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Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

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PEDRO NUNES E O PROTOCOLO ACADÉMICO


Que, na Universidade de Coimbra como aliás noutras universidades antigas, os protocolos são importantes pode confirmar-se pela leitura do livro "Pedro Nunes. Em busca das suas origens", de Maria Teresa Lopes Pereira (Colibri, 2009), do qual já aqui falei. O célebre matemático teve vários dissabores com os colegas por causa sobre questões de antiguidade. Transcrevo a este respeito trecho das páginas 105-106:
"Nesta época, na vida social em geral e também na vida universitária, havia regras protocolares exigentes, no tocante ás precedências nos lugares ocupados em sessões públicas, sendo obrigatório atender à concepção hierárquica universitária, que, por vezes, gerava conflitos. estes agravavam-se mais numa universidade recente, em que as regras não estavam ainda claramente definidas. Em vários conselhos, este assunto tinhas já sido debatido a propósito de diferentes questões, de que se destacam, título de exemplo, os de Janeiro e Março de 1547. O próprio reitor afirmara perante o Conselho "quantos desgostos e escandalos naçim de semelhantes diferenças as quais se não podiam determinar por a dúvida que os Estatutos causavam". Muitas vezes tinham de apelar para o Rei, o que em última análise, acabava por tornar a situação ainda mais complexa. Assim, foram muitos os casos de disputas pela primazia na Universidade de Coimbra nesta época.

Destacamos apenas um caso por envolver directamente o nosso protagonista. trata.-se de uma discussão acalorada entre Pedro Nunes e Afonso do Prado, pois o matemático dizia que "elle era mais antigo que o doutor afonso do prado, lente de prima de theologia" (15 de Novembro de 1554). As razões dos dois foram explicadas perante o conselho universitário que verificou que ambos encaravam a questão da primazia como uma questão de honra pessoal e de honra das respectivas faculdades. Tudo se resolveu quando em 1555 (26 de Outubro), Prado foi escolhido para reitor e Pedro Nunes declarou que "não queria mais falar deste caso [...] por o doutor prado lhe dizer que estava doente que o não quisesse perturbasse em sua consciência pois estava pacifico em sua posse". E, na realidade, Nunes aparece como testemunha na sua investidura.

Esta afirmação não deve induzir-nos a pensar que Pedro Nunes desistiu de ver reconhecido o seu direito como mais antigo no grau. Declara-o logo na primeira reunião. E, em 8 de Novembro desse

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CIÊNCIA E RELIGIÃO


A propósito do texto aqui publicado de Neil de Grasse Tyson, deixo aqui o texto da minha intervenção no ano passado na Reitoria da Universidade do Porto num debate sobre "Ciência e Religião" com D. Manuel Clemente, bispo do Porto. Neste texto, mais longo que o habitual, recupero algumas posições que já expus antes neste blogue, acrescentando naturalmente outras:

A ciência e a religião partem de necessidades diferentes do homem. A primeira trata do conhecimento do mundo natural (incluindo o próprio homem, pois o homem faz evidentemente parte do mundo), a segunda trata da relação do homem com algo difícil de definir, com o chamado “transcendente”, do qual tomamos conhecimento através da “revelação” ou “graça”. Deus é um nome breve para o trancendente, que tem tido várias faces conforme as culturas. Aqui para nós, na minha, na nossa cultura, é o Deus da Igreja Católica.

Tanto ciência como religião são actividades humanas, pelo que têm obviamente o homem como denominador comum. A actividade científica é apenas uma de entre as várias actividades humanas. A actividade religiosa é uma outra. A arte é ainda outra. E há mais. Não se pode dizer que uma seja superior ou inferior às outras, são simplesmente diferentes, porque usam metodologias próprias e prosseguem objectivos distintos. Na minha opinião, podem e devem coexistir pacificamente, sendo até possível que ambas ganhem com a respectiva interacção. Cada uma não tem que ignorar ou excluir a outra, mas antes respeitar as suas especificidades e procurar enriquecer-se através do intercâmbio possível. Só se poderá compreender o homem se se olhar para tudo aquilo que ele faz.

