Caro Sr. Presidente da FCT e Srs. Vice-Presidentes

De: Joaquim Norberto Cardoso Pires da Silva
Data: 1 de Agosto de 2014 10:16:15 WEST
Para: <[email protected]>
Assunto: Re: Esclarecimento da direção da fct sobre o exercício de avaliação das unidades de investigação
Caro Sr. Presidente da FCT e Srs. Vice-Presidentes,
Li com atenção aquilo que escreveram a todos os investigadores. Lamento não poder concordar com o que dizem.  Todos os investigadores estão habituados ao desapontamento. Faz parte da vida de ser cientista. Todos fazemos muitas propostas de financiamento que não são compreendidas e não são financiadas. Todos trabalhamos afincadamente na expectativa de melhores resultados, procurando contribuir para um país melhor, mesmo enfrentando dificuldades crescentes por indefinição estratégica crónica de quem gere a política científica nacional. Todos já falhamos várias vezes, porque o sucesso é um caminho cheio de falhas com as quais se aprende (gerando conhecimento) talvez aquilo que depois consideramos mais valioso, todos já experimentamos o desapontamento de não atingir objetivos.
Repito: o desapontamento faz parte da vida de ser cientista.
O que não faz parte dessa vida é o desapontamento resultante da perceção clara de que aquilo que fazemos não tem um quadro claro de rigor, avaliação ao mais alto nível, transparência e mecanismos de confronto de pontos de vista. Um cientista não se desaponta com uma avaliação menos positiva que aponta fragilidades naquilo que faz, na forma como o faz ou na qualidade dos resultados que obteve. Um cientista sério EXIGE isso mesmo.
Consequentemente, e ao contrário do que dizem, o que tem vindo a público não é desapontamento com os resultados obtidos por certos Centros de I&D, mas sim um enorme descontentamento com o processo de avaliação, com a inconsistência e discricionariedade de um procedimento que contém erros grosseiros e não possui mecanismos de correção, com mais do que provada evidência de que a avaliação foi mal conduzida e muito descuidada.
Dou-vos um exemplo. O Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC), do qual faço parte, teve, segundo as regras definidas pela FCT, a avaliação de “Excelente” (nota máxima) nos três últimos ciclos de avaliação. No final de 2013 (ainda nem passou 1 ano), a FCT preocupada com a estratégia seguida pelos vários centros de ciência em Portugal, resolveu, e muito bem, avaliar as opções científicas de médio e longo-prazo estabelecidas pelos vários centros. Ao CEMUC foi atribuída a nota máxima, ou seja, “A”. Desde a última avaliação regular, bem como desde a avaliação de estratégia de 2013, os índices de performance do CEMUC aumentaram, isto é, melhoraram os seus resultados usando os indicadores definidos pela própria FCT.…

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O Novo e o Velho em Escorpião

         

   

           Com a lua nova e finalmente o céu aberto eu enfim tenho uma oportunidade de visitar Escorpião este ano. Aqui da Stonehenge dos Pobres a geometria do universo só me permite observa-lo no Horizonte Sudoeste. Assim já ia mais de meia noite quando percebi Antares se aproximando do Dois Irmãos .
            A noite fora fria e eu realmente não tinha planejado observar. No inicio da noite tinha encontrado alguns amigos e procurado por algum calor em  bastante vinho. Por bastante entende-se bastante mesmo. E assim estabanado puxei o Newton para o canto Leste da Janela e consegui um alinhamento polar por palpite até razoável. Diria que já aprendi aonde fica o sul a partir da janela de minha casa.  
Antares 1 x 15 seg.
            Uma rápida visita até Antares para afinar a buscadora e descobrir que o alinhamento polar estava mais para menos do que para mais. Mas não pretendia melhorar ele mesmo e achei que poderia fazer exposições de 15 segundos sem que o drift fosse capaz de destruir as imagens completamente.  Dali me  dirijo para cauda da fera.
            Escorpião é minha constelação favorita . Com muitas lendas , diversas estrela muito brilhantes e próximo ao centro galáctico as visitas a região sempre rendem alguma coisa.
            Passeando ao acaso por junto a Zeta Scorpius  , que é uma bela dupla, e pela área do falso cometa me digno a tentar a sorte e fazer algumas fotos. Ngc 6231 é a cabeça do Falso Cometa. E sua cauda responde por Trumpler 24. Serão minhas vitimas iniciais. 
Ngc 6231 10 exp X15 seg  + 5 dark frames Deep Sky Stacker

           
5 X 15 seg +5 Darks DSS 

            Ngc 6231 certamente é conhecido desde a antiguidade. Me recordo desta maravilha celestial  no inverno passado quando observei este em umaviagem as Anavilhanas e os céus escuros nas terras do Karapãna.  Não faz feio nem mesmo na miseráveis condições de poluição luminosa no Rio de Janeiro. Embora não se perceba o “cometa’ com quase 2o de extensão que batiza a região percebe-se facilmente o aglomerado pela buscadora. . A descoberta de sua real natureza é geralmente creditada ao sócio aqui do Nuncius Australis . O Abbe Lacaille. Mas é hoje aceito que os créditos deveriam ir para Giovanni Batista Hodierna.

