Relações sintagmáticas e relações associativas (ou paradigmáticas).

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, in absentia, in presentia, relações associativas, relações paradigmáticas, unidades lingüísticas
Deste duplo ponto de vista, uma unidade lingüística é comparável a uma parte determinada de um edifício, uma coluna, por exemplo; a coluna se acha, de um lado, numa certa relação com a arquitrave que a sustém; essa disposição de duas unidades igualmente presentes no espaço faz pensar na relação sintagmática; de outro lado, se a coluna é de ordem dórica, ela evoca a comparação mental com outras ordens (jônica, corintia, etc.), que são elementos não presentes no espaço: a relação é associativa.(CLG, p. 143). Ao comparar as duas naturezas de relações das unidades lingüísticas com uma coluna que sustém uma arquitrave de uma determinada parte de um edifício Saussure nos deu elementos analógicos para facilitar a compreensão de como estas relações ocorrem num dado momento de fala. Ao referir coluna e arquitrave ele nos faz pensar em dois eixos; um vertical e outro horizontal, onde o primeiro eixo representa as relações associativas, ou paradigmáticas, e o segundo, as relações sintagmáticas. Quando afirma que essa disposição de duas unidades igualmente presentes no espaço faz pensar na relação sintagmática, ele expõe a natureza das relações no eixo sintagmático, uma vez que nos faz pensar que, para ...

Sincronia e Diacronia: aspectos estático e evolutivo da língua.

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, diacronia, linguistica estática, linguistica evolutiva, linguistica saussuriana, sincronia
Bom, após um “curto” período de “férias”, estamos aqui, novamente, para retomarmos os nossos assuntos lingüísticos. E assim, sem mais delongas, vamos aos conceitos saussurianos de sincronia e diacronia... Para Saussure, havia duas formas da ciência lingüística observar a língua: em sua época e através do tempo. O único problema da Lingüística, com relação a este ponto, seria justamente o fato da língua ocorrer, ao mesmo tempo, em seu tempo e ao longo dele. O fato é que, se houvesse a possibilidade de se considerar cada coisa da língua em seu tempo e através do tempo, de forma que, de nenhum ponto de vista, uma coisa tivesse proeminência sobre a outra, a lingüística teria sido considerada uma ciência simples para o mestre de Genebra (ELG p. 79). Porém, não é o que acontece. A língua, ao mesmo tempo em que ocorre no presente relacionando idéias e formas de modo aparentemente estático, atualiza-se, passando do presente ao passado. Sua ocorrência se dá numa série de sucessões de estados lingüísticos, através do tempo. Desta forma, a lingüística se obriga a empregar dois pontos de vista, aparentemente dissociáveis, para analisar um mesmo objeto. Saussure comparou a ...

Língua x Fala

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, dicotomias saussurianas, fala lingua, figura vocal, norma, organização do pensamento através dos signos da fala
Bom, agora já temos subsídios suficientes para compreendermos as dicotomias saussurianas, que impressionaram mais pela sua complexidade que pela novidade no método de abordagem. O pensamento do mestre à cerca de língua e fala não é simplesmente de que ambos são, juntos, os componentes da linguagem. Seu pensamento vai além, porque aborda a linguagem como algo que se divide em língua e fala, ao mesmo tempo, onde língua e fala se interligam (CLG, 17 e ELG, 24 e 60). Uma coisa é tomarmos á língua, de forma autônoma, como ponto de partida - e nos formamos ouvindo que essa teria sido a opção saussuriana de abordagem - ou, ainda, investigarmos os fatos da fala isoladamente da língua, outra, é nos obrigarmos a admitir que a língua social, mental, não se perfaz sem a fala de forma que nem a alcançaríamos acaso fossemos uma sociedade áfona. Por isso, acreditou Saussure que a fala, através do signo, organiza o pensamento para a linguagem (CLG, 130/131 e ELG, 45). E fala individual - fenômeno acústico e psíquico - também não pode ser considerada sem a língua. Considerar apenas uma seqüência de ondas sonora - figura vocal - é possível, mas ...

