismo, assistir seu crescimento pessoal e profissional e ainda ter a honra de ver artigos meus citados dentro dos cinco passos do evolucionista no portal, fazendo parte do Top 10 da comunidade.

Particularmente gostei muito da quarta parte da entrevista, a qual reproduzo o video aqui, mas recomendo que assistam e lêem tanto o texto quanto os vídeos todos no site do Ciência Hoje.

Nessa parte da entrevista, destaco a visão do Eli sobre a reconfiguração dos conflitos ideológicos como parte da facilidade da informação dada pela tecnologia. Ele diz::

“Algo que, na minha visão, potencializa isso [a questão da ampliação ideológica do conflito] é a tecnologia da informação. Então, em um ambiente em que tudo pode ser falado e tudo pode ser debatido, haverá conflito. Hoje na internet eu digo que a resposta para a pergunta milenar “De onde viemos” está na biologia evolutiva. De onde viemos? Nós viemos de uma população de primatas que viveu na África, no leste africano, há cerca de 200 mil anos atrás. (…) As ideologias negacionistas da evolução não são sempre religiosas.” (Eli Vieira)

Sob o ponto de vista científico, as palavras de Eli são irretocáveis. Como Filósofo, mesmo sendo evolucionista, não posso concordar que essa resposta seja a única e nem a mais correta. Sou obrigado a considerar que toda resposta a uma questão como essa (De onde viemos) é uma resposta perspectiva. Eli fala sob a perspectiva científica biológica e dentro dessa perspectiva não temos como contestar sua precisão.

Sob outros pontos de vista, porém, podemos dar muitas outras respostas tão verdadeiras quanto a de Eli, sem contudo negar a verdade…

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O Mistério Feminino…

O enunciado proposto por Simone de Beauvoir -- "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" -- provocou um deslocamento da naturalização da condição feminina construída nos séculos XVIII e XIX e abriu um leque de possibilidades para pensar "o que o sujeito pode se tornar, sendo (também)mulher". O efeito social provocado pelas mulheres na luta por seus direitos introduziu a necessidade de pensar sua história. A partir daí, incorporou-se no horizonte do trabalho reflexivo o efeito histórico da relativização da 'essencialização' do feminino. Na medida em que foi sendo tecida uma história coletiva, puderam-se reconstruir histórias individuais e reinventar projetos para o futuro.

A mulher e o Ser Feminino colocam-se diante do masculino como um mistério. Tentativas exaustivas existiram para saber tanto o que representa a mulher para o mundo masculino, quanto o que a mulher deseja. O homem, tomando a si próprio como referência, jamais chegará nem perto de descobrir. Tirando a voz da mulher e sua possibilidade de construção responsável de si, muito menos.

Como uma mulher poderia dizer o que deseja se grande parte do que ela deseja foi engendrada nela a partir de um universo que apenas lhe tange e não a abriga como sujeito? Confundimos as referências das mulheres, impondo-nos a nossa referência, e exigimos que elas se expliquem.

Claro é que o homem não pode se definir afastado e isolado da mulher, assim como pouco provável seria a mulher conseguir isso de forma isolada. Se ambos dividem o mesmo espaço em uma relação recíproca, a simbólica não pode ser unilateral, com pena de um dos lados perder sua própria identidade e ser chamado de confuso e/ misterioso. Triste isso, mesmo que adquira um ar romântico.

Uma grande dívida da Filosofia foi tomar o referencial de quem a fazia para construir o estatuto ontológico do ser humano. Essa dívida, espero, pode ser paga a partir da inserção cada vez mais crescente das mulheres nesse campo. Mas é preciso que elas possam, sobretudo, problematizar essa questão e terem sob suas perspectivas a arbitrariedade que é considerar a questão da sexualidade como mero acidente na construção ontológica.

Mas como fariam isso se é…

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FILOSOFIA GERAL Wiki – DEVIR

FILOSOFIA GERAL Wiki - DEVIR

Artigo de minha autoria no Projeto Wiki Filosofia Geral que estou fazendo. Comentem lá, clique na aba "Discussion".
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Dia Internacional da Mulher (O que comemorar?)

Saindo do Terreno Comum

mulher Se a todos vocês não soar estranho o fato de um homem estar escrevendo um texto para o Dia Internacional da Mulher, é simplesmente por que o fato é sintomático da situação a qual vivemos em nossa sociedade. Gostaria, no entanto, que fosse sintomático de novos tempos onde a possibilidade de não ser necessário a celebração de um gênero específico nos mostrasse que estaríamos acima de dualidades ao tratar o ser humano. Infelizmente o sintoma é outro e infelizmente não é agradável.

