"TODA A CIÊNCIA (MENOS AS PARTES CHATAS)" É O NOVO LIVRO DOS CIENTISTAS DE PÉ

O novo livro dos Cientistas de Pé, um grupo de cientistas que faz stand-up comedy desde 2009, chega às livrarias no final de Abril, editado pela Gradiva.

«Com esta obra, além de ficarmos a saber mais sobre alguns aspectos das multifacetadas ciências modernas, as ciências que tão fortemente moldam o mundo de hoje, ficamos também com uma imagem mais verdadeira da ciência e dos cientistas. Estes são capazes de não se levar demasiado a sério. Tal como estes Cientistas de Pé, os melhores cientistas são capazes do melhor humor. Uma das anedotas mais engraçadas da ciência que conheço é aquela em que alguém pede a Einstein para fazer uma conta simples, que deveria ser feita mentalmente por um físico laureado com o Nobel. Resposta, surpreendente, de Einstein: ‘Julgam que eu sou algum Einstein?’» in Prefácio (Carlos Fiolhais)

Neste livro podem ler-se piadas sobre a ciência que há no futebol, no sexo e no bacalhau. Ficará a saber que as ciências são como as drogas, há as leves e as duras. Conta-se o caso dramático de um jovem privado de homeopatia desde pequenino e a vida de um informático na óptica do utilizador. Ficará rendido à eficácia do speed dating com arroz hermafrodita e preocupado com a crise de identidade do lixo. Também é explicado como a capacidade de planeamento pode prejudicar o desenrascanço e feito um tocante peditório para financiar um programa de reprodução de ideias ameaçadas em cativeiro. A comicidade é assegurada por uma série de rigorosos testes realizados em laboratório, de modo que o leitor nem precisa de se preocupar em rir.

«Do ponto de vista de um observador à velocidade da luz, este livro parece engraçadíssimo.»
Albert Einstein

«Este livro tem e não tem piada ao mesmo tempo.»
Erwin Schrödinger

«Tentei rir-me pouco para não emitir muito dióxido de carbono.»
Al Gore

«Tenho pena não estar cá para ler isto.»
Dodô (Raphus cucullatus)  ave extinta no século XVII

Os autores são os Cientistas de Pé, um grupo de cientistas de diversas áreas (desde a biologia à Buraca) que (desde 2009) faz espectáculos de stand-up-comedy sobre temas científicos. Já actuaram em teatros, anfiteatros, centros de investigação, museus de ciência, jardins e para muitos polícias de trânsito, na esperança de verem perdoada uma multa de estacionamento abusivo de velocípede.

Coordenação: David Marçal
Bruno Pinto
Cheila Almeida
Daniel Silva
Ivette Pacheco
João Cruz
João Damas
Joaquim Paulo Nogueira
Leonor Medeiros
Ricardo Sequeira
Sandra Mateus
Sofia Guedes Vaz
Sofia Leite
Romeu Costa
Sónia Negrão

Na próxima quinta-feira, dia 18 de Abril, irei fazer uma pré-apresentação do livro no Museu da Ciência de Coimbra…, às 18h. Continue a ler

PRÉMIO UNICÓRNIO VOADOR 2012

A Comunidade Céptica Portuguesa COMCEPT criou o Prémio Unicórnio Voador, para distinguir aqueles que mais se destacam na promoção da pseudociência. Segundo o sítio da COMCEPT:

O Prémio Unicórnio Voador – um prémio feliz para actuações infelizes – é concedido pela COMCEPT às personalidades ou entidades nacionais que, durante o ano anterior mais tenham contribuído para a disseminação da pseudociência, da superstição e da desinformação no geral em quatro categorias distintas:   

O Rei Vai Nu – Para todos os que façam afirmações duvidosas e incríveis sem evidências ou contra elas. 

Dom Quixote – Para a afirmação ou teoria mais alienada, para a recusa em encarar a realidade e para a defesa do indefensável.

