Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Author Archive

Mais uma “hora do planeta”… e a balela continua…

Nos aproximamos mais uma vez do dia em que a organização WWF nos convoca a desligar por uma hora as luzes de nossas casas, dos monumentos, das repartições públicas...

 

" No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global."

 

Muito eficiente, nossa preocupação com o meio ambinete será mostrada desligando as luzes de nossas casas. O Luiz já escreveu um post sobre isto no ano passado, deixando bem claro como é possível ser mais eficiente em um tipo de mobilização destas, até porque:

 

No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas não tem acesso a energia elétrica em suas casas, sendo 10 milhões no meio rural. O índice de exclusão elétrica no Acre e no Amazonas ultrapassa os 70% da população do campo. No nordeste, 58% dos domicílios rurais não são atendidos pela rede elétrica.

 

E aí? E essas pessoas? Não podem dar seu voto? Pelo visto não, ainda mais quando vemos o site da campanha. Ao lado do link para entender melhor o aquecimento global, temos a venda do Kit "A hora do Planeta". Repetindo o título de um post antigo: que parte de "consumir é a maior ameaça ao meio ambinete" eles não entenderam? Uma campanha em prol da preservação ambiental que mais parece uma ação de marketing. Vamos observar a descrição do Kit:

 

"Já está à venda, no site do Submarino, o kit da Hora do Planeta, movimento simbólico que mostra a preocupação da população de todo o globo terrestre com o aumento nos níveis médios de temperatura. No último século, os termômetros registraram um acréscimo de 0,8ºC. Caso a Terra seja comparada com o corpo humano - ambos são organismos vivos-, pode-se dizer que ela está com febre."

 

Que qualidade de divulgação científica (me lembra a sugestão de erotização do aquecimento global feita pelo representante do instituto Akatu no MTV debate). Nosso planeta está com febre, com isso, entendemos que o planeta como um todo está aquecendo. Fato este errado! Algumas localidades estão tendo acréscimo de temperatura e em outras diminuição. E o mais interessante é o preço: R$55,00, uma bagatela! Olha como somos perversos: criamos uma campanha…

Continue a ler Mais uma “hora do planeta”… e a balela continua…

Oficina de divulgação para cientistas na UFRJ

As próximas sextas-feiras na UFRJ serão premiadas por palestras sobre divulgação científica. A iniciativa é do Instituto de Ciências Biomédicas,  sendo organizada pelo diretor de pesquisa deste instituto, Stevens Rehen. Todas as oficinas serão realizadas no horário de almoço (12 às 13h), no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ (Ilha do Fundão, UFRJ, ICB, CCS, Bloco F). Claro que é tudo de graça e aberto ao público. Então não tem desculpa para não ir!

A programação é bem interessante e pelo visto o nosso vizinho voltará mais uma vez ao Rio. Ontem eu esbarrei com o Reinaldo no Fundão. Ele estava cobrindo para a Folha uma palestra do Steves Hehen no mesmo auditório que serão realizadas as oficinas. Tentarei estar presente todas as sextas-feitas, se o meu doutorado deixar.


  • 12/03: A divulgação científica no Brasil (1980-2010): do Paleolítico ao  Neolítico
Roberto Lent (ICB-UFRJ)
 

  • 26/03: Nos bastidores da notícia, a divulgação científica sob ótica da assessoria de imprensa
Claudia Jurberg (Programa de Oncobiologia IBqM-UFRJ)


  • 16/04: Ciência, história em quadrinhos e o jogo do genoma
Milton Moraes (Fiocruz)
 

  • 30/04: A Neurocientista de plantão
Suzana Herculano Houzel (ICB-UFRJ)
 

  • 07/05: Por que divulgar Ciência?
Franklin David Rumjanek (IBqM-UFRJ)
 

  • 14/05: Como a ciência vira notícia
Reinaldo Lopes (Folha de São Paulo)
 

  • 28/05: Bioletim e Blogs de ciência
Mauro Rebelo (IBCCF-UFRJ)
 

  • 25/06: Histórias e estórias da divulgação científica
Alysson Muotri (UCSD e colunista do G1)


Read the comments on this post...
Continue a ler Oficina de divulgação para cientistas na UFRJ

A culpa é realmente dos alunos?