Tanto o próprio fato de um homem estar escrevendo esse artigo quanto o fato de vocês não se espantarem, circunscrevem-se nos sintomas de uma sociedade que, embora lute cada vez mais para a diminuição das diferenças, está inserida numa cosmovisão maior que nem se apercebe daquilo que pode ser questionado e repensado em termos de modelos. Pensamos todos; homens, mulheres e transgêneros com base no pressuposto epistemológico falocêntrico do mundo globalizado.

A idéia desse ensaio em “comemoração” ao Dia Internacional da Mulher é justamente sair do terreno comum (da distribuição de botões de rosa, chocolatinhos, da exaltação da maternidade feminina, ou mesmo da pregação ideológica de igualdade) para suscitar, filosoficamente, o que pode ser questionado e sentido em relação à condição do feminino em nossa sociedade.

A família, tida como célula máter de nossa sociedade, desde sempre reproduziu em seu bojo os mesmos fundamentos pelos quais a nossa sociedade fora erigida. Porém, assistimos estupefatos a sua reformulação e a queda de conceitos arraigados que tanto nos foi caro em épocas precedentes para que pudéssemos saber onde estávamos e onde poderíamos ir. A sociedade atual, conseqüência direta de valores e conceitos decorrentes de uma forma de Ser baseada no sexismo e na competitividade, tem nos levado à iminência do esgotamento de todos os recursos naturais e éticos, fazendo prevalecer um valor único que determina todas as nossas ações: o individualismo competitivo do macho alfa.

Nesse contexto, pensar o feminino é pensar a sociedade como um todo; pensar na sociedade que queremos; pensar naquilo que nos funda como sociedade e indivíduos; pensar, sobretudo, na questão de gênero e nos valores que podem ser construídos, conservados e repensados na forja de novos olhares que vislumbrem um futuro desejável ao Ser Humano. E esse pensar não pode ser feito por uma única perspectiva, a não ser que ela se coloque acima das…

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Acaso, Aleatoriedade e Propósito (Parte 2)

Bolas aleatórias Quero crer que os conceitos expressos no artigo anterior tenham ficado claros para continuarmos. Noções como heurística, teleologia e teleonomia são de suma importância para que entendamos não só o processo científico, mas os motivos pelos quais os argumentos criacionistas e de sua vertente pseudocientífica (o Design Inteligente) não se sustentam dentro daquilo que alegam pretender: serem uma alternativa às teorias vigentes e ter o estatuto de conhecimento científico.

Nesse artigo tentarei discorrer sobre a possibilidade da emergência de estruturas complexas cujo Télos se defina dentro do próprio processo e dispensa a necessidade de uma intencionalidade e direcionamento prévios: pilares dos conceitos criacionistas de Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada. Esses conceitos, cunhados por seus autores Michael Behe e William A. Dembski respectivamente, trazem como conseqüência (nos argumentos de seus autores) a exclusividade da conclusão lógica de um projetista inteligente para todas as formas de vida.

Minha idéia, assim como de muitos que vêem uma separação heurística fundamental entre fazer ciência e outra atividade qualquer, não vai em direção (insustentável a meu ver) contra a existência nem de Deus e nem da possibilidade de algum tipo de direcionamento ou impulso prévio que manteria ou desenvolvesse a vida dentro de certas restrições. Minha idéia é demonstrar que, mesmo concedendo a possibilidade dos “tedeístas” e criacionistas estarem certos, a forma como eles postulam suas hipóteses não tem sustentabilidade nem científica e nem dentro de seus próprios raciocínios, pois:

1 – Sua heurística se baseia em raciocínios que hiperbolizam suas observações condicionadas por pressupostos não demonstrados e tomados como absolutos e

2 – Seus pressupostos requerem um nível de cognoscibilidade atual impossível, sendo que se eximem de demonstrar sua possibilidade.

Dessa forma, como indicado ainda no artigo anterior, faltará abordar também a própria idéia de Deus como conceito lógico que dispensa qualquer necessidade de atribuição necessária de um propósito próprio, sendo que postulá-lo, significa tão somente atribuir nossos propósitos, carências e desejos em uma idéia que fazemos d’Ele. Seria, sobretudo, inferir que teríamos acesso à Sua natureza, Seus desejos, impulsos e modos de Ser. Isso, sem dúvida, constitui-se em uma arrogância sem tamanho e nada nos garante que tenhamos acesso a esse tipo de conhecimento para postulá-lo. Ou seja, a petição de princípio que fazem para chegar às conclusões que chegam, necessita de algo fora do magistério científico:…

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Acaso, Aleatoriedade e Propósito (Parte 1)

mao_de_deus Um dos grandes problemas epistemológicos que a teologia enfrenta ao analisarmos filosoficamente a relação humana com o divino é: até que ponto é atribuído a Deus as características que o homem precisa atribuir a si mesmo ou que as tomam a partir da necessidade de aspirar-se a uma determinada forma de ser? Outra questão importante também é: até que ponto o homem tem acesso a uma suposta natureza divina para postulá-la em suas características e poder construir discursos sobre ela? E por último, como deve ser classificado esse discurso diante da dúvida iminente sobre se o homem teria as propriedades e competências epistêmicas para construir um discurso sobre o divino e sua natureza? As três indagações se interpenetram e fazem um télos próprio que torna insustentável certos argumento que tentam se fazer de científicos, mas caem no puro proselitismo religioso.