A ciência é a descoberta do mundo, recorrendo à razão e à experimentação. Como uma das suas marcas profundas tem de estar pronta a corrigir os erros se houver evidência para eles, o que lhe assegura a capacidade de progressão ao longo dos tempos. A religião é um outro tipo de visão do mundo que não assenta na racionalidade – pelo menos a racionalidade do mesmo tipo - e na experimentação mas sim na fé, a fé que exige sempre um “salto”... Baseia-se, em geral, em dogmas que têm uma tradição histórica profunda e que não podem ou que muito dificilmente podem ser revistos e muito menos descartados. Quando um cientista é dogmático não

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MEMBROS PORTUGUESES DA ROYAL SOCIETY OF LONDON


Na sequência do meu post anterior, eis a lista dos 23 membros portugueses da Royal Society,RS (segundo os Arquivos da RS e o artigo de Rómulo de Carvalho, "Portugal nas "Philosophical Transactions" nos séculos XVII e XVIII", Revista Filosófica, nº 11, Coimbra, 1956):

Nome / (Datas Nascimento-Morte) / Data eleição para a RS / Actividade profissional
  1. Cunha, António Álvares da (1626-1690), 9/4/1668, Arquivista
  2. Faria, José de (? – 1703), 30/11/1682, Diplomata
  3. Sequeira Samuda, Isaac de (1696-1730), 27/6/1723, Médico
  4. Galvão, António de Castelo Branco (? – 1730), 15/4/1725, Diplomata
  5. Carbone, João Baptista (1694-1750), 6/11/1729, Astrónomo
  6. Castro-Sarmento, Jacob de (1692-1762), 5/2/1730, Médico
  7. Mendonça Corte Real, Diogo ( ? - ?), 5/2/1736, Diplomata
  8. Azevedo Coutinho, Marco António de (1688-1750), 6/05/1736, Diplomata
  9. Menezes, Francisco Xavier de, Conde da Ericeira (1673-1743), 2/11/1738, Matemático
  10. Carvalho e Melo, Sebastião José de, Marquês de Pombal (1699-1785), 15/5/1740, Diplomata
  11. Portugal, Bento de Moura (1702-1766), 05/2/1741, Físico e engenheiro
  12. Andrade Encerrabodes, António Freire de (?-1772) 04/5/1749, Diplomata
  13. Barbosa, João Mendes Sachetti Barbosa (1714- 1774?), 10/5/1750, Médico
  14. Silveira, Joaquim José Fidalgo da (? - ?), 31/10/1751, Diplomata
  15. Chevalier, João (1722-1801), 23/5/1754, Astrónomo
  16. Melo e Castro, Martinho de (1716-1795), 21/04/1757, Diplomata
  17. Bragança, D. João Carlos de, 2º Duque de Lafões (1719-1806), 17/11/1757
  18. Almeida, Teodoro de (1722-1804), 09/03/1758, Físico
  19. Pereira, Jacob Rodrigues (1715-1780), 24/01/1760, Professor de surdos-mudos
  20. Magalhães, João Jacinto de Magalhães (1722-1790), 21/4/1774 Físico
  21. Sousa Coutinho, Luiz Pinto de, Visconde de Balsemão (1735-1804), 19/04/1787 Político
  22. Freire, Cipriano Ribeiro (1749-1824) 31/3/1791, Diplomata
  23. Serra, José Correia da (1750-1823), 3/03/1796, Naturalista e diplomata
  24. Stockler, Francisco de Borja Garção (1759-1829), 1/04/1819, Matemático
Na imagem, o Marquês de Pombal segundo Menez, no metro de Lisboa.Continue a ler MEMBROS PORTUGUESES DA ROYAL SOCIETY OF LONDON

PORTUGAL E A ROYAL SOCIETY


Minha crónica no semanário "Sol" de hoje (revista "Tabu"):

Este ano, a Royal Society de Londres, a Academia das Ciências do Reino Unido e a mais antiga academia do seu género ainda em actividade, está a comemorar os seus 350 anos. Com efeito, foi em 28 de Novembro de 1660 que uma dúzia de sábios decidiram fundar um “colégio para promover a aprendizagem físico-matemática experimental”, reconhecido dois anos depois pelo rei Carlos II (o marido de Catarina de Bragança).

Logo em 1668 era eleito o primeiro membro português, António Álvares da Cunha, guarda-mor da Torre do Tombo e pai de D. Luís da Cunha, que haveria de ser embaixador em Londres no tempo do rei D. João V. Ao longo dos séculos XVII e XVIII os livros de assentos da Royal Society incluem 22 nomes portugueses. O 10.º foi o Marquês de Pombal, que, tal como D. Luís da Cunha, foi embaixador português na capital britânica. Decerto que a sua entrada como fellow, em 1740, foi mais uma gentileza diplomática do que o reconhecimento do mérito científico do nosso futuro primeiro-ministro. Já o mesmo não se pode dizer do português eleito no ano seguinte: Bento de Moura Portugal, um dos nossos maiores físicos e engenheiros (foi comparado a Newton por um sábio alemão da época: "depois do grande Newton em Inglaterra só Bento de Moura em Portugal”).