Uma pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro com os professores da rede apontou que 97% dos deles acham que o baixo rendimento dos alunos se deve, prioritariamente, a uma falta de assistência dos pais. Além disso, 87, 3% acham também que existe uma "falta" de esforço dos alunos. Já quando são perguntados se o problema tem origem na falta de infra-estrutura (tanto física, como pedagógica) da escola, somente 17,4% disseram haver influência deste fator. Já se a escola oferece poucas oportunidades para o desenvolvimento intelectual do aluno, 89,7% dos professores discordaram deste fato.desespero.jpgO que podemos tirar disto? Claramente, os professores acham que não tem culpa no baixo rendimento do aluno. O problema é externo à sala de aula e escola. São os pais, as condições de vida, a baixa auto-estima, e qualquer outra coisa que o professor não tenha "culpa". O problema é sempre de aprendizagem e nunca de "ensinagem". Aulas de português analisando sintaticamente frases soltas, interpretações de texto que não atraem os alunos, além de só escreverem quando são obrigados a fazerem redações. Aulas de ciência somente no quadro negro, por exemplo, estudar célula somente com desenhos do professor no quadro, ou ter um laboratório e nunca frequentá-lo. Um aluno tem aulas de biologia, mas não é capaz de encaminhar uma linha de raciocínio pelo método científico. Dá pra fazer isso só com giz e quadro? Aulas de matemática que só resolvem equações soltas. Onde esta equação entra na realidade do aluno?

Pais sem estudo podem ser maus exemplos para seus filhos, ainda mais quando estes não estimulam suas crianças a estudar? Claro que podem. O contexto social atrapalha o aprendizado? Não ter o que comer, ou morar em uma área de risco atrapalha também? Claro que sim! E as práticas pedagógicas ultrapassadas, o modelo tecnicista de sempre, o professor cuspindo giz em alunos enfileirados, sendo castrados de qualquer troca de palavras? Prejudica mais ainda! Professores adoram Paulo Freire, se pudessem faziam tatuagens dele, mas na hora de botar em prática, o buraco é mais embaixo. Os conteúdos não são  a realidade dos alunos.  

Não estou falando que os professores são os grandes culpados, mas, é claro, que temos uma grande parcela de culpa. Não refletimos sobre nossa prática. É duro ouvir críticas, mais ainda é

Continue a ler A culpa é realmente dos alunos?

Conheça os finalistas do Research Blogging awards 2010!

Research Blogging Awards 2010


É com muito prazer que trago ao conhecimento de vocês os finalistas do Research Blogging awards 2010, que premia os melhor blogs escreveram sobre ciência revisadas por pares do ano.


Categoria melhor blog em língua portuguesa (prêmio: US$ 50)



A votação será realizada através de convite aos blogueiros registados no ResearchBlogging.org. Os convites serão enviados na quinta-feira 4 de março. Se você estiver registrado no nosso site, confira se o seu endereço de email está correto no cadastro. Se você não está registrado (e tem um blog sobre pesquisa revisada por pares), você ainda tem tempo para se registrar e poder votar. Visite esta página para mais informações.

Conheça aqui os blogs indicados em outras categorias do prêmio. Se o seu blog foi um dos indicados, não esqueça de colocar o selo de "Finalista" em sua barra lateral. O código do selo pode ser encontrado neste link.
  Read the comments on this post...
Continue a ler Conheça os finalistas do Research Blogging awards 2010!

A Ciência é assassina da poesia?

No livro Desvendando o Arco-Íris, Richard Dawkins escreve, dentre outras coisas, o quanto a ciência pode ser poética. Isso se deve ao fato que alguns poetas não enxergarem beleza na ciência. Pelo contrário, a ciência desvendava segredos que pairavam dentro das mentes dos poetas, sendo fontes de inspirações para seus textos.

O título vem daí, a ciência foi capaz de revelar o singular e místico arco-íris. O pote de ouro não se encontrava mais distante e inalcançável, mas agora é só luz sendo decomposta quando passando por gotículas de água presentes na atmosfera com alta umidade.

Para a maioria dos homens; um prazer ignorante é melhor do que
um bem informado; é melhor conceber o céu como um domo azul
do que como uma cavidade escura, e a nuvem como um trono dou-
rado do que como uma névoa de granizo. Eu questiono se alguém
que conhece óptica, por mais religioso que seja, pode sentir com
igual intensidade o prazer ou a reverência que um camponês ile-
trado sente diante de um arco-íris.


