DIPLOMA… PRA QUÊ?
Pronto, O STF tomou sua decisão. Não é mais preciso ter um diploma de ensino superior em jornalismo para trabalhar como jornalista. Muita gente viu a notícia e achou que a nova lei surgiu do nada, brotou, mas já circula há anos (mais de nove) na mão dos juristas a genial idéia de retirar das mãos dos jornalistas sua arma de defesa: seu diploma.
Se você é formado ou graduando pense nisso. Vá para a faculdade durante quatro anos. Estude ética, direito, antropologia, sociologia, economia, história, filosofia, política, terias da comunicação… Estude, se forme, comemore! Seria uma história feliz, se, no meio do caminho alguém não chegasse e rasgasse o seu diploma na sua frente e destruísse com seu projeto de vida, em alguns casos, o sonho de uma vida.
Cuspiram na cara dos jornalistas. Daqueles que lutaram para valorizar a formação acadêmica e que, por algum tempo, conseguiram essa façanha no país em que a educação não é levada a sério.
O ministro Gilmar Mendes argumentou que exigir diploma para o exercício da atividade de jornalista é encarcerar a liberdade de expressão. Liberdade de expressão que ele, na Ditadura Militar, não se importou em lutar a favor. E pensar em falta de liberdade de expressão é pensar Ditadura na forma mais obsoleta e simplista possível. É fingir um engajamento que não convence, que não existe.
Os estudiosos da Comunicação sabem e desenvolvem pesquisas sobre o leitor-autor. Existem inúmeras pesquisas sobre a internet, sobre You Tube, blogs. Pesquisas que a sociedade parece ignora. Jornalista nenhum despreza a companhia dos leitores-autores que escrevem (muito bem, às vezes!), que editam e divulgam materiais ricos, bem apurados, com teor jornalístico bastante relevante. Os estudiosos do jornalismo não ignoram as vozes que desejam ser ouvidas, não ignoraram o “faça você”, “envie seu texto”, sua matéria. Os blogs não pedem seu registro de jornalista para escrever sobre o que bem lhe couber. Pede?
Liberdade de que patamar reclama o ministro Gilmar?
Mas a luta é de gente grande. Estiveram ao lado do ministro os donos de rádios, tevês e jornais impressos. Que nada têm de jornalistas, mas muito de empresários, homens de negócio e negócio negro. Faça as contas, caro leitor. Mais vale um qualquer sem diploma ganhando quinhentos reais, que um superior completo exigindo muito mais.
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