Linguagem…

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, dicotomias saussurianas, entidade linguistica, fala lingua, linguagem, linguística
Retomando o nosso bate-papo sobre lingüística saussuriana, é bom relembrar o conceito de linguagem para Saussure, bem como o quanto considerou desafiante para a lingüística a determinação de uma entidade lingüística devido à própria situação de complexidade da linguagem e, de como surge a necessidade de “dividir” os elementos formadores da linguagem numa tentativa de se compreender o elo forçosamente existente entre eles. Segundo o CLG, para Saussure, a linguagem possui um lado individual, a fala, e um lado social, a língua. Desta forma, a linguagem implicaria num sistema estabelecido e numa evolução; isto porque é uma instituição atual, ao mesmo tempo em que é, também, um produto do passado (CLG,16 e ELG, 40). De fato, é na situação de fala que a linguagem existe completamente. Porém, neste dado momento, todos os falantes colocam em prática uma língua dada; conhecida por todos e que é falada por sua comunidade desde sempre. Essa mesma língua é reinventada e atualizada no exato momento de sua execução através da fala, entretanto, no momento justo em que são pronunciados seus enunciados eles vão, na medida em que são articulados, ficando no passado. A complexidade da linguagem não reside apenas no ...

Arbitrariedade absoluta e arbitrariedade relativa do signo.

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, arbitrarideade relativa, arbitrariedade absoluta, arbitrariedade do signo, desmotivado, imagístico, símbolo, ícone
Durante este período de ausência de post no blog estive analisando as entradas para ele. Mais de 80% delas advêm de pesquisas google feitas no Brasil e em Portugal, pelas quais sou muito agradecida. Tal análise me permitiu verificar quais os temas que mais freqüentemente motivaram essas buscas, e no que se refere aos assuntos já tratados, pude perceber que, sobre os signos, faltou esclarecer um pouco mais sobre a arbitrariedade, uma vez que não se falou sobre arbitrariedade absoluta e arbitrariedade relativa. Bem, condição de arbitrariedade, como vimos, está diretamente ligada ao fato de o signo ser ou não motivado. Quando se fala arbitrariedade absoluta diz-se total falta de motivação, e, quando se diz arbitrariedade relativa, diz-se, também, motivação relativa ou, considera-se ter havido aí alguma ligação motivada entre significado e significante. Mas, para que fiquem bem claros estes conceitos, e sobre eles não paire a menor dúvida, faz-se necessária à compreensão precisa do termo motivação dentro da perspectiva saussuriana. Nós temos alguns elementos que nos servem de sinal; de representatividade de algo mais que não está explícito totalmente no elemento que o representa. Estes elementos representativos; sinais, tanto podem ser de caráter natural, ...

O signo saussuriano.

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, arbitrariedade do signo, dicotomia, entidade psíquica, figura vocal, forma, significante e significado, teorias do Signo, valor
A análise dos principais aspectos do signo saussuriano será feita a partir das colocações CLG e dos ELG. Apesar de considerar o fato de o primeiro livro ter vindo à tona desde o início do século passado e definido os fundamentos da lingüística saussuriana até o presente momento, tomaremos as considerações do livro atual, elucidando de forma mais profunda os seus pensamentos a cerca da lingüística e seu objeto. Dessa forma, não seria de mais solicitar do leitor a atenção devida quanto a esta fusão de conteúdos porque, provavelmente, em muitos cursos de Letras, as considerações sobre os ELG não estão, ainda, sendo consideradas e, portanto, essas informações não são vigentes para a fundamentação teórica do curso. Porém, que fique claro que, o objetivo maior desse blog é buscar esclarecer um pouco sobre o pensamento saussuriano no que diz respeito à linguagem, e para isso estaremos sempre abordando o CLG, os ELG e seus ensaios sobre fonética do ...

O signo pré-saussuriano…

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, Relação língua/realidade/pesamento/, teorias do Signo
Compreender as teorias dicotômicas de Saussure é tão importante quanto o entendimento do que significaram e que contribuições trouxeram não só para o estudo científico da linguagem como, também, para redefinir os pensamentos filosóficos e científicos vigentes até então.Buscaremos tal compreensão a partir da teoria do signo saussuriano. Porém, se faz necessário saber que, desde a Grécia antiga, o signo vinha sendo motivo de especulações numa tentativa de desvendar a relação língua/pensamento/realidade, e, por isso mesmo, trouxe consigo uma sucessão de conceitos até atualidade.Inicialmente, entre os gregos pré-socráticos se destacaram as considerações dos panteístas, da Escola de Eléas e Demócrito e seus seguidores:Os panteístas concebiam o logos como uma inteligência divina que governava o universo. Para eles a palavra possuía uma função divina e também humana. Entendiam que linguagem, pensamento e saber eram inerentes ao homem.Parmênides, membro da Escola Eleática, fundadora dos princípios básicos da Lógica, levou tal discussão além, afirmando serem o ser e o pensar a mesma coisa. Isto implica em que, ao pensar, o ser é e se manifesta pela linguagem, segundo princípios lógicos.Demócrito e seus seguidores, a partir de sua teoria do atomismo, mudou o curso ...