Dessa forma, o grande problema no “raciocínio” dos postulantes ao Design Inteligente (doutrina criacionista dissimulada em pseudociência) é confundir uma teleonomia verificada em um sistema organizado e complexo, consumidor de energia, com um projeto prévio e intencional de origem divina. Antes disso, porém, esse projeto postula-se ligado por um princípio conseqüente de uma idéia sobre como Deus ou essa Inteligência deva agir e ser: conhecimento tal que é preciso revestir-se de uma arrogância sem limites para postular.

Ou seja, problematizo aqui não só a conexão necessária entre teleonomia1a e projeto intencional, como também a petição de princípio de um conhecimento não justificado da natureza e forma de agir de uma suposta força inteligente (Deus) que o ser humano dificilmente teria acesso ou cognoscibilidade.

Essas petições não têm estatuto científico, tampouco se baseiam em uma heurística que se possa considerar epistemicamente virtuosa, pois se tratam em todas as instâncias possíveis de um salto de fé com intuito de conferir sentido a uma ignorância provavelmente eterna para os seres humanos. Mesmo que não possamos defini-la como “eterna”, há de se escolher um método de aproximação (heurística2) que afaste de todas as formas as petições de princípios não verificáveis. Por outro lado, decorre desse “salto” a propalada suposta evidência à frente de conceitos criacionistas famosos como: Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada.

Não decorre do conceito de teleonomia qualquer noção necessariamente ligada a um princípio finalístico em um processo qualquer. Uma estrutura teleonômica não pressupõe um princípio teleológico (tomado em seu sentido popular e também equivocado; eivado de…

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Acaso, Aleatoriedade e Propósito (Parte 1)

Um dos grandes problemas epistemológicos que a teologia enfrenta ao analisarmos filosoficamente a relação humana com o divino é: até que ponto é atribuído a Deus as características que o homem precisa atribuir a si mesmo ou que as tomam a partir da necessidade de aspirar-se a uma determinada forma de ser? Outra questão importante também é: até que ponto o homem tem acesso a uma suposta natureza divina para postulá-la em suas características e poder construir discursos sobre ela? E por último, como deve ser classificado esse discurso diante da dúvida iminente sobre se o homem teria as propriedades e competências epistêmicas para construir um discurso sobre o divino e sua natureza? As três indagações se interpenetram e fazem um télos próprio que torna insustentável certos argumento que tentam se fazer de científicos, mas caem no puro proselitismo religioso.

mao_de_deusDessa forma, o grande problema no “raciocínio” dos postulantes ao Design Inteligente (doutrina criacionista dissimulada em pseudociência) é confundir uma teleonomia verificada em um sistema organizado e complexo, consumidor de energia, com um projeto prévio e intencional de origem divina. Antes disso, porém, esse projeto postula-se ligado por um princípio conseqüente de uma idéia sobre como Deus ou essa Inteligência deva agir e ser: conhecimento tal que é preciso revestir-se de uma arrogância sem limites para postular.

Ou seja, problematizo aqui não só a conexão necessária entre teleonomia1a e projeto intencional, como também a petição de princípio de um conhecimento não justificado da natureza e forma de agir de uma suposta força inteligente (Deus) que o ser humano dificilmente teria acesso ou cognoscibilidade.

Essas petições não têm estatuto científico, tampouco se baseiam em uma heurística que se possa considerar epistemicamente virtuosa, pois se tratam em todas as instâncias possíveis de um salto de fé com intuito de conferir sentido a uma ignorância provavelmente eterna para os seres humanos. Mesmo que não possamos defini-la como “eterna”, há de se escolher um método de aproximação (heurística2) que afaste de todas as formas as petições de princípios não verificáveis. Por outro lado, decorre desse “salto” a propalada suposta evidência à frente de conceitos criacionistas famosos como: Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada.

Não decorre do conceito de teleonomia qualquer noção necessariamente ligada a um princípio finalístico em um processo qualquer. Uma estrutura teleonômica não pressupõe um princípio teleológico (tomado em seu sentido popular e também equivocado; eivado…

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