Ruskin (Modern Painters III, 1856)                    

O conhecimento matou o Sol, transformando-o numa bola de gás
com manchas [...]. O mundo da razão e da ciência [...], esse é o
mundo seco e estéril que a mente abstratan habita.


D. H. Lawrence (Unrhyming Poems, 1928)                    


Isto acontece devido a capacidade de desaceleração que a água exerce sobre a luz, como quando esta passa por qualquer meio transparente. Cada comprimento de onda da luz visível sofrerá um desaceleração própria, sendo assim, a luz branca é decomposta em todos os comprimentos de onda que a compõe, gerando as cores do arco-íris.

Ouvindo a rádio Band News, no quadro do ator Juca de Oliveira, escuto ele recitar este poema:

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura, e ... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétua grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

Augusto dos Anjos                                       

Porém quando vou procurar mais informações sobre Augusto do Anjos me deparo com

Continue a ler A Ciência é assassina da poesia?

Protagonista de climategate desdenha blogs: merecemos isso?

"I don't think we should be taking much notice of what's on blogs because they seem to be hijacking the peer-review process." Phil jones.


É com esta afirmação que começo minha reflexão sobre a divulgação científica. Phil Jones é o protagonista do Climategate (muito bem explicado pelo Brontossauros). Achei seu comentário extremamente infeliz. Acredito que a revisão por pares é o que mantém a credibilidade da ciência. Quando tento publicar um trabalho e o coloco sob avaliação de outros pesquisadores da minha área (na maioria da vezes esses revisores são cientistas renomados), estou buscando a validação da importância do que pesquisei.

Outras pessoas poderão reproduzir o que fiz? Meu encadeamento de ideias é coerente com o meu objetivo? Usei a estatística correta? Estes são alguns questionamentos que um pesquisador por si só pode fazer e mesmo assim não observar algum erro. Quantos de nós corrigimos textos nossos, acreditamos que está tudo correto e, quando publicamos, aprecem correções no primeiro comentário? Por isso, antes de um trabalho ser publicado, ele é primeiramente revisado pelo autor, depois por seu orientador, em seguida, por companheiros de laboratório, para depois sim ser submetido para publicação. E aí pimba! Volta cheio de correções. É assim que a ciência atual funciona e é o que me fascina.

Blogs nunca poderão se apoderar deste papel. Quando pegamos um artigo científico e tentamos fazer uma revisão sobre ele na forma de post, estamos aproximando este conteúdo do público em geral. Muitas das vezes, quando o blogueiro é um pesquisador, ele emite opiniões mais embasadas sobre o trabalho (agindo até com o rigor de um revisor). O que também não é sempre o que acontece, muitos blogueiros não são especialistas. Além disso, os comentários, na sua grande maioria, não são feitos por pessoas que se dispõem a ler o referido artigo, mas se baseiam somente no texto feito sob o olhar do blogueiro.

Sim, mas e aí? Os blogs não servem para nada neste mundo da revisão por pares? Na revisão stricto sensu não, mas acredito que nessa nova era de revistas exclusivamente eletrônicas e relevância do artigo avaliada levando em consideração quantas vezes ele foi avaliado em blogs (como a PLoS já faz). E a parte mais importante, aproximar o grande público da ciência. Pegar um artigo científico e transformar em algo palatável, passível de se entendido e, o melhor, INTERESSANTE! Pegar um

Continue a ler Protagonista de climategate desdenha blogs: merecemos isso?

Resenha: Além de Darwin – Reinaldo José Lopes

alem_de_darwin_livro_capa.jpg
Muito se falou no último EWCLiPo ( II Encontro de Weblogs científicos em língua portuguesa) sobre a eterna discussão entre Jornalistas e blogueiros de ciência. Acho que esta discussão já não é mais necessária e, como diria o Ed Young, ela já deveria ter terminado em 2006. Digo isso porque o problema é bem simples de ser resolvido. Existem, em termos gerais, dois tipos de divulgadores de ciência: os bons e os ruins. Dentre os bons temos pessoas de todas as áreas, inclusive jornalistas, como o grande Carl Zimmer. E dentre os ruins temos vários exemplos que não precisam ser citados, incluindo cientistas de renome. Tenho toda a certeza que o jornalista Reinaldo José Lopes pode ser classificado dentre os bons divulgadores de ciência, e posso resumir o porquê. O motivo é bem simples e acho que todos os cientistas, sem exceção, deveriam buscá-lo. Reinaldo consegue passar informações cientificamente corretas para um público que nunca passaria perto de um artigo científico. Nem perto de um livro dos grandes divulgadores de ciência como Richard Dawkins, Jay Gould, Carl Sagan. Considero o livro "Além de Darwin" (Editora Globo) do Reinaldo José Lopes o único livro de divulgação científica sobre evolução que eu daria para a minha mãe ler. E este é o auge do que precisamos em termos de divulgação científica, principalmente no Brasil.