Definições de uma ciência moderna da linguagem

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, Estruturalismo, Ferdinand de Saussure, Lingüstica Moderna, entidade psíquica, função, sincronia e diacronia, sígno, valor
O Cours de Linguistique Générale de 1916 consiste na leitura que alguns dos alunos de Saussure fizeram daquilo que fora por ele postulado. Já os Escritos de Lingüística Geral são compostos por anotações feitas pelo próprio mestre e que, aparentemente, comporiam um esboço do que poderia vir a ser a sua própria publicação de um Curso de lingüística geral e, ainda, por textos contemporâneos de outros discípulos seus. Tanto em um quanto outro, está retratada sua grande preocupação em definir qual seria, exatamente, o objeto de estudo da Lingüística, e qual o melhor método de abordagem deveria ser adotado pela nova ciência.Como um membro da corrente histórico-comparatista, Saussure acompanhou o desenvolvimento do estudo da linguagem de seu tempo. Foram de suma importância os estudos realizados até então. Elucidou-se muito a cerca da pluralidade dos idiomas e da semelhança entre alguns deles. A descoberta das semelhanças fonológicas apontou para comunidades de fala que poderiam ter sido uma só no passado, e que, posteriormente, se espalhariam pelos continentes europeu e asiático. Porém, tais descobertas mostraram-se mais significativas para os estudos antropológicos que para os estudos lingüísticos. Aliás, esse era um dos problemas da Lingüística de então, servir-se de ...

Lingüística, a ciência das oposições inta-sistêmicas.

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, Estruturalismo, Saussure, diacronia, linguística, pensamentos saussurianos, sincronia
Saussure pensou sobre os fenômenos da linguagem durante o período em que manteve a cátedra de gramática comparada, ou de Lingüística Geral, como era corrente rotularem, na época, os estudos lingüísticos na França, Alemanha e Inglaterra. Antes de tudo, ele foi um filósofo da linguagem, buscando entender seu funcionamento, sua função, sua origem e essência. Suas reflexões abrangem efetivamente três campos do saber; a epistemologia – analisando a possibilidade de uma prática científica; a especulação analítica ou filosofia da linguagem e a reflexão prospectiva sobre a disciplina ou epistemologia programática em que apostava numa ciência futura. Seus pensamentos acerca da linguagem estavam fundamentados na epistemologia da gramática comparada (épistémè do séc XIX) e na epistemologia da filosofia da linguagem da segunda metade do séc XVIII. Assim, houve uma reorganização da ciência lingüística que passa a tratar sincronicamente da semântica e diacronicamente, da fonologia.Acreditou o mestre de Genebra que a lingüística futura deveria recuperar os objetos tradicionais da morfologia, lexicologia e da sintaxe bem como os da retórica e estilística. Propôs um estudo unificado desses objetos com base no princípio de opositividade intra-sistêmica, em que cada elemento encontra seu valor na relação de oposição que ...

O gênio genebrino

Chris Cunha @ lingüístic@.com Categorias: Ciência Geral, Estruturalismo, Saussure, linguística
Ferdinand de Saussure, 26 de novembro de 1857 (1857-1913). Nasceu em Genebra, proveniente de uma família francesa que contava com cientistas como geólogos, naturalistas e gramáticos. Ainda jovem, aprendeu latim, alemão, inglês, grego e sânscrito. Em Genebra, deu início aos estudos de Química e Física logo abandonados para que pudesse dedicar seu tempo aos estudos da linguagem. Foi a Leipzig e a Berlin, onde estudou o antigo persa. Em 1878 publicou sua fundamental Memória sul sistema il persiano delle vocalli nelle lingue indoeuropee na qual postula a existência das entidades vocálicas sob o ponto de vista estrutural e não simplesmente vocálico - com exceção desta, quase nada mais foi publicado por ele -. Em Paris, lhe ofertaram a cátedra de gramática comparada, que manteve entre os anos de 1906 e 1911. Durante esse período, a partir de anotações feitas no decorrer de suas aulas, seus discúpulos Charle Bally e A. Sechehaye com a colaboração de A. Reindlinger, Payot, Lausanne-Paris publicaram postumamente o Cours de Linguistique Générale, obra fundadora das ciências humanas do século XX.Em 1996, num anexo da residência de Saussure, em Genebra, foram descobertos textos de ...
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