Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

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A Mariposa ninfomaníaca

ResearchBlogging.org

Naquela manhã no consultório psicanalítico

 

- Dra. não aguento mais me remoer de culpa.

- Culpa? - Disse a psicanalista.

- A verdade é que sou uma devassa, não só adoro sexo muitas e muitas vezes como meu negócio é variar sempre! Tendo a oportunidade escolho um novo rapaz a cada encontro. Não me contento com um só, não que isso seja da conta de ninguém. Mas sabe? Não deve ser certo, uma moça como eu. Esses mariposos machos. - A mariposa Ephestia kuehniella falava rápido, mal inflava suas traquéias entre uma frase e a outra.

- Mas isso não é bom, um monte de rapazes aos seus pés?

- Ah, Dra., você sabe como são os rapazes. Estão sempre à disposiçào de estar aos pés de quem lhes aceitar à cama! Para mim seria tudo muito natural se deixassem eu viver minha vida em paz. Se não ficassem me perguntando, falando por aí à boca miúda. Olha, Dra., a senhora nem imagina o que essasinhas dizem por aí, viu. Mas todos se metem tanto que acabo dando desculpas esfarrapadas.

- Desculpas esfarrapadas? - Com este novo eco Ephestia começava a procurar em qual das paredes do consultório escuro, mas aconchegante, estaria se refletindo o som.

- É. Digo que eles não largam do meu pé. Que me vencem pelo cansaço. Que dá tanto trabalho rejeitar as investidas de meus pretendentes que por fim cedo. Sabe, é isso que eu digo para as minhas amigas. As mais próximas, é claro, né. Também porque eu não fico por aí falando dessas coisas com qualquer uma. Já me bastam todas as que cuidam da minha vida sem eu precisar dar satisfações.

- Mas não é verdade. - A voz da Dra. deixou em suspenso se aquilo fora uma pergunta ou uma afirmação.

- É. Não. Mais ou menos. Olha, eles são sim insistentes, mas eu sei dizer "não" quando quero. Na verdade eu gosto do esporte, Dra.  Me diga, eu sou normal?

- Por que você quer ser normal? Você se acha normal?

- Não! Nem um pouco. - Disse a mariposa com as antenas mais pinadas do que de costume.

- O que você acha que as outras meninas da sua espécie fazem em relação aos rapazes? - A analista se retraiu um pouco mais à sombra da luminária alta para a mariposa se sentir mais a sós.…

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O peixe que enrubesce

ResearchBlogging.org

Naquela manhã no consultório psicanalítico...

 

- Dra., sou um peixe muito tímido, não gosto de ficar nadando por aí aos cardumes. Meu negócio é o meu território, quieto e reservado. - Disse o peixinho que atendia pelo nome de Apistogramma hippolytae com seus olhos escuros e uma longa linha preta desde a cabeça até uma pinta na cauda.

- E isso te incomoda? - A voz era doce, mas vinha de algum ponto invisível, ligeiramente escuro atrás do divã.

- Não, de forma alguma. O que me incomoda é que vivem a me tirar sarro porque meus colegas de igarapé dizem que sou um transparente!

- Transparente? - Ecoou a analista.

- Não é que eu seja de fato transparente, antes o fosse. É justo o contrário! Sou transparente nas emoções, só de me olhar qualquer um já sabe o que se passa na minha alma. Se estou com preguiça todo mundo sabe, se me interesso por uma garota ou fico bravo com alguém já me dizem que está na cara.

- Entendo - prosseguiu a voz - Você é transparente porque é colorido.

- Isso! Quer dizer, não. Ah, Dra. não queria me expor tanto. Mas o que posso fazer? - Agora o peixinho, visivelmente irritado, tinha os olhos claros e listras verticais meio azuladas.

- E porque você muda de cor então? - disse a Dra. com sua voz mais suave.

- Ora, não mudo de propósito, simplesmente não posso fazer nada. É como se eu precisasse sair por aí alardeando meus sentimentos. Eu suponho que deixar claro para os outros o que sinto pode me ser útil de vez em quando.

- Como assim?

- Bom, se entro em um debate com outro peixe e de repente começo a me irritar, mudo de cor e ele logo percebe. Aí, se não quiser briga, ele pode parar de me encher e evitar levar umas bolachas. Assim ninguém se machuca, né. - disse o peixe, agora novamente mais pálido.

- E você é o único a mudar de cor? - Perguntou a Dra.