Grafonola – Para os meios de comunicação e os seus agentes (jornalistas, impressa, televisão). 

Estrela cadente – Para as estrelas de televisão e do mundo artístico, desportivo ou social.

E os premiados deste ano são:

O Rei Vai Nu – Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Arazede – Uma escola que promoveu a pseudociência do fosfenismo, colocando alunos a olhar para lâmpadas para obterem melhores resultados escolares. Um assunto que foi aprofundado por Carlos Fiolhais e David Marçal no seu livro Pipocas com Telemóvel e outras histórias de falsa ciência

Dom Quixote – Fundação Bial – Pela atribuição de bolsas de investigação a estudos de parapsicologia, uma área frequentemente associada a estudos de qualidade questionável e que há mais de cem anos falha em produzir evidências conclusivas da existência de fenómenos paranormais. 

Grafonola –  SIC – Pelo tempo de antena dado ao programa “Cartas da Maya”, onde se chegou a oferecer conselhos médicos, sem qualquer valor, mas muito bem pagos através de chamadas de valor acrescentado. 

Estrela cadente – Fátima Lopes – Pela promoção acrítica e quase diária de todo o tipo de pseudociência e superstição no programa “A Tarde É Sua” da TVI, desde a bruxaria à homeopatia, passando pelas premonições e a mediunidade. A isto acrescenta-se a humilhação pública de pessoas a quem é dito que a “máquina da verdade” consegue realmente distingui-la da mentira, algo que não é aceite nem pela comunidade científica nem pelos tribunais.

A pseudociência tem ampla amplificação e lugares cativos no espaço público. Aqueles que procuram esclarecer os enganos pseudocientíficos não tem tantas facilidades, por isso o trabalho consistente e persistente que a COMCEPT …tem vindo a desenvolver é da maior importância. Continue a ler

360 graus. Ciência Descoberta – Na Gulbenkian

Como não se cansa de repetir o comissário da exposição, Henrique Leitão, esta não é uma exposição sobre os descobrimentos! É uma exposição sobre a ciência dos descobrimentos. Tanto a que os tornou possíveis, ou seja os avanços na cartografia, os novos instrumentos náuticos e técnicas de  construção naval, como a que deles emergiu: uma perspectiva global, espécies de animais e plantas até então desconhecidas dos Europeus, a valorização da experiência e da observação e a criação de instituições para a gestão do saber.…

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EMPREENDEDORISMO PARA BEBÉS: ATÉ ONDE CHEGA A DESONESTIDADE INTELECTUAL?

Como leitor regular do roteiro Estrela e Ouriços, uma publicação mensal que elenca actividades para crianças e famílias, deparei-me com a proposta de uma oficina sugestivamente designada por:

BABYBOOM: EMPREENDEDORISMO PARA BEBÉS

Transcrevo aqui a proposta do INSTITUTO4LIFE, em Lisboa:

O empreendedorismo é um comportamento que pode, e deve, ser aprendido ao longo da vida. Este programa inovador, único no país, procura desenvolver, em conjunto com os pais, comportamentos e atitudes chave que ajudarão o bebé no futuro a ser um empreendedor.
Permita que o seu filho se torne capaz de concretizar as suas ambições.
Dinamização: Doutoranda em Gestão e Empreendedorismo e Educadora de Infância
Nível 1 | 4-10 meses | 14h-15h
Nível 2 | 11-18 meses | 15h-16h
Preços:
8€/sessão individual
30€/pack 4 sessões

Numas quantas sessões de uma hora (não podem ser muitas, já que o curso começa aos 4 e acaba aos 18 meses, e os bebés dessas idades ainda dormem bastante) teremos definido os CEO’s das start-ups de 2033. Eu sei que o Mark Zuckerberg criou o Facebook quando tinha 20 anos, a partir do seu quarto no dormitório na Universidade de Harvard. Será que o próximo milionário dotcom vai lançar a sua grande ideia numa fralda?…

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O terramoto e os cientistas condenados

Segundo escreveu Desidério a propósito da condenação de seis cientistas pelo homicídio de pessoas que morreram no terramoto de L’Aquila em 2009:

Quando os cientistas italianos foram correctamente condenados porque mentiram à população dizendo-lhes o que cientificamente sabiam que era falso, pois sabiam perfeitamente que não se pode prever terramotos com precisão, quase todos os cientistas reagiram em defesa da classe e não em defesa da verdade. A verdade é que eles usaram o poder social da ciência para aconselhar as pessoas e em resultado disso morreram muitas pessoas.