Com certeza um dos motivos que fazem o "Além de Darwin" ser um ótimo presente para um público não iniciado em evolução está no seu formato. Mesmo não tendo gostado do título e, principalmente da capa (sabemos que o autor do livro é sempre o último a ver), acredito que o formato do livro dividido em textos curtos, em sua maioria com temas de grande apelo para o leitor (como, por exemplo, na página 23: "Vamos ao que interessa: sexo") e uma linguagem com termos coloquiais e mais simples atraem um público mais amplo. O problema talvez é que esse público alvo pode não chegar a abrir o livro, já que a foto do Darwin carrancudo e um título meio pesado podem afastar o leitor de ser iniciado (no bom sentido, claro). Algo como "Pílulas de evolução" refletiria melhor o que o livro apresenta. Não sei se atraria mais leitores, mas seria mais condizente com o conteúdo. Também não sei

Continue a ler Resenha: Além de Darwin – Reinaldo José Lopes

Etanol de cana-de-açúcar: Solução global (?), problema local

Gostaria de indicar neste domingo de calor africano uma leitura bem interessante. O artigo intitulado "Solução global, problema local" do nosso vizinho de Scienceblogs Brasil Igor Zolnerkevic publicado na ótima revista de divulgação científica Unesp Ciência.


cana_nitrogenio_etanol.jpg
O artigo do Igor fala sobre um dos vários problemas consequentes de um plantio em monocultura de larga escala e que são mascarados quando só olhamos para o problema ambiental da moda, no caso, o Aquecimento Global. Somente uma pequena parte do nitrogênio adicionado via fertilização é absorvido pelas plantas, fazendo com que os agricultores tenham que usar cada vez mais fertilizantes para obterem um crescimento satisfatório. Este nitrogênio em excesso pode ser lixiviado pela água da chuva para os ecossistemas aquáticos adjacentes ou ser emitido para o ar. O excesso de nitrogênio em ecossistemas aquáticos resulta em um processo já bem conhecido, chamado de eutrofização artificial. Mas a emissão de nitrogênio em forma gasosa pode resultar na chamada "chuva seca" de fertilizantes, transferindo o nitrogênio para regiões bem distantes de onde eles foram inicialmente alocados. Para entender melhor este processo, nada melhor do que ler o artigo do Igor e visualizar o extremamente bem feito infográfico sobre o assunto. Também tratei um pouco sobre o efeito do excesso de nitrogênio em um post bem antigo aqui no blog. 


Para quem ainda não entendeu o ponto de interrogação no título do post, o objetivo foi ressaltar o meu ponto de vista que os biocombustíveis de plantas terrestres estão longe de serem "a" Solução global para os nossos problemas ambientais. E isso é um assunto para uma série de posts que está sendo preparada.

Todos os artigos da revista Unesp ciência são disponibilizados em pdf, então recomendo a leitura deste bom exemplo de jornalismo científico brasileiro. 
Read the comments on this post...
Continue a ler Etanol de cana-de-açúcar: Solução global (?), problema local

Abelhas podem regular sua temperatura interna como os mamíferos e aves?

ResearchBlogging.orgNão se assuste. O exemplo clássico que aprendemos no colégio está correto. Mamíferos e aves são normalmente utilizados nos exemplos de animais que buscam a homeostase de forma ativa (com gasto de energia). A homeostase é a capacidade de um organismo manter condições internas constantes diante de um ambiente externo variável. Chamamos estes organismos que mantém a homeostase através da geração de calor corporal interno de endotérmicos. Organismos como répteis e as abelhas (e todos os outros insetos) normalmente são classificados como ectotérmicos, que ajustam a sua temperatura interna através do comportamento. Tenho certeza que você já escutou falar do termo "lagartear", que significa ficar estendido deitado, sem pressa, como os répteis costumam fazer debaixo do sol para aumentar a sua temperatura interna.  


lagarto_sol.jpg
Vai um protetor solar aí? Acho que não precisa... Cédito: ingridtaylar