- Não, na verdade, sabe que adoro quando estou com uma garota e percebo que ela está toda listradinha de amor, piscando para mim seus olhinhos escuros. Me faz ter mais confiança de que o meu xaveco está colando. - O peixinho agora sorria com uma tonalidade amarelada com uma pinta na cauda,…

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Nova série de Posts

Esta semana o Ciência à Bessa inaugura uma nova série de posts. Ela é uma homenagem à Bióloga e excelente divulgadora científica Olivia Judson, ex-aluna de Bill Hamilton e colunista do New York Times. Olivia Judson escreveu em 2004 o “Consultório da Dra. Tatiana para toda a criação”, excelente livro. Também referenciarei todos os posts através do research blogging, já que esta série pretende ser uma revisão do que tem saído de mais novo em etologia, principalmente na Animal Behaviour.

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Pensamento de segunda

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.

Arthur C. Clarke

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Entrevista com John Alcock

Enfim esse post que eu estava devendo desde o encontro de etologia em Novembro do ano passado. Espero que vocês apreciem a simpatia desta personalidade da etologia. Meus agradecimentos especiais à camera-woman de emergência, Lucélia Nobre Carvalho.

 

 

Ciência à Bessa – Prof. Alcock, obrigado por esta oportunidade ótima de se dispor a conversar conosco, assim como por vir produzindo este livro texto maravilhoso há tantos anos e que vem inspirando tantas gerações de etólogos pelo mundo. Então vamos começar perguntando o que te fez escrever este livro? O que te levou a deixar de lado um pouco do seu trabalho no laboratório e investir tanto esforço em um livro para estudantes? E quanto você acha que este livro contribuiu para o ensino da etologia?

John Alcock – Antes de qualquer coisa, eu gostaria de agradecer o seu interesse em traduzir meu livro e o esforço em me trazer para participar deste evento grande e bem sucedido. A respeito da produção do livro, eu vinha ensinando em um curso de comportamento animal, entre outras coisas, e os únicos livros-texto disponíveis para nós eram livros sobre etologia clássica, que não traziam em seu conteúdo os conceitos mais novos da ecologia comportamental. Então, para oferecer aos meus estudantes este material mais novo eu decidi escrever o livro-texto. Naquele momento eu não fazia idéia de quanto trabalho daria, mas à medida que eu trabalhava percebi que se você escrever algumas páginas por dia, eventualmente o trabalho fica pronto. E foi um grande sucesso! O livro foi usado por meus alunos e muitos outros. Na mesma época outro título muito bom foi produzido, de qualquer forma nossos dois livros lançados em 1975 foram os dois primeiros livros a apresentarem o conteúdo novo da ecologia comportamental aos estudantes. Então, olhando para trás, a importância desse trabalho, independente do trabalho que deu, hoje me parece bastante óbvia.

CAB – Bom, outra coisa sobre a qual você escreveu, além do Comportamento Animal: uma abordagem evolutiva, foi sobre sociobiologia. Quanto tempo faz mesmo que você escreveu?

JA – Eu não me lembro direito, acho que foi em 2003, por aí. Já faz alguns anos que escrevi esse livro.

CAB – Pelo que você acha que a sociobiologia tem passado ultimamente? Quer dizer, as pessoas têm muito interesse nesta área. Será que elas também estão mais tolerantes com a idéia da sociobiologia,…

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Diário de Viagem – 4 de março, terremoto no Chile

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Chegamos no aeroporto e enquanto esperava a bagagem na esteira me chegavam apressadamente as notícias do grande terremoto através de um funcionário. Em Concepción não se via uma casa em pé, setenta aldeias haviam sido destruídas e uma onda gigante havia varrido as ruínas da cidade. Logo o boato tornou-se real com provas em abundância, toda a costa estava coberta de móveis, destroços flutuantes, eletrodomésticos, como se as Casas Bahia houvessem sido abduzidas por alienígenas e depois disppersas na praia. O comércio também perecia, sendo saqueado e arrombado, nas ruas jaziam sacos de mantimentos rasgados, mercadorias valiosas no chão. Passeando próximo à orla percebi fragmentos de rochedos onde estavam aderidos seres de mais de 1,80 m que certamente haviam emergido das profundezas.

A própria ilha que eu olhava agora havia sido consideravelmente encolhida pela terrível força do terremoto, a praia devorada pela imensa onda resultante. Formavam-se fendas no sentido Norte-Sul que atingiam 1 m de largura. Enormes massas de terra já haviam desmoronado sobre a praia e os habitantes estavam certos de que assim que chovesse massas ainda maiores desmoronariam. Mais impressionante ainda era a quantidade de fraturas em rochas extremamente duras, elas deveriam ser restritas à camada mais superficial ou neste momento em todo o Chile não restaria uma rocha inteira. Tenho certeza que este tremor de alguns instantes foi mais responsável pela diminuição da ilha de Quiriquina do que séculos de erosão pela água e pelo tempo.

