Sarau Científico

Fernanda Ramirez @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência Geral, Crônicas, Divulgação Científica, blog
Cena: À direita da porta de entrada, o balcão se fazendo de bar: cachaça de minas, cachaça com canela, vodca, uma garrafa de 51, três garrafas de vinho tinto, frutas vermelhas (morango, framboesa e amora) e limão fatiado para as caipirinhas do tipo faça você mesmo. Compõem a cena uma mesa de salgados, outra de doces do tipo self-service. Na entrada, tocheiros dando as boas vindas, indicam o caminho para o palco: microfone, banquinho, espaço para intervenções. Abre-se o sarau: “queridos amigos, hoje a noite é de muita alegria, pois daremos início ao Primeiro Sarau Científico Polegar Opositor. Como todos sabem, o tema da vez é Evolução. Mas aceitamos vieses, dançarinos de hula-hula e ditadores potenciais do terceiro mundo. Separem seus textos, seus apetrechos que a partir de agora declaro aberto o 1º Sarau Científico Polegar Opositor”. O texto acima é fictício, mas poderia ter, de fato, acontecido. Lanço aqui a idéia, pois pensar em divulgação científica requer extrapolar os ambientes que são consensualmente comuns à ciência. Tirá-la das salas de aula e dos laboratórios e torná-la mais acessível. Resgatar aquela criança fascinada pelos tubos de ensaios e seus brinquedos alquímicos. Afinal, está lá a Esfinge para nos lembrar. De ...

A Arte da Narrativa na Divulgação Científica

Fernanda Ramirez @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência Geral, Crônicas, Divulgação Científica, Temas diversos, blog
ATO: É como se eu pensasse uma Galáxia, em que os fenômenos nebulosos completam-se em si, tampouco estejam em relação direta uns com os outros. De quando eu era criança, nas observações de Sagitário e na procura de um buraco negro que se velava atrás das estrelas, as interpretações científicas eram aquelas oriundas de vozes em planetários. Havia uma auto-suficiência no fenômeno, que o tornava único, mas diluído numa cadeia de experiências de fótons, neutros e prótons. Daí a idéia de constelação. E nas constelações, as estrelas são independentes. Nem por aquelas que tivessem nascido juntas, as estrelas duplas ou triplas, eu poderia estabelecer qualquer relação de encontro. É que, aos meus olhos incompletos, elas surgiam e morriam solitárias. Já a minha “incretude”, ao contrário, sempre me levou a estabelecer inúmeras linhas de união, relacionando-as umas com as outras, uma festa no céu, apesar delas seguirem só. A estrela Dalva, sempre a primeira, sempre única, e outras, como as Três Marias, que, sozinhas, aprendi a ver em grupo. Este ato escrito em forma de mônada é o modelo que Walter Benjamin propõe para o relato das coisas. Para ele, o importante é que o fenômeno mantenha sua independência ...

Divulgação Científica 2.0

Fernanda Ramirez @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência 2.0, Ciência Geral, Crônicas, Divulgação Científica, blog
Um usuário on-line. Há segredos na ciência! O laboratorista tranca portas a sete chaves. Ou porque descobriu uma enzima nova, ou porque mapeou um gene antes do cara do laboratório ao lado. E há séculos que a ciência institucionalizada é pouco colaborativa e está presa a mais-valia. O cabo é de guerra e os dois usuários on-line estão a espreita de verbas, ou em busca de um aceite de seu artigo para publicação naquela revista especializada que irá projetá-lo como o ban-ban-ban da enzima –a ser batizada com seu próprio nome– ou do gene em questão. Não conversam entre si, embora desenvolvam trabalhos complementares. Cinco usuários on-line. A necessidade faz o ladrão e, de repente, surge um comércio de co-autoria para pesquisadores menos éticos. E na mesma essência da mais-valia, cria-se uma corrente do tipo “me adiciona que eu te adiciono”. Enquanto estes fingem que se ligam uns aos outros, cinco usuários do tipo papers (artigos científicos revistos por pares) desta ou daquela revista não conversam entre si, embora configurem um mesmo centro de pesquisa ou uma mesma editoria, dizem assuntos correlatos e utilizam a mesma bibliografia, quiçá o mesmo método. A revista, em bloco, é segmentada e o artigo é ...

A Second Life da Divulgação Científica

Fernanda Ramirez @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência, Ciência 2.0, Ciência Geral, Crônicas, Divulgação Científica, blog
Orkut, Facebook, Flickr, Myspace, Live Journal, Twitter, fotologs e weblogs ou blogs rompem as fronteiras geográficas e conectam pessoas mundo afora. Nesta nova relação do tempo com o espaço, as proximidades intelectuais acompanham uma sociedade em constante, rápida e permanente mudança. Também a Second Life, na onda das realidades virtuais, entra para discutir a dimensão das vidas on e off-line. Com o avanço ponto.com é fato que a velocidade com que as relações acontecem difere do passado e nem tudo é tão híbrido como nem tudo o que está na rede é, de fato, uma comunidade virtual. Neste aspecto, tanto a vida medida em pixels e bits quanto a vida fora da web entram em acordo: as comunidades, quando deixam de ter um caráter cooperativo calcado em projetos comuns aos participantes ou quando estes não estabelecem um sentimento de pertencimento a elas, tornam-se apenas um agrupamento de pessoas, uma rede de conexões. Precisam estar mais além. Nos dias de hoje é praticamente indiscutível: o virtual e o real se cruzam a todo instante e a divulgação científica também não está só na interface de lá ou só no lado de cá. Na Web 2.0, cujo conteúdo é o produzido pelo próprio ...
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