Mas é claro que a natureza é um pouco mais complexa e o limite que colocamos nas nossas classificações nem sempre são seguidos a risca pelos outros animais, como no caso as abelhas. O comportamento de grupo destes animais é tão interessante que chega a formar uma linguagem própria (como a famosa "Dança das abelhas", já comentada no blog aqui) e até controlar a temperatura interna de uma colméia inteira, submetida a uma variação externa de temperatura. Controlar de forma verdadeira, aumentando a geração de calor interno em várias abelhas que resultam no aumento de temperatura da colméia como um todo. Mas pera aí. As abelhas não eram classificadas como ectotérmicas, dependendo apenas de aspectos comportamentais para aumentar a sua temperatura interna? Era o tipo de controle de temperatura mais estudado. As abelhas apenas controlariam a temperatura da colméia em conjunto, sem aumentar a temperatura de cada abelha, separadamente. Pesquisadores da Áustria mostraram através de uma interessante metodologia que a história não é bem assim.


abelhas_calor_interno.jpg
Precisamos comprar um aquecedor urgente. Crédito: PLoS One


Com a ajuda de uma câmera que enxerga e mede diferenças de temperatura (processo chamado de termografia), Stabentheiner e colaboradores conseguiram não só constatar o importante papel individual das abelhas na geração de calor para uma colméia, como descobrir que existe uma importante variação em quais abelhas produzem mais calor de forma interna. Quando há uma variação de temperatura externa da colméia, pode haver uma reorganização na quantidade de abelhas responsáveis pela produção de maior parte do calor. Normalmente são as abelhas mais velhas as responsáveis pela regulação da temperatura da colônia, já

Continue a ler Abelhas podem regular sua temperatura interna como os mamíferos e aves?

Doenças podem mudar o seu cheiro?

ResearchBlogging.org

No livro o Gene Egoísta, Dawkins comenta sobre o efeito que o gene pode ter fora do corpo que o contém, podendo alterar o fenotipo de outros organismos, podendo ser até de uma outra espécie. O artigo que comentarei agora me lembrou isso.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudando a influência do virus do mosaico de côco (VMC) nas suas plantas hospedeiras (abóbora, agora não me pergunte o porquê disso, sendo o côco a planta que vem no nome). Existem dois tipos de comportamento de virus que infectam plantas: o primeiro, chamado de persistente, consiste na planta infectada ficar mais atrativa para afídeos, que ao se alimentar da seiva se contaminam (o virus fica fica residindo na glândula salivar do inseto, após passar pelo seu sistema digestório) e, com isso, podem infectar novas plantas mais tarde; e o segundo, chamado de não-persistente, causa depauperação (as folhas ficam murchinhas), com isso as plantas ficam menos atrativas para os afídeos, além de do virus ficar preso ao aparelho bucal do inseto, sendo necessária que o animal se alimente rapidamente em outra planta para haver a dispersão. Com isso, virus não-persistente devem estimular as plantas a mudarem as substâncias que elas exalam para que o inseto seja repelido o mais rápido possível após se contaminar.  

O VMC atua extamente desta maneira, apesar de estar aparentemente "feia", a planta exala grande quantidade de compostos que enganam estes insetos. Pelo o odor e a distância do inseto, parecem estar em perfeita saúde. Mas, ao chegar na planta, o afídeo se alimenta rápido e logo sente que há algo de podre no reino da Dinamarca. Porém, ele já está infectado e parte para outras plantas dispersando rpidamente o virus.  

 

plantas infectadas.JPG Planta não infectada e infectada pelo CMV (A e B, respectivamente) e a presença de duas espécies de afídeos nelas  

 

Sendo assim, o conjunto de genes (ou o gene) que favoreça o virus a estimular este comportamento nas plantas serão selecionados (admitindo-se que virus estejam sob influência da seleção natural). Só que o alvo desses genes não está no fenótipo do virus (por exemplo, um capsideo mais resistente, ou uma nova fomra de infecção), mas sim no fenótipo da planta (exalará outros tipos de substâncias odoríferas).

Essa mudança de odor de indivíduos infectados é observada em outras doenças também. Por exeplo, hamsters infectados por leishmania atraem mais mosquitos-palhas (vetores da doença) do que indivpiduos saudáveis. Até mesmo em humanos…

Continue a ler Doenças podem mudar o seu cheiro?
  • Arquivos