No dia seguinte tomei uma van para Telcahuano e Concepción. As duas cidades apresentavam o espetáculo mais horrível e, ainda assim, o mais interessante que meu espírito naturalista poderia conceber. Os escombros estavam na mais completa confusão e era difícil acreditar que outrora aquele fosse um local habitável. Caso o terremoto tivesse ocorrido à noite, e não às 16 h, em lugar de menos de mil, haveria morrido a maior parte da população, salvou muitos o gesto instintivo de sair à rua ao primeiro sinal de tremor. Em Concepción enxergava-se fileiras do que antes foram casas, mas em Telcahuano, devido à onda, nada mais se enxerga do que um tapete de telhas e tijolos. O primeiro abalo foi logo o mais drástico, o funcionário do aeroporto que veio conversar comigo reportava que a primeira coisa que lhe ocorreu após o início do terremoto foi ver a si e sua moto derrubados imediatamente no asfalto. Levantava-se…

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Pensamento de segunda

- E depois que a gente morre, Emília?
- Ah, Visconde, depois que morre a gente vira hipótese.

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Ganhador do Ab initio – Roberto Takata

Vocês me deram um trabalhão, viu! Vou colocar os comentários e seus respectivos autores abaixo, mas tive um problema, alguns comentários foram excelentes, mas ultrapassaram bastante a uma frase sugerida. É uma pena porque teve poesia muito boa, alguns sérios candidatos a autores de seus próprios blogs (ou ocasionais autores do tubo de ensaios, não se esqueçam que ele serve para vocês que não têm blogs escreverem textos próprios ocasionalmente, viu!)

De qualquer forma o ganhador do Livro é... rufem os tambores: Roberto Takata com a frase:

 

"Garçom! Tem uma ARN em minha sopa primordial!"

A propósito, o editor da Vieira & Lent responsável por esta promoção anunciou que todos os que concorreram terão direito a 30% de desconto e frete grátis na compra do livro. Os interessados podem entrar em contato comigo pelos comentários abaixo que eu encaminho o canal de contato.

 

João Paulo de Oliveira Freitas

Ciência mata? Não, diria Darwin, SELECIONA! "Desde a origem" o mundo sofreu essa seleção, para assim dar a "Origem da Vida". Não é questão ética ou religiosa, pois ciência e religião, dão as mãos, pergunte a Descartes e a Galileu!

Joab Santana Santos

Permeando probabilidades insólitas...

Dentro de um universo suficientemente hostil,

A vida desponta em um pixel azul...

Advinda da matéria inanimada.

Complexos e redutíveis...

Seus processos mais fundamentais e unidades funcionais,

Acomplam-se por afinidade sob a égide da aleatoriedade...

Em uma dança mecânica sob o tecido do tempo.

Vertiginosa dança... amoral e intensa,

Onde cada molécula e partícula de matéria segue seus próprios passos,

Sem perder o constante compasso,

Em evoluções, co-evoluções e transferências horizontais.

Diante desse espetáculo sem par,

Extasiado o Homo Sapiens inquieta-se...

E como herdeiro genético dos Símios...

Desce das copas intricadas de sua própria consciência e pergunta-se: Como?

Com ciência e método a vida então descobre-se a si mesma...

Enxerga-se produto de sucessivas seleções naturais...

Postula a Evolução gradual das Espécies...

Então abre o olhos e exclama: Posso Compreender!

 

Pablo Costa

A evolução é conduzida por processos aleatórios, mas nem por isto deixa de ser criativa. Seria a criatividade também o resultado de processos aleatórios produzidos pela nossa mente? Não sei, mas que eu gostaria de ganhar este livro, isto é verdade.

 

Roberto Takata

"Garçom! Tem uma ARN em minha sopa primordial!"

 

Marcus

Falando de origem da vida, a melhor prova de que a teoria da evolução é certa é a fralda…

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Programa para quem estiver em Sampa

Filipeta darwin final vetor

 

O Museu de Zoologia da USP comemora o dia 12 de fevereiro, Darwin Day, com ligeiro atraso carnavalisticamente justificável essa semana com o evento “Darwin, evolução para todos”. Haverá atividades todos os dias a partir de hoje no MZUSP, que fica na Av. Nazaré, No. 481, no Ipiranga.

A programação inclui oficinas, debates, apresentações de teatro, uma exposição temática e a apresentação de diversos vídeos relacionados ao tema, tudo gratuito. Para conferi-la pormenorizadamente clique aqui. Quem for pode mandar suas impressões para os comentários abaixo.

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Pensamento de Segunda

"Sempre há resistência quando a Ciência avança."

Mayana Zatz

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