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MAIS UMA RESPOSTA AO ESCLARECIMENTO NADA ESCLARECEDOR DA FCT

A resposta de Orlando Oliveira, professor de Física da Universidade de Coimbra, ao email de “esclarecimentos” enviado pela FCT:
Caro Sr. Presidente da FCT,
Li com atenção o texto que me enviou e, no caso particular do centro a que pertenço, não reconheço a validade do que afirma no texto enviado face aos critérios e ao resultado da avaliação. No que toca ao centro a que pertenço, o relatório dos avaliadores contém erros grosseiros, que não abonam nada a favor da tal robustez que reclama. Mais, no que toca à área da Física, tive o cuidado de efectuar uma análise dos dados bibliométricos (sim, sei que não traduzem tudo) e, em face desses dados, os critérios usados para a passagem à segunda fase só me conseguem gerar repulsa. Diria mais: algumas das vossas declarações são, para dizer o mínimo, desonestas. Parece que foi a actual direcção que descobriu a roda. Seria engraçada, se não fosse dramática, a forma como caracterizam todo o processo anterior de avaliação.
Atentamente,
Orlando Oliveira
Centro de Física Computacional
Departamento de Física, Universidade de Coimbra, Portugal…

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O ESCLARECIMENTO DO ESCLARECIMENTO DA FCT

Na passada quarta-feira dia 30 de Julho, a direcção da Fundação para a Ciência e Tecnologia resolveu enviar uma mensagem de correio electrónico aos investigadores da sua base de dados, para prestar”esclarecerimentos” acerca do processo de avaliação em curso. Infelizmente o esclarecimento não é nada esclarecedor, fica aqui o esclarecimento do esclarecimento, por Paulo Jorge Dos Santos Coelho, Director do Centro de Química – Vila Real.

Exmo Presidente da FCT
Achei uma boa ideia este esclarecimento mas não posso deixar de manifestar a minha discordância com as explicações fornecidas
Não é verdade que esta avaliação esteja a conduzir à destruição do sistema de instituições de I&D em Portugal.
ERRADO. Várias unidades classificadas anteriormente várias vezes como Excelentes ou Muito Bom viram a sua classificação baixar sem fundamentação adequada para Fair ou Bom. A qualidade delas não baixou drasticamente, esta avaliação é que foi mal conduzida. Isto significa a destruição, sem sentido, de muito do que foi construído nos últimos 20 anos.
É verdade que a FCT se disponibilizou para apoiar as unidades que não passaram à segunda fase
Isto é lançar areia para os olhos. A enorme contestação que surgiu resulta dos erros grosseiros desta avaliação. Quem foi mal avaliado não quer migalhas para se reestruturar, quer sim ser correctamente avaliado. Não é só a questão da nota, é simplesmente ser avaliado com justiça, o que não foi manifestamente o caso.
É verdade que os pedidos de Audiência Prévia recebidos serão todos analisados pelos painéis de avaliação.
Eu espero sinceramente que haja abertura para analisar, sem preconceitos, os pedidos de Audiência Prévia, o que não aconteceu na fase de Rebuttal onde estes comentários foram simplesmente ignorados. Tinham-se evitado muitos problemas se tivesse havido abertura para os ler cuidadosamente e reflectir sobre o que estava a acontecer.
Não é verdade que o contrato assinado entre a FCT e a European Science Foundation(ESF) exclua automaticamente metade das unidades da segunda fase da avaliação.
Pois não parece. Os relatórios de consenso parecem encomendados para se adaptarem às notas já decididas. Em muitos casos o painel limitou-se a enumerar as ligeiras críticas que os avaliadores tinham escrito, ignorando todos os elogios. Se as notas não foram decididas antes de escrito o texto parece. Aliás, há muitos casos em que depois de receber 3 notas acima de 16, incluindo a do membro do painel da área, o painel, juntando os membros que não são da área, decide baixar a nota para 14, 13 e 12.

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Em Transição 2.0

A Transição é uma experiência social em grande escala. Não sabemos se resultará. Mas estamos convencidos de que, se esperarmos pelos nossos governantes, virá pouca coisa e… demasiado tarde. Se agirmos como indivíduos, será muito pouco. Mas se agirmos em comunidades, poderá muito bem ser suficiente, e mesmo a tempo.” (do filme)

«In Transition 2.0” é o novo filme da Rede de Transição, que reúne histórias inspiradoras de Iniciativas de Transição em todo o mundo. Histórias que respondem a tempos incertos com criatividade. Comunidades que imprimem seu próprio dinheiro, que cultivam os seus alimentos, localizando as suas economias e criando centrais de energia comunitárias. É uma ideia que se tornou viral, uma experiência social que trata de responder a tempos incertos com soluções e otimismo.» (adaptado daqui)

De 2012, três anos depois de “In Transition 1.0” (2009). Veja, inspire-se, e seja positivo!

«“In Transition 2.0″ é a mais recente longa-metragem sobre o Movimento de Transição. É uma história surpreendente sobre como os grupos de transição espalhados pelo mundo estão a responder aos desafios de escassez de recursos energéticos, à instabilidade financeira e às mudanças ambientais.

O filme tem legendas em várias línguas – basta clicar no botão ‘Captions’ no player de vídeo que encontra uma grande variedade de idiomas disponíveis.

Para quaisquer questões relacionadas com sessões públicas ou com o filme, por favor, entre em contacto com [email protected]» (Fonte: http://www.transitionnetwork.org/transition-2)

Nota: publicado inicialmente aqui em 09/02/2014, republicado em 31/07/2014.

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