Moura Portugal, apesar de irmanado ao Marquês nos anais da Royal Society, foi uma das numerosas vítimas do regime pombalino. Acusado por carta anónima de nutrir simpatia pelos Távoras, acabou por falecer, no forte da Junqueira, em 1760, ao fim de dez anos de cativeiro em condições miseráveis, que o levaram à loucura e até a uma tentativa de suicídio. De nada lhe valeram os notáveis serviços que prestou à coroa, nomeadamente na área das obras hidráulicas. Nem a invenção de uma “máquina simples de fogo”, um tipo de máquina a vapor, que foi demonstrada em Belém perante a família real em 1742 e divulgada mais tarde ao mundo científico pelo engenheiro inglês John Smeaton, o “pai” da engenharia civil, precisamente nas Philosophical Transactions, a revista da Royal Society.

Na sua minúscula cela nos cárceres da Junqueira, onde também padeceram os Távoras, Moura Portugal ainda conseguiu papel, pena e tinta improvisados (o papel era pardo e untado, a pena um osso

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“Uma coroa na testa da cidade”: a Biblioteca Geral, passado e futuro


Meu prefácio ao recente livro, ricamente ilustrado, "Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra" (Imprensa da Universidade de Coimbra, com coordenação de A. E. Maia do Amaral):

A biblioteca, qualquer biblioteca mas principalmente uma grande biblioteca, é um mundo, um cosmos. O físico Carl Sagan, no seu livro Cosmos, num capítulo significativamente intitulado “A persistência da memória”, escreveu: “Os livros permitem-nos viajar através do tempo, beber na própria fonte o saber dos nossos antepassados. A biblioteca põe-nos em contacto com as concepções e o saber, a custo extraídos da natureza, das maiores mentes até agora existentes, com os melhores professores, provindos de todo o planeta e de toda a nossa história, para nos instruírem sem nos fatigarmos e para nos inspirarem a dar a nossa contribuição ao saber colectivo da espécie humana.”

As palavras de Sagan evocam as do filósofo e matemático René Descartes: “A leitura de todos os livros bons é como uma conversa com as pessoas mais sérias dos séculos passados que deles foram autores.” Pois as bibliotecas são esses sítios únicos e extraordinários onde, para nosso enriquecimento, podemos conversar em qualquer altura com pessoas que desconhecemos mas das quais podemos ficar amigos. Elas encerram verdadeiros tesouros por várias razões: porque os bons amigos são tesouros valiosos, que devemos saber guardar; e porque a voz deles se faz ouvir através de conjuntos de folhas manuscritas ou impressas, que são muitas vezes objectos eles próprios valiosos, quer pela antiguidade quer pela arte que exibem.

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra guarda tesouros que nos trazem a memória de cinco séculos do tempo português e universal. Permanece algo nebulosa a sua origem, mas decerto desde que há Estudo Geral em Portugal que há um sítio para os livros necessários ao estudo (o rei D. Dinis assinou a bula que funda a universidade portuguesa a 1 de Março de 1290). A origem da biblioteca da universidade pode ser datada no ano de 1512, pelo que em breve deverão ser comemorados os quinhentos anos da biblioteca (nessa altura ainda não era geral). Em 1545 já existia biblioteca pois o cronista da Índia Fernão Lopes de Castanheda foi nomeado “guarda do cartório e da livraria” da Universidade de Coimbra. Ele pertence, portanto, à galeria dos grandes professores bibliotecários que foram, depois dele André, de Avelar, no século XVII,

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“FALTA-NOS A OCEÂNIA”

Trancrevo do "Público on-line" a notícia da colocação da primeira pedra do novo Museu dos Coches (ver aqui), que muita gente considera uma obra sumptuária:
"Coincidindo com os 100 dias do Governo Sócrates, [a cerimónia da 1.º pedra do novo Museu dos Coches] serviu sobretudo para lançar uma obra que, disse o primeiro-ministro, é um "sinal claro de investimento numa área cultural e museológica", um "investimento na arquitectura" ("sempre tive a mania de que percebia alguma coisa de arquitectura", confessou) e um sinal de que "Lisboa não desiste da sua ambição cosmopolita e universal".

Mendes da Rocha, também presente, reforçou a ideia de que o museu será elevado do chão, criando por baixo um espaço de passagem, para "não ser um transtorno no passeio a pé". António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa - que se tinha oposto a um silo automóvel junto ao rio, previsto no projecto inicial e do qual Mendes da Rocha acabou por abdicar - não poupou elogios ao arquitecto brasileiro. E sublinhou que este projecto faz parte do objectivo de ter obras de arquitectos dos cinco continentes na zona ribeirinha. "Falta-nos a Oceânia", disse. "Arranjaremos um projecto para convidar um arquitecto da Oceânia", prometeu-lhe Sócrates de seguida."
Fica registado: O primeiro-ministro português, não contente com a inutilidade do novo Museu dos Coches, pré-anunciou um projecto, decerto também inútil, de um arquitecto da Oceânia. Assim vai a cultura entre nós...Continue a ler “FALTA-NOS A OCEÂNIA”

OS ERROS E A POLÍTICA


A política tem esta coisa profundamente acientífica de nunca se admitir um erro, mas sim de o tentar esconder o mais possível. Um exemplo português recente é-nos oferecido pelas declarações produzidas ontem pelo primeiro-ministro José Sócrates na Conferência do Diário Económico sobre o Orçamento de Estado:

"Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias", "O défice orçamental português aumentou por uma boa razão, para responder à crise" (...) "O facto de o Estado português ter decidido aumentar o seu défice foi para resolver os problemas e numa dimensão em linha com as outras economias. Não se elevou demasiado, mas sim em linha com a média dos países evoluídos e numa proporção aceitável".

