NÃO ERRAR É HUMANO

Minha crónica no "Público" de hoje:
Um jovem condutor morreu porque ia a passar no sítio errado (ao quilómetro 59,4 da auto-estrada A4, perto de Amarante) à hora errada (às 20h 25m do dia 10 de Março). Oito operários sobreviveram, apesar de feridos, ao desabamento do viaduto que estavam a construir. A probabilidade de um acidente desses acontecer era baixíssima. Devia até ser zero, pois nas obras de engenharia como esta os erros são simplesmente intoleráveis.
Podia ser qualquer um de nós que ia a passar. E somos nós que, de uma maneira ou de outra, vamos pagar o que se passou. De modo que é legítimo interrogarmo-nos: Porque é que, entre nós, há mais erros do que devia haver? A resposta é simples: por não termos suficientemente interiorizada a cultura do erro, isto é, por, nas nossas profissões, nas nossas vidas, não fazermos do erro um inimigo a quem recusamos tréguas. Não prevenimos os erros. Não castigamos quem erra. E, pior, não aprendemos com o que se passou de errado.
O processo de averiguar quem vai casar com a culpa, no caso de Amarante, já começou, mas infelizmente estamos habituados a que ela morra solteira. Um caso semelhante de queda de um viaduto da A15, nas Caldas da Rainha, ocorrido em 2001, no qual morreram quatro trabalhadores, demorou oito anos até ser julgado em tribunal. Em 2003, um viaduto para passagem pedonal desabou sobre o IC19, em Queluz, escassas horas após terem sido concluídas obras de reparação, fazendo, como que por milagre, apenas quatro feridos. Todos nos lembramos do alarido causado por esses graves acidentes. Mas alguém sabe qual foi a causa dos erros e quem errou? Não podemos remediar o passado, mas devíamos ter aprendido com o que se passou.
O austríaco, naturalizado britânico, Karl Popper analisou, do ponto de vista filosófico, a questão do erro. E ensinou-nos que, para evitar o erro, é preciso a auto-crítica, é preciso a crítica dos outros e é preciso aceitação (mais até: agradecimento) da crítica dos outros. Quando isso não se faz, acontece o encobrimento, individual ou colectivo, do erro. E esse encobrimento, como está à vista, é a via aberta para a próxima catástrofe.
O que é o erro? Como identificá-lo para melhor o prevenir? No presente contexto, trata-se de um desvio em relação a uma norma estabelecida, que se destina a alcançar um
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