Não. Eles não fizeram nada disso. Se há coisa de que podem ser acusados é de não terem partilhado o seu conhecimento científico, pois não abriram a boca. Nada disseram e foram usados como figurantes numa encenação levada a cabo por autoridades políticas locais e pela protecção civil.  Não deviam ter deixado, é certo. Deveriam ter falado e retirado a falsa autoridade científica de quem falou em nome deles, dizendo disparates. A sua omissão é condenável, mas por homicídio é absurdo. Tanto poderiam ter falado eles, como inúmeros outros cientistas ou simples pessoas bem informadas. Porque não condena-los a todos? A decisão judicial, se vier a ser confirmada pelos tribunais superiores, é desastrosa para a ciência. Muitos cientistas sentir-se-ão inibidos de participar em comissões semelhantes e contribuir com o seu conhecimento em prol da sociedade. É um passo em direcção ao obscurantismo.…

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Milagres de açúcar

O efeito placebo é de facto uma coisa fascinante e ainda mal compreendida. Para além do exemplo interessantíssmo que Desidério refere, há estudos que demonstram que dois comprimidos de açúcar têm mais efeito do que um comprimido de açúcar, que comprimidos com determinadas cores têm mais efeito do que com outras (aliás, a cor dos medicamentos não é escolhida ao acaso), têm mais efeito se forem colocados numa caixa mais atraente, se forem de marca e mais caros. E injecções com água do mar são um tratamento muito mais eficaz para a dor do que comprimidos de açúcar.

E, como bem diz Desidério, quando queremos demonstrar que um tratamento funciona, temos que provar que funciona melhor do que um placebo. E o único efeito que homeopatia tem, tal como Desidério também refere, é o efeito placebo.
A sensação de melhoras é uma coisa muito subjectiva. As pessoas sentem-se melhor porque acreditam que se vão sentir melhor. Portanto os placebos têm algum efeito em situações e avaliação subjectiva, como a dor.
Mas qualquer medicamento tem um efeito placebo. Não é um exclusivo do menu homeopático. Fazia sentido tratar pessoas com placebos há 200 anos, quando a homeopatia foi inventada. Hoje em dia, havendo tratamentos que têm um efeito fisiológico (para além do placebo, que é sempre garantido) é pouco ético tratar pessoas com placebos. Especialmente quando lhes é dito que o remédio tem um efeito para além do placebo.
Por causa dos problemas éticos do uso de placebos, o seu uso é restrito até em ensaios clínicos. Em caso de doenças graves, como problemas cardíacos, é pouco ético administrar um placebo aos pacientes para comparar com um novo medicamento em estudo. Em vez disso, muitas vezes o que se faz é comparar com outro tratamento existente. Ou até o efeito em conjunto com outro tratamento.
Muito pouca coisa se resolve com placebos. Há, por exemplo, doenças que se curam sozinhas (como a gripe). As doenças têm um ciclo natural, ou seja há períodos em que o doente está melhor e outras em que está pior, sem que isso nada tenha a ver com os comprimidos de açúcar que tenha tomado. Mas, parecerá lógico atribuir as melhorias ao comprimido de açúcar. No entanto, para o demonstrar científicamente, é necessário fazer ensaios clínicos metodologicamente bem concebidos.
O estudo que Desidério refere enquadra-se numa linha que abre a possibilidade de permitir administrar placebos de uma forma ética aos doentes.…

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