Em contraste, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos disse quase na mesma altura na Assembleia da República, na discussão do mesmo Orçamento do Estado:

“As previsões falharam redondamente em todo o lado e não foi porque houvesse intenção de enganar” (...) "Eu engano-me mas não engano” (...) "Não tenho pejo em reconhecer a minha quota parte de responsabilidade no perfil de estagnação e de crescente endividamento."

Um deles está simplesmente a ser mais político do que o outro.

Fonte: Citações do "Público" on-line. Foto de Daniel Rocha do "Público".
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ACTIVIDADES EXPERIMENTAIS PARA O 1.º CICLO

Minha curta apresentação do livro de Sandra Costa intitulado "Actividades Experimentais para o Primeiro Ciclo" (Areal): aqui.
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HUMOR – O TERRAMOTO DO HAITI E O AQUECIMENTO GLOBAL



Não é só Hugo Chávez que debita disparates sobre o recente terramoto no Haiti. Só à conta de humor, embora decerto involuntário, se podem levar as declarações de Danny Glover, actor, realizador de cinema e activista político norte-americano (fez de Presidente dos Estados Unidos no filme "2012" e de um velho com venda preta no filme "Blindness", baseado no romance de José Saramago "Ensaio sobre a Cegueira"):

"...the threat of what happens to Haiti is a threat that can happen anywhere in the Caribbean to these island nations... they're all in peril because of global warming... because of climate change... when we did what we did at the climate summit in Copenhagen, this is the response, this is what happens..."Continue a ler HUMOR – O TERRAMOTO DO HAITI E O AQUECIMENTO GLOBAL

O FINANCIAMENTO DA IDA À LUA


Ontem, a interessantíssima sessão de Maria Luísa Malato Borralho no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra, sobre Júlio Verne levou-me a reler passagens o livro "Da Terra à Lua". E na edição do projecto Gutenberg (Imprensa Nacional, 1874, tradução de Henrique de Macedo, "Lente de mathematica na escola polytechnica e astronomo no observatorio de marinha") do livro foi fácil encontrar a única referência a Portugal, que participou no projecto global (globalização "avant la lettre"!) com 30000 cruzados, pouco mas que, apesar de tudo, foi mais do que deu a Espanha, que andava a construir ferrovias (o TGV da época) e cujo espírito anti-científico é ridicularizado por Verne. Transcrevo o delicioso texto verniano, onde é patente uma humorística sociologia das nações, com o itálico meu sobre a contribuição ibérica:
"Tres dias depois da publicação do manifesto do presidente Barbicane estavam subscriptos nas differentes cidades da União, quatro milhões de dollars. Com esta somma, por conta de maior quantia, já o Gun-Club podia ir fazendo alguma cousa. Dias depois, noticiavam os despachos telegraphicos á America que as subscripções no estrangeiro eram cobertas com verdadeiro enthusiasmo. Alguns paizes faziam-se notaveis pela generosidade da sua offerta. A outros lá custava mais a desapertar os cordões á bolsa. Questão de temperamento.

Em summa, mais eloquentes são os algarismos que as palavras, e eis a descripção official das sommas que foram escripturadas no activo do Gun-Club, logoque se encerrou a subscripção.

A Russia deu como contingente a enorme quantia de trezentos sessenta e oito mil setecentos e trinta e tres rublos, e só poderá causar espanto a grandeza da quantia a quem desconhecer o gosto dos russos pelas sciencias, e o progresso que imprimem aos estudos astronomicos, devido aos numerosos observatorios que possuem, dos quaes um, o de mais importancia, custou dois milhões de rublos.

A França começou por se rir das pretensões dos americanos. Serviu ali a Lua de pretexto a mil calembourgs já estafados, e a algumas dezenas de vaudevilles em que o mau gosto e a ignorancia disputavam primazias. Porém os francezes, que já de antiga data trazem o habito de cantar e ainda em cima pagar, d'esta vez riram, mas tambem depois pagaram, subscrevendo com a quantia de um milhão e duzentos e cincoenta tres mil novecentos e trinta francos. Por este preço realmente assistia-lhes o direito de

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