Ago 25
Mentira política
Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Política
O excelente post da Palmira põe a nu o estado de mentira política em que vivemos, e é este aspecto que vejo nitidamente no caso do aquecimento global e de muitos outros.Num texto excelente que infelizmente não foi incluído na recente antologia que preparei para a Antígona, Orwell analisa cuidadosamente as razões que tem para pensar que a Terra é redonda. E descobre que não tem assim tantas.O que está em causa é o problema da divisão social do conhecimento. Ao longo da história, as pessoas, na sua maior parte, nunca souberam praticamente coisa alguma excepto o que é estritamente necessário para a sua vida quotidiana e para alimentar a sua actividade favorita: a mexeriquice. Mas hoje mesmo quem procura conhecer as coisas não pode saber realmente mais do que uma pequeníssima parte; no resto, tem de confiar em especialistas. Isto é maravilhoso, porque exibe a nossa profunda dependência mútua: o conhecimento está socialmente distribuído e eu preciso dos conhecimentos que outros têm, e eles dos meus.Mas é também politicamente perigoso, pois dá origem a perversões terríveis. Uma dessas perversões é a manipulação da verdade. A publicidade, ...


Na sequência dos meus posts “



A minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Num livro que todas as pessoas deveriam estudar atentamente, Sobre a Liberdade (Edições 70, 2006), John Stuart Mill (1806–1873) defende a liberdade de discussão e expressão com argumentos epistémicos muitíssimo engenhosos e importantes. No coração da sua argumentação está uma banalidade epistémica: somos falíveis. Contudo, Mill mostra que apesar de qualquer pessoa aceitar em conversa prontamente que é falível, age depois como se não o fosse, e são essas pessoas precisamente que não conseguem compreender o valor fundamental da liberdade em geral e da liberdade de discussão em particular.Há uma tendência infeliz para se presumir que alguns seres humanos têm um acesso privilegiado à verdade. Isto é a negação directa da banalidade anterior, pois se fosse verdade que alguns seres humanos têm um acesso privilegiado à verdade, seria falso que somos todos falíveis. A ideia de que houve génios no passado (inspirados ou não pelo Espírito Santo) é uma encarnação da mesma ideia directamente contraditada pela banalidade que todos dizem aceitar. Daí que algumas pessoas dediquem anos de estudo dogmático à arqueologia do pensamento de um determinado autor, pois estão convencidas de que esse autor ... 



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